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  • Postado por editora em em 29/02/2024 - 09:54

    As práticas de sustentabilidade são demandas fortes na atualidade, e aumenta continuamente o número de consumidores que querem encontrar em seus alimentos e bebidas, além de qualidade, saudabilidade e processos condizentes nas indústrias que os produzem. Especificamente na indústria da uva e do vinho, os termos natural, orgânico, biodinâmico, informados ou não através de selos de identificação, deixaram de ser raridades, mas atributos utilizados para despertar o interesse de compra.

    A obra Vinhos, vinhedos, enólogos e enólogas: vozes e experiências brasileiras, de autoria de Valdiney C. Ferreira com colaboração de Carlos R. Paviani, traz as reflexões de profissionais experientes da vitivinicultura brasileira sobre os caminhos possíveis para a produção de vinhos de qualidade superior, competitivos e saudáveis, para serem consumidos com segurança.

    Confira abaixo a apresentação da obra:

    Na segunda década do século XXI, o que é preciso para um vinho ser reconhecido como de qualidade superior e se distinguir entre as centenas de milhares de rótulos disponíveis no mercado mundial? Não apresentar defeitos, mostrar equilíbrio e harmonia entre seus principias constituintes deixaram de ser atributos suficientes, mas obrigação básica. O que mais seria necessário? Que vá além sendo sustentável, expressando claramente sua identidade nos aromas e sabores, sendo fiel ao seu terroir e às castas de uvas que o compõem, além de expressar com nitidez o estilo da enóloga ou do enólogo que o elaborou.

    Um consenso no mundo do vinho é que para se fazer grandes vinhos são imprescindíveis uvas Vitis viníferas corretamente maduras e sãs, com composição rica e equilibrada. Outro, é que os profissionais responsáveis por sua elaboração devem evitar intervenções excessivas e desnecessárias que alterem suas identidades, mas sem deixar de imprimir o estilo com suas assinaturas. Uma fronteira tênue que não pode ser ultrapassada se o objetivo for elaborar vinhos superiores, sutis e inesquecíveis.

    Para a produção desses grandes vinhos é preciso que a viticultura e a vinicultura caminhem juntas. É responsabilidade das enólogas e dos enólogos conciliar esses dois mundos sem cair na armadilha do uso excessivo das modernas tecnologias e produtos disponíveis. Ao longo da história, a ciência os viabilizou e eles foram imprescindíveis para superar os enormes desafios das doenças e pragas que, em diferentes momentos, quase aniquilaram a indústria do vinho. Entretanto, seu uso não deve ultrapassar limites que tornem os vinhos pouco  saudáveis e sem identidade com suas origens. Essa questão foi sem dúvida bastante abordada nas entrevistas realizadas com um grupo de importantes enólogas, enólogos e produtores atuantes no Brasil.

    Com exceção de um empresário produtor, todos os demais entrevistados têm a mesma formação básica em enologia e viticultura, mas em suas evoluções profissionais seguiram trajetórias distintas, permitindo que fossem exploradas diferentes experiências vividas na indústria do vinho. Alguns se dedicaram à responsabilidade técnica na elaboração dos vinhos em uma vinícola, outros se tornaram consultores para diferentes projetos industriais ou agrícolas, empreendedoras e empreendedores à frente do seu próprio negócio, ou pesquisadoras, pesquisadores, professoras e professores em diferentes instituições que trabalham com a indústria vitivinícola. Explorar essas variadas experiências profissionais, ouvir o que pensam sobre as questões de sustentabilidade, segurança alimentar e como fazem uso das modernas tecnologias disponíveis estavam também entre nossos objetivos.

    Outra questão abordada foi a utilização, nem sempre controlada e consciente, de diferentes produtos químicos na viticultura e vinicultura. Na produção das uvas, a utilização intensiva e indiscriminada de defensivos agrícolas não naturais, conhecidos como agrotóxicos, pesticidas, herbicidas ou produtos fitossanitários pode levar a contaminações indesejadas do solo, da água e a efeitos nocivos em espécies não alvos, como leveduras nativas e os próprios seres humanos, afetando não somente a microbiodiversidade dos solos dos vinhedos, mas da região. Na elaboração dos vinhos, o uso de produtos especializados em vinificação indicados para melhorar processos, definir estilos e aumentar a qualidade, como as leveduras industriais selecionadas, bactérias láticas, enzimas, nutrientes e protetores para as leveduras. É no processo de vinificação que ocorrem os maiores riscos de perda de identidade com as origens e castas utilizadas.

    A indústria mundial e brasileira de vinhos finos vive, nas últimas décadas, seus melhores momentos, produzindo vinhos de grande qualidade para mercados cada vez mais competitivos e diversificados. Destacar-se no oceano de rótulos disponíveis não é nada trivial, mas é o maior desafio que se coloca para as enólogas e os enólogos. Fazer vinhos tecnicamente corretos é obrigação, mas elaborar vinhos diferenciados, distinguíveis e sustentáveis é a nova meta para contribuir efetivamente para o sucesso de marketing de uma marca.

    Para uma visão melhor do assunto pesquisado, além das entrevistas, compõem o livro dois textos sobre a indústria do vinho. O primeiro traz uma síntese sobre momentos marcantes e desafiadores da história mundial do vinho. O segundo mostra um breve resumo de como surgiu a indústria do vinho no Brasil.

    Vinhos, vinhedos, enólogos e enólogas – vozes e experiências brasileiras complementa a tríade iniciada com Vinhos do Brasil – do passado para o futuro, sobre a criação da indústria no país desde a chegada dos imigrantes italianos no último quarto do século XIX e Vinho & Mercado – fazendo negócios no Brasil, que discute a formação do mercado brasileiro de vinhos desde as últimas décadas do século XX. Em todos, a opção foi a utilização da metodologia de história oral, com a realização de entrevistas de caráter histórico e documental, que permitem construir um painel representativo e um poderoso instrumento de reflexão sobre o setor de vinhos no país.

    Finalizando, agradeço aos depoentes – razão principal para a construção deste livro –, que de maneira construtiva e transparente concordaram em expressar suas convicções para o futuro da vitivinicultura brasileira.
    Também agradeço ao Carlos Paviani, companheiro importante nessa jornada de entrevistas, que contribuiu com sua vasta experiência na indústria do vinho no Brasil.

    Valdiney C. Ferreira

     

     

    O lançamento do livro será na ABS-Rio, dia 8/3/2024, às 18h30.

    Conheça o livro clicando no link abaixo.

     

    Vinhos, vinhedos, enólogos e enólogas: vozes e experiências brasileiras

    Autor: Valdiney C. Ferreira

     

     

  • Postado por editora em em 08/02/2024 - 11:59

    Em breve mais informações

  • Postado por editora em em 29/01/2024 - 15:11

    Lançamento!

    Tendências globais do envelhecimento populacional e os avanços na digitalização ampliaram a complexidade dos serviços financeiros e a responsabilidade dos indivíduos pela gestão dos seus recursos. Diante deste cenário, a publicação do livro A Bolsa no bolso 2: perfil e seleção de carteiras, de Ilda Spritzer e Moises Spritzer, visa aumentar a conscientização sobre a educação e proteção do investidor e incentivar os leitores no fortalecimento da cultura para a formação de patrimônio, trazendo ações efetivas que melhorem o seu bem-estar financeiro de forma sustentável e autônoma.

