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  • Postado por editora em em 24/10/2018 - 13:29

    Obra fundamental para quem se interessa, ensina ou pesquisa no domínio das ciências humanas e sociais, o livro Homo Historicus de Christophe Charle, traduzido e publicado pela Editora FGV em coedição com a Editora da UFRGS e apoio à publicação do Institut Français, propõe de modo constante a necessidade de uma cooperação interdisciplinar.

    Conhecido por seu trabalho sobre a sociedade no século XIX, Christophe Charle faz nesta obra uma reflexão geral crítica sobre a prática da história social e da história cultural e os elos entre esses dois ramos da disciplina, e vai muito além. 

    No livro, Charle dedica-se a um percurso elucidativo de sua própria trajetória, enquanto pesquisador, colocando às claras um conjunto de determinantes do trabalho científico e suas condições de controle.

    Percorrendo um vasto campo de reflexões, a proposta se encaminha para a utilização combinada de diferentes perspectivas analíticas, ao mesmo tempo em que retoma as discussões sobre uso da prosopografia e análise de circulação internacional de bens culturais, seus desafios e perspectivas.

    De modo geral, trata-se muito mais de fazer perguntas do que propor soluções acabadas, abrindo, assim, um instigante leque de problemáticas de pesquisa cuja fecundidade torna-se fundamental para a reflexão sobre o período atual, marcado, segundo o autor, pela “modernização universitária” e a especialização disciplinar.

    De acordo com Charle, os historiadores fazem parte de um universo institucionalizado cada vez mais hierarquizado e interdependente, mas também em competição com outros espaços intelectuais: outras comunidades disciplinares –  filosofia, sociologia, antropologia –, historiadores de outros países, relações de força instáveis entre as disciplinas no seio dos estabelecimentos, mundo da edição e da mídia. E tudo isso, em sua visão, remete às contingências ou é resumido pelo vocabulário pobre da “profissionalização”.

    Os textos reunidos nesta obra foram escolhidos pelo autor entre todos os que redigiu nos últimos anos, utilizando o critério de coerência que apresentam uns com os outros e sobretudo para responder a inquietações anteriores (próprias), disciplinares ou metodológicas: “sempre conectar reflexão teórica e modalidades práticas de sua utilização no trabalho historiográfico concreto”.

    Embora os textos tenham sido escritos durante um período relativamente longo e abordem temas bastante diversos, Charle afirma que as continuidades metodológicas, temáticas e teóricas que caracterizam seus sucessivos trabalhos permitem que eles repercutam uns sobre os outros.

    Os escritos reflexivos produzidos por encontros intelectuais durante sua carreira com “colegas criativos, alunos exigentes e inovadores e sobretudo com mestres estimulantes”, a respeito de temáticas que marcaram renovações duradouras da historiografia contemporânea, apresentam um valor mais geral de compreensão da evolução de diversos campos historiográficos ou disciplinares e de resposta a certos debates ainda atuais.

    Homo historicus

     

     

  • Postado por editora em em 11/10/2018 - 14:11

    A Primavera Literária do Rio acontecerá entre os dias 18 e 21 de outubro, de volta aos jardins do Museu da República.

    Como todo ano, esta 18ª edição da feira terá uma programação cultural gratuita para seus visitantes e nós estaremos lá também.

    E nesta edição, nossa participação está mais que especial.

    Nossas autoras Hildete Pereira de Melo (Mulheres e poder), Glaucia Fraccaro (Os direitos das mulheres) e Angela de Castro Gomes (Trabalho escravo contemporâneo) estarão presentes na Tenda, dia 21, domingo, às 10h, para o bate-papo Mulheres no poder.

    Após a conversa, todas poderão autografar seus livros no mesmo local.

    É bom chegar cedo pra garantir seu exemplar em nosso estande e sua partipação nessa conversa.

     

    Mais da programação pode ser conferida na página da LIBRE, no Facebook. Clique AQUI, que te mandamos pra lá ou confira tudinho mais abaixo.

     

    O Museu do Palácio do Catete é aberto à visitação, possui uma praça de alimentação de bikefoods, restaurante e um bicicletário.

    A feira é gratuita e a entrada  do Museu fica em frente ao metrô do Catete.

    Não dá pra não ir.

     

    Levaremos cerca de 200 títulos do nosso catálogo, entre lançamentos e acervo, e todos estarão com 50% de desconto.

    Esperamos sua visita!!

     

     

    PROGRAMAÇÃO COMPLETA | PRIMAVERA LITERÁRIA 2018

    ESPAÇO INFANTIL

    QUINTA-FEIRA 18/10
    11h Contação de histórias do livro Um pra cada lado e oficina de criatividade | Luciana Rigueira e Elizabeth Teixeira
    14h Oficina Como nascem as histórias | Helena Lima Apresentação sobre processo criativo: como nascem as histórias e em que consiste o trabalho de uma editora. Programação complementada com contação de histórias.
    15h Conversa sobre o livro Peixe de abril | Simone Mota || A história do pescador, do menino e dos peixes, mais particularmente o Peixe de abril, entre reinos e reis, seduz o leitor desde as primeiras linhas e o transporta para mundos feéricos de sabedoria e de ensinamentos. Simone Mota consegue condensar o máximo de informações num mínimo de espaço, técnica fundamental nesse gênero literário. O leitor é conduzido com habilidade e gênio para o "efeito do real", qualidades que fazem do Peixe de abril obra indispensável para apreciadores de literatura de todas as idades." (Godofredo de Oliveira Neto)"

    SEXTA-FEIRA 19/10
    10h Desafios da mediação da leitura literária hoje | Cíntia Barreto || Uma apresentação da formação em Literatura Infantil e Juvenio dos profissionais do livro no contexto atual e do impacto no mercado editorial no processo de formação de leitores.
    11h Palestra Oralidade e contos africanos : Histórias de Ouvir da África Fabulosa | Carlos Alberto de Carvalho e Fabio Maciel || Em algum lugar da África, crianças ouvem fabulações, nas quais, humanos, animais e seres fantásticos fazem parte da narrativa.
    14h Oficina de ilustrações do livro Histórias de ouvir da África fabulosa | Fabio Maciel || Trabalho sobre as ilustrações do livro Histórias de ouvir da África fabulosa.
    15h Contação de histórias do livro Como tudo começou – A primeira aventura da Turma do Planeta Silvana Gontijo || A autora encanta as crianças ao apresentar seu livro Como tudo começou - A primeira aventura da Turma do Planeta de forma muito interativa consegue a participação de todos ao contar sobre a aventura do livro.
    18h Bate Papo sobre o Livro "Bordados" Projeto MANOS QUE CUENTAN. Peru- Brasil Rosana Reategui. || A narradora peruana, Rosana Reategui, integrante do grupo Os Tapetes Contadores de Histórias apresentará seu projeto de livros bordados junto com artesãs arpilleras: Manos que Cuentan. Livros de pano que contam histórias e lendas bordadas assim como falará das origens do bordado da arpillera, registros têxteis de diversas realidades latinoamericanas.

    SÁBADO 20/10
    10h Belé Salsicha | Contação de Histórias + Autógrafos || Autora Ana Sampaio ||| Ilustração Heitor Corrêa Contação de Histórias do livro Belé Salsicha: Belé é um cachorrinho com rodinhas no lugar das patas traseiras e nem se importa com isso. Ele é muito especial por ser um grande caçador de formigas e destruidor de chinelos. Aprenda com Belé como ser feliz e um arteiro tão amado.
    11h É conversando que a gente se entende | Julia Luz || Bate papo sobre comunicação não violenta ||| Conversa, bate papo sobre Comunicação Não Violenta com a autora do livro "É conversando que a gente se entende".
    14h Contação de histórias e sessão de autógrafos | Os 2 porquinhos e meio || Marta Lagarta ||| Ah, as diferenças! Elas podem se unir de maneiras tão mágicas. Será que um dia as pessoas perceberão isso? Neste texto delicioso, de poesia, sabores e imagens, Leo Cunha e Marta Lagarta contam uma divertida história sobre as desavenças entre dois vizinhos. Mas se a Dona Edy e o Seu Elias não se toleram, não podemos dizer o mesmo de seus porquinhos de estimação: Kid e Lik.
    16h Representação negra na literatura infantil | Cássia Valle, Luciana Palmeira, Kenia Maria, Simone Motta, Mediação: Ernesto Xavier || Representação negra da literatura infantil. Bate-papo com autoras de livros infantis com personagens negros.
    17h - Biodanza para crianças + Lançamento do livro Biodanza - um caminho para o mundo biocêntrico | Beatriz Câmara e Julia Rodrigues, Semente Editorial || Oficina que propõe uma prática através da dança e da música - conduzida por facilitadoras da metodologia Biodanza fundada por Rolando. Tem por objetivo fundamental valorizar e reforçar as qualidades mais belas do ser humano, que poderiam se expressar naturalmente na infância se o meio o permitisse.
    18h Conversa sobre o livro Tempo de brincar Marília Pirillo O tempo de brincar e a infância estão ameaçados pela rotina estressante que estamos adotando para as nossas vidas e de nossas crianças. Acho fundamental termos um momento para rir, relaxar, sentir, desfrutar da vida e do mundo que nos cerca. Brincar é aprendizado, é experimentação, é descoberta. Brincar é jogar, ganhar, perder, recomeçar, fazer de conta, fantasiar, se encantar! Desenhar, ler, escrever e contar histórias também podem ser uma deliciosa brincadeira. Vamos brincar!"

    DOMINGO 21/10
    10h Aulão de Boxe Infantil | Professor Peppe || (a partir de 12 anos)
    11h Contação de histórias do livro Um marido para Dona Baratinha | Autora Dircéa Damasceno || Dona Baratinha era vaidosa e caprichosa. No dia em que encontra uma moeda, se sente rica e sai em busca do noivo perfeito. Entre tantas qualidades e defeitos, será que ela vai encontrar seu par?
    14h Primavera convida Clube de Leitura Quindim | Slam de ilustração Os participantes são desafiados, por meio de uma temática surpresa a criarem uma narrativa visual. Um ilustrador intervém no desenho do outro mudando o traço e o pensamento, criando uma história coletiva com diferentes olhares.
    15h Cantação de Histórias Ana Clara das Vestes e Trio e Lançamento do Livro Dois dinossauros e uma duna imensa Ana Clara Vestes Ilustração Camilo Martins Semente Editorial || A magia escorrega mansamente no cenário quase lunar do sono. Embalados pelas histórias contadas pela mãe de Adnan, ele e os dinossaurinhos veem-se diante de uma montanha gigante, uma estrada a ser caminhada e vencida a cada noite.
    16h #PapoComZero : uma campanha de diálogo inspirada no conto 'A fuga do zero' e Oficina de contação de histórias e brincadeiras com as Boconas | Ana Luiza Novis || A partir do projeto #PapoComZero, a psicóloga e terapeuta Ana Luiza Novis trabalha a comunicação e o diálogo.
    17h Conversa sobre o livro A Princesa Maravilha ou de como uma ervilha incômoda Provocou um final feliz. Cristina Villaça "Escrevi esta história em formato de cordel para homenagear Sylvia Orthof, mestra imaginária de minhas viagens literárias. Escolhi a redondilha maior porque quis seguir sua intenção de perpetuar a forma tradicional dos cantadores do nordeste e todo um manancial cultural que não pode ser esquecido. A minha Princesa Maravilha é parente de Ervilina, ambas descendentes da Princesa do conto de Andersen. Mas, como a Ervilina de Sylvia, ela é protagonista de sua história, é ela quem decide seu destino. Maravilha chega nessas páginas para ressaltar minha crença na educação e nos estudos avançados.
    18h Bate-papo Não Somos Anjinhos com Gusti Rosemffet Apresentação do livro Não Somos Anjinhos, seus processo de criação, tradução, edição. O livro, originalmente publicado pela editora Oceanos - Mexico/ Barcelona, acabou de ser selecionado para a prestigiosa lista WHITE RAVENS, da Biblioteca Internacional da Juventude, de Munique. Roda de conversa com Gusti, autor que vem de Barcelona lançar seu recente livro ―Não Somos Anjinhos‖, sobre suas motivações e processo de criação desse livro ilustrado, inspirado pela vida cotidiana em família, no convívio com seu filho que tem síndrome de Down.

