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  • Postado por editora em em 02/12/2019 - 14:43

    Ao longo dos anos, a imprensa apresentou fatos e acontecimentos que permitem, hoje, entender o que ocorreu e o que ocorre em nossa sociedade.

    A análise da historiadora e pesquisadora associada do FGV/CPDOC Alzira Alves de Abreu sobre a atividade jornalística no período que vai dos anos 1920 até o final dos anos 1970 deu origem à obra Acontecimentos políticos brasileiros pela ótica da imprensa.

    A partir do episódio das “cartas falsas”, publicadas pelo jornal Correio da Manhã, em 1921, a autora examina o papel que a imprensa exerceu nesse episódio e permite entender algumas das características que marcaram a atuação dos jornais nos anos 1920 e as mudanças que eles sofreram ao longo das décadas seguintes.

    Seguem análises sobre a atividade da imprensa nos anos do Estado Novo, no período Vargas, no governo de Juscelino Kubitschek, bem como sobre a construção de Brasília, continuando com a cobertura da queda do governo de João Goulart, do regime autoritário instalado em 1964 e como a imprensa foi usada para enaltecer o papel dos militares e, finalmente, uma análise da cobertura jornalística durante o governo Geisel.

    Alzira ainda procura explicar a ausência de estudos sobre o papel da mídia nas crises políticas e nos acontecimentos que marcaram a história brasileira e pretende, com esta obra, ajudar a reconstituir não só os acontecimentos e as crises políticas como nos levar a entender as transformações que ocorreram nesse período na imprensa e na formação dos jornalistas.

     

    Acontecimentos políticos brasileiros pela ótica da imprensa será lançado dia 10 de dezembro, às 17h, na Livraria FGV do Rio de Janeiro, com venda exclusiva no evento. A partir do dia 11/12 estará disponível também em nosso site.

     

  • Postado por editora em em 25/11/2019 - 15:57

    Após a I Guerra Mundial (1914-1918), o período convencionado como belle époque (1898-1914) ficara para trás, e os loucos anos 1920 despontavam com provocações e enfrentamentos inéditos.

    A imprensa periódica se afirmava como lugar privilegiado de construção de um mundo em ebulição. Instrumento crucial de comunicação, entretenimento e informação, as revistas de variedades ofereciam espaço privilegiado para que a caricatura registrasse uma gama variada de temas que parecem pertencer aos anos 2020: relações de gênero, feminismo, machismo, moda, androgenia, obsessão pelas aparências, fragmentação social, entre outros.

    Seus personagens e assuntos emergiam do cotidiano, exibindo e criticando comportamentos de forma leve e clara, com poder de síntese, capazes de alcançar o leitor comum que conseguia identificar em sua vida situações similares. Até por isso, crônicas e caricaturas demoraram muito a ser aceitas e valorizadas no mundo acadêmico, o que já não ocorre mais.

    No livro Belmonte: caricaturas dos anos 1920, Marissa Gorberg analisa a obra do cartunista e aponta as possíveis conexões entre traços biográficos e sua produção artística, situando Belmonte também no espaço do movimento modernista dos anos 1920 e identificando o personagem como um “fotógrafo” do cotidiano que, com seu olhar crítico, distorce, acentua traços com o intuito de fazer ver, de possibilitar alguma identificação e, principalmente através da ironia, assumir uma posição crítica.

    A análise da produção de um artista intelectual paulistano no Rio de Janeiro também exigiu da autora uma leitura mais focada da então capital da República, e todas as mudanças ocorridas na cidade naquele período, já que tratava do cotidiano de uma metrópole cosmopolita, ou que se pensava como tal, em estilo de vida, modos e costumes de sua elite.

    Nesta obra que publicamos em comemoração ao centenário dessas produções dos anos 1920, os retratos oferecidos por Belmonte podem ajudar a esclarecer muitos aspectos de nossa história social, flagrados pelo filtro da perplexidade que colocava em questão certas práticas e acontecimentos da época.

     

    Marissa Gorberg lançará a obra na Livraria da Travessa do Leblon, no dia 28 de novembro.

     

  • Postado por editora em em 25/11/2019 - 11:16

    A 21ª edição da Festa do Livro da USP começará nesta próxima quarta-feira.