    O primeiro livro ‘A Bolsa no bolso: fundamentos para investimentos em ações’ foi adotado nos cursos de especialização em mercado de capitais da FGV e por diversas instituições financeiras para treinamento dos colaboradores.

    Este novo A Bolsa no bolso 2: perfil e seleção de carteiras, também publicado pela FGV Editora e que lançamos agora, apresenta uma visão atual dos mercados financeiros e de capitais, aprofunda a análise fundamentalista, ajuda a avaliar ativos com preços semelhantes, traz uma panorâmica do universo dos fundos de investimento e ainda debate a importância do perfil para seleção de carteiras, de forma a auxiliar o leitor a identificar seu perfil de investidor, para que se torne capaz de perseguir o melhor portfólio para o seu nível de risco.

    Para marcar o lançamento desta obra, seus autores Ilda Spritzer e Moises Spritzer estarão na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, dia 20 de março, quarta-feira, às 19h.

     

    Livraria da Travessa | Shopping Iguatemi

    Av. Faria Lima, 2232, Piso 3
    Jardim Paulistano, São Paulo − SP

     

     

  • Postado por editora em em 03/01/2024 - 10:30

    A história contada neste livro começa com a chegada em Angola dos luso-brasileiros (pernambucanos) em meados do século XIX e como esse grupo foi fundamental na formação da região, que os europeus chamavam de Moçâmedes, mas que para os Kuvale era Mussungo Bitoto. Depois se dedica a pensar como os africanos escravizados oriundos do Brasil, que vieram com seus senhores, contribuíram na formação de um novo grupo social na região, os Mbali, cuja maior expressão identitária e cultural são a sua arte mortuária e a festa da cruzeta, que mistura aspectos do universo afro-brasileiro com o kimbundu, ovimbundu e herero. Tais sujeitos, com origens bem diversas, assim como os acontecimentos desses três últimos séculos, se amalgamaram em uma realidade diversificada e contraditória, riquíssima, e que se manifesta em práticas culturais-artísticas recentes, como a poesia, fotografia e música. Estamos tratando de um universo complexo, ancestral, colonial e afrofuturista, uma mistura de estéticas e origens diversas que conectam e denunciam realidades diferentes, atrelando para sempre Pernambuco, Mussungo Bitoto, Moçâmedes, Namibe; Brasil e Angola.

    Confira a entrevista com o professor Washington Nascimento, um dos orgazinadores da obra,

     

    1. Como surgiu a ideia do livro “Brasil, Moçamedes e Mussungo Bitoto” ?

     

    No ano de 2018 estive no Lubango e Namibe, a convite do Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla (ISCED-Huíla) para ministrar uma disciplina de Historiografia Africana no curso de mestrado em Ensino de História. Junto a mim estava uma equipe de pesquisadores do Brasil e da Alemanha, coordenado pela professora Selma Pantoja, que tinha como objetivo fazer uma visita exploratória ao Namibe, para pensar alguns temas pouco explorados da historiografia Angolana e estender as pesquisas históricas para o sul do país também. Por sugestão de alguns alunos visitei o Cemitério do Bairro Forte de Santa Rita, vi a arte Mbali de perto e aquilo me impressionou bastante. Além disso fizemos algumas entrevistas no Bairro, em torno da história do carnaval local.

    Em 2021 a Fundação de Ampara a Pesquisa do Rio de Janeiro lançou um edital destinado a apoio à Editoração e ao Audiovisual Comemorativo do Bicentenário da Independência e do Centenário da Semana de Arte Moderna – 2021. Como o Namibe foi fundado depois da independência do Brasil, como um reflexo direto dos acontecimentos ocorridos no Brasil e também porque a dimensão da arte é muito forte na pesquisa e relatos sobre o sul de Angola, chamei a professora Laila Brichta, professora da Universidade Estadual de Santa Cruz – Bahia, que já realizava pesquisas sobre a história local para construir o projeto de livro que foi aprovado no Edital.

    Depois disso sentimos, que pela nossa formação de historiador, não daríamos conta de pensar a questão da dimensão da arte local, então nos foi sugerido que chamássemos o artista, curador e diretor de artes, Carlos Major, que nasceu no Namibe e que desde 2014, é curador da pesquisa “Arte funerária Mbali”, para o Museu Provincial de Namibe para ajudar-nos a montar a obra. Assim o Major trouxe diferentes artistas locais e suas produções para compor a última parte do livro destinado a mostrar a arte produzida no (e sobre o) sul de angola. Assim nasceu a nossa obra, que foi publicada pela Editora FGV aqui no Brasil.

     

    2. O livro fala da formação de Moçamedes/Namibe a partir da chegada dos pernambucanos ? Falei mais um pouco mais sobre essa história.

     

    A primeira parte do livro é dedicada a pensar a formação colonial de Moçamedes, em um território que os Kuvale chamavam de Mussungo Bitoto, a partir de colonos portugueses vindos do Brasil, não só de Pernambuco, mas também de Alagoas, Bahia e Rio de Janeiro em meados do século XIX. A ideia inicial desses brasileiros era reproduzir de certa forma a realidade da “casa grande e senzala” e da produção de açúcar existente no Brasil, mas a realidade se impôs, um solo e um clima diferentes fizeram      com que eles se voltassem sobretudo para a produção de aguardente e a pesca. Eles trouxeram consigo seus escravizados, que no Namibe viriam a se tornam os Mbali.

     

    3. Fale mais sobre os Mbali, é um grupo de africanos que veio do Brasil e se instalou na região, como os retornados no Benin e Nigéria ?

     

    Não, diferente dos retornados, esses africanos chegaram no sul de Angola como escravizados. Como os senhores vindos do Brasil, precisavam de mais mão de obra, eles importaram cativos do norte do que hoje é Angola, sobretudo Kimbundu e Ovimbundu, que se somaram a esses “brasileiros”. Com o fim da escravidão (mas não do trabalho compulsório) eles foram se misturando e ao se tornarem “livres” foram construindo uma identidade própria, os Mbali, uma mistura da expressão Kimbundu, Kimbari, com Umbundu, Ovimbali, para definir aqueles que se aproximam ou que andam com os brancos. Era uma forma de ter um lugar social e ao mesmo tempo afirmar que não eram mais escravos, que eram Mbali. Esse grupo vai então desenvolver determinados produtos culturais, a arte mortuária, a festa da cruzeta, o carnaval e uma língua própria, que acabaria por definir uma distinção e identidade a esse grupo.

     

    4. O livro traz uma série de artistas locais e uma produção sobre o Namibe, como foi esse processo de recolha e curadoria.

     

    Na verdade, esse foi todo um trabalho realizado pelo Carlos Major, produtor cultural local, e demos a ele toda a autonomia possível que trouxesse a potência da cultura do sul de Angola, assim sendo ele trouxe a música de Franck Brazão e Gari Sinedima DJ, a poesia de Kanguimbo Ananaz e Elsa Major, o Teatro de Rogério de Carvalho, a Moda de Emanuela Patricia Pote Rios, a fotografia Sérgio Brazão, Paulo Azevedo, Bruno Fonseca e Mónica de Miranda. Além de exposições sobre arte Mbali e contemporânea, organizadas por ele, Carlos Major, e por Victor Gama. Inclusive uma das imagens feitas pelo Major e Gama, foi escolhida para compor a capa do livro.