    ESPAÇO EDUCATIVO

    QUINTA 18/10
    Programação Especial Dia do Editor
    9h Café da Manhã
    10h Panorama: Cenário do mercado editorial brasileiro | Ismael Borges – Nielsen || Apresentação de um panorama sobre o mercao editorial brasieliro, sob a perspectiva da Nilsen.
    11h Revolução 4.0 - Economia em rede | Raíssa Pena - Catarse || Carolina Herszenhut – Aborda ||| Apresentação de cases sobre empreendedorismo criativo e a importância das microcomunidades para o fortalecimento das marcas.
    14h Internacionalização e seus processos | Bia Alves – HarperCollins || A Gerente de internacionalização da HaperColins fala sobre sua expeiência na área na América Latina
    15h Painel Forma Certa | Apresentação das soluções e inovação em impressão digital.
    15h30 Workshop Como fazer para vender seu livro ainda em 2018 | Bruno Mendes – Coisa de Livreiro || Um workshop para os editores observarem como algumas medidas e novações podem aumentar o faturamento ainda nos meses faltantes para findar 2018.
    17h Pega na minha mão e vem | Simei Jr. – Metabooks || Camila Cabete – Kobo ||| Um passo a passo para ensinar o mercado a fazer um bom preenchimento de metadados e seus benefícios para o gaturamente e organização das editoras.
    18h O livro e o licenciamento | Mariana Rolier - HarperCollins, Sintia Mattar – Trevisan Mattar Consultoria Jurídica, Eduardo Albano - Ubook, Janaina Ávila Brasil - Produtora outrastorias, Mediação Cassia Carrenho – Lab Pub || Uma roda de conversa sobre licenciamento de livros para outras mídias.

    SEXTA-FEIRA 19/10
    10h Workshop de autopublicação e pitch para autores independentes Plataforma Bibliomundi e Palestrantes convidados | Seja autor da sua própria história. Pitch aberto para escritores de todos os gêneros. Apresente sua ideia para profissionais do mercado. Prêmio para o vencedor do pitching: Consultoria grátis com a Bibliomundi para publicação digital do livro.
    11h30 Oficina de escrita Oulipiana | Ana de Alencar e Ana Lúcia Moraes | Palestra de Ana de Alencar sobre o grupo literário francês OULIPO e sobre a literatura potencial, seguida de uma oficina de escrita — com a participação da professora e doutora em literatura francesa, Ana Lúcia Moraes — baseada nos princípios oulipianos.
    14h Oficina de formação de contadores de histórias e mediadores de leitura | Francisco Gregório || Oficina de formação de contadores de histórias, mediadores de leitura, e formação do leitor através de "Ler e Contar, Contar e Ler", em rodas de leitura e leitura dramatizada.
    15h30 Mini Curso: Como escrever boa ficção fantástica, sagas e trilogias | Julio Algaze Mansour e Ilmar Penna Marinho Júnior Como escrever boa ficção fantástica, sagas e trilogias
    17h Literatura e Fantasia | Juva Batella, Miguel Conde || Quarteto mágico – quatro formas de ser estranho Formas de ser estranho – Num país em que o valor da criação literária é muitas vezes medido em relação a sua capacidade de denunciar mazelas sociais, qual o lugar de autores que exploram em suas obras o devaneio e a fantasia, às vezes chegando até o non-sense? À margem da escrita realista de crítica social, seria possível falar numa tradição alternativa na história literária brasileira, mais afeita ao estranho e ao improvável do que à concretude do real? Os críticos Juva Batella e Miguel Conde conversam nesta mesa sobre alguns autores que poderiam integrar uma tal tradição, tais como Murilo Rubião, José J. Veiga, Campos de Carvalho e Victor Giudice.
    18h30 Marcos Legais para formar leitores | Renata Costa, Guilherme Relvas, Francisco Gregório, Mediação: Volnei Canônica || A sanção da Lei Castilho e a discussão acerca da regulamentação do mercado do livro são os temas desta conversa que vislumbra refletir sobre a necessidade de políticas publicas para formar leitores e fortalecer o setor livreiro.

    SÁBADO 20/10
    10h Primavera Convida Puxadinho | Carol Delgado || Puxadinho, um lab de experimentações antropológicas, com metodologias e preços acessíveis, que tem seu foco na instrumentalização e democratização da produção simbólica, e atua em três frentes: uma escola livre e ateliê de pesquisa, mentoring para movimentos, projetos e pessoas e consultoria criativa.
    14h Pitch do livro: como seduzir editoras com o seu original | Vagner Amaro, Paula Cajaty, Valéria Martins, Michelle Strzoda || Como seduzir editoras com o seu original: o olhar do mercado editorial.
    16h Primavera convida Revista Philos | Oficina de escrita poética || Thássio Ferreira ||| Diante da moldura vazada colocada no jardim, o facilitador estimula os/as participantes a escreverem de forma poética sobre a paisagem, demonstrando possibilidades de construção de escrita criativa a partir de obras de autores/as clássicos/as e contemporâneos.
    17h Primavera Convida Agência ONZE - UVA | Economia Criativa: As potencialidades do Rio como Cidade Criativa Leonardo Amato Marcos Machado Vera Zunino || A Economia Criativa propõe um novo olhar sobre como integrar pessoas e cidades, gerando novos caminhos para o desenvolvimento sustentável através das potencialidades criativas. O encontro irá analisar a economia criativa na Cidade do Rio de Janeiro através de estudos envolvendo equipamentos públicos, a arte e o carnaval.
    18h30 Workshop: Vamos viajar? O que você precisa saber para se tornar um viajante | Claudia Liechavicius || Claudia Liechavicius é uma apaixonada pelo mundo. Além de ser uma especialista em todo tipo de viagem e destino. Desde 2008 comanda o Viajar pelo mundo!, Um dos sites mais populares da blogosfera, com cerca de um milhão de visualizações por mês. E depois de uma década compartilhando suas viagens e ouvindo os desejos de seus seguidores, escreveu um livro para mostrar que o mundo também pode ser o seu quintal.

    DOMINGO 21/10
    10h Literatura e Astrologia: alguns encontros | Roberta Ferraz
    11h30 O poder dos nutrientes Dr. Raimundo Santos || Palestra do Dr. Raimundo Santos, médico e tradutor do livro "O poder dos nutrientes", escrito pelo médico norte-americano dr. William Walsh, que defende o uso da bioquímica natural em substituição aos remédios psiquiátricos no tratamento de distúrbios mentais. Com milhares de exemplares vendidos em outros países, o trabalho do dr. William Walsh abre uma nova porta para o tratamento da saúde mental, incluindo deficit de atenção, ansiedade, esquizofrenia, hiperatividade, doença de Alzheimer e outros.
    14h Oficina de autobiografia | Tania Carvalho Apresentação de experiências, técnicas e inspiração para ajudar o leitor a virar escritor de sua própria história.
    15h30 Nuvens e Bigornas - a poesia de Hilda Machado e Yasmin Nigri | Cide Piquet, Yasmin Nigri, A jovem poeta carioca Yasmin Nigri e o editor Cide Piquet conversam sobre os livros Bigornas, de autoria de Yasmin, e Nuvens, da poeta Hilda Machado, falecida em 2007, explorando afinidades nas obras dessas duas poetas de diferentes gerações, ambas fortemente imagéticas e influenciadas pelas artes visuais.
    17h Bate Papo Carolina Maria de Jesus - uma biografia Tom Farias Bate-papo sobre a atualidade da obra de Carolina Maria de Jesus

    TENDA FAÇA AMOR, NÃO FAÇA GUERRA
    QUINTA 18/10

    10h Primavera Convida Nespe | Workshop: 3 ou 4 coisinhas sobre técnicas de escrita criativa || Leandro Müller, Flávia Iriarte ||| Os criadores do curso de Escrita criativa do Nespe (Núcleo de Estratégias e Políticas Editoriais) apresentam ao público algumas técnicas para ser escritor.
    14h Ocupa Museu - Políticas Públicas e Direito à Memória | Ana Paula Zaquieu Álvaro Marins Aline Montenegro A importância de um projeto de Estado em relação ao direito à memória no que tange a politicas publicas para a área de museus.
    15h30 Reconstruindo as bibliotecas | Andreia Rangel Verônica Lessa || Conversa sobre o papel da biblioteca como agente de transformação social, com base nos ODS da agenda 2030 e no plano de trabalho proposto pelo programa Conecta Biblioteca, uma iniciativa implementada pela ONG Recode e patrocinada pela Fundação Bill&Melinda Gates. De que forma a biblioteca poderia também incidir sobre indicadores ligados, por exemplo, a desemprego e à saúde da comunidade local? Apresentaremos também cases bem-sucedidos de atividades, realizadas nas bibliotecas do Conecta Biblioteca, pautadas pela agenda 2030.
    17h Narrativas indígenas: produção cultural de resistência | Eliane Potiguara || A produção cultural indígena em festivais de literatura
    18h30 Poesia e paisagem | Michel Collot, Masé Lemos, Marcelo Reis de Melo || Uma conversa sobre produção de poesia contemporâena à luz da teoria da paisagem. Como a paisagem se apresenta nos textos do autores contempoâneos? Qual o papel da emoção na criação de uma obra? O que sefala quando se falar em inspiração, emoção, paisagem e técnica?

    SEXTA-FEIRA 19/10
    10h Workshop: Life Coaching | Claudia Guimarães || Dicas para uma vida mais harmonizada, através de um percurso que vai desde autoconhecimento, reconhecimento da própria história, autocompaixão e compaixão até cuidados com o corpo e com a nossa alma. Depois, abriremos para uma roda de conversa com o público presente.
    11h30 A Formação do Jornalista 2.0 Agência ONZE – UVA Renata Feital | Refletir sobre a profissão de jornalista diante dos novos cenários políticos, sociais e culturais. A palestra versará sobre o papel social do jornalista nas sociedades democráticas, focalizando as transformações do know-how jornalístico. Dessa forma será realizado um debate sobre a profissão jornalista, seguindo um itinerário desde o marco da sua institucionalização até hoje, além de contemplar as mudanças nas rotinas de produção, em níveis econômicos, políticos e editoriais, que impactaram os jornalistas brasileiros. O ensino do Jornalismo nas universidades e por fim, a reflexão contempla a identidade jornalista e o seu papel social no atual ambiente informatizado.
    14h Primavera Convida MultiRio | Roda de Conversa sobre o livro Animação Brasileira: 100 filmes essenciais produzido pela ABRACCINE e a Associação Brasileira de Cinema de Animação, entre outros, e lançado pelo Grupo Editoral Letramento.
    15h30 Ativismo jovem | Coletivo Papo Reto, Slam das Minas, Coletivo Ocupa Amaro, Mediação Ywerson Pimentel || Bate papo com jovens que estão interferindo em seus meios sociais e dando visibilidade a diferentes narrativas por meio de dispositivos como a arte, tecnologia e ativismo político.
    17h Linguagens poéticas e ativismo antidiscriminatório Ramon Nunes Mello Paulo Sabino | Simone Mazzer || Como a arte pode mitigar preconceitos e sensibilizar para temas sobre os quais ainda pouco se fala.
    18h30 Até onde pode o judiciário? | Ricardo Lísias, Wadih Damous || Discussão acerca das liminares concedidas pelo desembargador Rogerio Favreto a partir do novo livro de Ricardo Lisias Sem título – uma performance contra Sergio Moro, à luz do Direito. Análise dos diversos acontecimentos recentes da sociedade brasileira.