    Organizada anualmente pela Edusp, a Flusp é um evento que aproxima editoras e leitores, oferecendo livros de qualidade com os melhores preços.

    Entre os dias 27 e 30 de novembro, mais de 200 editoras estarão com milhares de livros disponíveis, todos com desconto mínimo de 50%.

    No site da Festa é possível conferir todas as editoras participantes e até a lista dos livros que cada uma levará para este grande evento.

    Local e horários de funcionamento também podem ser consultados AQUI.

    Nós estaremos no Espaço AZUL (CEPEUSP), ilha 35, com mais de 300 títulos com 50% de desconto.

     

    Nos encontramos na Flusp!!

     

     

    Planta:

  • Postado por editora em em 25/10/2019 - 12:11

    Entre os dias 4 e 7 de novembro acontecerá a FLUFF, a primeira Festa do Livro na UFF e claro que nós vamos participar, levando mais de 300 títulos, todos com 50% de desconto.

    Organizada pela Consequência Editora e pela Eduff - Editora da UFF, a Festa reunirá cerca de 40 Editoras, entre elas Editora 34, Alameda, Aleph, Autêntica, Bazar do Tempo, Boitempo, Companhia das Letras, Consequência Editora, Dublinense, Eduff, Elefante, L&PM Lamparina, Lote 42, Record, Revan, Ubu, Editora Unicamp, Vozes, entre várias outras que oferecerão descontos a partir de 40%.

    O objetivo é favorecer e fortalecer a distribuição do livro, importante ferramenta de conhecimento e de transformação dos povos, abrindo um canal de exposição e venda direta entre Editoras e público.

    Para tal, as Editoras expositoras estarão dividas por estandes localizados nos pilotis dos blocos D e E do Campus Gragoatá, pertinho das Barcas e do Centro de Niteroi, entre 9 e 20h.

    A iniciativa é uma demonstração de energia de todos os envolvidos no mercado editorial, incluindo leitores, no sentido de valorizar o livro e a leitura tão necessária na atual conjuntura do Brasil. Sejam bem-vindos!

    Mais informações estão em fluff.com.br

    Nos encontramos lá.

     

  • Postado por editora em em 25/09/2019 - 14:36

    A Primavera Literária do Rio acontecerá entre os dias 3 e 6 de outubro nos jardins do Museu da República.

    Como todo ano, esta 19ª edição da feira terá uma programação cultural gratuita para seus visitantes e nós estaremos lá também.

    E nesta edição nossa participação está mais que especial.

    Nossas autoras Marieta de Moraes Ferreira, Maria Regina Celestino e Débora Thomé estarão presentes em eventos diversos durante a programação.

    Confira quando elas estarão presentes:

     

    Sexta | 04/10 das 16h às 18h | Espaço Educativo

    Histórias Orais – Escuta, afeto e os desafios de registros

    Partipação: Angela Maria de Castro Gomes (Editora FGV); Janaína de Figueiredo (Aletria); Andreia Cozzi - Pará

    Mediadora: Michele Silva

     

    Sábado | 05/10 das 18h às 20h | Espaço Educativo

    Como se escreve “Índio”? - Protagonismo indígena, cultura e território

    Partipação: Maria Regina Celestino (Editora FGV); Edgard Leite (Editora Jaguatirica);Tainá Marajoara - Pará; Aline Pachamama

    Mediadora: Cristiane Mandello

     

    Domingo | 06/10 das 16h às 18h | Tenda Principal

    Feminismos de gerações

    Partipação: Débora Thomé  (Editora FGV); Lizandra Almeida - Pólen Editora; Rachel Gutierrez - Jaguatirica

    Mediadora: Claudia Gomes

     

    Mais da programação pode ser conferida na página da LIBRE, no Facebook. Clique AQUI, que te mandamos pra lá ou confira tudinho mais abaixo.

     

    O Museu do Palácio do Catete é aberto à visitação.

    A feira é gratuita e a entrada do Museu fica em frente ao metrô do Catete.

    Não dá pra não ir.