     

    5. Como esse livro pode colaborar com o Ensino de História, tanto no Brasil, quanto em Angola.

     

    Quando começamos a organizar o livro, estava em nosso horizonte pensar em como ela poderia chegar em sala de aula, desta forma imaginamos mostrar um pouco da potência cultural do sul de Angola, através da exposição de seus artistas e produtores culturais.

    Por isso o livro é todo entrelaçado com música, poesia, fotografias, moda, teatro e artes visuais. Uma das imagens de uma exposição está na capa do livro. Tudo colorido, para não perder a beleza da cor, mas tem materiais também em preto e branco. Há por exemplo poemas pintados nas paredes por Calunamba (CalunambaArte), apresentando a nova geração de poetas angolanos que escrevem sobre o presente — o seu próprio e o do seu país, profundamente atentos ao mundo à medida que o vão descobrindo, incluindo jovens poetas do Tombwa, Sabino Mbuta Calvia (Pensador Mbuta) e António Sebastião York Caunda (Poeta Lágrimas De Arrependimento), cuja obra revela um profundo lirismo sonoro.

    A Bárbara Carine, no livro “Como ser um educador antirracista” mostra a importância da construção de um projeto pedagógico baseado em potências culturais, nesse processo. Mas tem mais possibilidades, como mostrar a importância dos saberes dos mais velhos, como se pode perceber no capitulo do livro que se dedica aos saberes dos Sobas, ou ainda a construção de uma ética local, pautada em laços de solidariedade e pertencimento, como no caso da história dos Mbali.

    O livro também traz o debate sobre a presença do colonialismo português ainda na região, e a necessidade de descolonização. Pr exemplo o nome Moçamedes é de um traficante de escravizados, já os povos locais, nominaram esse lugar como Mussungo Bitoto (algo como “vale antigo”, ou “velho buraco”)  É importante levar esse debate para as escolas, para o quão os nomes de ruas e cidades representam muitas vezes o colonialismo e processos de violência.

    Enfim, são muitas possibilidades.

     

    Clique AQUI para encontrar o livro no nosso site.

     

    Lançamento | 20 de março, quarta, às 19h - Blooks Livraria - Botafogo - Rio

     

    Brasil, Moçâmedes e Mussungo Bitoto: trânsitos sociais e trocas culturais no sul de Angola

    Organizadores: Carlos Major, Laila Brichta, Whashington Nascimento

  • Postado por editora em em 10/10/2023 - 09:49

    Mais uma vez na Primavera dos Livros.

    Entre os dias 26 e 29 de outubro, das 10 às 19h, venha nos visitar na Primavera dos Livros do Rio, nos Jardins do Museu da República, Catete - Rio.

    Estaremos no estande nº 35 e 36

    O evento cultural, que já faz parte do Calendário Oficial da Cidade, será super especial, com programação cultural intensa e nós faremos parte também dos eventos.

    No sábado, dia 27 de outubro, às 17h30, Renata Figueiredo Moraes, autora do livro As festas da abolição no Rio de Janeiro (1888-1908), participará da mesa Ancestralidade, memória e afeto, com mediação de Henrique Marques Samyn, e participção Sonia Rosa, Janaina Damasceno e Rafael Freitas da Silva.

    Estamos esparando sua presença!

     

  • Postado por editora em em 07/08/2023 - 10:59

    Em 2023, a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro completa 40 anos. Valiosa por manter o livro no centro da cena cultural brasileira, como experiência ampliada, gregária, compartilhada, inovadora e multimídia, é uma celebração única e aparece com destaque no rol dos maiores eventos literários do mundo.

    Entre os dias 1 e 10 de setembro, o Riocentro sedia a festa da cultura, da literatura e da educação e proporciona o grande encontro do público com o astro principal: o livro.

    E claro que a Editora FGV não poderia estar de fora dessa celebração à leitura. Todas as nossas principais obras estarão reunidas em um estande montado especialmente para receber os visitantes nesta edição especial da Bienal do Rio.

    Esta é uma ótima oportunidade para conhecer nossos lançamentos, conferir as Novas Coleções FGV Management e encontrar várias obras publicadas nas diversas áreas do conhecimento que atuamos.

    Nesta edição, teremos uma seção especial com livros por R$20,00.

    Estaremos no Pavilhão Verde, Rua T, Estande 33 | Pertinho do Café Literário.

    RIOCENTRO: Avenida Salvador Allende, 6555, Barra da Tijuca

     HORÁRIOS DE FUNCIONAMENTO

    01 de setembro sexta-feira 09h às 21h

    02 de setembro sábado 10h às 22h

    03 de setembro domingo 10h às 22h

    04 de setembro segunda-feira 09h às 21h

    05 de setembro terça-feira 09h às 21h

    06 de setembro quarta-feira 09h às 21h

    07 de setembro quinta-feira 09h às 22h

    08 de setembro sexta-feira 09h às 22h

    09 de setembro sábado 10h às 22h

    10 de setembro domingo 10h às 22h

     

    PAVILHÕES

    Pavilhão das Artes – Bilheteria/Credenciamento, Balcão de informações;

    Laranja – Espaço infantil Uma grande aventura leitora, Boulevard Literário e Praça de Alimentação;

    Azul – Palavra-Chave e Praça de Autógrafo;

    Verde – Café Literário, Estação Plural, Auditório Expositores, Loja oficial, SAC e Ponto de Encontro, Praça de Alimentação e o nosso estande.

     

    Mais informações sobre a Bienal em bienaldolivro.com.br

     

  • Postado por editora em em 05/07/2023 - 11:31

    A educação básica sofreu uma série de intervenções nos últimos anos. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores e BNC Formação, o Novo Ensino Médio, a alteração do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), submetendo-o à BNCC, são algumas dessas intervenções. Essa onda normativa, que atingiu os currículos, os materiais escolares e a formação de professores, é justificada, por seus defensores, em razão dos resultados ruins obtidos em avaliações massivas. Vivemos em uma época em que se produzem normativas para a escola sem considerar de fato quem está no dia a dia da sala de aula.
    O livro de Renata Augusta Silva chega em boa hora e participa desse debate. A autora se pergunta: a quem cabe formar o(a) professor(a) de história? Para responder, realiza um estudo denso sobre os cursos de licenciatura de três instituições do Rio de Janeiro.
    Analisa os currículos, entrevista professores e dialoga com pesquisadores que trabalham com a categoria de saberes docentes e que pesquisam a profissão professor. As várias respostas que dá no livro ajudam a pensar na construção de um ethos profissional.
    Convido à leitura. Trata-se de uma boa contribuição para os campos da educação e da história. (Texto de orelha do professor da Unirio Marcelo de Souza Magalhães_).

