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  • Postado por editora em em 04/07/2020 - 13:24

    A FGV Editora promove o encontro dos autores Leandro Pereira Gonçalves e Odilon Caldeira Neto para bate-papo e lançamento do livro O fascismo em camisas verdes: do integralismo ao neointegralismo. 

    Leandro e Odilon, professores do departamento de história da UFJF, junto ao jornalista Octavio Guedes, que assina o prefácio da obra, farão um webinar especial com bate-papo sobre a história do fascismo no Brasil desde sua origem, com Plínio Salgado, Gustavo Barroso e Miguel Reale, até as ações mais recentes, como o ataque à produtora Porta dos Fundos, ocorrido no Natal de 2019.

    Assim como na obra, elaborada pelos autores com uma escrita fluida e própria para o grande público, no webinar os participantes vão traçar a caminhada do integralismo e suas bases para o neointegralismo, com informações de embasamento histórico e registros atuais desse movimento que ajudarão os participantes do evento e leitores do livro a compreenderem o atual momento em que o Brasil se encontra.

    Na ocasião, a obra estará disponível em nosso site no formato ebook e sua edição impressa estará disponível em pré-venda especial. 

    Inscreva-se AQUI

     

  • Postado por editora em em 03/06/2020 - 09:45

    Inscreva-se AQUI para o Webinar e lançamento do livro 'O novo ensino médio e os itinerários formativos'.

    O evento será dia 4 de junho, às 18h, no Canal da FGV no YouTube.

    Clique AQUI para assisitir. 

     

     

  • Postado por editora em em 18/04/2020 - 11:42

    “Em maio de 2016, ao discutir com Edmond Préteceille versão preliminar do livro que estávamos escrevendo juntos sobre classes médias no Brasil, ele me perguntou: “Mas e a política? Não podemos escrever um livro sobre classes médias sem discutir sua atuação política”. Comecei, então, a escrever um capítulo sobre isso para nosso livro conjunto (Cardoso e Préteceille, 2020). Contudo, o que era para ser um capítulo curto acabou se avolumando, e o resultado é o livro que o leitor tem em mãos”.

    Assim começa o novo livro de Adalberto Cardoso, Classes médias e política o Brasil: 1922-2016, publicado pela Editora FGV em formato digital e em breve também impresso.

    Em seu primeiro capítulo, a obra recupera uma pequena parcela da discussão internacional sobre a relação entre classes médias e política, com um olhar de longa duração em modo “voo de pássaro”, fazendo dialogar argumentos de autores tão díspares quanto Aristóteles, Alexis de Tocqueville, Karl Marx, Charles Wright Mills, Scott Lash e Klaus Eder, dentre outros, para trazer à superfície da análise sociológica a centralidade das classes médias nas dinâmicas social e política da ordem burguesa, bem como suas metamorfoses no tempo.

    Na história brasileira, após esta contextualização, Cardoso investiga a ação política das classes médias no período denominado por ele como “longo ciclo de Vargas”, que tem início com as revoltas tenentistas de 1922 e termina com o golpe militar de 1964.

    Também fazem parte da abordagem a relação entre classes médias e política durante a ditadura militar-civil, termo utilizado pelo autor, quando as classes médias estiveram majoritariamente com os militares por todo o período, com atenção a uma proporção não desprezível em oposição, como o movimento estudantil de classe média e na luta armada, também majoritariamente desta classe.

    A sequência traz uma incursão no debate sobre o golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff em 2016, do ponto de vista do papel das classes médias no processo de polarização que é qualificado pelo autor como momen­to serendípico das relações de classe. Cardoso argumenta que a conjuntura 2013-2016 foi típica dos processos de formação de classe, nos quais coletivos em luta constroem identidades coletivas referenciadas nos adversários e na disputa pela determinação dos rumos a serem dados ao país, isto é, no âm­bito da política como lugar de definição dos fins da ação pública.

     

    Classes médias e política no Brasil: 1922-2016 trata da atuação das classes médias no Brasil (no plural mesmo por causa da multiplicidade e heterogeneidade de seus engajamentos) em diversos momentos da nossa história.

    Lançamos hoje em formato digital em nosso site e nas principais lojas de ebooks (Amazon, iBooks e Google Play) e assim que a situação normalizar a obra estará disponível no formato impresso.

    Confira abaixo um trecho da introdução da obra:

    Em junho de 2013, uma série de mobilizações de rua transformou profun­damente a cena política brasileira. Inaugurou-se inegável ciclo de protestos (Tarrow, 1995), cujo estopim foi aceso pelo Movimento Passe Livre (MPL), que saiu às ruas de São Paulo entre 6 e 13 de junho em reação ao aumento de R$ 0,20 (vinte centavos) nas tarifas de ônibus. A violenta repressão policial que se abateu sobre os manifestantes, que resultou na prisão de centenas de ativistas, além de provocar ferimentos em outros tantos, trouxe às ruas levas de pessoas de início solidárias aos jovens do MPL, mas que em seguida amplia­ram sobremaneira os temas em disputa. O ápice das mobilizações ocorreu em 20 de junho, quando pelo menos um milhão de brasileiros/as tomou as ruas em mais de cem cidades, portando cartazes e faixas com os mais diferentes dizeres, alguns coletados por André Singer:

            “Copa do Mundo eu abro mão, quero dinheiro pra saúde e educação”, “Queremos hospitais padrão Fifa”, “O gigante acordou”, “Ia ixcrever augu legal, maix fautô       edukssão”, “Não é mole, não. Tem dinheiro pra estádio e cadê a educação”, “Era um país muito engraçado, não tinha escola, só tinha estádio”, “Todos contra a cor­rupção”, “Fora Dilma! Fora Cabral! PT = Pilantragem e Traição”, “Fora Alckmin”, “Zé Dirceu, pode esperar, tua hora vai chegar” [Singer, 2013:25].

    Os movimentos de junho politizaram a vida cotidiana de maneira impre­vista em sua dimensão e pluralidade, e logo ficou claro que a população estava nas ruas por muito mais do que os vinte centavos de aumento dos ônibus paulistanos. Análises mais finas dos acontecimentos mostraram que o tema da corrupção ganhou crescente visibilidade nos protestos, e, nas grandes marchas de junho de 2013, ao menos em São Paulo metade dos manifestantes disse estar ali para protestar contra a corrupção nos governos do Partido dos Trabalhadores (Tatagiba, 2017).