     

    Levaremos cerca de 200 títulos do nosso catálogo, entre lançamentos e acervo, e todos estarão com 50% de desconto, além de livros selecionados por R$10,00.

    Esperamos sua visita!!

     

  • Postado por editora em em 16/08/2019 - 12:51

    A Bienal do Livro Rio é um dos maiores eventos literários do país.

    Durante dez dias, o Riocentro sedia a festa da cultura, da literatura e da educação e proporciona o grande encontro do público com o astro principal: o livro.

    E claro que a Editora FGV não poderia estar de fora dessa celebração à leitura. Todas as nossas principais obras estarão reunidas em um estande montado especialmente para receber os visitantes da XIX Bienal do Livro.

    Esta é uma ótima oportunidade para conhecer nossos lançamentos, conferir as inovações nas Publicações FGV Management, encontrar as obras publicadas em diversas áreas do conhecimento, aproveitar muitos descontos em nosso estande e saber de várias novidades.  

    Dentro da programação oficial da Bienal, teremos as seguintes participações:

     

    Fórum de Educação | EduTalks

    Dia 3 de setembro (terça-feira), às 11 horas: Maria Regina Celestino falará sobre sua experiência no ensino de história, abordando o tema do livro Os índios na história do Brasil, da nossa Coleção FGV de Bolso.

     

    Café Literário

    Dia 8 de setembro (domingo), às 14 horas: Michael Mohallem participará do debate sobre corrupção, com base no livro que publicamos em 2018, Novas medidas contra a corrupção.

     

    No nosso estande

    Dias 2 e 3 de setembro (segunda-feira e terça-feira), às 15 horas: Mariana Guglielmo fará apresentação para professores e diretores de escolas (públicas e privadas) do Novo Portal do FGV Ensino Médio e todas as inovações na educação que ele traz. Aguardamos sua partipação. Basta chegar em nosso estande.

     

    Há necessidade de inscrição no site da Bienal para participar do Fórum e do Café Literário.

    Compre seu ingresso com antecedência para evitar filas.

    Acesse AQUI o site da Bienal.

     

    Te esperamos lá!!

    Estaremos no Pavilhão Verde, Rua O - Estande 77.

  • Postado por editora em em 28/06/2019 - 11:21

    Os desafios e as oportunidades do mercado de vinho no Brasil e no mundo serão alvo de debates durante o Seminário Vinho & Mercado 2019.

    Em sua quinta edição consecutiva promovida pela Fundação Getulio Vargas em parceria com a Baco Multimídia, o evento reunirá, no dia 5 de agosto, das 8h30 às 17h30, profissionais de diferentes áreas de negócios do vinho, além de experts do setor.

    As inscrições para este já tradicional evento, que faz parte do calendário anual do Rio Wine and Food Festival, estarão abertas no dia 3 de julho.

     

    Confira a programação do seminário:

     

    8h30 —  Cadastro e acesso

     

    Moderador:

    Sergio Queiroz | Especialista em mercado de vinhos e marketing e sócio-Diretor do Grupo BACO Multimídia

     

    Palestras:

    9h – 9h20 —  Abertura FGV

    João Luis Tenreiro Barroso | Diretor da FGV Educação Executiva – Rio de Janeiro e Brasília

    Valdiney C. Ferreira | Coordenador do Curso FGV Wine Business

     

    9h20 – 9h40  —  O mercado brasileiro de vinhos e tendências internacionais

    Marcelo Copello | Especialista em vinhos e mercado; Sócio-diretor do Grupo BACO Multimídia

     

    9h40 – 10h10  —  Os Vinhos do Brasil no atual contexto social, político e econômico | Eliminação de ST por alguns estados, acordo MERCOSUL-UE, entre outros contextos e impostos

     

    10h10 – 10h40  —   A saga da família Rothschild

    Barão Philippe de Nicolay Rothschild | CEO do PNR Group

     

    10h40 – 11h10  —  Entrega Troféu Vinha Velha  –  4 prêmios do setor

     

    11h10 – 11h40  —  O mercado de bebidas no Brasil e no mundo | os números e oportunidades para o Vinho

    Thiago Torelli | Líder da área de bebidas na NIELSEN  Brasil

     