    SÁBADO 20/10
    10h Carreira de autor | Alessandro Thomé, Janda Montenegro, Thássio Ferreira || Mesa sobre o papel do autor na costrução de sua carreira. Venda de livros, autopromoção, agenciamento e prêmios serão algus dos temas.
    11h30 Brasilidades Luis Antonio Simas Marcelo Moutinho | Um inventário do Brasil popular pelas lentes de Luiz Antonio Simas e Marcelo Moutinho. Entram na roda personagens, literatura, ritmos, conflitos, etnias, festas da fé, saberes e fazeres dos brasileiros.
    14h Tabu na literatura | Andrea Viviana Taubman, Alessandro Thomé, Fátima Pacheco || Tristeza, separação, morte, violência, abuso sexual. Como falar sobre esses assuntos difíceis para os adultos com as crianças. Há temas-tabu a serem evitados na literatura infantil e juvenil? Para muitos pais, educadores e mediadores de leitura que pensam para além da simples fruição, a literatura pode ser sim um caminho para provocar nas crianças reflexão sobre situações difíceis ou de risco, de uma maneira lúdica e não simplista.
    15h30 Primavera convida Quatro Cinco Um Raquel Menezes Antonio Freitas | Mediação Fernanda Diamant || Bate papo sobre mercado editorial independente, jornalismo e ativismo cultural a partir das experiências da Libre, da Tapera Taperá e da Quatro Cinco Um.
    17h 1968: 50 anos depois | Ítalo Moriconi, Eduardo Jardim || Os movimentos de 1968 e aqueles que dele derivaram serão o fio condutor do bate-papo, utilizando outros ângulos de observação e perspectivas sobre o momento e sua época. A ideia é trazer novos enfoques para alguns eventos bastante, e outros muito pouco, conhecidos, com atenção às reações, aos desdobramentos e heranças que aqueles eventos suscitaram no e ao longo do tempo. Exatamente no mês outubro de 2018, o foco das comemorações dos 40 anos estará sobre a queda de Ibiúna, e este momento será abordado no bate-papo, bem como as comparações com os eventos de 2013.
    18h30 Os diários na literatura Felipe Charbel Kelvin Falcão Klein Conversa entre Felipe Charbel (autor de "Janelas irreais - um diário de releituras", Relicário, 2018) e o crítico Kelvin Falcão Klein (autor de "Wilcock. Ficção e arquivo", Páginas Selvagens, 2018) sobre diários de escritores, e sobre romances escritos em diários.

    DOMINGO 21/10
    10h Mesa Mulheres no Poder | Hildete Pereira de Melo (Mulheres e Poder),  Glaucia Faccaro (Os direitos das mulheres), Angela de Castro Gomes (Trabalho escravo contemporâneo), Maria Claudia Badan Ribeiro || Por que as mulheres não ocupam as chefias de empresas? Por que ganham salários menores que o dos homens? Por que há tão poucas deputadas? Bate papo sobre a importância de ter mais mulheres ocupando cargos de poder e sobre as barreiras que elas enfrentam.
    11h30 Mulheres Negras na Literatura | Conceição Evaristo, Paloma Franca Amorim, Eliana Alves Cruz, Teresa Cárdenas
    14h Publique Sexo | Bella Prudencio, Ara Nogueira Seane Melo, Camila Cabete | Mediação: Cassia Carrenho || Discussão sobre o feminismo e o corpo da mulher a partir de publicações cujo sexo é o eixo central e o modo se libertar do patriarcado. A partir de lemas como ―Meu corpo, minhas regras‖ as mulheresm se empoderam e assumem esapço na sociaedade.
    15h30 Reflete o feminino por que o feminino importa Palmira Margarida Helena D’Aradia Mediação: Crib Tanaka
    17h Primavera Convida Mulheres que Escrevem | Escritas Híbridas || Leticia Novaes, Dara Bandeira, Estela Rosa Mediação: Tais Bravo ||| Conversa com autoras sobre escritas híbridas que escapam de um único gênero.
    18h30 Mulheres do Funk | Verônica Costa, Adriana Facina, Taísa Machado, Ingrid Neponucemo || Mediação: Carol Rodriguez ||| Sexualidade, objetificação do corpo, visibilidade. O Funk como movimento de expressão de mulheres negras e periféricas.

    ESPAÇO LANÇAMENTOS
    SEXTA-FEIRA 19/10

    15h Arte dos contos
    Vários autores
    MultiRio e Secretaria Municipal de Educação
    16h Marx e a História
    Gustavo Machado
    Editora Sundermann
    17h Por que não escrevi nenhum de meus livros
    Marcel Bénabou
    Tradução: Ana de Alencar Editora TABLA
    18h Guardados do Coração
    Franciso Gregório
    Semente Editorial

    SÁBADO 20/10
    13h Itinerários
    Autor Thássio Ferreira
    UFPR
    14h Lançamento Coletivo Ibis Libris
    Editora Ibis Libris
    15h Caveiras
    Bate papo + autógrafos
    Autor Victor Abdala
    Editora Évora
    16h Não me toca, seu boboca
    Autora Andrea Viviana Taubman
    Ilustrações Thais Linhares
    Editora Aletria
    17h Contos de encantar o céu
    Bate papo + autógrafos
    Autoras Helena Lima
    Ângela Leite de Souza
    Ana Luiza Figueiredo Editora Lago de Histórias
    18h Amores Desvalidos
    Autor Rogério Athayde
    Editora Oficina Raquel

    DOMINGO 21/10

    11h30 | Hildete Pereira de Melo, Glaucia Fraccaro e Angela de Castro Gomes augrafam seus respectivos livros após a mesa 'Mulheres no poder'

    15h O som de um coração vazio
    Bate Papo + Autógrafos
    Autora Graciela Mayrink
    Editora Bambolê
    16h Sebastian
    Autora Bella Prudencio
    Editora Oficina Raquel
    17h Lançamento coletivo de autores independentes
    18h Sexo a três
    Autor Vinni Corrêa
    Editora Jaguatirica

    CINEMA
    SEXTA-FEIRA 19/10
    11h às 17h Ocupação Cineclubista Cine&Manas
    Cineclube produzido pelo Coletivo Manas, com exibição de filmes sobre feminilidade, trazendo o debate sobre gênero, identidade e sustentabilidade feminina.

    SÁBADO 20/10
    11 ás 16h Ocupação Cineclubista MultiRio - Animação Brasileira: 100 filmes essenciais
    Empresa Municipal de Multimeios, vinculada à Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, apresenta filmes do livro Animação Brasileira, 100 filmes essenciais.

    DOMINGO 21/10
    10 ás 11h30 – Aulão ENEM Parte I
    11h30 h às 17h Ocupação Cineclubista Subúrbio em Transe
    O coletivo Subúrbio em Transe, organizado por Luiz Claudio Motta, promove atividades culturais espalhadas por bairros do subúrbio com o objetivo de retratar e debater o subúrbio como paisagem e lugar.
    14 às 15h30 – Aulão ENEM Parte II
    Nome do professor

    CHAFARIZ - OCUPAÇÕES ARTÍSTICAS

    QUINTA-FEIRA 18/10
    19h Dj Nado

    SEXTA-FEIRA 19/10
    19h Slam das Minas

    SÁBADO 20/10
    15h Palestra + Prática de meditação transcendental | Valéria Portugal, Professor Aloísio Reis Nunes | Valéria Portugal , autora do título: Olhando para dentro (Editora Gryphus). Estará com o professor convidado: Aloisio Reis Júnior, no dia 20/10/2018 horário 15:00 as 16:00hs abordando o temas: Criatividade e Meditação Transcendental. Ao término da palestra, o professor Aloisio estará aplicando a prática de Meditação Transcendental no local.
    16h Juventude-raiz: histórias do Norte brasileiro | Leão Zagury, Anatole Jelihovschi Leão Zagury apresenta as reminiscências da infância e da juventude, passadas em Macapá, tem uma pegada a la Gabriel García Márquez. O livro é muito bem escrito e ganhou prefácio do Cláudio Murilo Leal, que é da ABL. Anatole Jelihovschi, em romance dramatizado, compara a vida do protagonista Salvador ao de Lampião, em uma narrativa que explora ―uma multidão de despojados encerrados num inferno coletivo‖, seja no sertão do passado, seja no ambiente urbano do presente, um entrelace entre tempos, chegando a um ponto onde o passado se funde ao presente, unindo o real ao fantástico.
    17h 12º Festival de Poesia da Primavera Literária
    Tradicional Sarau de poesia da Primavera Literária realizdo pela Editora Ibis Libris
    18h Bloco Cartola é do Catete

    DOMINGO 21/10
    16:30 Performance Poética com Ara Nogueira
    17h Leitura dramatizada do Livro Sexo a Três com Vinni Corrêa

    Até 2019!!

  • Postado por editora em em 01/10/2018 - 10:52

    Por que uma história da historiografia brasileira? Qual a importância desse tema para um público amplo, além dos especialistas da área?
    O livro Uma introdução à história da historiografia brasileira (1870-1970) traz uma proposta para a análise dos estudos históricos no Brasil. Da relação da produção historiográfica brasileira com o contexto internacional, os autores propõem uma periodização para seu estudo e uma conceituação, que inclui a relação da história com o ensino. Organizam também a produção historiográfica em dois momentos, que correspondem aos processos de modernização do país, destacando os autores que tiveram preocupação com a história da história.

    Confira o sumário e, na sequência, a apresentação da obra de Thiago Lima Nicodemo, Pedro Afonso Cristovão dos Santos e Mateus Henrique de Faria Pereira.