    Pesquisas feitas no calor da hora em várias cidades do país durante as manifestações construíram o perfil dos participantes. Singer (2013) sintetizou algumas delas. Em São Paulo e Belo Horizonte mais de 50% tinham 25 anos de idade ou menos, contra 41% no Rio de Janeiro. Pesquisa do Ibope em oito capitais encontrou a cifra de 43% com idade entre 14 e 24 anos. Logo, em 20 de junho os manifestantes eram majoritariamente jovens. Além disso, na pesquisa Ibope, 43% tinham diploma universitário, e era residual a presença de pessoas com ensino fundamental. Em São Paulo a proporção de pessoas com educação superior se aproximou de 80%, e 66% em Belo Horizonte. E mais, apenas 15% dos que foram às ruas nas oito capitais cobertas pelo Ibope tinham renda familiar de dois salários mínimos ou menos. Isso levou Singer a concluir pela “virtual ausência da base da pirâmide social brasileira nas manifestações” (idem:28). As ruas foram tomadas por jovens de famílias de classe média e alta, particularmente em São Paulo e Belo Horizonte.

    O caráter majoritário de classe média dos movimentos de junho se apro­fundaria nos meses e anos seguintes. Aumentaria, também, a polarização e a radicalização dos movimentos, que culminariam nas grandes manifestações pró e contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff em 2015 e 2016, todas elas com nítido perfil de classe média, segundo as pesquisas disponíveis e que serão detidamente analisadas aqui. O que teria levado as classes médias uma vez mais às ruas para afirmar, nelas e não pelos canais da instituciona­lidade democrática, suas preferências políticas?

    A pergunta tem elementos que cabe esclarecer. É fato que as classes médias foram “uma vez mais” às ruas, e novamente mobilizando milhões de pessoas.

    Eventos semelhantes ocorreram em 1964, nas “Marchas da Família com Deus pela Liberdade”, nos protestos contra a ditadura militar-civil em 1968, no movimento pelas “Diretas Já” em 1984 e nas mobilizações pelo impeachment de Fernando Collor de Melo em 1992. Em todos esses casos os movimentos foram liderados por segmentos das classes médias, ou foram por eles en­campados logo que ganharam visibilidade pública. E as classes médias não se bateram pelas mesmas causas: em 1964 apoiaram os militares contra João Goulart, em 1968 parte delas estava com as esquerdas contra a ditadura, em 1984 marcharam com as demais forças populares pela democracia, em 1992 expressaram sua indignação moral contra a corrupção, algo que voltaria a mobilizá-las de 2013 em diante.

    Se os temas e as motivações variaram, assim como a composição interna das classes médias, a ida às ruas teve sempre o mesmo propósito: forçar os incumbentes do poder a mudar o curso das políticas públicas, ou tentar destituí-los caso a mudança não se mostrasse viável. Na experiência brasileira recente, as classes médias que se mobilizaram e foram às ruas conseguiram seu intento (destituir governos) sob a democracia (Jango, Collor e Dilma), mas não conseguiram mudar o curso das políticas, ao menos no caso da ditadura de 1964 (protestos de 1968 e Diretas Já).

    O segundo elemento da pergunta é mais complexo, e é o motivo pelo qual resolvi escrever este livro. Ele opõe, como formas distintas de participação política, as ruas e os movimentos que nela expressam interesses, identidades, visões de mundo e poder de arregimentação e mobilização coletiva; e a insti­tucionalidade democrática, isto é, o acesso a instâncias decisórias no aparelho de Estado por meio de eleições, a alternância no poder que isso eventualmente proporcione, a formulação de políticas públicas nas instâncias representativas daí decorrentes etc. As duas coisas não são, obviamente, excludentes. É fácil demonstrar que o povo nas ruas foi ator central no aprofundamento e conso­lidação das democracias do ocidente como regimes políticos mais inclusivos e ordenamentos econômicos mais igualitários (Thompson, 1987; Pateman, 1992; Feres Júnior e Pogrebinschi, 2010). Isso inclui o Brasil (Oliveira, 2002). Mas é fácil demonstrar, também, que as mobilizações coletivas (as ruas) nem sempre têm no horizonte o aperfeiçoamento, o aprofundamento ou a melhoria da ordem democrática. Vivemos o contrário disso no Brasil em conjunturas dramáticas como o suicídio de Getúlio Vargas em 1954, o golpe militar-civil de 1964 e novamente os golpes parlamentares de 1992 contra Collor e de 2016 contra Dilma Rousseff, todos apoiados por segmentos muito mobilizados das classes médias. Nesses casos de derrubada de governos, esses segmentos se bateram contra a institucionalidade democrática, e fizeram-no convo­cando agentes do próprio aparelho de Estado (os militares, o parlamento, o judiciário) a voltar-se contra os incumbentes do poder executivo, ao passo em que, nas ruas, procuraram arregimentar o apoio de outras classes sociais, sobretudo as classes mais altas. Apenas a luta contra a ditadura militar-civil de 1964 teve no horizonte a restauração das “liberdades democráticas”, lema da resistência à ditadura a partir de meados da década de 1970, como veremos. São esses distintos engajamentos de diferentes setores das classes médias e seus impactos na vida política da nação que cumpre explicar.

    Dizendo mais enfaticamente: defendo o ponto de vista de que as classes médias foram atores decisivos nas conjunturas mais críticas da construção na­cional. Contudo, sua importância para a dinâmica política e a evolução social do país esteve muito longe de ser devidamente reconhecida por nossas ciências sociais. Contam-se nos dedos os estudos que têm na relação dessas classes com a política o objeto principal de análise. Este livro se pretende modesta contribuição a esse campo, por injustiça, tão pouco atraente. Espero trazer elementos que contribuam para elucidar aspectos que julgo centrais da tensa relação das classes médias com a política, tanto no que respeita à identidade dessas classes como para os processos sociais e políticos que delas se alimentam.

    Uma política de classe?

    As classes médias têm sido tratadas por parte da literatura mais tradicional sobre as lutas de classes no país, como segmentos ou estratos de classe que nun­ca dispuseram de projeto político próprio, estando, por isso, disponíveis para engajamentos múltiplos e variáveis segundo as conjunturas, posicionando-se de forma pragmática em relação ao que Décio Saes (1984), por exemplo, no­meia de conflito principal no capitalismo, que opõe burguesia e proletariado. Além disso, para Saes, autor da mais importante contribuição sobre o tema no país, a ação política das classes médias seria autoritária por natureza, já que, ocupando posições de mando nas empresas ou no aparelho de Estado, consi­derariam hierarquia, subordinação e coerção de trabalhadores subordinados elementos “naturais” do funcionamento também das sociedades, estando, por isso, mais propensas a dar suporte a regimes e movimentos autoritários.