    11h40 – 12h10  —  O grande xadrez dos mercados que transformou o Brasil em importante importador de vinho

    Valdiney Ferreira | Coordenador do curso FGV Negócios do Vinho, Diretor Executivo da Vinisa Projetos

     

    12h10 – 12h30  —  Debates

     

    12h30 – 14h  —  Intervalo para almoço

     

    14h – 14h30  —  Os números e dados da importação de vinhos no Brasil, consumo e tendências do mercado

    Felipe Galtaroça | CEO da Ideal Consulting

     

    14h30 – 15h  —  Pró-Vinho - Abras, Abrasel, ABBA, Ibravin e profissionais do segmento |  conhecendo a entidade interprofissional que desenvolve estratégias para incentivar o consumo do vinho

     

    15h00 – 15h30  —  EBV - Empresa Brasileira de Vinificação | Fábrica de vinhos e sonhos – A trajetória vitoriosa desta nova empresa, seus prêmios e inovações

    Alejandro Cardozo | Sócio e enólogo Grupo EBV

     

    15h30 – 16h  — ENIWINE - A revolução do e-commercer de vinhos no Brasil 

    Marcelo Abrileri | CEO ENIWINE 

     

    16h – 16h30  —  Mesa redonda sobre mercado e debates | O momento do mercado, tendências, entraves e oportunidades

    Palestrantes do dia e convidado especial

     

    16h30 – 17h  — Perguntas

     

    17h  —  Momento networking | Encerramento 

     

    17h30 - Lançamento do livro Vinho e Mercado – fazendo negócios no Brasil, no próprio Centro Cultural FGV

    Autor Valdiney Ferreira

     

    INSCREVA-SE para o Semeninário clicando AQUI

     

    O evento é uma parceria entre o Grupo BACO Multimídia e a FGV Management/IDE Rio, contando com o apoio do Vinhos do Brasil e Ibravin

    O Grupo BACO Multimídia, idealizador e organizador do Rio Wine and Food Festival, é uma empresa de comunicação, consultoria e inteligência de mercado que tem na geração de conteúdo e nos eventos sua plataforma de atuação. É responsável pela edição da revista BACO, do Anuário Vinhos do Brasil, em parceria com o Ibravin, entre outros produtos editoriais. Seu portfólio inclui ainda mídia digital e uma série de eventos no Brasil e exterior, com destaque para a Grande Prova Vinhos do Brasil.