    Confira, a seguir, parte da introdução da obra:

     

    Diálogos com o ensino de história
    Nas últimas décadas, houve um crescimento dos estudos sobre o ensino de história. Inúmeras publicações de livros e coletâneas sobre o tema comprovam esse crescimento. Apesar disso, grande parte das pesquisas sobre ensino de história é desenvolvida nos programas de pós-graduação de educação; os programas de história acolhem ainda muito timidamente projetos de pesquisa na área. No Brasil, são poucos os programas de história que possuem como linha de pesquisa o ensino de história.
    O campo de pesquisa em ensino da história se tornou, de fato, muito abrangente, abordando temas que, por perspectivas diversas, vão ao encontro dos novos paradigmas de interpretação do passado, dos novos objetos e problemas. Um bom exemplo dessas abordagens são os eixos temáticos estruturados nos últimos encontros nacionais de pesquisadores do ensino de história (Enpeh): currículo e ensino de história, formação de professores e saberes docentes, a formação da consciência histórica, ensino de história nas Américas e das Américas, educação histórica, história da história ensinada, juventude e ensino de história, a cultura escolar, práticas de memórias e espaços educativos, ensino de história e diversidade cultural.
    A efervescência desses estudos se deve, em parte, à inquietação de professores de história da educação básica e universitários que têm trabalhado cada vez mais com o propósito de expandir a pesquisa nos programas de pós-graduação em educação e história.
    No Brasil, tem sido cada vez maior o número de professores em pleno exercício docente em escolas de educação básica dialogando e produzindo saberes em parceria com pesquisadores da educação superior. Autores como D. Schön (1995), T. Popkewitz (1995) e A. Nóvoa (1995) apontam para a necessidade de o professor integrar em seu fazer pedagógico a ação e a reflexão para conseguir desvendar a complexidade do seu trabalho.
    Essas pesquisas contribuíram enormemente para mudar o perfil do trabalho docente em sala de aula. Numa relação dialética, uma geração de professores de história influenciou e foi influenciada por esses trabalhos. O ensino de história mudava, ganhava novas cores e contornos. De maneira geral, as pesquisas do campo do ensino de história se direcionavam ao saber histórico escolar. Eram poucos os estudos sobre a formação inicial dos professores nos cursos de história. Apesar do avanço desse debate, ainda costumamos ouvir de professores com muitos anos de magistério como foi difícil a entrada na profissão e as dificuldades que até hoje enfrentam em seu cotidiano. Entre as muitas dúvidas que esses professores carregam está a questão de como mobilizar tudo que aprendemos na universidade no cotidiano em sala de aula. Quais as relações entre saber acadêmico e saber escolar? Como a formação inicial nos ajuda a construir uma profissionalidade docente? Como e quando de fato nos tornamos professores de história?
    O aquecimento do debate a respeito das questões de ensino vem acompanhando as mudanças ocorridas na história recente do país. As décadas de 1980 e 1990 foram marcadas pela redemocratização. A vitória de partidos de oposição à ditadura civil-militar pareceu um momento propício para iniciar um processo de revisão curricular. Era necessário resgatar o papel da história no currículo, da disciplina escolar e também da formação do profissional docente, antes, de certa forma aprisionados pela licenciatura curta em estudos sociais.
    Na década de 1990, o esforço do MEC, em conjunto com o Conselho Nacional de Educação (CNE), se dirigiu no sentido de formular diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil, o ensino fundamental, o ensino médio, a educação profissional de nível técnico e a formação de docentes, em nível médio, na modalidade normal.
    Nesse contexto houve a reestruturação dos cursos de graduação em história. Essas mudanças estavam sendo influenciadas pelo debate internacional no campo da historiografia. Nas universidades brasileiras, os currículos das licenciaturas em história estavam sendo reformados. O tema de discussão nos departamentos de história era a renovação metodológica do ensino e da própria pesquisa historiográfica. As maiores influências vieram da história social inglesa, da nouvelle histoire, originada dos Annales e da Escola de Frankfurt. Surgiam novas questões, novas fontes, novos métodos e novas abordagens (Fonseca, 1993).
    No início dos anos 2000, o foco das políticas públicas se direcionou para a educação superior com a aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação e das Diretrizes Curriculares Nacionais da Formação de Professores da Educação Básica em nível superior. Os currículos dos cursos universitários deveriam passar pelas reformulações apontadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (Magalhães, 2006). A resolução CNE/CP no 1, de 18 de fevereiro de 2002, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores de Educação Básica (DCNFP), em nível superior, seria a base para a mudança dos cursos de licenciatura.
    O direcionamento para a reestruturação das licenciaturas estava dado. O final dos anos 1990 e o início dos anos 2000 foram marcados por intensos debates entre os historiadores. Esses debates relacionavam-se com as lutas dos historiadores contra as licenciaturas curtas e, paralelamente, com o impulso da profissionalização da pesquisa historiográfica. A primeira versão do texto das diretrizes de história foi feita por Ciro Flamarion Cardoso, Elizabeth Canceli e Margareth Rago. Nesse texto, fica evidente a indissociabilidade entre pesquisa e ensino, tendo como pressuposto que para ensinar história é preciso conhecer como se constrói o conhecimento na área. A resolução CNE/CES no 13, de 13 de março de 2002, estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de História (DCNH), em que são definidas, entre outras coisas, as competências e habilidades gerais e específicas para os cursos de licenciatura em história.
    Diante desse cenário de mudanças, nas duas últimas décadas observamos o crescimento de pesquisas que têm buscado estudar a formação de professores de história. Recentemente, Caroline Pacievitch (2018) construiu um panorama desses estudos e apontou, como um primeiro aspecto, que raramente essas pesquisas são defendidas em programas de pós-graduação em história. Os programas de educação lideram esses trabalhos. Suas conclusões também revelam que os problemas das pesquisas normalmente giram em torno de: como se organizam os programas e projetos de formação inicial ou continuada de professores de história; as relações entre teoria-prática e ensino-pesquisa; e como os professores de história da educação básica constroem e mobilizam seus saberes. Elas sugerem alguns aspectos que ainda estariam em aberto e que precisariam ser mais explorados em futuras pesquisas. Entre eles está a construção de problemas de pesquisa que busquem reconhecer as tensões entre ensino-pesquisa e teoria-prática, sob novas formas de definição e compreensão. Além disso, a autora aponta a necessidade de investigar elementos ainda pouco explorados, como a investigação da formação docente cada vez mais com professores de História e com formadores de professores, incluindo principalmente as práticas pedagógicas destes últimos, um dos elementos menos explorados nas pesquisas da área [Pacievitch, 2018:28].
    Pensando sobre essas questões, entendemos que tais reflexões são de grande importância e apontam para o que ainda precisa ser explorado nos estudos sobre formação de professores de história.
    O desafio neste livro é buscar compreender os processos de reelaboração curricular que envolveram uma complexa relação entre as políticas públicas, os cursos de história e os professores desses cursos. Analisamos os cursos de história de três instituições públicas de ensino superior do Rio de Janeiro: Unirio, UFRJ e Uerj/FFP. A escolha dessas universidades se relaciona com o fato de possuírem cursos de história consolidados e com perfis diferentes. O curso de história da Unirio surgiu no início dos anos 2000, no contexto dos debates sobre a elaboração das diretrizes, fato que contribuiu para que grande parte de seu currículo fosse construído de acordo com as novas políticas. O curso da Uerj/FFP, do campus de São Gonçalo, criado nos anos 1990, tem como especificidade ser uma licenciatura, sem que a unidade ofereça também o curso de bacharelado. O curso de história da UFRJ é o mais antigo e ainda se encontra em fase de reestruturação.
    Para compreender esses processos, o capítulo 1 do livro percorre a história de construção dos espaços de formação de professores no Brasil, que dialogou com as demandas da educação básica e com as políticas educacionais ao longo do período republicano. Os pareceres e diretrizes curriculares do final dos anos 1990 e início dos anos 2000 foram o foco de nossa análise. A documentação oficial definia os principais aspectos para a construção dos paradigmas desejados para a formação de professores no Brasil.
    Nesse momento, ocorre a elaboração das Diretrizes Curriculares dos Cursos de História, alvo de intensos debates. O perfil que teriam os cursos de história estava no centro dessa discussão, que envolvia comissões de professores de todo o Brasil, a Anpuh e o MEC.
    A chamada “briga das diretrizes” relaciona-se com as diferentes expectativas para os currículos de graduação e é entendida aqui como uma disputa na construção de um novo ethos de formação nos cursos de história.
    A contextualização do debate travado por historiadores e associações em torno da elaboração das diretrizes nos conduziu para a construção da seguinte hipótese: as mudanças curriculares propostas acabaram por descortinar e trazer para a ordem do dia a necessidade de construir ou manter determinado ethos acadêmico, ou ethos de formação, que muitas vezes poderia estar em conflito com aquele desejado pelos sujeitos envolvidos na elaboração das políticas públicas.
    Em outras palavras, de alguma forma estariam sendo disputados entre os sujeitos envolvidos nos contextos de produção e de prática uma representação de formação ou de professor formador e também um modelo de professor de história, pautados fortemente pelo discurso da indissociabilidade entre ensino e pesquisa.
    A investigação sobre os saberes relacionados à docência nos cursos de história é o foco do capítulo 2. Este olhar sobre as docências universitárias foi motivado pela percepção de um estranhamento que muitos professores de história sentem no exercício de seu trabalho em sala de aula na educação básica. Para isso, proponho uma análise e um debate em torno do que chamamos de razão pedagógica dos cursos de graduação. A quem caberia formar um professor? Qual a intencionalidade da prática do docente universitário e o papel das disciplinas específicas neste processo? Tais indagações seriam alguns dos fios condutores da análise. Além das especificidades das disciplinas e de seus objetivos, é importante perceber as práticas epistemológicas que estariam definindo um determinado perfil de formação.
    O capítulo 3 analisa os percursos de formação de três cursos de história (Unirio, Uerj/FFP e UFRJ) a partir dos projetos pedagógicos, manuais, ementas e também de entrevistas feitas com professores, diretores e coordenadores. O processo de interpretação das políticas e reelaborações dos currículos foi marcado por debates e tensões, avanços e, em alguns casos, imobilismos que se arrastam até hoje. Não se tratava de uma simples adaptação ou não a uma legislação. Em nosso entendimento, as estratégias e os silenciamentos que estiveram relacionados aos processos de elaboração dos currículos dos cursos estariam contribuindo para a construção e consolidação de um determinado ethos de formação.
    Para compreender essa primeira etapa de formação ligada aos saberes disciplinares, é preciso analisar, além da construção curricular dos cursos de formação, o papel e a atuação do docente universitário e das disciplinas específicas que comporiam o chamado núcleo comum nos cursos de história; investigar um pouco mais os aspectos do chamado saber disciplinar ou domínio científico de uma determinada área do conhecimento que se daria, nesse primeiro momento de formação, nas licenciaturas em história.
    As entrevistas com os professores universitários responsáveis pelas disciplinas específicas de história (do Brasil, moderna, contemporânea, antiga etc.) foram fundamentais nesse processo de compreensão. Importava saber como esses professores pensam a formação de seus alunos e como dialogam com as propostas curriculares do curso.
    Os questionamentos giraram em torno de perguntas fundamentais para essa compreensão, por exemplo: como esses professores constroem seus cursos sabendo que em suas turmas estão matriculados, ao mesmo tempo, licenciandos e bacharelandos, pois a oferta das disciplinas, na maior parte dos cursos de história, contempla as duas formações? Que mudanças teriam ocorrido com a instauração da terminalidade própria das licenciaturas? E ainda, qual seria o papel dessas disciplinas específicas na formação? Estas e outras questões buscaram analisar o que esses professores estavam entendendo sobre o processo de formação de um professor de história e as relações entre suas práticas docentes e o ensino de história. Importava percebê-los não como sujeitos de práticas individuais, mas, sim, como sujeitos professores formadores inseridos em uma coletividade, organizados dentro de uma institucionalidade regida por regras próprias internas e externas, marcados por questões históricas e sociais. Todos esses aspectos estariam envolvendo a construção de um determinado ethos de formação, com características bem definidas.