    CAPÍTULO 1: Mutações globais do conceito moderno de história e a historiografia brasileira 
    “Historiografia” em escala transnacional 
    O desafio de pensar a história da historiografia brasileira: recorte, critérios e problemas 
    A produção de um cânone e questões para uma autonomia relativa e negociada para a história da historiografia 
    CAPÍTULO 2: Figurações da historiografia na crise do Império e nos primeiros tempos republicanos 
    Preâmbulo: sobre uma história científica 
    O “Necrológio de Francisco Adolfo de Varnhagen” entre o passado e o futuro 
    “Das entranhas do passado o segredo angustioso do presente”: Varnhagen segundo Capistrano 
    Cronista, historiógrafo, historiador: modulações semânticas e usos discursivos do conceito de historiografia 
    Capistrano de Abreu, documento histórico, evolução e síntese 
    CAPÍTULO 3: A emergência do discurso sobre a universidade (1930-1950) 
    Os sentidos da “profissão” nas letras: do modernismo ao pós-Segunda Guerra 
    Necrológio de Capistrano? “O pensamento histórico no Brasil nos últimos 50 anos” 
    Horizontes de um historiador profissional na década de 1950 
    CAPÍTULO 4: Como se deve escrever e ensinar história do Brasil depois da universidade? Instituições, novos agentes e mercado editorial 
    A emergência dos “estudos brasileiros”: circulação internacional no pós-Segunda Guerra 
    Historiografia no Manual bibliográfico de estudos brasileiros 
    Apontamentos sobre a Revista de História da USP 
    Alguns dos primeiros manuais formadores e o desafio de ensinar teoria da história e historiografia brasileira 
    De volta ao começo: como se deve escrever a história do Brasil no projeto História geral da civilização brasileira (1961-1972) 
    CAPÍTULO 5: A “historiografia” e caminhos para a consolidação da profissão de historiador (anos 1960-1970) 
    José Honório Rodrigues outra vez 
    Amaral Lapa: historiografia no pós-1964 
    A história da historiografia nos currículos universitários 
    CONSIDERAÇÕES FINAIS: Dilemas e encruzilhadas do século XXI 
     

    O que parece indiscutível é que o pensamento histórico é uma evolução historicamente singular da experiência temporal [Luckamann, 2008:65].

    O que propiciou a difusão e consolidação do conceito de historiografia sobre outras formas de se referir ao trabalho do historiador? A experiência brasileira nos sugere uma associação íntima entre historiografia e o estabelecimento dos cursos universitários de história no país. Historiografia seria, nessa linha, o conceito articulador das expectativas e desejos de uma história escrita nas/para as universidades: uma história científica? As representações do passado construídas fora dessas lógicas de poder e saber podem até ser história, mas seriam historiografia?
    Essas experiências e expectativas e desejos foram expressos nos primeiros balanços e estudos que são considerados história da historiografia no/do Brasil, entre 1870 e 1970. Desde Capistrano de Abreu, escrevendo o necrológio de Francisco Adolfo de Varnhagen, em 1878, e ultrapassando a análise da obra do visconde de Porto Seguro para chegar a um retrato do historiador ideal, até a produção do século XX, nas universidades e associações profissionais (Associação Nacional de História — Anpuh), procuramos analisar como os historiadores brasileiros definiram seu ofício, processo concomitante com sua historicização. Os textos de reflexão, os momentos em que os historiadores se dedicaram a pensar o passado de sua disciplina, seu tempo presente e suas necessidades e projetos para o futuro formam o cerne
    de nossas fontes aqui.
    A reflexão sobre o conceito moderno de história atravessa, entre as décadas de 1870 e 1970, as análises de muitos historiadores brasileiros. Em outras palavras, muito antes de a história dos conceitos de origem alemã fazer fama mundial, o tema, de forma direta ou indireta, era frequentado por aqueles que se dispunham a refletir sobre a história e/ou prática histórica. Não é casual, desse modo, que o texto “É a história uma ciência? Introdução à História da civilização de Bukle” de Pedro Lessa, publicado em 1900, tenha sido republicado pela Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1908, com o título “Reflexões sobre o conceito de história”. E, ainda, que em 1905 o primeiro parágrafo do prefácio de Rocha Pombo para seu livro História do Brasil, ilustrada chame-se: “A concepção moderna da história”.
    O conjunto de textos e fontes analisados não poderia, por certo, deixar de demonstrar a grande importância de José Honório Rodrigues para a história da historiografia brasileira. Nossa própria pesquisa partiu de sua identificação do que chama de “pioneiros” dessa história da historiografia ou, em suas palavras, de uma história da história. No entanto, o corpus que discutimos no livro também nos permite relativizar a ideia de “grandes nomes” nessa história, apresentando um debate difuso e complexo: desde a historiografia da crise do Império (década de 1870) e início da República até os debates na Anpuh a respeito do lugar da incorporação da história da historiografia e da teoria da história nos currículos, no início da década de 1970, quando o sistema universitário brasileiro é reestruturado a partir da Reforma Universitária, de 1968.
    Podemos até falar em certa autonomia adquirida pela história da historiografia a partir da década de 1970, quando aparecem obras monográficas dedicadas à análise da escrita da história, tais como as obras de José Roberto do Amaral Lapa, Maria Odila L. S. Dias, Nilo Odália, Maria de Lourdes Mônaco Janotti, Raquel Glezer, entre outros. No entanto, nossa argumentação pretende ir além de uma “formação” da história da historiografia brasileira, partindo do objeto dado no presente, nossa subdisciplina, e, assim como fizeram nossos antecessores, recriando uma tradição, em seus “momentos decisivos” e em suas principais figuras. O que se propõe aqui é deslocar e suplementar algumas dessas perspectivas ao optar por enfocar os problemas e as ambiguidades do conceito e da experiência moderna de história em suas interações entre a matriz europeia e sua fixação e apropriação no Brasil.
    O que salta aos olhos é um forte impulso e responsabilidade de rearticular essas ferramentas com as demandas mais imediatas e mais agudas do presente. Foi exatamente isso que boa parte dos historiadores aqui analisados fizeram e é exatamente isso que esperamos deste texto. Afinal, a reflexão sobre a história nunca esteve apartada de uma dimensão pedagógica e cidadã. Fica evidente, na análise de muitos textos, essa preocupação, historiadores assumindo que era preciso repensar a história, tornando-a pertinente para as próximas gerações.
    No primeiro capítulo, realizamos um esforço de pensar o conceito de historiografia em perspectiva transnacional. Com o auxílio da ferramenta Google NGram Viewer, sondamos a emergência do conceito (e/ou seus equivalentes) em alguns idiomas (inglês, espanhol, alemão, francês, entre outros), confrontando os achados com nossa pesquisa acerca do seu surgimento em português (idioma não contemplado na ferramenta do Google). A pesquisa nos permite refletir sobre a relação entre a emergência do conceito de historiografia e o período apontado por  Reinhardt Koselleck para o aparecimento do conceito moderno de história (1750-1850). Nossa pesquisa demonstra que adensamento global no uso do termo “historiografia” representou uma fase em que o conceito moderno de história ajuda a dar identidade para a cultura acadêmica universitária em história no século XX. O que procuramos mostrar é que o Brasil não é uma mera “periferia” desse processo; pelo contrário, demonstramos certa sincronicidade entre a cultura histórica especializada brasileira e as historiografias referentes aos países cujas línguas levamos em consideração. Pensar o lugar global da historiografia brasileira em finais do século XIX e início do século XX, considerando a diversidade linguística e as modulações do próprio conceito de história, se apresenta assim como a porta de entrada de um estudo que procura detalhar o processo de produção de uma cultura historiográfica especializada no século XX.
    O segundo capítulo expõe o início de nosso estudo sobre os momentos em que essa historiografia se voltou para si mesma.
    A partir de Capistrano de Abreu e o “Necrológio de Francisco Adolfo de Varnhagen” (1878), examinamos os textos de reflexão historiográfica tanto enquanto análises da historicidade de seus objetos como enquanto projeções das expectativas de seus autores acerca do que acreditavam ser, propriamente, a escrita da história (ou, de uma história “científica”). No contexto do final do século XIX e primeiras décadas do século XX, examinamos as diferentes possibilidades de se definir o autor de estudos históricos (cronista, historiógrafo, historiador), e as disputas e debates difusos em torno dessas definições, bem como a busca por antecessores e marcos inaugurais.
    O terceiro capítulo abre a reflexão sobre as mudanças trazidas pela universidade (como instituição e discurso) sobre a forma como os historiadores definiam seu ofício. Examinamos as perspectivas de atuação do historiador profissional a partir da década de 1930. É ponto pacífico que a universidade no Brasil seja um fenômeno tardio, não só porque os primeiros grandes centros surgem apenas na década de 1930, mas também porque o desenvolvimento de uma cultura historiográfica efetivamente ligada à universidade levou décadas para ocorrer. Por isso, o capítulo se propõe a investigar não exatamente como as condições concretas do conhecimento produzido na universidade apareceram na década de 1930, mas sim como alguns historiadores rotinizam o uso do conhecimento universitário e especializado como uma realidade linguística dotada de valor qualificativo e positivo. Complementando a análise, o quarto capítulo retoma a questão proposta em concurso do IHGB na década de 1840, “Como se deve escrever a história do Brasil?”, atualizando-a para o contexto pós-universidades. Procuramos trabalhar com alguns exemplos de história produzida no contexto da universidade atentando sobretudo para a dinâmica material e contingente: revistas, coleções, destinadas ao novo público (que em si também carregavam esse debate). Estudando o mercado editorial, acrescentamos a essa questão algumas ponderações sobre “para quem” e “sob que formatos” essa história seria escrita, e examinamos seus (autodeclarados) princípios ao estudarmos os primeiros manuais de escrita da história posteriores à articulação dos cursos superiores de história.
    As mudanças no Brasil pós-1964 e a Reforma Universitária de 1968 aparecem no quinto capítulo, dedicado ao exame dos debates sobre como inserir história da historiografia e teoria e metodologia da história nos currículos universitários, a partir, especialmente, da organização dos historiadores em torno da Associação Nacional de História (Anpuh). Assistimos e interrogamos a construção da “evidência disciplinar” de uma história da historiografia, que vai se consolidar com maior vigor a partir dos anos 1980. Por isso, discutimos, nas “Considerações finais”, a historiografia no período da redemocratização, bem como lançamos problematizações sobre a produção das últimas décadas. Destarte, esperamos acompanhar, criticamente, os percursos do conceito de historiografia à luz de sua apropriação (pois é anterior a esta) pela cultura universitária, como selo de distinção de uma produção em história particularmente sua (isto é, das universidades). Mais além, vemos esse conceito em suas relações com os projetos e as vivências de uma modernidade brasileira, seu uso como forma de olhar o passado da disciplina à luz das questões que o presente do país permanentemente coloca a seus historiadores.
    Para que este livro chegasse às mãos dos leitores, foi preciso que um evento existisse: o Seminário Brasileiro de História da Historiografia. Foi no espaço desse evento, até então só realizado em Mariana desde 2007, que os três autores se conheceram e entraram na aventura de um trabalho coletivo e colaborativo.
    Pensar com o colega foi o maior desafio. Mas foi, também, uma postura ética e política de questionar o narcisismo que está articulado com a ideia de autoria. Os textos foram assim produzidos em camadas, de modo que a autoria individual foi se diluindo até que esse sentido  praticamente se dissipasse.
    Desse modo, o projeto deste livro nasceu dos encontros realizados pelo Núcleo de História da Historiografia e Modernidade (Nehm-Ufop) desde 2007. Utilizamos como matéria-prima para o livro textos anteriores nossos (individuais e coletivos), bem como ideias inéditas, para tentar produzir uma reflexão, como já afirmamos, que tem como público-alvo o estudante de graduação em seus primeiros passos no “mundo” da história da historiografia. Em alguns capítulos, por essa preocupação didática, repetimos alguns argumentos e blibliografia para que os
    mesmos possam também ser utilizados e lidos com certa autonomia.
    Ainda assim, desejamos que todos possam ler todo o livro para compreender de forma global nossas teses centrais que estão articuladas no encadeamento entre os capítulos.