  • Postado por editora em em 03/05/2019 - 14:36

    Este livro estabelece o claro contraste entre a improvisação do ensino médio no Brasil e a necessidade de pensar e planejar cientifi camente o futuro. Aliás, esse nível de ensino serve apenas como exemplo, porque tal contraste se estende a muitas outras áreas das políticas educacionais e públicas. No caso em tela, verifica-se que o ensino médio se expandiu nos interstícios da escola primária e do ensino fundamental, ocupando espaços disponíveis e valendo-se de escassos recursos, como se fosse um “puxadinho” da casa. O patinho feio, entretanto, como em grande parte do mundo, cresceu, expandiu-se signifi cativamente, atingiu novos estratos sociais, na qualidade de educação de massa, e se volta para atender a novas necessidades, ao constituir uma meta de Educação para Todos, a ser atingida em 2015, conforme o encontro da Unesco em Dacar.
    Apesar de o Brasil, como outros países, continuar na inércia de acender os lampiões a gás, à sua volta quase tudo mudou. O ensino para poucos antes atendia a dois objetivos colidentes: formar para a educação superior ou para o trabalho, com os seus concluintes, neste último caso, renunciando tacitamente a continuar os seus estudos. Hoje, o ensino médio constitui legalmente uma etapa da educação básica, de modo que é impensável atender só a um desses objetivos históricos. Redimensionado e arejado, cabe-lhe constituir a escola formativa da adolescência e juventude, conferindo benefícios que justifiquem a permanência na escola por pelo menos mais três anos. Entretanto, mentalidades elitistas e conservadoras ainda o mantêm como um suplício para os jovens. Sem clara identidade, apresenta uma pletora crescente de componentes curriculares cada
    vez mais especializados e compartimentados que, no caso dos alunos de altas posições sociais, se converte em preparatório ou amestragem para ingresso nas instituições de educação superior públicas e gratuitas, um dos raros funis da educação brasileira. Para os menos privilegiados, com frequência o ensino médio é um quebra-cabeça de conteúdos a montar, sem atingir objetivos mínimos como dominar razoavelmente a língua portuguesa, pelo menos uma língua estrangeira e outras áreas do conhecimento. Muitos consideram que os “piores” problemas educacionais do Brasil estão no ensino médio. Tomamos a liberdade de discordar. Grande parte desses problemas se origina nas primeiras etapas da educação básica, tão marcadas pelo insucesso escolar.
    Essas dificuldades nos obrigam a tratar novos problemas com novas soluções, sob pena de resolvê-los. Que ensino médio queremos? Para onde vamos? Como os custos para a sociedade podem ser compensados com benefícios coletivos e individuais? Nada disso se improvisa. Não é possível perguntar, como Alice ao Gato, no país das maravilhas, de que modo ela podia sair do labirinto. Responde-lhe o Gato que depende de para onde ela quer ir. Isso ela não sabe: então qualquer caminho serve.
    Ao ter a honra de participar da banca de doutoramento do professor doutor Alvaro Chrispino, verifiquei que o seu trabalho, aperfeiçoado nesta obra, buscava respostas precisas para o futuro, ao delinear diversos cenários, do vigenteao mais desejável. Da maior relevância ainda, ao aplicar os cenários, não traçou uma utopia no lugar da situação mais desejável, ao contrário, delineou-a com realismo, fundamentado no melhor da literatura e na análise lúcida das condições histórico-sociais. Afinal, filósofos em particular, bem como parte dos verdadeiros cientistas e artistas, são sensíveis antenas para captar os ambientes e analisar os desafios do presente e do futuro, propondo-lhes as respostas mais adequadas. Pode haver devaneadores entre essas pessoas, porém o filósofo, o cientista e o artista são capazes de sintonizar-se plenamente com o seu tempo, são dotados de impressionante realismo. Tanto que alguns deles antecipam ideias e situações a longo prazo e, gerações depois, verifica-se que a realidade prevista chegou, não raro inesperadamente. É que os critérios usuais de julgamento envolvem uma área de penumbra, onde o futuro delineado com realismo, na estreiteza das perspectivas de um lugar e época, se confunde com o delírio.
    Para fazer e não só imaginar políticas públicas, cabe transitar entre o tacanho e a utopia, sem cair nos extremos. Quando apenas se administra opresente, os problemas emergentes de curto prazo, quando supomos fazer a política do possível esterilizamo-nos nas rotinas. Bem antes da nossa República se estabelecia a necessidade de prever para prover. Àquele tempo a história fluía como a areia de uma estreita ampulheta, muito mais lentamente que hoje. As comunicações estavam longe de construir sociedades em rede.
    Nosso último imperador, segundo conta a história, homem muito “viajado” para aquele período, admirou-se com o telefone e chamou a atenção para o invento: “Isto fala”. Na estratificação do sistema internacional de hoje apresentam vantagens para tomar os poucos elevadores disponíveis os países capazes de prever a longo prazo e de agir velozmente, antecipando cenários e buscando-os coerentemente. Até nas batalhas da Antiguidade vence quem melhor conhece o presente e antecipa o futuro. Que país queremos ser dentro de 20 anos ou mais? Que educação nos será exigida? Podemos errar no traçado de cenários, faz parte das sociedades de risco, mas será pior se nem ousarmos delinear e construir o futuro.
    Este livro, portanto, coloca à disposição dos educadores (mas não só deles) possibilidades para se mover do presente ao porvir. Acaso pretendemos desconhecer o fracasso escolar, semeado desde os primeiros anos de escolarização? 
    Pretendemos continuar a colher os frutos amargos muito antes do ensino médio? Pretendemos continuar ignorando o aborrecimento e o mal-estar dos jovens na escola? Esperaremos que até os alunos socialmente mais privilegiados se afastem da instituição escolar por não mais suportá-la? Buscaremos obrigatoriamente vinho velho com medo de romper os velhos odres? Todas estas questões são de profunda responsabilidade histórica.
    Se for o caso de remeter a um exemplo atual, podemos formular uma pergunta: que faremos quando a produção de petróleo atingir o seu pico e começar a descer a ladeira? Os Emirados Árabes Unidos já se fizeram essa indagação. Por fazê-la, decidiram desde já preparar-se para o fim dessa riqueza mineral, tornando-se um centro financeiro internacional e estruturando a sociedade e a economia do conhecimento. Não se trata de sonhos de uma noite de verão, nas areias do deserto. Ao contrário, eles hoje plantam numerosas universidades no deserto, segundo estratégias de longo prazo. Para isso, contratam o que há de melhor em cada área do conhecimento, procurando ter pelo menos dois centros de excelência, originados do exterior, em cada uma delas. Por ora são importadores de conhecimentos e instituições, mas preveem dar o salto, a partir desse trampolim, para se tornarem criadores e inventores. Essa hora chegará, com relativa margem de certeza. E o Brasil, quando deixará de administrar crises para antecipá-las? E a educação, o que pretende a longo prazo? Neste ano letivo as crianças de seis anos ingressaram no primeiro ano do ensino fundamental. Elas só completarão a educação básica daqui a 12 anos. Se continuarem na educação superior, poderão “terminar” o seu preparo daqui a 14, 16 ou 18 anos. Em que Brasil e que mundo elas viverão? Como o seu preparo nunca termina, mas se projeta ao longo da educação continuada, quando elas tiverem 80 ou 90 anos de idade, em face do prolongamento da longevidade, num país de idosos, que farão elas? Esses não são apenas sonhos ou cenários desejáveis, são exigências históricas para sobreviver num mundo onde se comprimem tempo e espaço.
    Este livro com certeza nos ajudará a responder a tais perguntas."