     

    A quem cabe formar o(a) professor(a) de história?: os caminhos e debates em torno da construção de um ethos de formação

    Autora: Renata Augusta dos Santos Silva

     

  • Postado por editora em em 10/05/2023 - 10:38

    O livro As festas da abolição no Rio de Janeiro (1888-1908) demonstra como as comemorações do 13 de maio 1888 e ao longo da Primeira República criaram a possibilidade de novos tempos para os contemporâneos, especialmente para aqueles que experimentaram o acontecimento como vitória, expectativa e esperança.

    A pesquisa desenvolvida pela autora e historiadora Renata Figueiredo Moraes através de consultas de registros de 100 anos desta história localizados em jornais de intelectuais, músicos, artistas, moradores da Cidade – de várias cores -, em fotografias, livros e poesias, traz informações sobre a mobilização que envolveu o primeiro grande movimento social do Brasil e apresenta como as festas cívicas da Abolição, tanto nas semanas em torno do 13 de Maio de 1888 quanto ao longo da Primeira República, foram locais de muitas ações de agentes sociais diversos, inclusive ex-escravizados, e suas muitas bandeiras políticas por direitos, significados e memórias.

    Para marcar o lançamento da obra, a autora estará presente na Livraria Blooks de Botafogo, dia 26 de maio, às 19h.

    Confira o Prefácio da obra, do professor Leonardo Affonso de Miranda Pereira (PUC-Rio)