     

    Confira alguns eventos de lançamentos da obra:

    5/10/2018 | Livraria FGV - Rio de Janeiro 

     

  • Postado por editora em em 14/09/2018 - 10:51

    Os trabalhos de pesquisadores do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira (GVcemif) da FGV e do Instituto Plano CDE entre os anos de 1995 e 2015 com a população das classes CDE, tanto por meio de entrevistas in loco quanto de análises de dados quantitativos, constataram transformações e mudança de comportamento na vida dessas famílias, notadamente mudanças positivas pouco conhecidas de grande parcela da população.

    Essas informações fazem parte do livro O Brasil mudou mais do que você pensa: um novo olhar sobre as transformações nas classes CDE, organizado por Lauro Gonzalez, Maurício de Almeida Prado e Mariel Deak, que será lançado no dia 25/9, na Livraria da Vila, em São Paulo.

    De acordo com os organizadores, “as histórias dos efeitos das mudanças descritas na vida da população CDE reforçam a certeza de que é hora de um olhar de longo prazo sobre as transformações pelas quais o Brasil passou e continua passando.”

    Grandes nomes recomendam sua leitura através de textos registrados na capa do livro. Confira alguns trechos a seguir:

    “(...) um bálsamo para quem quer entender “a floresta”, e não um punhado de árvores. Ele revela um conjunto de grandes transformações nas chamadas classes C, D e E no período que vai de 1995 a 2015. (...) As lições desse processo de mobilidade social, com seus avanços e limites, deveriam alimentar um projeto de longo prazo para o Brasil, especialmente num ano eleitoral.” Fernando Luiz Abrucio (Doutor em ciência política pela USP e professor da FGV-SP).

    “Este livro olha para as duas décadas anteriores, precisamente para o período entre 1995 e 2015, e apresenta uma visão mais positiva. De fato, o Brasil estava numa situação muito pior antes do exitoso Plano Real e as subsequentes políticas sociais.” Albert Fishlow (Professor emérito na Universidade de Columbia e na Universidade da Califórnia em Berkeley).

    “Este livro ilumina algumas das principais transformações ocorridas no Brasil real durante as duas últimas décadas.” Marcelo Neri (Diretor do FGV Social e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea).

    “Os autores abordam os temas de forma objetiva e equilibrada, indo além simplificações que exaltam ou desprezam os impactos de mudanças econômicas e políticas públicas das últimas décadas”. Gustavo Azenha (Diretor do Lemann Center for Brazilian Studies da Universidade de Columbia)

    “Este livro proporciona uma visão sistêmica do contexto brasileiro e das políticas públicas relativas a renda, educação e habitação, muito além dos números.” (Neca Setúbal, Mestre em ciência política e doutora em psicologia pela PUC. Presidente do Conselho Consultivo da Fundação Tide Setubal).

    “(...) extraordinário trabalho de pesquisa mostrado nesse livro revela é que, olhando-se de perto e com atenção, nem tudo foi tão ruim assim.” Otaviano Canuto (Diretor executivo do Banco Mundial).

     

    Confira parte da introdução da obra a seguir e, na sequência, mais informações sobre o lançamento.

     

    O país do futuro que nunca chega (Stefan Zweig). O Brasil dá um passo para a frente e dois para trás. O país que não perde a oportunidade de perder oportunidades (Roberto Campos). Nunca saímos do lugar. Essas são algumas das frases recorrentes para descrever uma percepção generalizada sobre a estagnação de nosso país. Para grande parte da população, não evoluímos. Ou, quando evoluímos um pouco, logo em seguida enfrentamos uma crise na qual tudo volta atrás e todas as conquistas parecem perdidas.
    Esse sentimento de estagnação e atraso é amplificado em momentos de crise econômica, quando o pessimismo se torna sentimento predominante e a sensação geral é de perda de bem-estar. Nesses momentos, fica mais difícil a compreensão do processo de evolução do país com certo distanciamento e uma perspectiva de longo prazo.
    A ideia deste livro nasce do trabalho de muitos anos de pesquisadores do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira (GVcemif) da FGV e do Instituto Plano CDE com a população das classes CDE. Ao acompanhar as mudanças na vida dessas famílias, tanto por meio de entrevistas in loco quanto de análises de dados quantitativos, notamos grandes transformações e mudança de comportamento. A constatação de que essas mudanças positivas são pouco conhecidas de grande parcela da população foi o principal motivador para a realização desta publicação.
    Ademais, nossa análise envolve um período histórico relativamente longo, de 1995 a 2015, e acreditamos que as mudanças positivas aqui abordadas representam o alcance de novos patamares, sendo estruturais nesse sentido. A crise atual, embora traga desalento e tenha efeitos conjunturais negativos, não alterou o fato de que novos patamares foram alcançados pelas classes CDE. Por exemplo, o aumento da escolaridade das classes CDE não se perde com a crise. Ou ainda o fato de que a posse de certos bens duráveis e o acesso a crédito podem aumentar a resiliência à crise.
    Apesar de o recorte do livro tratar das mudanças positivas para as classes CDE, não ignoramos que o Brasil ainda tem um enorme caminho a trilhar rumo a uma situação de melhor qualidade de vida para sua população.
    Em nenhum momento defendemos que os problemas já estão solucionados, inclusive nos temas especificamente abordados. O leitor notará isso claramente ao longo dos capítulos. Além disso, os temas foram escolhidos a partir da experiência de pesquisa dos autores envolvidos.Tópicos fundamentais para o Brasil de hoje, tais como a violência e a falta de segurança, não fizeram parte da nossa análise.
    Isso posto, os cinco temas aqui abordados são: educação, habitação, posse de bens, inclusão financeira e digitalização. Cada tema corresponde a um capítulo, que será dividido em quatro partes: “O que mudou” apresenta, por meio de diversos dados disponíveis, as principais transformações de cada tema; “Por que mudou” analisa os dados apresentados e busca explicar as políticas públicas e os movimentos de mercado que engendraram as transformações; “Os efeitos na vida das famílias” traz histórias de vida que mostram as mudanças ocorridas dentro dos lares; e “Desafios para o futuro” busca sucintamente levantar as principais questões a enfrentar e recomendações de cada tema.
    Os autores, apesar do denominador comum da experiência em pesquisa envolvendo as classes CDE, têm formações acadêmicas variadas, o que propicia a utilização de diversas lentes de análise ao longo dos capítulos. Acreditamos que essa diversidade contribui para o propósito do livro ao permitir olhares diferentes sobre as transformações ocorridas ao longo do período analisado.
    A análise de dados quantitativos foi baseada em diversas fontes e tem como eixo central os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE. O período de 1995 a 2015 foi selecionado pela disponibilidade de dados e por permitir fazer uma comparação da evolução da vida das famílias nos diversos tópicos. Entendemos que as mudanças ocorridas nesse período são uma precondição para a resolução de outras questões muito importantes. Se o Brasil quase não evoluiu em produtividade do trabalho nesse período, isto está relacionado, entre outras coisas, com o nosso atraso em resolver as questões básicas da educação. Porém, para resolver as questões da educação, primeiro precisávamos incluir todos: só muito recentemente atingimos indicadores aceitáveis de universalização do ensino para então começar a focar a melhoria de sua qualidade.
    Cabe ressaltar ainda que nosso objetivo não foi uma análise comparativa mostrando a trajetória do Brasil vis-à-vis outros países. Sabemos que certos países, nos quais há algumas poucas décadas havia indicadores semelhantes aos nossos, entraram em uma rota sustentada de desenvolvimento muito antes do período aqui analisado para o contexto brasileiro e hoje se encontram em uma situação superior. Os casos chileno e sul-coreano são sempre lembrados.
    Em educação, por exemplo, dados da Unesco mostram que em 1990 os países da América do Norte, Europa Ocidental e Leste Asiático já tinham taxas de frequência à educação primária acima de 96%, isto é, ensino primário virtualmente universalizado.1 No mesmo ano, segundo dados do IBGE, a frequência ao ensino primário no Brasil era de 80% para a população em geral e 73,3% para domicílio com renda per capita de até um salário mínimo. A universalização da educação primária no Brasil só foi alcançada no final dos anos 1990 e início dos 2000.
    Entretanto, a evidência de que vários países largaram na frente na corrida do desenvolvimento não anula o fato que, em 1995, o Brasil estava em um patamar muito inferior. A pré-escola e o ensino médio eram uma realidade apenas para as classes AB, assim como o acesso ao ensino superior. Menos de 20% dos domicílios possuíam telefone, e nas classes CDE esse índice era de menos de 5%. O acesso à informação para grande parte das famílias era limitado aos telejornais de poucos canais de TV aberta. A máquina de lavar (e até mesmo a geladeira) era item possuído apenas pela elite. O emprego com carteira assinada era raro nas classes baixas, assim como o acesso a uma conta-corrente. Os domicílios eram menores, com mais moradores por cômodo, e havia mais moradias com acabamentos precários.

    O que são as classes CDE?
    Classificar uma população em grupos socioeconômicos não é tarefa fácil. Podem-se adotar critérios econômicos, demográficos, culturais, étnicos e ainda assim não seríamos capazes de chegar a uma estratificação definitiva de uma sociedade. Não obstante a complexidade desse tema, que perpassa as diversas ciências sociais, este livro adota um critério estritamente econômico para definir as classes CDE: a renda domiciliar per capita. São três as justificativas para tal escolha:
    1. É um critério numérico claro, transparente, que facilita a comunicação e o entendimento sobre quem é o público-alvo deste livro;
    2. A renda domiciliar é uma das proxies mais importantes (embora não seja única) das condições de vida das famílias;
    3. É uma variável que consta em toda a série histórica da Pnad, que é a principal (mais confiável e constante) fonte de dados sobre as condições de vida dos domicílios brasileiros.
    Este livro chama de classes CDE os indivíduos com renda domiciliar per capita abaixo de um salário mínimo, e — a fim de estabelecer algumas comparações mais detalhadas — consideramos classe C as pessoas com renda per capita de meio a um salário mínimo e classes DE aquelas com renda per capita abaixo de meio salário mínimo. Por construção, chamamos de classes AB os indivíduos com renda domiciliar per capita acima de um salário mínimo. A tabela seguinte mostra alguns dados sobre essas classes CDE segundo os dados de 2015 (mais atuais da série analisada). (...)

     

    O Brasil mudou mais do que você pensa: um novo olhar sobre as transformações das classes CDE

    Organizadores: Lauro Gonzalez, Maurício de Almeida Prado e Mariel Deak

     

  • Postado por editora em em 11/09/2018 - 14:21

    Em 1968, a lei no 5.473 considerava “nulas as disposições e providências [...] que criem discriminações entre brasileiros de ambos os sexos”, prevendo inclusive multas para “empresas privadas” ou “concessionárias do serviço público federal” que as praticassem.

    Em 2009, a ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Nilceia Freire, encaminhou à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania um anteprojeto de lei que previa a efetivação da igualdade entre homens e mulheres nas relações de trabalho.

    Muito antes da proposição legislativa de 2009 e da Lei de 1968, o Decreto do Trabalho das Mulheres, de 1932, estipulou a licença-maternidade, proibiu a desigualdade salarial e regulou a jornada do trabalho feminino.

    Esses dispositivos legais, que até os dias de hoje são as bases para a regulamentação da vida das mulheres que trabalham - ainda que de forma contestável -, só se tornaram uma realidade, em razão das disputas políticas iniciadas pelos movimentos operário e feminista no Brasil.

    Os direitos das mulheres: feminismo e trabalho no Brasil (1917-1937) traz uma pesquisa histórica sobre a construção dos direitos das mulheres, por meio das leis trabalhistas.