    Essa leitura já não pode ser sustentada. Primeiro, porque trata de forma homogênea universo muito heterogêneo de posições de classe, como mos­trado em Cardoso e Préteceille (2020) e aprofundado no capítulo I desta publicação. Como tal, as classes médias (ou “camadas médias” como prefere Saes, que emprega o termo “classe” apenas para burguesia e proletariado) são uma construção artificial e vazia. Em segundo lugar, o sentido de “projeto político próprio” é devedor de certa leitura da luta de classes que supunha que o operariado era o sujeito portador da história, isto é, da transformação revolucionária do capitalismo, sendo este seu projeto histórico próprio, ou ancorado em sua condição objetiva de classe. E os capitalistas também teriam o seu, baseado na manutenção da propriedade e da exploração do trabalho, para o que necessitavam controlar o Estado e seus mecanismos de dominação. Este seria o “conflito principal” do capitalismo. O projeto político “próprio”, pois, era em grande medida uma construção do analista.

    Depois da crítica de Edward P. Thompson (1987), esse ponto de vista perdeu valor heurístico. O historiador marxista mostrou que a consciência e os projetos políticos (no plural) da classe operária inglesa tiveram que ser construídos na luta de classes, bebendo nas tradições de organização e luta coletiva de artesãos, agricultores e demais segmentos que foram compor a classe operária nos séculos XVIII e XIX. Não existiam de antemão como “projeto político próprio”. A classe operária precisou construir seus projetos e lutar por eles, e no processo incorporou segmentos decisivos das classes médias emergentes, sobretudo a partir do final do século XIX (que não está no livro de Thompson, obviamente, sua análise termina nos anos 1830). Mes­mo a ideia de uma consciência de classe dotada de conteúdos homogêneos e indisputados caiu por terra, já que diferentes partidos políticos passariam a competir pelo voto e pelo engajamento dos trabalhadores, tornando-se eles mesmos (os partidos) agentes da construção de interesses e identidades, de tal modo que a consciência da classe operária passou a ser mediada pela di­nâmica política eleitoral. E a classe, com o passar do tempo, tornou-se mais heterogênea e múltipla, como reconheceu, por exemplo, Friederich Engels (s.d.p. [1895]), o que o levou a considerar a via eleitoral (e social-democrata) como alternativa à revolução no acesso ao poder pelo proletariado.

    Em terceiro lugar, porque as gerências autoritárias identificadas por Saes ficaram, ao menos idealmente, no passado. Os novos ambientes de trabalho dependem da cooperação de todos, inclusive subalternos, na execução não de produtos, mas dos projetos horizontalmente integrados etc. A luta de classes na fábrica e na empresa contemporânea já não é a mesma de 40 anos atrás, como mostraram Boltanski e Chiapello (2002). E por fim, é incontestável que segmentos das classes médias compuseram as bases das esquerdas em todo o mundo, inclusive o Brasil, estando, por exemplo, na vanguarda da luta contra a ditadura militar, incluindo a luta armada (Reis Filho, 1989; Ridenti, 2010), e sendo bastiões inequívocos dos estados de Bem-Estar em todo o mundo (Przeworski, 1989; Korpi, 1983).

    Proponho aqui que ao menos alguns segmentos claramente identificáveis das classes médias se têm afirmado na esfera pública, ao longo de nossa his­tória recente, com projetos políticos solidamente assentados em seu modo de inscrição na estrutura de classes e em seu etos coletivo. O mais articulado desses projetos, sustentado por setores politicamente mais coesos daquelas classes, não teve e não tem compromissos com a superação das desigualda­des sociais e o caráter excludente da dinâmica capitalista nacional. Muito ao contrário. Ele se alimentou e se alimenta das desigualdades, as valorizou ao longo da história e se contrapôs com veemência a projetos alternativos. Um projeto propriamente conservador, assentado em estilos de vida e concepções de mundo próprios, ancorado numa ética burguesa do trabalho de tipo webe­riano, liberal, individualista, meritocrática e elitista. Outro projeto, também claramente identificável em diferentes conjunturas, teve por base ideias como igualdade, solidariedade e justiça social, podendo ser nomeado progressista, com raízes também em estilos de vida e concepções de mundo próprios. Em seu lastro, encontra-se uma ética do trabalho assalariado, fruto das lutas sociais do século XX, de que foram protagonistas, primeiro, o operariado, e depois, frações das classes médias em processo de crescimento, sobretudo as classes médias baixas dos serviços e aquelas vinculadas ao serviço público e às atividades culturais e intelectuais, que constituíram, ao lado da classe operária, as bases de sustentação dos estados de Bem-Estar no ocidente e também no Brasil. As frações de classe que deram sustentação a esse projeto nunca tiveram a mesma coesão das que serviram e ainda servem de base ao projeto conservador. O próprio projeto tampouco teve unidade interna, variando muito ao longo da história, sendo mais ou menos radicalmente igualitarista, mais ou menos democrático, mais ou menos libertário segundo as diferentes quadras históricas analisadas aqui. Mas conjunturas específicas, que denomino “momentos serendípicos” de nossa dinâmica social e política, transformaram os dois projetos, pela radicalização e polarização da luta de classes características desses momentos, em polos de atração de outros, mais ou menos claros, mais ou menos explícitos, formulados por outras coletividades, tais como frações de classe, movimentos sociais e partidos políticos, polariza­ção e radicalização que pressionaram o ordenamento político e institucional mais geral, resultando em soluções de continuidade e redefinições dos rumos do incessante processo de construção estatal e das instituições de mediação do conflito de classes no país. A tese central deste livro é a de que as classes médias foram agentes decisivos, obviamente não únicos e nem sempre os mais importantes, nesses momentos cruciais nos quais os destinos da nação estiveram em disputa pelas classes sociais e seus representantes. (continua).

     

    Editora FGV

    Classes médias e política no Brasil: 1922-2016

  • Postado por editora em em 20/03/2020 - 15:23

         Baseados em experiências americanas, como o Central Park Conservancy (CPC) e o Friends of the High Line, ambas em Nova Iorque, parcerias ocorridas no Afeganistão e a atuação da ONG Comunitas, de São Paulo, entre outros exemplos, os professores da Universidade de Columbia, Howard Warren Buffett e William Eimicke, apresentam as inúmeras perspectivas e resultados de parcerias entre setores público e privado.

         As abordagens apresentadas em Investindo em valor social: gerando valor social com investimentos, publicada pela FGV Editora, partem da visão pregada em sala de aula pelos autores, que em seus cursos de gestão pública eficaz, inovação e filantropia, descrevem, com frequência, parcerias entre setores como um caminho mais eficaz para aten­der o interesse público.

         De acordo com os autores, “A visão tradicional de como as sociedades gerenciam a si mesmas está mudan­do. O governo, por si, não tem conseguido cuidar das responsabilidades e dos custos crescentes dos problemas que enfrenta no mundo moderno: segurança pública, bem-estar social, relações internacionais, geração de empregos, mo­radias, energia, proteção ambiental, transportes, exploração espacial, pesquisa científica, justiça, e daí por diante. Além disso, a maioria dos indivíduos e das comunidades locais não quer que esses problemas importantes sejam tratados sem que eles sejam ouvidos, por mais bem-intencionado que seja o governo”.