    O 13 de Maio de 1888, data da Abolição da escravidão no Brasil, tem sido, ao longo das últimas décadas, objeto de importantes controvérsias. Ao apontar para o caráter precário e incompleto da liberdade conquistada naquela ocasião, assim como para o destaque conferido à princesa Isabel no ato de suposta concessão dessa liberdade, parcelas significativas do movimento negro trataram, a partir das últimas décadas do século XX, de se afastar dessa efeméride, definindo uma data diversa para celebrar o orgulho negro no país: o 20 de Novembro, escolhido em homenagem à luta de Zumbi dos Palmares. Afirmam, com isso, o protagonismo negro na luta contra o cativeiro, assim como o caráter autônomo e radical dos ideais de liberdade por ele representado – em contraposição a uma vitoriosa memória oficial que, ao longo do tempo, acabou por desvincular a chamada Lei Áurea das muitas lutas dos escravizados por sua própria liberdade.
    É dessas disputas de memória que trata este livro. Sem deixar de corroborar as preocupações e cuidados que alimentaram as críticas às imagens tradicionais sobre o 13 de Maio, Renata Moraes desenvolve uma reflexão que retoma esse debate, centrando-se nos sentidos assumidos pela data em seus primeiros tempos. Baseado em investigação empírica vasta e original, o livro aponta, por um lado, para o início do processo de afirmação de uma memória unívoca sobre a Abolição, que tentava apagar a importância das lutas negras ao longo das décadas anteriores; por outro, para o modo particular como diversos grupos do período, como os próprios trabalhadores negros, trataram de celebrá-la, conferindo-lhe sentidos particulares. Não se trata, portanto, de um estudo sobre o processo abolicionista em si, mas sim sobre o modo como a data da Abolição foi disputada por grupos sociais diversos, em processo que se estendeu pelas duas primeiras décadas da República.
    Surpreende, já de início, a exposição detalhada, na primeira parte do livro, do deliberado esforço de afirmação, por parte das elites políticas e intelectuais o Rio de Janeiro, de uma memória unívoca sobre aquela celebração. Por um lado, a própria família imperial tentava impor sua centralidade no ato através de representações imagéticas e escritas. Ao definir a liberdade como uma espécie de benesse dada pela princesa Isabel aos escravizados, promoveu a celebração da assinatura da lei em uma grande missa campal, buscando ligar a Abolição ao sentimento cristão da caridade e à lógica paternalista da concessão. Ao mesmo tempo, redatores, diretores e proprietários das grandes folhas da Corte, com a pena na mão, tratavam de se colocar, já nos dias seguintes à assinatura da lei, como protagonistas maiores da luta pela liberdade. Sem deixar de assinalar o papel destacado da princesa Isabel, definiam o abolicionismo como um movimento ilustrado, supostamente patrocinado por eles mesmos, desconsiderando por completo as experiências e lutas dos próprios escravizados, definidos como simples beneficiários da benesse alcançada. Configurava-se, com isso, uma memória do 13 de Maio que tinha a família real e os grupos ilustrados como seus principais protagonistas.
    Mais do que afirmar sua perspectiva subjetiva, esses sujeitos trataram de tentar fazer desta memória a própria definição do processo abolicionista. Isso pode ser percebido, por exemplo, nas comemorações oficiais preparadas para celebrar a data. Renata Moraes mostra que, além das atividades religiosas e esportivas, que dialogavam tanto com o catolicismo do Império quanto com as novas perspectivas científicas sobre a necessidade de regeneração nacional através do investimento na cultura física, a comemoração foi marcada pela organização de um grande desfile cívico. Com uma mínima participação de grupos negros, o desfile era composto, em sua maior parte, de representantes da imprensa, contando também com a presença de corporações militares, comissões escolares e associações de imigrantes. Se, na campanha abolicionista, esses grupos podem ter tido atuações independentes, no desfile eles se apresentavam em procissão unificada, que tentava afirmar uma memória única para a data. O que se apresentava, portanto, era uma encenação da Abolição que se pretendia geral e unívoca, marcada pelo protagonismo de grupos ilustrados. Não por acaso, a própria diversidade entre os jornais da cidade era, naquele momento, deixada de lado em favor da tentativa de imposição dessa memória única da “imprensa fluminense”, que tentava transformar uma leitura muito específica sobre o significado da data em sua própria história.
    Se testemunhos como esses serviram de base para a análise de historiadores e cientistas sociais da posteridade, que muitas vezes se limitaram a reafirmar esta memória, Renata Moraes trata de apontar para seus limites e contradições. Na segunda parte do livro explora, para isso, a diversidade de sujeitos e experiências envolvidos na celebração da data, que expressavam concepções muito diversas sobre o significado da nova lei. Em meio a tal diversidade, uma base social clara se impunha: eram trabalhadores muitos dos que tentavam, a seu modo, participar dos festejos. Fosse através de subscrições populares ou de doações individuais, faziam questão de se colocar como sujeitos ativos da festa. Destacavam-se, entre eles, os próprios grupos negros. Ainda que não conseguissem participar dos festejos oficiais da região central da Corte, ou que não conseguissem participar de festas promovidas durante seu horário de trabalho, muitos celebraram a data nos subúrbios e nas zonas rurais, fosse em espaços públicos, em seus clubes recreativos ou mesmo nas fazendas em que trabalhavam. Com mostra a autora, as próprias forma e intensidade dessas celebrações, muitas vezes animadas por batuques e jongos, desnudavam a distância que separava a festa oficial dessas muitas outras comemorações espalhadas pela cidade – na expressão de uma festa que tinha não apenas sujeitos variados, mas também motivações muito diversas, de acordo com o perfil social e étnico de quem comemorava. Por mais que o evento celebrado pudesse ser o mesmo, essa variedade de formas e espaços deixava claro que havia muitas festas dentro da festa, em distinções fortemente marcadas por clivagens sociais e étnicas. Afirmavam-se, assim, no próprio momento daquela celebração, visões muito distintas sobre a liberdade que estava sendo festejada.
    Longe de se equacionar ao longo dos anos seguintes, essa diferença foi ficando mais clara, ano após ano, através do modo como os diversos grupos sociais passariam a celebrar a data. Enquanto a empolgação inicial da imprensa com a efeméride parecia diminuir com o passar do tempo, limitando-se a longos artigos de jornal celebrando a liberdade de forma etérea, nos clubes, salões e espaços religiosos frequentados por trabalhadoras e trabalhadores negros da cidade o entusiasmo com o 13 de Maio se manteve intacto por décadas. Ao acompanhar, na terceira parte do livro, as comemorações da data ao longo dos anos seguintes, a autora indica os diversos caminhos de construção da memória sobre aquele marco, que afastavam ainda mais as celebrações negras da lógica liberal expressa pelos jornais. Mostra, com isso, a importância assumida pela Abolição na experiência desses sujeitos. Apesar dos conhecidos limites e contradições da liberdade que havia sido conquistada em 1888, para esses trabalhadores afrodescendentes era inequivocamente uma vitória a ser comemorada e relembrada, o que tratavam de fazer em seus espaços de lazer e de crença.
    Configurava-se, nesses caminhos, uma memória negra sobre o 13 de Maio de todo diversa daquela celebrada nos jornais – o que mostrava que, passados anos da assinatura da lei, tratava-se ainda de uma efeméride em disputa. Se para muitos tratava-se de simples ato de superação do passado colonial e de ingresso do Brasil na modernidade liberal, sem que fossem alteradas as bases da ordem social, nas celebrações negras a data era associada a uma concepção mais ampla de liberdade, associada à reivindicação de direitos em meio aos primeiros anos da República. Não por acaso, as mulheres e os homens negros que participavam dessas celebrações não apenas relembravam a conquista passada, mas também apontavam para seus projetos de inclusão em uma República que teimava em tentar excluí-los – fosse ao evidenciar a força de seus cantos e danças, muitas vezes reprimidos pelo poder público; ao afirmar seus laços de crença, tanto em irmandades negras quanto em celebrações de religiosidade afro-brasileira; ou até ao reivindicar seu direito de participação política, como mostram, em 1909, certos festejos da data que se somavam à celebração de um deputado negro.
    É essa história de disputas e tensões em torno do 13 de Maio que o leitor tem em mãos. Se hoje sabemos que, ao longo das décadas seguintes, os registros da festa oficial acabaram por deixar nas sombras a memória negra sobre a data, Renata Moraes nos permite compreender o contexto e o sentido original desta disputa.
    Mostra, com isso, que as lutas negras pela liberdade se afirmaram por caminhos diversos, todos igualmente legítimos. Longe de se colocarem em contradição, o 13 de Maio e o 20 de Novembro, quando analisados a partir das experiências e lutas negras, se apresentam como momentos igualmente importantes. Ao se centrar nas festas da Abolição, este livro nos permite não somente acompanhar as formas e lógicas assumidas por essa celebração, mas também refletir sobre as disputas de memória que levaram ao seu esquecimento. São motivos mais que suficientes para garantir um lugar de destaque para este livro na já vasta produção historiográfica sobre a experiência negra no Brasil.     