    Glaucia Fraccaro apresenta sua investigação seguindo o roteiro da regulamentação do trabalho feminino no período de 1917 a 1937. O marco foi escolhido pela enorme efervescência provocada na sociedade brasileira, com as greves operárias de 1917 em São Paulo, e encerra essa investigação histórica com o registro da aprovação, pela Câmara Federal, do projeto de autoria da deputada Bertha Lutz que criava o Departamento Nacional da Mulher, em 1937 (embora esse departamento nunca tenha sido implementado devido à promulgação do “Estado Novo” em 11 de novembro de 1937, que fechou o Congresso Nacional e extinguiu os partidos políticos nacionais).

    A pesquisa que deu origem à obra é vencedora do prêmio ABET - Mundos do Trabalho em Perspectiva Multidisciplinar, edição 2017.

    Este é um livro pioneiro sobre a história das mulheres brasileiras em suas lutas por direitos e igualdade, que já duram mais de 100 anos.

     

    Confira o depoimento de Hildete Pereira de Melo - ativista feminista desde 1976 - sobre a obra:

     

    Este livro apresenta o texto vencedor do prêmio Mundos do Trabalho em Perspectiva Multidisciplinar da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (ABET), lançado em 2017 e concluído em seu XV Encontro Nacional.

    De autoria da pesquisadora Glaucia Fracarro, o livro analisa o trabalho numa perspectiva da história e das relações de gênero. Uma exaustiva pesquisa histórica foi feita para mostrar que foram as próprias mulheres que colocaram nas ruas e portas de fábricas as questões relativas à proteção da maternidade, da igualdade salarial e da regulação da jornada de trabalho.

    Embora a igualdade salarial só exista no papel, estando presente no texto das leis, e a diferença salarial entre homens e mulheres seja de cerca de 30%, os demais dispositivos legais estão presentes nas vidas femininas porque as mulheres de antanho foram à luta e, tanto as operárias como as feministas, escreveram com determinação esta história que a autora conta com paixão.

    Seu entusiasmo foi construído através de uma robusta pesquisa que desnuda as dificuldades enfrentadas por elas na vida sindical e social e relata uma novidade: as alianças que foram estabelecidas entre essas operárias e as redes sociais, tanto das feministas nacionais, como das internacionais.

    Leitura imprescindível para as jovens mulheres trabalhadoras, estudantes e donas de casa que buscam entender a discriminação de gênero ainda vigente na sociedade do século XXI, apesar de um passado de lutas que a história oficial não conta.

     

    Boa Leitura!

    Hildete Pereira de Melo

    Professora do Núcleo de Gênero e Economia

    da Universidade Federal Fluminense

  • Postado por editora em em 10/09/2018 - 12:32

    A nossa contemporaneidade está mar­cada por indignações e descrenças políticas, o que torna cada vez mais necessário recuperar trajetórias e ten­sões passadas. Procurando dialogar com estas e outras questões, a Editora FGV publica o livro Plínio Salgado: um católico integralista entre Portugal e o Brasil (1895-1975), de Leandro Pereira Gonçalves, que desvenda e revisa aspectos, trajetórias e lutas do líder integralista Plínio Salgado (intelectual e político indissociável da “era do fascismo”, do qual foi a expressão mais visível no Brasil dos anos 30 do século XX).

    O autor desdobra a sua análise em duas fases principais: na primeira remonta à passagem de Salgado, nas décadas de 20-30, da literatura à política, sob a influência do movimento modernista de 1922, e as suas primeiras impregnações doutrinárias pelas leituras do Integralismo Lusitano; na segunda, o autor examina as intensas relações estabelecidas com o conservadorismo português, iniciadas uma década mais tarde, após o fechamento da AIB (Ação Integralista Brasileira) em 1937, sua prisão e posterior exílio em Portugal.

    Na investigação de Leandro Pereira Gonçalves, foi utilizada uma quantidade significativa de fontes jornalísticas da Biblioteca Nacional do Brasil, bem como a análise de documentos depositados na Fundação Casa de Rui Barbosa, no CPDOC da Fundação Getulio Vargas e no Fundo Plínio Salgado do Arquivo Público e Histórico de Rio Claro.

    Nos fundos documentais foi possível identificar ações de Plínio Salgado no exílio em Portugal, além de elementos que possuíam ligações com o líder integralista. Foram realizadas investigações no arquivo do SNI, além de uma pesquisa inédita na ocasião da investigação, no acervo não aberto ao público, aos documentos da Legião Portuguesa, milícia oficial do Estado Novo que tinha o propósito de organizar a moral da nação e cooperar na sua defesa contra os inimigos da pátria. Nesta vasta pesquisa foram localizados dossiês sobre o líder do integralismo brasileiro, Plínio Salgado, e o seu secretário particular, Hermes Malta Lins e Albuquerque, figura importante no exílio.

    Os estudos investigativos em Portugal apresentam uma relevância especial, principalmente pelas poucas produções acadêmicas sobre o tema até o momento. Com investigações nos acervos portugueses, principalmente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), o autor buscou uma possibilidade de entendimento das relações tão próximas de Plínio Salgado com Portugal, iniciadas antes do exílio, e descobriu um dossiê que apresenta a tentativa de um plano entre Salgado e os nazistas alemães.

    De acordo com o dossiê, esta tentativa de acordo em 1941 buscava uma aproximação entre PS (com apoio do secretário particular) e membros do governo alemão. Representantes da Gestapo verificaram um grande interesse nessa associação, com o objetivo de transportar a política nazi para o Brasil e, consequentemente, América do Sul, após a Segunda Guerra Mundial, com uma possível vitória do Eixo e Plínio Salgado teria essa função de ser um representante no continente.

    Entretanto, com a entrada do Brasil na guerra, Plínio recua e passa a atuar no exílio apenas nos discursos e produções religiosas, sendo aclamado entre os conservadores católicos portugueses de o “Quinto Evangelista”, tamanha a sua importância religiosa no país, principalmente após o lançamento da obra “Vida de Jesus”, literatura que passou a ser obrigatória nas escolas portuguesas, como mostram os capítulos do 3 e 4 do livro.

    De acordo com Leandro, um dos aspectos destacados na obra é a continuidade da política integralista no período do pós-guerra, explicada por uma mudança doutrinária estabelecida pelo líder do movimento, no período de 1939 a 1946, momento em que ficou exilado em Portugal.

    Com a dissolução do PRP (Partido de Representação Popular, fundado por Salgado em 1946 após o exílio e que permaneceu ativo até 1965), pensou-se que determinadas fontes políticas seriam extintas, mas a presença de um governo ditatorial no Brasil, sua associação ao partido dominante da ditadura civil-militar brasileira, a ARENA, e a manutenção dos componentes nacionalistas de cunho autoritário influenciaram, após a morte de Plínio em 1975,  o surgimento dos denominados neointegralistas, que vem provar ao cidadão do século XXI que ideias reacionárias e a semente da intolerância ainda estão presentes no nosso meio.

    Esta biografia intelectual e política de Plínio Salgado, nos seus cruzamentos com Portugal, representa não só um estudo pioneiro, como uma contribuição para a história transnacional do fascismo e do autoritarismo brasileiro e português.

     

    Lançamentos:

    Data: 12/09 – 18h

    Local: Planet – Rua Morais e Castro, 218 Passos – Juiz de Fora/MG

     

    Data: 22/10– Hora: 18h

    Após o Congresso Internacional Corporativismo, autoritarismo e democracia

    Local: Livraria FGV – Praia de Botafogo, 190 – Botafogo, Rio de Janeiro

     

    Plínio Salgado: um católico integralista entre Portugal e o Brasil (1895-1975)

    Autor: Leandro Pereira Gonçalves

  • Postado por editora em em 31/08/2018 - 09:08

    50 anos rememorados em 2018, de um ano que ainda marca as gerações que o viveram, influencia as gerações dessas cinco décadas e influenciará as que ainda virão.

    A obra 1968 em movimento, coordenada e escrita pela historiadora Angélica Müller, com textos de historiadores e sociólogos de diferentes gerações, como João Roberto Martins Filho, Marcelo Ridenti, Larissa R. Corrêa, Paulo Fontes, Pedro Ernesto Fagundes, Camille Goirand, Gislene Edwiges de Lacerda, Maria Ribeiro do Valle, Gabriela Costa, Maria Julia Dias e Rafael Hagemeyer, pretende trazer outros ângulos de observação e perspectivas sobre o momento daquele ano e sua época.
    Entendendo 1968 como chave para o aprofundamento da ditadura militar, o livro apresenta novos enfoques para alguns eventos bastante – e outros pouco – conhecidos.
    Sobretudo, dará atenção particular às reações, aos desdobramentos e às heranças que aqueles eventos suscitaram no e ao longo do tempo.

    Confira a introdução da obra:

    1968 foi um ano crucial, escreveu a jornalista italiana Oriana Fallaci em seu diário (Fallaci, 2017). Crucial pela importância que apresentou na história do século XX. Crucial porque cruzou diferentes formas de contestação e porque nele se cruzaram distintas dimensões do tempo: foi um ano que se espelhou num passado próximo, mas que, sobretudo, projetou futuros diversos. Como evento capital, 68 não pode ser reduzido apenas à sua cronometria: precisa ser entendido através de sua longa duração e questionado no que diz respeito a seus possíveis fins… Por ser crucial, torna-se imperativo reinterpretá-lo 50 anos depois à luz de um presente com pouco ou sem nenhum horizonte de expectativa.
    No Brasil, o ano de 1968 continua a pautar o imaginário político, a incentivar narrativas memoriais dos seus participantes e a estimular análises dos acadêmicos. Das interpretações realizadas à chaud, na sequência dos fatos, até os eventos ligados à comemoração dos 40 anos da data, a produção historiográfica brasileira privilegiou os grandes acontecimentos políticos e culturais e a fala de seus grandes personagens, ancorados sobretudo no movimento estudantil e no movimento operário. Do “momento 68”, na curta duração do ano calendário, as perspectivas foram se expandindo para se entender à “época de 1968” através de seu caráter revolucionário (Ridenti, 2009:81-90).
    Este livro pretende trazer outros ângulos de observação e perspectivas sobre o momento e sua época. Apresentar os movimentos de 1968 e aqueles que dele derivaram será o fio condutor dos textos aqui reunidos. Entendendo o ano de 1968 no Brasil como chave para o aprofundamento da ditadura militar, a ideia é trazer novos enfoques para alguns eventos bastante, e outros muito pouco, conhecidos. Mas, sobretudo, este livro dará uma atenção particular às reações, aos desdobramentos e heranças que aqueles eventos suscitaram no e ao longo do tempo. Quais foram os contatos, as apropriações e circulações de ideias de um mundo em ebulição que perpassaram pela singularidade do caso brasileiro?
    Quais são as permanências (e as rupturas) projetadas na época que continuam presentes até os dias de hoje na nossa sociedade? As diversas gerações de estudantes que se formaram desde então são herdeiras daquela geração? Como é apresentado aquele contexto e as lutas travadas no plano memorial? Como foi rememorado 68 à luz de cada presente nestes últimos 40 anos? Neste percurso, começaremos examinando a trajetória de militarização do regime no Brasil desde o pós-1964 e as formas diversas e heterogêneas de reação do mundo civil, em particular a resistência encampada pelo movimento estudantil, como nos mostrará João Roberto Martins Filho.
    Num mundo dominado pela Guerra Fria, a contestação como ideia tornou-se global, estendendo-se desde a radicalidade dos movimentos anarquistas e comunistas do Zangakuren japonês, e passando pelos movimentos de libertação nacional da Argélia, pelo longo ’68 studentesco italiano, pela  contracultura e os novos movimentos sociais que surgiram nos Estados Unidos, pela barbárie do Massacre de Tatleloco, no México, até chegar ao Cordobazzo argentino. A historiografia brasileira não cansa, porém, de mostrar as especificidades do nosso caso. Já neste livro, procuramos apresentar as possíveis conexões que diferentes atores brasileiros apresentavam com outros contextos, bem como a circulação de ideias e influências vindas de outros países.
    A preocupação dos militares com os estudantes não ficava restrita ao território brasileiro, até mesmo porque outro 68 abalava o mundo: o “maio francês” os inquietava pela desordem e a subversão, especialmente porque em Paris viviam mais de 100 estudantes brasileiros numa casa financiada pelo país na Cidade Universitária, como apresentarei em meu artigo.
    O binômio cultura e política, lido numa chave de cultura de contestação, é a marca da época de 1968. Nesse sentido, foi inegável a atração exercida por visões de mundo transformadoras que estavam presentes nas propostas das esquerdas naquele momento e que influenciaram fortemente o campo intelectual, atraindo para sua “órbita” intelectuais e revistas de início mais afinadas com a direita, como analisará Marcelo Ridenti com o caso da Cadernos Brasileiros.
    A última obra publicada defendendo a singularidade do caso brasileiro, demonstrando pouco envolvimento com as questões que pautaram o 68 global é a de Hagemeyer (2016).
    Se o comportamento e as ações da juventude e do movimento estudantil foram preponderantes naquela conjuntura, não menos importante foi o papel do movimento operário, sobretudo se lembrarmos das greves de Contagem e Osasco. Larissa Corrêa e Paulo Fontes vão além desse auge do 68 operário. Partindo do sindicalismo internacional e especificamente da influência americana, que investiu pesadamente na educação sindical dos trabalhadores latino-americanos, visando a “espalhar as sementes do sindicalismo livre e democrático”, os historiadores repensam os significados do ano para os trabalhadores a partir das ações do regime militar e das reações a ele.
    Parafraseando Zuenir Ventura, o ano de 1968 terminou duas vezes para o movimento estudantil. O Ato Institucional no 5, sem dúvida, levou ao fechamento do regime. Mas um episódio que, entre todos os outros, ficou bastante conhecido na história e foi mitificado e glorificado na memória daqueles que o vivenciaram foi o XXX Congresso da UNE, na cidade de Ibiúna. O que poucos conhecem, de fato, são os detalhes da grande operação montada pelas polícias políticas para desbaratar o congresso e os eventos que a partir dela se desenrolaram, trabalho do historiador Pedro Ernesto Fagundes no texto “Operação Ibiúna”.
    A socióloga francesa Camille Goirand colocará em perspectiva como o confronto entre manifestantes e policiais nas ruas contribuiu para acelerar o processo de construção de um regime autoritário em 1968, ou para fortalecer a ideia de transição para a democracia no final dos anos 1970. As técnicas eram as mesmas? Ainda comparando uma década com outra, a historiadora Gislene Lacerda tratará das “batalhas” pela construção da memória das gerações de 1968 e 1977. Quem, afinal, derrubou a ditadura?
    A memória de uma geração heroica também foi (des)construída pela imprensa. A socióloga Maria Ribeiro do Valle analisará como o jornal O Estado de S. Paulo, que se posicionou contrariamente ao movimento estudantil em 1968 e nas décadas posteriores, reconstruirá a imagem daqueles jovens (e do próprio jornal) por ocasião das comemorações dos 30 anos, num contexto de grande repercussão midiática das manifestações e de fortalecimento da incipiente democracia brasileira.
    Já as graduandas em história da UFF Gabriela Costa e Maria Júlia Dias, partindo da edição do dia 18 de janeiro de 2013 d’O Globo, cuja capa anunciava “A nova marcha dos 100 mil”, irão verificar como o jornal reconstruiu sua própria memória dos eventos e como continuou desconstruindo as manifestações contestatórias, lá e aqui.
    Por fim, Rafael Hagemeyer nos brindará com um ensaio sobre os significados cambiantes de 1968, sempre reatualizados, e apresentará o encontro de um historiador com seu tema de pesquisa reincidente em diferentes contextos, refletindo, assim, o métier de historiador. Vale registrar, ainda, que 1968 em movimento, como fio vermelho deste livro, foi pensado também para ser um encontro. Aqui cruzam-se diferentes gerações: desde aqueles que viveram as utopias e a radicalidade do “ano mágico” aos que, nas décadas subsequentes, reconstruíram e adequaram propostas que também lá nasceram até chegar aos estudantes de hoje, que ainda estão em formação.
    Esse encontro foi propiciado pelas diferentes leituras e abordagens de um tema que continua sendo agenda importante para os pesquisadores. Os historiadores e sociólogos aqui reunidos escreveram no tempo presente à luz de suas experiências de pesquisa e de vida. A todos eles, meu grande agradecimento pela colaboração. Agradeço também o trabalho sempre muito benfeito pela Editora FGV. Um agradecimento mais que especial à sua diretora, professora Marieta de Moraes Ferreira, que ajudou enormemente a delinear o formato deste projeto e acompanhou com dedicação todas as suas etapas. Seu espírito “soixante-huitard”, benévolo e entusiasta, foi fundamental para este livro chegar até você, caro leitor.

     

    1968 em movimento

    O lançamento será dia 16 de outubro, na Blooks Livraria de Botafogo, Rio de Janeiro.

     

  • Postado por editora em em 17/07/2018 - 11:49

    A economia brasileira cresceu de forma extraordinária até 1980. Depois, cresceu a uma taxa quatro vezes menor até 2014, quando entrou em grave recessão.
    Desde 2017, voltou a crescer, mas muito lentamente, enquanto uma direita liberal e uma esquerda desorientada nada têm a oferecer ao país.
    Quando o Brasil voltará a ter um projeto de nação e desenvolvimento? As elites liberais dizem que isso não é necessário — que basta disciplina fiscal, o resto o mercado resolve. A esquerda populista diz que basta aumentar a despesa pública e os salários. Para Bresser-Pereira, esses dois caminhos
    estão equivocados. Ele concorda com os pós-keynesianos, que é preciso manter a demanda agregada, e com os desenvolvimentistas, que é preciso reindustrializar o Brasil, mas é preciso mais do que isso.

    No livro Em busca do desenvolvimento perdido: um projeto novo-desenvolvimentista para o Brasil, Bresser-Pereira discute a economia brasileira desde 1990, quando o regime de política econômica desenvolvimentista foi abandonado e o país começou a instalar um regime de política econômica liberal. Discute e, principalmente, define um projeto para o Brasil. Um projeto de desenvolvimento econômico claro e objetivo, que permita que políticos competentes, dotados de espírito republicano e solidários com seu povo, façam a crítica do liberalismo econômico e do desenvolvimentismo incompetente, e liderem o Brasil de volta ao desenvolvimento perdido.

    Confira um trecho da introdução da obra:

    A lógica do capitalismo é a lógica do interesse para os indivíduos, do lucro para as empresas, e da competição para os Estados-nação; é uma forma dura senão implacável de organização social, mas define as sociedades modernas, porque, até hoje, foi ela que se revelou a mais capaz de promover o desenvolvimento econômico — a melhoria dos padrões de vida. Há outras lógicas nessas sociedades: há a lógica da república ou do interesse público; a lógica da democracia ou da liberdade e da igualdade; a lógica do socialismo ou da solidariedade; e a lógica do ambientalismo ou da proteção da natureza. São quatro lógicas mais humanas, mas são em parte utópicas. Elas correspondem a ideais que estão de alguma forma presentes nas sociedades modernas, mas não são dominantes. Seu grande papel é o de temperar o capitalismo, é o de dar sentido a um projeto coletivo de nação e mesmo a um projeto coletivo de humanidade. É de tornar o capitalismo menos individualista, menos corrupto, menos autoritário, menos injusto, e menos predatório da natureza. Para uma sociedade ser bem-sucedida não basta haver-se desenvolvido no plano econômico; ela precisa que a maioria de seus membros sejam cidadãos republicanos, éticos, democráticos, socialistas e ambientalistas.
    Desde 1930 o Brasil experimentou um extraordinário processo de industrialização ou de sofisticação produtiva. O mundo rico, desde 1940, apresentou resultados semelhantes. 
    Desde os anos 1980, porém, o desenvolvimento econômico nos países ricos tem sido pequeno e instável, e a desigualdade só tem aumentado, o mesmo ocorrendo no Brasil desde os anos 1990. Os países ricos liderados pelos Estados Unidos se viram desafiados pelos países em desenvolvimento do Leste e do Sudeste da Ásia e pela pressão migratória dos povos pobres vizinhos, e abandonaram o desenvolvimentismo social-democrático que Franklin Delano Roosevelt havia inaugurado nos anos 1930 e que encontrou sua mais plena realização nos países europeus no pós-guerra, nos Anos  Dourados do Capitalismo. Abandonaram a social-democracia, e mergulharam em um liberalismo econômico radical e agressivo enquanto suas taxas de crescimento declinavam, a instabilidade financeira voltava a ser um grande problema, os trabalhadores e os pobres viam seu padrão de vida estagnar, e as sociedades nacionais dos países centrais, que eram razoavelmente coesas nos anos 1950 e 1960, tornarem-se divididas e sem rumo a partir de 1980. O Brasil, 10 anos depois, a partir de 1990, seguiu os passos do Norte — do liberalismo econômico — e, desde então, se desindustrializou, mas avançou no campo social e político. Entretanto, desde 2013, seguiu também o caminho dos Estados Unidos de uma divisão social e de uma perda de valores republicanos e solidários.
    Nesse quadro competitivo, o Brasil precisa dramaticamente de um projeto nacional; precisa vencer a quase-estagnação econômica que já dura quase 40 anos, precisa se reindustrializar ou voltar a se sofisticar produtivamente, e precisa, no plano político, recuperar a relativa coesão social perdida nos últimos cinco anos. Entre 1930 e 1980 o Brasil se industrializou e a renda per capita brasileira cresceu a uma taxa per capita de 3,8% ao ano; desde os anos 1980, o país entrou em desindustrialização e a economia está quase-estagnada, crescendo à modesta taxa de 1,0% até 2016, magnitude insuficiente para que o Brasil possa alcançar o nível de renda per capita dos países ricos. O Brasil está ficando para trás no conjunto dos Estados-nação e precisamos reverter isso. O que se espera de um país em desenvolvimento é que ele faça o alcançamento, ou seja, que cresça mais rapidamente que os países ricos e, assim, que sua renda convirja para o nível de renda desses países. Isso aconteceu entre 1930 e 1979.
    Tomando-se apenas os Estados Unidos como parâmetro, a renda por habitante brasileira que em 1950 era 5 vezes menor do que a desse país, passou a ser 2,68 vezes menor em 1980, ocorrendo, portanto, forte catching up. Em seguida, porém, a tendência inverteu-se, e em 2014 nossa renda por habitante era 3,42 vezes menor que a americana. O Brasil passou a ficar para trás. Em 2006, graças ao boom de commodities, o Brasil voltou a reduzir a distância em relação ao PIB per capita americano, mas a tendência se reverteu novamente em 2015.
    Entre 2014 e 2016 o Brasil passou por grave recessão. O produto interno bruto apresentou uma queda de 7,11% e o desemprego chegou a um auge de 13,7% da população ativa. Seis milhões de brasileiros foram jogados na pobreza. Ao mesmo tempo que o Brasil entrava em recessão, em 2014, entrava também em grave crise fiscal. O superávit primário do setor público, que fechou o ano de 2013 em 1,72% do PIB, começou a apresentar uma queda expressiva nos primeiros meses de 2014, transformando-se ao final daquele ano num déficit primário de 0,57% do PIB. Com a recessão iniciada no segundo trimestre de 2014, o déficit primário aumentou ao longo de 2015, fechando esse ano em 1,85% do PIB. O Brasil entrara em crise fiscal. A partir de 2017 a economia brasileira entrou na fase de recuperação do ciclo, a inflação caiu de forma surpreendente, e o Banco Central ficou sem alternativa senão baixar os juros. A taxa de crescimento voltou a ser positiva, alcançando um modesto 1% nesse ano, enquanto a taxa de investimento foi de apenas 15,6% do PIB. Diante disso, os inefáveis espíritos conservadores, herdeiros do Dr. Pangloss, donos de um otimismo inquebrantável quando estão no poder, já estão dizendo que o Brasil “retomou o desenvolvimento” e poderá acrescer, nos próximos anos, 3% ao ano, número que corresponderia ao “produto potencial brasileiro”. Ora, essa taxa de crescimento não resulta em alcançamento, apenas não deixa a economia brasileira para trás. É uma meta baixa, satisfatória apenas para os muito ricos, mas incapaz de elevar firmemente os padrões de vida e de abrir oportunidades para os jovens. E certamente não será alcançada, se continuarmos com o regime de política econômica liberal, porque as crises financeiras cíclicas serão constantes.
    O fato é que a economia brasileira está semiestagnada. Por quê? Porque não tem um projeto de desenvolvimento desde 1980? Porque adota um regime liberal de política econômica desde 1990? Porque está presa em uma armadilha macroeconômica de juros altos e câmbio apreciado? Porque o populismo fiscal e o populismo cambial impedem de essa armadilha ser levantada? No caso afirmativo, o que é preciso fazer? Quais as políticas econômicas e as reformas que colocarão o Brasil novamente na rota do crescimento e do alcançamento?
    Desde 1980 a economia brasileira deixou de realizar o alcançamento dos padrões de vida dos países ricos; desde 1990 abandonou o projeto desenvolvimentista e se deixou dominar pelo capitalismo financeiro-rentista e sua ideologia neoliberal. Para que a nação volte a ser viva e atuante é preciso que volte a ter um projeto, e para isto são necessárias ações políticas em muitos setores. Neste livro, limitarei seu escopo à economia e a uma breve proposta de reforma política. Para isso, farei um diagnóstico dos problemas fundamentais a partir de uma teoria econômica em construção — o novo desenvolvimentismo.