    2009

    Candido Alberto Gomes

    Titular da cátedra Unesco de juventude, educação e sociedade da Universidade Católica de Brasília

     

    Os cenários futuros para a educação

    Alvaro Chrispino

  • Postado por editora em Atualidades em 16/04/2019 - 14:48

    “Em 21 de julho de 1914, um combinado de jogadores pisou o relvado do Estádio das Laranjeiras para enfrentar a equipe inglesa do Exeter City e realizar aquela que seria consensualmente identificada como a primeira partida oficial da seleção brasileira.”

    Há quase 100 anos não era possível imaginar que o futebol se tornaria o esporte mais popular do Brasil, ganhando um “status de referencial de práticas e representações para grande parte da    população”, e que a seleção canarinho seria reconhecida mundialmente como a maior representante dessa modalidade esportiva.

    Essa relação apaixonada com futebol e a seleção nacional já é objeto de diferentes estudos desde a década de 1930, mas o olhar voltado à compreensão entre as relações institucionais e as interações com os universos cultural e político, desde o início da peleja até a conquista do Tri, é abordado de forma especial pelo historiador Carlos Eduardo Sarmento, em sua última publicação.

    Esses 56 anos de bola rolando são apresentados no livro “A construção da Nação Canarinho: Uma história institucional da seleção brasileira de futebol, 1914-1970”, lançado hoje, postumamente, no site da Editora FGV.

     

    Carlos Eduardo Sarmento faleceu em 16/03/2013.

    Arquivos:
  • Postado por editora em em 04/04/2019 - 15:26

    Alberto Guerreiro Ramos foi um dos intelectuais mais influentes do Brasil, tendo contribuído signifi cativamente para estabelecer as bases da sociologia brasileira. Precursor de uma perspectiva sociológica pós-colonial e, sobretudo, de uma epistemologia do hemisfério sul, adotou em seus trabalhos uma perspectiva crítica pioneira, antecipando discussões que estão na ordem do dia das ciências sociais. Este livro resgata algumas de suas contribuições mais importantes e ajuda a (re)pensar o Brasil de ontem, hoje e amanhã.