         A obra aponta que há soluções mesmo nas condições atuais do Brasil e apresenta melhores práticas em formação de parcerias, como: definir melhor objetivos e estabelecer cronogramas, calcular benefícios esperados e, talvez mais importante, a forma de envolver a sociedade civil na busca de novas e inovadoras soluções para o país.

         Publicado em boa hora no Brasil, o livro pretende ajudar na reflexão que governo, setor privado, setor filantrópico e entidades da socie­dade civil podem sim somar forças para lidar com problemas que parecem ser insuperáveis, tais como saúde, segurança, pobreza rural e infraestrutura.

     

    Confira os comentários sobre a obra, a mensagem de Warren Buffett na íntegra e a introducação dos autores.

    “Investindo em valor social” oferece um argumento persuasivo e um arcabouço prático para o modo como a colaboração entre a filantropia, os governos e o setor privado pode levar soluções duradouras para os maiores desafios do mundo”. Bill Gates

    “O segredo do sucesso muitas vezes envolve o reconhecimento do poder das parcerias. Investindo em valor social mostra como se pode obter retornos extraordinários quando governos, empresas, organizações sem fins lucrativos e cidadãos se unem para trabalhar juntos”. Michael Bloomberg

    “Baseado numa abordagem fundamentada em pesquisas e em testes, que servirá de alicerce para a construção de parcerias. Ao aprender com as estratégias buscadas nessas histórias, você descobrirá exatamente por que sou tão esperançoso quanto ao futuro. Você apreciará este livro, e aposto que também será inspirado por sua mensagem de otimismo e de ação”. Warren Buffett

     

    Uma mensagem de otimismo
    WARREN E. BUFFETT

    Sou otimista, um otimista muito realista. Você pode perceber isso lendo os relatórios anuais da Berkshire e os artigos de opinião que escrevi ao longo dos anos. Para começar, acredito que os padrões de vida no mundo continuarão a melhorar muito no futuro, como vêm melhorando nos Estados Unidos desde que nossos antepassados descobriram o molho secreto do país.
    Os Estados Unidos estiveram à frente com um sistema inovador de mercado baseado num estado de direito e na igualdade de oportunidades. Essa combinação trouxe um crescimento incrível durante a minha vida — o PIB real per capita aumentou seis vezes desde meu nascimento em 1930. E nossa economia continuará a beneficiar-se de uma liberação constante de potencial humano.
    Nunca isso é tão evidente quanto quando encontro alunos universitários. Todo ano, grupos de 40 faculdades e universidades visitam-me em Omaha para falar do mundo que herdarão e melhorarão. Minha mensagem é sempre a mesma: apesar de dificuldades que enfrentemos, confio que nossos netos viverão num mundo com muito mais abundância do que temos hoje. Depois de nossas conversas, sempre saio me sentindo ainda mais otimista quanto ao futuro.
    Para alunos como esses, este livro será um recurso útil. Ele se baseia numa abordagem bem pesquisada e bem testada, que servirá de arcabouço para a construção de parcerias. À medida que você for aprendendo com as estratégias buscadas nas histórias a seguir, você entenderá por que tenho tantas esperanças para o futuro. Você vai gostar deste livro, e aposto que também será inspirado por sua mensagem de otimismo e de ação.
     

     

    Introdução
    HOWARD W. BUFFETT E WILLIAM B. EIMICKE

    No meio de Nova York há um espaço verde, vasto e aberto — algo que faz parte da essência de Manhattan tanto quanto a silhueta de seus arranha-céus. Todo ano o Central Park recebe mais de 40 milhões de visitantes do mundo inteiro. Muitos enxergam nele um parque de projeto paisagístico perfeito, com manutenção imaculada. Porém, não muito tempo atrás, ele era uma das áreas mais perigosas daquilo que era então a capital dos homicídios dos Estados Unidos. Nos filmes populares — Forasteiros em Nova York, Noivo neurótico, noiva nervosa, Seis graus de separação — o Central Park simbolizava o motivo de pouca gente querer viver em Nova York, de os europeus serem aconselhados a não visitar a cidade, e de nenhum nova-iorquino safo se aventurar a sair depois que escurecia.

    O que mudou? Nas décadas de 1980 e de 1990, a comunidade em torno mobilizou-se para criar a Central Park Conservancy (CPC), recrutou centenas de voluntários, obteve milhões de dólares de apoio, contratou líderes e funcionários qualificados e apaixonados, e fez uma parceria com a prefeitura para gerir o parque como se fosse seu. O governo da cidade* ainda é dono do parque, e ele está aberto a todos de graça — mas a CPC o gere e levanta o dinheiro para pagar a maior parte de seus custos operacionais e de capital. Foi uma abordagem incomum na época, mas esse tipo de parceria criativa entre setores está se tornando cada vez mais comum. Ela não aconteceu da noite para o dia, e demandou uma liderança constante, incansável e visionária dos membros da CPC e do governo da cidade. Por melhor que seja essa abordagem, os parceiros ainda estão tentando melhorá-la — e estão ajudando outros parques ao redor do mundo a replicar seu sucesso. 

    A algumas quadras dali, em Chelsea, perto de Hell’s Kitchen, bairro que já teve péssima fama e já foi muito perigoso, há um parque construído sobre os trilhos abandonados de uma linha aérea de trem de carga que outrora transportava carne. Uma organização comunitária bem organizada com líderes inspirados convenceu a cidade a não demolir os trilhos, e, juntos, comunidade e prefeitura construíram um belo parque com vistas panorâmicas que atrai quase 8 milhões de visitantes por ano. Assim como a CPC, a organização sem fins lucrativos Friends of the High Line cuida do parque para a cidade, e levanta fundos de doadores para cobrir a maioria dos custos operacionais, bastante consideráveis.

    A Central Park Conservancy e a Friends of the High Line são excelentes exemplos de parcerias entre setores: colaborações voluntárias entre organizações dos setores público, privado, ou filantrópico que realizam objetivos acordados mutuamente. Hoje, parcerias oferecem bens e serviços de maneira mais eficiente e mais eficaz, e com maior benefício para a sociedade, do que uma organização jamais poderia fazer sozinha. Os dois parques também mostram como as parcerias entre setores diferentes — nesses casos, organizações sem fins lucrativos em parceria com o governo — com frequência conseguem superar as limitações que constrangem organizações num setor isolado. As organizações do setor privado também trazem contribuições específicas para as parcerias, em geral obtendo resultados melhores para programas que beneficiam o público, para além de seu propósito lucrativo.