     

    As festas da abolição no Rio de Janeiro (1888-1908)

    Renata Figueiredo Moraes

     

     

  • Postado por editora em em 27/03/2023 - 16:33

    "O livro que tem diante de si propõe um olhar multissituado, capaz de observar a guerra, os seus contextos e os seus legados a partir de Portugal, dos solos africanos então colonizados e também de outras geografias, como é o caso do Brasil, cujas articulações com esse passado comum, mesmo que diferidas, se tornam aqui evidentes. Ao mesmo tempo, a leitura global desta obra sugere que a compreensão ampla do fenómeno da guerra apenas é possível com um horizonte histórico, para que não se foque estritamente no tempo em que o conflito decorreu e que enquadre dinâmicas sociais mais abrangentes e diversas na sua explicação."

    Dia 24 de abril teremos lançamento da obra na Travessa Pinheiro em São Paulo.

    Confira o prefácio de Miguel Cardina, Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Coordenador do projeto “Crome – Memórias Cruzadas, Políticas do Silêncio: as Guerras Coloniais e de Libertação em Tempos Pós-Coloniais”, financiado pelo Conselho Europeu para a Investigação.

     

    Um passado ainda vivo

    No momento em que escrevo estas linhas, decorre em Portugal um debate motivado pelas palavras do primeiro-ministro, António Costa, durante uma visita oficial a Moçambique. Aí classificou como um “ato indesculpável” o “massacre de Wiriyamu”, no qual perto de 400 homens, mulheres e crianças foram violentamente assassinados, em dezembro de 1972, numa incursão feita pelo Exército português na província de Tete. As palavras foram lidas como um “pedido de desculpas” formal e suscitaram uma discussão sobre a natureza ou a necessidade de gestos de reparação para fazer face a esse passado ainda vivo.
    A guerra colonial e de libertação inscreve-se num conjunto vasto de mudanças internacionais então em curso, em que sobressai o impacto das independências dos povos africanos e asiáticos pós-Segunda Guerra Mundial e um panorama geopolítico que, consoante distintos tempos e lugares, combinou a afirmação de esferas de influência, a ativação de solidariedades militantes e a eclosão de conflitos militares. Nesse novo contexto histórico, a resistência do regime de Salazar em encetar negociações – pedidas por movimentos de libertação antes do eclodir dos conflitos, como ocorreu com o Partido Africano pela Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) – arrastou o país para uma guerra longa em Angola, Guiné e Moçambique. Nos anos finais da ditadura, ficava já claro que aquela era uma guerra impossível de vencer. A breve trecho, viria a ditar o próprio fim do regime.
    A 25 de Abril de 1974, o velho Estado Novo caía através de uma rotura levada a cabo por militares de patente intermédia, que iria desaguar numa revolução que marcou geneticamente a democracia portuguesa. Em solo africano, a luta pela independência viria a consagrar-se como a certidão de nascimento das novas nações. Mesmo Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, que não experienciaram a luta armada no território, acabariam por alcançar as independências no quadro da partilha desse mesmo idioma anticolonial. Nos diferentes países africanos – e não perdendo de vista as significativas diferenças entre si – a luta de libertação e a memória anticolonial viriam a assumir um lugar relevante, conferindo legitimidade a movimentos rapidamente tornados partidos únicos e vanguardas autoproclamadas na construção dos novos Estados.
    Em Portugal, por seu turno, e por um conjunto vasto de razões, a memória pública da guerra tendeu a ser recoberta por amnésias e seletividades discursivas. Entre outros elementos, pesa o facto de a guerra ter sido feita por militares.
    Foram esses mesmos militares – ou melhor, uma parte deles, os que se articularam no que seria o Movimento das Forças Armadas – que desencadearam a mudança política em Portugal, o que inevitavelmente interferiu na reflexão sobre a guerra, nomeadamente no parco questionamento sobre os episódios mais sangrentos. Este elemento articula-se ainda com a persistência de um imaginário que tende a apagar a natureza intrinsecamente violenta do projeto colonial. As raízes históricas dessa erosão memorial são antigas. Com efeito, a linguagem das Descobertas, ainda hoje um tópico dominante a partir do qual se tece o “nacionalismo banal” em Portugal, não pode fazer esquecer o papel tido na escravização de povos africanos e na sua deslocação forçada em direção à Europa e às Américas, com destaque evidente para o Brasil, nem, depois de formalmente abolida a escravização, os processos de trabalho forçado, de roubo de terras, de sobreexploração e violência física e simbólica a que foram sujeitos os povos africanos colonizados.
    A ditadura do Estado Novo não inventou o colonialismo nem o seu uso político, que tem origens anteriores. Mas a ideologia colonial será intensificada e reformulada nos anos de afirmação do fascismo português, acompanhada de uma crescente imbricação entre as economias da metrópole e das colónias e de vagas migratórias, nomeadamente para Angola e Moçambique, que se vão prolongar até ao final do regime. Esta etapa derradeira será ainda marcada pelo redesenhar imagético da relação colonial, a partir dos tópicos do lusotropicalismo, e por uma guerra que duraria 13 longos anos. Desencadeada pelos povos colonizados, a descolonização comportou o reconhecimento nacional e internacional dos novos Estados independentes e uma vaga de “retorno” de portugueses e seus descendentes, ou de ida para outras paragens, como a África do Sul ou o Brasil.
    O livro que tem diante de si propõe um olhar multissituado, capaz de observar a guerra, os seus contextos e os seus legados a partir de Portugal, dos solos africanos então colonizados e também de outras geografias, como é o caso do Brasil, cujas articulações com esse passado comum, mesmo que diferidas, se tornam aqui evidentes. Ao mesmo tempo, a leitura global desta obra sugere que a compreensão ampla do fenómeno da guerra apenas é possível com um horizonte histórico, para que não se foque estritamente no tempo em que o conflito decorreu e que enquadre dinâmicas sociais mais abrangentes e diversas na sua explicação. Sem esse olhar, que extravasa necessariamente o mero domínio político-militar, ficaríamos com uma visão muito limitada das causas e dos efeitos de uma guerra que foi, simultaneamente, a etapa final de uma ordem colonial e o início de um processo de descolonização que não terminou com a consagração política das independências.

     

    Portugal e os 60 anos da guerra em África

    Organizadores: Francisco Carlos Palomanes Martinho, Helena Wakim Moreno, Marina Simões Galvanese

     

  • Postado por editora em em 13/03/2023 - 12:47

    Desde os anos 1990, as Forças Armadas foram recorrentemente utilizadas em ações de segurança pública no Brasil. Como elas se desenvolveram e que impacto tiveram para os militares? Para responder a essas questões, estão aqui reunidas 16 entrevistas com oficiais das Forças Armadas. Em seu conjunto, permitem conhecer a experiência e a visão de mundo de uma geração de oficiais que participaram dessas operações de emprego doméstico das Forças Armadas e para refletir tanto sobre os desafios que elas enfrentaram quanto sobre o legado que deixaram.