    Confira a apresentação da obra Guerreiro Ramos: entre o passado e o futuro

     

    Morto em 1982, as apreciações de Guerreiro Ramos hoje, neste primeiro quartel do século XXI, são cada vez mais atuais e necessárias à compreensão e à mudança organizacional, imprescindíveis de serem amplamente compartilhadas por todos aqueles que se dedicam à formulação teórica e à prática da gestão das organizações.
    Guerreiro Ramos pôs a nu os sofismas e as falsas concepções da teoria hoje prevalecente, cujo passamento – por ele atestado – não é de ser lamentado; é, ao contrário, um acontecimento auspicioso. 
    A teoria organizacional existente já não pode esconder seu paroquialismo. É paroquial porque focaliza os temas organizacionais de ponto de vista de critérios inerentes a um tipo de sociedade em que o mercado desempenha o papel de padrão e força abrangentes e integrativos. Torna-se muda, quando desafiada por temas organizacionais comuns a todas as sociedades. É também paroquial, porque se alimenta da fantasia da localização simples, isto é, da ignorância da interligação e da interdependência das coisas no universo; lida com as coisas como se elas estivessem confinadas em seções mecânicas de espaço e tempo.
    Uma visão mais atenta à trajetória da humanidade ao longo dos tempos nos leva à constatação de que a sociedade de mercado não é necessariamente inarredável. O seu protagonismo é bem recente, não tem mais do que 300 anos de história, a partir da Revolução Industrial. E mais ainda: não se aplica a todas as formas de atuação humana hoje existentes, ou mesmo que já existiram ou que existirão possivelmente no futuro. E, assim, a teoria das organizações não pode se circunscrever essencialmente à lógica do mercado, concentrando-se apenas em um tipo especial de ação do homem em sociedade: a que temos hoje no mundo das organizações empresariais e na mundialização de uma economia de consumo e de crédito.
    A presente teoria das organizações se encontra num beco sem saída. A humanidade constata no cotidiano que o aumento indefinido da produção de mercadorias e o progresso tecnológico indiscriminado não conduzem, necessariamente, ao desenvolvimento do potencial do homem. Nos limites dos interesses dominantes que prevaleceram no decurso dos três últimos séculos, a atual teoria das organizações já desempenhou o seu papel e cumpriu a missão que lhe cabia. A compreensão desse fato abre caminho para a elaboração de uma nova ciência multidimensional das organizações. Qualquer futuro que se visualize como um desenvolvimento linear da sociedade centrado no mercado será, necessariamente, pior do que o presente. A teoria das organizações deveria libertar-se de sua obsessão com o desenvolvimento e começar a compreender que cada sociedade contemporânea está potencialmente apta a se transformar numa boa sociedade se escolher se despojar da visão linear da história.
    A teoria das organizações consiste no uso consciente e deliberado de um conjunto de conceitos e sistemas operacionais cuja finalidade é levar as pessoas a interpretarem e agirem na realidade organizacional na direção e no sentido que os agentes dominantes do mercado desejam. As organizações são essencialmente instrumentais ou funcionais para o mercado. Não são substantivas, mas fundamentalmente adjetivas e complementares, funcionais. E, assim, a racionalidade instrumental da teoria das organizações se torna racionalidade geral, indistinta, aplicada sempre a quaisquer situações em que se integram pessoas se relacionando com pessoas, por meio de distintos usos de hierarquia, para a consecução de determinados objetivos.
    Nesse sentido, esta coletânea nos sugere, ou talvez até mesmo nos imponha, uma necessária reedição da obra seminal de Guerreiro Ramos, A nova ciência das organizações: uma reconceituação da riqueza das nações.
    Por ocasião da primeira edição, os círculos intelectuais da gestão das organizações em todo o mundo foram abalados, mas praticamente não teve repercussões relevantes nas ações do cotidiano dos executivos e dos operadores no mundo das empresas e no universo da sociedade. Pensado e publicado originalmente em inglês, no Brasil ficou restrito a um pequeno círculo de discussão. Augura-se, agora, melhor oportunidade, tanto no Brasil como no exterior, para esse pequeno texto de incomensurável envergadura e densidade intelectual, na linha de uma teoria crítica das organizações. Talvez as comunidades acadêmica e profissional estejam mais preparadas para recebê-la e dela se beneficiarem.
     

     

    Guerreiro Ramos: entre o passado e o futuro

    Organizadores: Bianor Scelza Cavalcanti, Frederico Lustosa da Costa

     

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