    Na School of International and Public Affairs da Columbia University, onde damos aula, exploramos parcerias entre setores como estudos de caso. Nossos alunos de pós-graduação são incrivelmente inteligentes e diversos; nossos ex-alunos espalham-se por mais de 150 países, e têm currículos profissionais em organizações governamentais, lucrativas e filantrópicas. Porém, todos unem-se em torno do objetivo comum de aprimorar a sociedade. Em nossos cursos de gestão pública eficaz, de inovação e de filantropia, com frequência descrevemos parcerias entre setores como um caminho mais eficaz para atender o interesse público. Do inovador parque urbano High Line no coração de Nova York aos muitos outros exemplos deste livro — a transformação digital dos serviços governamentais na Índia, as revitalizações econômicas e agrícolas no Afeganistão, e daí por diante —, organizações de todos os três setores estão se unindo de maneiras diferentes para atingir os objetivos de suas organizações individuais e servir o bem maior.

    POR QUE PRECISAMOS DE PARCERIAS?
    A visão tradicional de como as sociedades gerenciam a si mesmas está mudando. O governo, por si, não tem conseguido cuidar das responsabilidades e dos custos crescentes dos problemas que enfrenta no mundo moderno: segurança pública, bem-estar social, relações internacionais, geração de empregos, moradias, energia, proteção ambiental, transportes, exploração espacial, pesquisa científica, justiça, e daí por diante. Além disso, a maioria dos indivíduos e das comunidades locais não quer que esses problemas importantes sejam tratados sem que eles sejam ouvidos, por mais bem-intencionado que seja o governo. Geralmente, uma comunidade terá melhores soluções cotidianas do que as autoridades, desde seus pontos de observação na prefeitura, ou longe na capital.

    A descentralização das decisões governamentais no nível local pode ajudar, mas as decisões econômicas são cada vez mais influenciadas por desenvolvimentos globais, os quais têm implicações tanto positivas quanto negativas. Do lado bom, a globalização melhorou as vidas de bilhões de pessoas no mundo todo, e grande parte desse benefício foi possibilitado por organizações com parcerias que atravessam setores e fronteiras nacionais. Ao mesmo tempo, a globalização contribuiu para a crise financeira de 2008 e para seu duradouro rescaldo: proprietários de imóveis deslocados, contas de aposentadoria esvaziadas, acesso limitado a financiamentos e desemprego estrutural.

    Até agora, a globalização parece ter reduzido a desigualdade em muitos países e exacerbado-a em outros. As inovações e as eficiências possibilitadas pela globalização também criaram um futuro incerto para muitos trabalhadores no mundo inteiro. Por exemplo, a era vindoura da automação poderia funcionar como uma segunda revolução industrial nas décadas a seguir, com o potencial de aumentar significativamente a eficiência e a conveniência. Simultaneamente, milhões de trabalhadores podem ser substituídos por robôs, piorando níveis já perigosos de desigualdade.

    Como discutimos no capítulo 1, o governo costumava ser o líder na resposta a grandes desafios na sociedade, como a pobreza durante a Grande Depressão. No mundo de hoje, porém, as burocracias governamentais parecem lentas, rígidas, desajeitadas, e muitas vezes são paralisadas por conflitos e impasses partidários. Pessoas demais em nosso país (e no mundo inteiro) estão subempregadas, prejudicadas e frustradas. O plebiscito do Brexit na Grã-Bretanha e a eleição presidencial de 2016 refletem o pessimismo dos eleitores da classe trabalhadora e de renda média, não apenas quanto a seu futuro, mas também quanto às perspectivas para seus filhos e netos.

    Muitas pessoas ao redor do mundo acreditam que nossos desafios são grandes demais e complexos demais para serem resolvidos. Esses desafios não serão resolvidos por nenhum país, organização, ou mesmo setor individuais, mas mesmo assim existem soluções para esses desafios. Líderes de organizações de todos os tipos vêm desenvolvendo novas estratégias e juntando-se para enfrentar os problemas mais arraigados e intratáveis do nosso mundo atual — progresso esse bem documentado no livro The great surge, do economista Steven Radelet. Somente nas últimas décadas, a pobreza extrema diminuiu pela metade, bilhões de pessoas passaram a ter acesso a água potável, e a mortalidade de crianças com menos de cinco anos caiu quase 60%.11 Sem dúvida, um progresso incrível, mas muito mais é necessário.

    Nos capítulos seguintes, você lerá a respeito de como parcerias intersetoriais estão se tornando o método mais eficaz para realizar o bem público em larga escala no século XXI — melhorando dramaticamente programas ao compartilhar responsabilidades que os governos, sozinhos, não suportam. Porém, a implementação dessas novas abordagens exige inovação sem precedentes, inclusividade e soluções sustentáveis, e elas só terão sucesso caso se concentrem em criar valor para todos os envolvidos.

    MUDANÇAS NO HORIZONTE
    Grandes alterações nas características de nossas populações, de seus valores e da distribuição de riqueza estão acontecendo à nossa volta. Por exemplo, a geração do baby boom foi superada em tamanho e em influência pela dos millenials. Ao mesmo tempo, espera-se que cerca de US$ 60 trilhões de riqueza global mudem de mãos nos próximos 50 anos, e 86% dos futuros herdeiros estão interessados em investimentos sustentáveis — incluindo ações ou avanços, por parte das empresas, que melhoram a sociedade. Segundo Deloitte, 2013 marcou o primeiro ano em que os millennials começaram a determinar que o objetivo primário das empresas era gerar valor social — não gerar lucros. Apenas entre 2012 e 2014, o investimento socialmente responsável aumentou mais de 76%, e, em 2016, constituiu mais de um entre cada quatro dólares investidos por gestores profissionais. Um estudo do Pew Research Center verificou que 84% dos millennials afirmam que fazer uma diferença positiva no mundo é mais importante para eles do que o reconhecimento profissional. O que esses números indicam não é uma tendência temporária ou passageira, mas uma mudança de paradigma em como a sociedade valora a si própria — o valor sendo definido pelo propósito e não por uma marcha incansável na direção do lucro.

    A crise crescente da desigualdade econômica nos Estados Unidos é para alguns um claro exemplo de “sucesso” — mas que possivelmente está se tornando desastrosa para todos nós. Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel, concorda, dizendo que a solução real para a crise da desigualdade é concentrar-se na comunidade e não no interesse individual:

                 De fato, somos uma comunidade, e todas as comunidades ajudam aqueles que são menos afortunados em seu meio. Se nosso sistema econômico produz tantas pessoas sem          empregos, ou pessoas com empregos que não proporcionam o rendimento mínimo para se viver, pessoas que dependem do governo para alimentar-se, isso significa que nosso sistema econômico não funcionou como deveria.