    Entrevistas com: General Roberto Jugurtha Camara Senna, Coronel Romeu Antonio Ferreira, General Franklimberg Ribeiro de Freitas, General José Elito Carvalho Siqueira, Almirante Carlos Chagas Vianna Braga, General Adriano Pereira Júnior, General Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, Almirante Reinaldo Reis de Medeiros, General Joaquim Silva e Luna, General Sergio Westphalen Etchegoyen, General Walter Souza Braga Netto, General Sergio José Pereira, General Richard Fernandez Nunes, General Edson Massayuki Hiroshi, General Sergio Luiz Tratz, General Fernando Azevedo e Silva

    Confira parte da apresentação da obra: 

     

    Das GLO à guerra urbana: a trajetória do emprego doméstico dos militares no Brasil (1992-2022)

    Apesar de não ter se envolvido em conflitos interestatais desde a Segunda Guerra Mundial, o Brasil é o segundo país com maior contingente militar nas Américas, após os Estados Unidos, com aproximadamente 356 mil membros ativos nas Forças Armadas. Além disso, para um país que mantém relações pacíficas com seus vizinhos, o Brasil investe significativamente em defesa. Nos últimos anos, o orçamento brasileiro para as Forças Armadas foi o maior da América Latina e Caribe, representando cerca de 45% de todo dos gastos militares na região. O orçamento da Defesa também é vultoso se comparado com o de outros ministérios, sendo consistentemente um dos cinco ministérios que mais custam ao erário.
    Entre as atividades e competências do Ministério da Defesa, além do preparo para a defesa contra ameaças externas e do engajamento em operações de paz no exterior, inclui-se o emprego das Forças Armadas no âmbito doméstico, nos termos da Constituição. As forças podem realizar atribuições subsidiárias que contribuem para o desenvolvimento nacional e a defesa civil ao se engajarem em ações de natureza preventiva ou repressiva, por vezes em coordenação com outros órgãos governamentais. Especificamente, grande parte da atuação doméstica das Forças Armadas se dá no âmbito das chamadas Operações de Garantia da Lei e da Ordem (OpGLO). O emprego das Forças Armadas no âmbito das OpGLO concentra-se principalmente em atividades como o policiamento e o apoio logístico durante as eleições; na segurança de grandes eventos de escopo internacional; na atuação para prover segurança em casos de greves das polícias militares ou no policiamento e em operações interagências para reduzir a criminalidade nas grandes cidades brasileiras, nas chamadas GLO de violência urbana.
    Este livro é um resultado do projeto de pesquisa “Forças Armadas na Segurança Pública no Brasil”, desenvolvido entre 2020 e 2022. O projeto consistiu no levantamento de documentos oficiais do Ministério da Defesa e do Exército sobre o assunto, incluindo legislação e manuais doutrinários publicamente disponíveis, para a elaboração de uma cronologia dos principais eventos relacionados ao tema e, principalmente, para auxiliar a produção de um acervo de entrevistas realizadas entre abril de 2021 e fevereiro de 2022. Esse acervo possui um total de aproximadamente 30 horas de gravação em áudio e vídeo. Foram entrevistados 16 oficiais das Forças Armadas que ocuparam posições privilegiadas na decisão, planejamento ou condução de missões de segurança pública. A maioria dos entrevistados é do Exército, porque esta força é a mais envolvida nessas ações. Há, porém, dois entrevistados da Marinha, especificamente do corpo de fuzileiros navais, também utilizado nas OpGLO.
    Este foi um projeto conduzido durante a pandemia de Covid-19. A equipe envolvida nunca se reuniu toda pessoalmente. Também foi necessário adaptar o protocolo de entrevistas para que os entrevistados pudessem, com segurança, dar seus depoimentos. À exceção das entrevistas com o almirante Carlos Chagas e com os generais Braga Netto e Sergio, todas as demais foram realizadas remotamente, pela plataforma Zoom.
    Os entrevistados eram, em sua quase totalidade, oficiais-generais — militares que, portanto, chegaram ao escalão mais elevado da carreira. Eles ocupavam, no momento da entrevista, diferentes posições: na reserva, na ativa ou reconvocados para funções a pedido do Poder Executivo. É importante frisar que, apesar de algumas menções à pesquisa acadêmica com uma conotação negativa, como se seus resultados fossem geralmente contra a visão dos militares sobre as OpGLO, os entrevistados manifestaram conhecimento e respeito pela FGV e pelos pesquisadores/entrevistadores envolvidos no projeto. Num momento delicado das relações entre civis e militares na democracia brasileira, em que as Forças Armadas apresentam-se com um renovado protagonismo político, não houve, em momento algum, tensão entre os pesquisadores e os entrevistados, e foi possível entrevistar indivíduos com relevância política para além da caserna, como os generais Walter Braga Netto (então ministro da Defesa, ex-interventor federal no Rio de Janeiro e já potencial candidato à vice-presidência da República), Joaquim Silva e Luna (então presidente da Petrobras, ex-presidente da Itaipu Binacional e ex-ministro da Defesa no governo de Michel Temer) e Fernando Azevedo e Silva (ex-ministro da Defesa no governo de Jair Bolsonaro).
    O acervo constituído é bastante rico porque cobre temporalmente as OpGLO desde sua gênese até as mais recentes, e os entrevistados puderam nos fornecer informações sobre suas experiências como oficiais em pequenos escalões ou nos mais altos postos de comando; e sobre a formulação da política, da doutrina até as impressões de cunho mais operacional, que só os militares que estiveram no terreno poderiam conhecer. A maior parte dos entrevistados teve as OpGLO perpassando diferentes momentos de sua carreira e participou de várias ações.
    Nossas entrevistas indicam que as OpGLO impactaram profundamente as Forças Armadas do ponto de vista de sua doutrina de emprego. As fontes de mudança doutrinária advêm tanto do repetido emprego doméstico dos militares quanto das missões de cunho internacional, seja como observadores militares, seja como tropa empregada em operações de paz. Em especial, ao longo da década de 2010, as forças militares e sobretudo o Exército criaram um arcabouço doutrinário, adquiriram equipamentos e desenvolveram protocolos de treinamento para permitir e orientar sua atuação na segurança pública. Desde 2019, as OpGLO na segurança pública vêm declinando quantitativamente e as forças vêm igualmente adaptando sua doutrina.
    Traçaremos brevemente, nesta apresentação, o surgimento e o desenvolvimento das OpGLO no Brasil, avaliando seu impacto na evolução da doutrina do Exército brasileiro. Elas surgiram e evoluíram ao longo dos anos a partir de demandas do Executivo, foram colocadas em prática pelos militares no exercício de sua execução e impactaram substancialmente as Forças Armadas, o Exército em particular, do ponto de vista doutrinário.

    Forças Armadas na segurança pública: a visão militar

    Organizadores: Celso Castro, Adriana Marques, Verônica Azzi, Igor Acácio

     

     

     

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