     

    As discussões continuarão no lançamento da obra, dia 20 de agosto, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.

    Confira abaixo:

     

    Em busca do desenvolvimento perdido: um projeto novo-desenvolvimentista para o Brasil

    Luiz Carlos Bresser-Pereira

    Editora FGV

  • Postado por editora em em 12/07/2018 - 09:25

    Após alcançar a marca de mais de 3 milhões de exemplares vendidos, as Publicações FGV Management ganham novo formato, novo design, novos autores e novos títulos, acompanhando as mudanças do mercado e mantendo-se cada vez mais atualizada e alinhada com a realidade dos profissionais.

    As obras estão relacionadas a áreas de conhecimento, como Administração pública, Contabilidade e auditoria, Economia e finanças, Direito, Gerenciamento de projetos, Gestão comercial, Gestão de pessoas, Gestão empresarial, Marketing, Operações e logística e Tecnologia da informação, o que torna a abordagem dos temas cada vez mais dinâmica e a formação profissional mais prática.

    Além das publicações relacionadas às áreas descritas, que serão utilizadas nos cursos promovidos pelo Programa de Educação Executiva da Fundação Getulio Vargas, novos livros abordarão temas globais, como Matemática financeira, Economia empresarial, Negociação e administração de conflitos, entre outros, e serão utilizados nos módulos básicos desses cursos por todos que iniciarão seu aperfeiçoamento profissional.

    As Publicações FGV Management concretizam um projeto de elaboração de livros voltados à administração de negócios, escritos por profissionais de reconhecida competência acadêmica e prática, todos professores e professoras do FGV Management, que faz parte do Programa de Educação Executiva da Fundação Getulio Vargas.

    Para conhecer mais sobre os livros, acesse o link Publicações FGV Management em nosso site.

    O lançamento será dia dia 9 de agosto, na Livraria FGV do Rio de Janeiro, às 18h.

  • Postado por editora em em 11/07/2018 - 10:23

    Ensaios de grande estratégia brasileira reúne cinco capítulos sobre a articulação entre as políticas externa e de defesa do país, em que o autor enfatiza a necessidade inadiável de retirar o Exército do pântano da segurança pública, condição sine qua non para implementar uma grande estratégia coerente - e para enfrentar de maneira efetiva a ameaça do crime organizado.
    Este livro será de grande valia para todos os interessados em política externa, defesa, segurança internacional, história e ciência política, bem como para qualquer cidadão preocupado com o futuro do Brasil.

    Confira o prefácio da obra:

    Se alguém ainda nutrir suspeitas sobre a acuidade da difundida frase “O Brasil é o país do futuro, e sempre será…”, ler o penetrante livro de João Paulo S. Alsina Jr. removerá rapidamente qualquer dúvida. O autor redigiu os cinco capítulos de seu livro durante o período 2010-2017, intervalo de tempo em que completou seu doutoramento, publicou um importante livro sobre o barão do Rio Branco e vários artigos sobre forças armadas e defesa, além de ter contribuído com diversas publicações.
    Os primeiros dois capítulos do seu novo livro, sobre o conceito de grande estratégia e o atual panorama da segurança internacional encarado a partir da perspectiva brasileira, são extremamente bem documentados com as fontes mais recentes e relevantes. Os três capítulos seguintes são ensaios em que o autor se baseia em insights únicos, derivados de sua condição de diplomata e de um dos mais conceituados experts em diplomacia brasileira, defesa e relações civis-militares. João Paulo Alsina não teve alternativa senão escrever esses três capítulos - sobre segurança nacional e defesa, o Brasil e as operações de paz, e a conscrição no país - como ensaios, tendo em conta haver muito pouca literatura acadêmica útil e objetiva sobre esses tópicos. Há documentos oficiais sobre essas matérias, mas uma das bêtes noires do livro é justamente a recaída naquilo que o autor classifica como "oficialismo” - a tendência à confirmação acrítica - pelos estudiosos do mofado status quo burocrático. O contraste entre, de um lado, o que autores estrangeiros, como Hew Strachan, seguidores de Carl von Clausewitz, têm a contribuir sobre a formulação da grande estratégia e o “pacto da mediocridade” prevalecente no Brasil sobre esse tema, de outro, é alarmante.
    No grupo dos três capítulos anteriormente mencionados, em realidade ensaios, Alsina demonstra claramente que o Brasil não tem uma estratégia. 
    Caso o status quo atual não seja alterado: a grande estratégia do país continuará a ser caótica e totalmente incapaz de reunir sinergicamente os ativos de poder nacionais em torno de um projeto viável de inserção soberana no mundo. Ao que tudo indica, o Brasil permanecerá sendo um ator menor no plano da segurança internacional, munido de retórica diplomática totalmente desconectada de capacidades materiais correspondentes. O tão almejado assento permanente no CSNU, mantidas as condições atuais, será apenas mais um sonho de uma noite de verão.
    No capítulo três, João Paulo Alsina trata das instituições, no Brasil, que deveriam ser instrumentos de implementação da grande estratégia, que para o autor precisariam incluir o Exército Brasileiro. Contudo, devido ao recurso constante ao Exército na segurança interna, na verdade em tarefas policiais, a infame garantia da lei e da ordem (GLO), e a tremenda relutância em utilizar o poder militar externamente, não há disposição política para apoiar financeiramente as Forças Armadas nem incentivos reais para que os decisores brasileiros se envolvam ou desenvolvam expertise em temas relacionados com a segurança lato sensu e com a defesa.
    No quarto capítulo, Alsina demonstra de modo percuciente, em clara contradição com o oficialismo, que a imersão superficial do Brasil em operações de manutenção da paz, como no Haiti por meio da Minustah, levada a cabo entre 2004 e 2017, não é o caminho para o aumento do reconhecimento
    internacional do país. Ele desbanca mitos, que infelizmente são comuns no Brasil mesmo entre acadêmicos, sobre as implicações da participação nessas operações. O autor revela que também nessa área, assim como em outras, inexiste uma estratégia — e o faz a partir da sua experiência no
    interior do aparato estatal, já que fez parte da missão do Brasil junto às Nações Unidas e, nessa condição, se ocupou da temática das operações de paz.
    No quinto capítulo, sobre o recrutamento militar, o que na maior parte dos países equivaleria a objetivos secundários do sistema de conscrição, no Brasil adquire papel preponderante: o resgate de hipotecas sociais. Em consequência, geram-se forças totalmente despreparadas para o combate.
    João Paulo Alsina demonstra que, no Brasil, a incorporação de recrutas às fileiras das FFAA encontra-se muito mais pautada por uma lógica assistencialista/clientelista do que por uma lógica instrumental que conceba o sistema de recrutamento como ferramenta de absorção do contingente melhor talhado para o desempenho dos labores guerreiros. Assim, a maximização do poder combatente das Forças […] encontra-se politicamente subordinada ao desempenho por parte destas de funções subsidiárias que possam ser instrumentalizadas pela lógica do particularismo.
    O tema que unifica todo o livro é o de que os decisores civis no Brasil, ao não reconhecerem a necessidade de os militares desempenharem funções que vão além de tarefas policiais ou ações cívico-sociais, não precisam verdadeiramente de uma estratégia — e, na verdade, nem sequer a desejam. O resultado é um círculo vicioso. João Paulo Alsina enumera três hipóteses de superação do presente conundrum, mas é pessimista quanto à probabilidade de que alguma delas venha a ser materializada devido à total falta de compreensão e de interesse civil em estratégia e na sua interface com as Forças Armadas. Nas suas palavras: “a mais formidável de todas [as barreiras] seja de ordem cognitiva. Não se muda aquilo que não se conhece, e não se conhece algo sem amor ao conhecimento e ao estudo sistemático”.
    Este livro, ainda que extremamente crítico, encontra-se fundamentado em realidades que o autor conhece em profundidade. Similarmente, observadores estrangeiros bem informados, cansados da retórica vazia sobre a singularidade brasileira, estão crescentemente atentos aos problemas abordados por Alsina. Com este trabalho, espera-se que mais brasileiros compreendam a problemática da segurança nacional e adquiram conhecimento voltado à superação dos imensos obstáculos à construção da estratégia definidos e analisados pelo autor.
    Que um brasileiro, e diplomata ainda por cima, escreva e publique um livro como este é encorajador. Em Ensaios de grande estratégia brasileira, João Paulo Alsina realiza uma análise que precisa ser considerada seriamente.
    Thomas C. Bruneau
    Professor emérito, Naval Postgraduate School, Monterey
    EnsaiosDeGrandeEstrategiaBrasileira

     

    Ensaios de grande estratégia brasileira

    João Paulo Soares Alsina Júnior

    Editora FGV

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