     

    COMO PODEMOS OBTER RESULTADOS MELHORES PARA TODOS?
    A fim de estar à altura de nosso potencial coletivo de resolver esses complexos desafios, acreditamos que um valor nuclear de compartilhamento de sucesso — entre organizações, indivíduos, comunidades locais e nosso ambiente — permitirá à sociedade transformar a maneira como define e realiza seus objetivos. O professor Stiglitz esboçou políticas que poderiam aumentar o crescimento e a igualdade econômica, criando aquilo que ele chama de “prosperidade compartilhada”. Concordamos que a sociedade consegue fazer melhor, e de maneiras nem sempre notadas já estamos realizando grandes coisas, frequentemente por meio de colaborações novas e empolgantes. É este, de fato, o tema deste livro. Discutimos o quanto é importante que os parceiros estabeleçam objetivos claros e mutuamente benéficos, concordem a respeito de medidas de desempenho apropriadas e factíveis, unam aqueles que conseguem fazer o serviço, identifiquem lugares que querem ajuda e precisam dela, e implementem processos que levarão ao sucesso.

    A tecnologia e a inovação, por si, não nos farão progredir. O economista Robert Gordon atraiu muita atenção para sua teoria de que a taxa de inovação está diminuindo dramaticamente, e, portanto, devem-se baixar as expectativas para o aprimoramento futuro da raça humana. Mesmo que a taxa de inovação diminua, ainda podemos melhorar substancialmente nossas sociedades por meio de um gerenciamento centrado no desempenho. Boas mensurações de sucesso podem afetar dramaticamente nossos resultados. Como escreveu Drucker no começo da década de 1970, “cabe a esta geração de gerentes fazer com que as instituições da sociedade de organizações, começando com a empresa comercial, atuem em prol da sociedade e da economia; em prol da comunidade; e em prol também do indivíduo”.

    Aquilo que Drucker dizia 40 anos atrás é semelhante àquilo que os millennials dizem hoje: as empresas privadas devem ganhar dinheiro e fazer o bem ao mesmo tempo. Drucker também defendia a colaboração intersetorial com o setor sem fins lucrativos para tornar o mundo um lugar melhor. Ao longo das últimas décadas, o número e a influência das organizações não governamentais (ONGs), incluindo agências de assistência sem fins lucrativos, organizações comunitárias, fundações e organizações de advocacy, aumentaram quase exponencialmente na maioria dos países ao redor do mundo. De pequenas associações de bairro a megafundações e a organizações de serviço globais, esses grupos estão alimentando os famintos, abrigando os sem-teto, curando os doentes, ensinando as crianças e promovendo a sustentabilidade. Em muitos casos, quando as iniciativas filantrópicas se ampliam, são feitas em parceria com o governo.
    Esforços cooperativos como esses não são um fenômeno do século XXI. Há séculos os governos contratam organizações com fins lucrativos e sem fins lucrativos para concluir projetos, fornecer bens e prover serviços. O que distingue os modelos de parceria atuais e futuros são os motivos pelas quais as partes se unem, a maneira colaborativa com que projetam e implementam seus acordos, e como medem o sucesso individual e coletivo.

    O INVESTIMENTO EM VALOR SOCIAL PODE AJUDAR A PRODUZIR RESULTADOS MELHORES
    Uma mensagem importante deste livro é que devemos ser mais inteligentes em nossas tentativas de fazer do mundo um lugar melhor. “Estar indo bem não nos dispensa de tentar melhorar”, e, ao longo deste livro, exploramos novas maneiras de agregar ou de aumentar o valor para a sociedade melhorando-se a gestão, o planejamento e a mensuração de desempenho. Não somos os primeiros a tentar ser mais analíticos quanto aos efeitos de nossos investimentos públicos ou filantrópicos, e esperamos contribuir para este campo de rápido desenvolvimento. Argumentamos que parcerias que combinam as forças de múltiplos setores — governo, empresas e filantropia — podem render o maior benefício público, especialmente quando estruturadas com integridade e inclusão.

    Este livro apresenta um arcabouço para criar valor social cujo modelo vem de um dos paradigmas de investimento de maior sucesso na história: o investimento em valor. Assim como o investimento em valor, o investimento em valor social emprega uma estratégia de investimento de longo prazo que tenta destravar o valor oculto ou intrínseco, e concentra-se na gestão eficaz por meio de uma abordagem de cinco elementos: processo, pessoas, lugar, portfólio, e desempenho.

    No capítulo 2, apresentamos este arcabouço e descrevemos suas origens, sua história e seu desenvolvimento. Os capítulos que se seguem apresentam estudos de caso de parcerias intersetoriais, cada uma das quais exemplificando um dos cinco elementos do arcabouço. Esses casos são pareados com uma análise e com as bases teóricas de cada elemento. Em todos os casos, excetuando um, as parcerias que descrevemos foram desenvolvidas de modo independente e sem conhecimento da abordagem de investimento em valor social. Se não são necessariamente uma adaptação perfeita do arcabouço, acreditamos que essa independência reforça a validade da ampla aplicabilidade do modelo.

    Esse novo arcabouço de gestão começa com o primeiro elemento: a necessidade de um processo eficaz que estruture parcerias bem-sucedidas entre organizações. Isso é especialmente importante em situações complexas que exigem ação coordenada e programas abrangentes. Os parceiros precisam desenvolver uma abordagem plenamente integrada, dependente de organizações de vários setores, para desenvolver soluções que permanecerão além de seus investimentos iniciais. A fim de ilustrar esse elemento, no capítulo 3 apresentamos uma alternativa na Índia projetada para incentivar o crescimento econômico e as oportunidades por meio de uma parceria liderada pelo governo nacional. A iniciativa fornece identificação biométrica oficial para 1,3 bilhão de residentes do país, resultando numa distribuição mais eficiente, eficaz e honesta de benefícios financiados publicamente. Esses programas também facilitam a poupança, o investimento e a geração de empregos, e elevam o padrão de vida para famílias de baixa renda. Dando seguimento a esse caso, no capítulo 4 detalhamos o primeiro elemento e tiramos exemplos das parcerias na Índia.

    Nos capítulos 5 e 6 discutimos como as parcerias intersetoriais dependem de pessoas, as quais são seus mais importantes ativos. Os líderes devem montar equipes de capital humano diverso e trabalhar com outros líderes de maneira colaborativa, sustentada e descentralizada. A fim de entender como isso pode funcionar bem no mundo real, consideramos a liderança da Central Park Conservancy e a rede de parceiros que criou a High Line. Hoje a CPC estabelece parcerias com outras conservancies em cidades dos Estados Unidos para trazer recursos e conhecimento privado para o gerenciamento de espaços públicos. A CPC trabalhou com a Universidade de Colúmbia e com outras universidades para projetar e implementar programas de treinamento e de certificação para gestores de parques urbanos — incentivando a próxima geração de líderes, que ajudará a trazer as melhores práticas da CPC para parques do mundo inteiro.

    Nos capítulos 7 e 8, ilustramos como parcerias bem-sucedidas empoderam constituintes enquanto coproprietários de resultados usando uma estratégia baseada no lugar e uma mentalidade de planejamento cooperativo. Isso enfatiza a importância de projetar, operar e implementar os esforços de uma parceria tendo em vista objetivos desenvolvidos pelas partes interessadas. A fim de avaliar melhor as oportunidades e os desafios de aplicar esse elemento, exploramos uma parceria intersetorial para o fortalecimento da economia rural no Afeganistão ocidental apesar de décadas de conflito.

    Nos capítulos 9 e 10, discutimos maneiras como parceiros de setores distintos podem coinvestir seus recursos num portfólio para diversificar o risco e obter maior impacto. A fim de ilustrar esse aspecto do investimento em valor social, descrevemos o trabalho de uma ONG inovadora, composta de líderes do setor privado no Brasil, chamada Comunitas. Esses líderes criaram um programa chamado Juntos, que une o conhecimento empresarial e as finanças, doadores filantrópicos e a equipe da Comunitas numa parceria com prefeituras interessadas para aumentar a eficiência e a eficácia de programas governamentais selecionados em conjunto — tudo em colaboração direta com os habitantes locais.

    Por fim, nos capítulos 11 e 12, discutimos o quinto elemento do investimento em valor social, que se volta para a projeção e para a mensuração do desempenho a fim de entender o valor intrínseco que um programa ou uma parceria pode criar para a sociedade. Documentamos como o ex-prefeito Michael Bloomberg, de Nova York, usou parcerias baseadas em desempenho para revolucionar a segurança pública, salvando vidas e propriedades, e aumentando dramaticamente a qualidade de vida na cidade. Então apresentamos uma fórmula que pode ajudar parceiros — seja no setor público, privado, ou filantrópico — a comparar o impacto social positivo previsto de diferentes programas que servem o bem público. Ao levar em conta variáveis-chave e um objetivo mensurável de impacto social (em áreas como segurança contra incêndios, energia renovável, ou a pequena agricultura), os parceiros podem calcular uma taxa de retorno de impacto por dólar gasto. Capacitar os parceiros para comparar programas similares que visam produzir resultados positivos significa que eles podem determinar quais opções trarão o maior benefício para a sociedade. A fórmula é um ponto de partida e um passo importante para uma metodologia acessível e robusta de mensuração de parcerias intersetoriais.

    Acreditamos que todo o potencial do arcabouço de gestão de processo, pessoas, lugar, portfólio e desempenho pode realizar-se quando aplicado por meio de parcerias intersetoriais. Nossos estudos de caso e suas análises ilustram como os talentos e os recursos de um parceiro podem complementar os outros e ampliar o impacto social positivo, além da eficiência de uma empreitada.

    Porém, nem todas as parcerias têm sucesso. No capítulo 13, exploramos a história admonitória dos complexos investimentos público-privados para as Olimpíadas de Verão de 2016 no Rio de Janeiro. Esse capítulo examina as parcerias capitaneadas pelo governo para revitalizar a área portuária e o sistema de transporte público da cidade, dilapidados. Nesse caso, vários elementos do arcabouço ficaram faltando, e os resultados foram desiguais: veio a corrupção, algumas partes interessadas perderam direitos, e muitas instalações olímpicas foram praticamente abandonadas ou viraram ruínas.

    COMO CHEGAMOS AQUI E POR QUE ISSO IMPORTA?
    O modelo moderno de parceria intersetorial desenvolveu-se ao longo de quase um século de experimentações no envolvimento do governo com os setores privado e filantrópico, começando com os programas do New Deal capitaneados pelo presidente Franklin D. Roosevelt. A Grande Depressão deixou na pobreza milhões de famílias que anteriormente se sustentavam, e somente as agências governamentais tinham o tamanho, o escopo, o poder e a liderança para associar-se a empresas privadas e a organizações de caridade para aliviar sua pobreza. Enquanto muitos países deterioraram, caindo na anarquia e na ditadura, o governo americano fez com que empresas privadas e organizações de caridade trabalhassem juntas para a recuperação. A Segunda Guerra Mundial aumentou a autoridade do governo para “liderar” seus parceiros privados e para atender a demanda de armas e de provisões para todas as Forças Aliadas. Porém, as décadas resultantes de parcerias capitaneadas pelo governo incharam o setor público, e a confiança do público na capacidade de realizar trabalhos importantes de maneira eficiente foi perdida.
    Seguiu-se o movimento de privatização. Ronald Reagan e Margaret Thatcher lideraram o crescente tsunami antigovernamental, e seguiram-se os projetos públicos com gestão privada. Muitos desses programas andavam mais rápido, custavam menos ao governo e produziam resultados visíveis. Porém, a privatização tinha suas próprias limitações, incluindo um foco predominante em lucros de curto prazo, deixando de lado outras considerações importantes, licitantes que exageraram seus resultados e fornecedores que evitaram trabalhar duro para alcançar comunidades e eleitores (que muitas vezes tinham a maior necessidade). Alguns estudiosos afirmam que em certos casos a privatização simplesmente substituiu um monopólio público ineficiente por um monopólio privado, oferecendo aos consumidores pouco mais a preço maior.

    O fenômeno de reinvenção do governo da década de 1990 concentrou-se em melhorar como o governo funciona, e não em substituí-lo por empresas privadas. Essa reinvenção incluiu alguma descentralização da tomada de decisões, maior participação comunitária e novos contratos com organizações sem fins lucrativos para entrega de serviços. Sob muitos aspectos, ela preparou o cenário para a ascensão das parcerias intersetoriais ao ressaltar as relações de sucesso entre governos e organizações comunitárias, assim como colaborações entre órgãos federais, estaduais e municipais, e, ocasionalmente, empresas privadas. Porém, a reinvenção também reforçou a ideia hoje antiquada de que o governo deveria ser a única fonte de novas ideias de políticas, de desenvolvimento de programas, e ser o arquiteto das mensurações do sucesso. A reinvenção também não antecipou o crescimento substancial no financiamento e nas soluções inovadoras de políticas sociais e públicas que viriam do setor filantrópico no século XXI.

    Hoje, grandes fundações e organizações sem fins lucrativos lideram parcerias com a disposição de oferecer capital sem custo e a baixo custo a longo prazo, e com um fogo aguçado em impacto social mensurável. Aqui também existem desafios, como discutiremos, e aquilo que essas organizações percebem como valor social desejado pode diferir daquilo que querem as partes interessadas de cada comunidade.

    ≈≈≈

    Para resolver muitos dos mais importantes desafios que hoje enfrentamos — seja a desigualdade desestabilizadora, a queda no número de empregos com um salário suficiente para se viver, solos degradados e produção alimentar, a mudança climática nociva, ou uma carência de escolas e de moradias acessíveis e de qualidade para todos —, temos de trabalhar em parceria. Isso porque nenhum setor isolado, agindo sozinho, está devidamente equipado para projetar as abordagens de longo prazo necessárias, para empregar as vastas quantidades de capital necessárias e para catalisar um programa de desenvolvimento liderado pelas comunidades.
    As parcerias têm o potencial de maximizar os atributos positivos de cada setor ao mesmo tempo que minimizam suas fraquezas. As parcerias que limparam o Central Park e criaram a High Line, entre outras que discutimos em maiores detalhes, nos oferecem exemplos úteis de parcerias intersetoriais que produziram um valor social maior do que um setor conseguiria sozinho. Ao mesmo tempo, nesses casos e nos outros que discutimos, é fácil ver que pode ser difícil formar e manter parcerias de sucesso.

    A CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO MELHOR LEVARÁ TEMPO
    Os problemas fundamentais da fome, da pobreza e da desigualdade não podem ser resolvidos com abordagens de curto prazo. Progresso significativo para a transformação do mundo num lugar melhor para todos exige estratégias de longo prazo e arcabouços de gestão mensurados por quão bem compartilhamos o sucesso. Muitos dos nossos maiores problemas, aqueles que mais valem a pena resolver, podem não ser resolvidos em nossa vida — mas eles podem ser resolvidos.

    Será necessário investimento em todo tipo de gente para estimular sua capacidade de ter sucesso. Serão necessários processos ponderados, contextualmente apropriados, que alinham os objetivos das organizações com necessidades locais e globais. Isso significará investir tempo e recursos em comunidades de maneiras que transformam beneficiários em acionistas de seus resultados. E significará aplicar a mensuração e os sistemas de desempenho corretos, a fim de investir em oportunidades que têm o maior valor intrínseco para a sociedade.

    ≈≈≈

    Vivemos num mundo pós-recessivo, globalizado, colaborativo, jovem, hiperconectado. Hoje, mais do que em qualquer época anterior, temos as ferramentas, a ciência, as melhores práticas, a energia e a motivação para produzir mudanças positivas em escala global. Muitos de nós — de baby boomers a millennials — acreditamos que nossa nova realidade apresenta desafios, mas que temos o conhecimento, a tecnologia, os recursos e novas maneiras de nos organizamos para atender nossas necessidades com mais eficiência e equidade. Como autores, representamos um desses dois grupos muito grandes e influentes, e compartilhamos a forte convicção de que de fato podemos melhorar dramaticamente nosso mundo. Acreditamos que isso começa pela união e pela redefinição do sucesso. Nossa esperança é que as gerações futuras se concentrarão menos em definições tradicionais como riqueza, poder, ou fama, e estarão igualmente ou mais interessadas em causar um impacto positivo em suas comunidades — tanto local quanto globalmente.
    Desenvolvemos estas observações ao longo de uma década de pesquisas, de estudos, de ensino e de trabalho com parcerias intersetoriais ao redor do mundo. Esperamos que este livro inspire o leitor a aprender como, pelo trabalho em conjunto, podemos fazer do mundo um lugar melhor.

    Investindo em valor social: gerando valor social com investimentos

     

     

  • Postado por editora em em 02/03/2020 - 11:22

    Durante cinco décadas, a pesquisadora americana Janice Perlman conviveu e pesquisou a vida e o cotidiano de moradores de favelas do Rio de Janeiro.

    Em 1976, lançou o livro O mito da marginalidade baseado em entrevistas colhidas entre mais de 700 moradores de favelas - durante o período em que morou nas comunidades cariocas - obra que ainda é considerada uma das mais importantes sobre o tema.

    Após esta publicação, Janice retornou ao Rio de Janeiro e deu continuidade à sua pesquisa, revistando os lugares e as pessoas que fizeram parte dos seus primeiros estudos.

    Mesmo com o desaparecimento da favela da Catacumba, que fez parte da primeira narrativa e foi demolida em 1970, e com a dificuldade de localizar todos os entrevistados entre os anos de 1968-69, a autora conseguiu dar continuidade às investigações, colhendo testemunhos de quase 2.500 pessoas até o ano de 2008, e nos apresenta um panorama das transformações da vida das favelas cariocas em quatro décadas.

    Favela: quarenta anos de transformações no Rio de Janeiro, obra publicada originalmente em inglês pela Oxford University Press, e agora traduzida pela Editora FGV, narra as vidas e os destinos de centenas de residentes de favelas encontrados em seu livro seminal, comparando-os com as vidas de seus pais, de seus filhos e de seus netos.

    De acordo com a autora, “as histórias de vida em que se baseia este livro cobrem todo o século XX e primeira década do século XXI. As pessoas mais idosas que entrevistei nasceram em 1903, o que significa que tinham 65 anos quando comecei o estudo – o limite superior para inclusão. As mais novas tinham 16 anos quando o estudo se iniciou – o limite mais baixo para inclusão.”

    Fernando Henrique Cardoso, que assina apresentação desta edição em português, resume a obra da seguinte forma: “Uma vívida lição de história, uma coletânea de pitorescas experiências humanas e sociais, Favela é leitura essencial para estudiosos, líderes civis, formuladores de políticas e para todos os interessados em compreender os desafios prementes do desenvolvimento e da política urbanos.”

    Trata-se de uma crônica da tentativa de pessoas excluídas para reclamar seus direitos – de sua luta para serem percebidas como gente – a serem tratadas com respeito e reconhecidas em sua dignidade humana.

    Uma amostragem que reflete as experiências de cerca de 3 milhões de pessoas (ou mais) que vivem no setor informal (assentamentos precários ou loteamentos clandestinos) no Rio de Janeiro e de um bilhão de indivíduos vivendo no setor informal na América Latina, na Ásia e na África.  A obra, que será publicada primeiramente em formato digital, terá um lançamento especial com a presença da autora num bate-papo com o historiador Paulo Knauss, a jornalista Flavia Oliveira e o director do IPP, Mauro Osório.

    O evento de lançamento do ebook será marcado por um bate-papo da autora sobre as transformações ocorridas nas favelas cariocas com a participação da jornalista Flávia Oliveira, do historiador Paulo Knauss e do economista Mauro Osorio.

    No Instituto Pereira Passos, dia 4 de março, às 18h.

     

    Inscreva-se AQUI

     

     

  • Postado por editora em em 02/12/2019 - 14:43

    Ao longo dos anos, a imprensa apresentou fatos e acontecimentos que permitem, hoje, entender o que ocorreu e o que ocorre em nossa sociedade.

    A análise da historiadora e pesquisadora associada do FGV/CPDOC Alzira Alves de Abreu sobre a atividade jornalística no período que vai dos anos 1920 até o final dos anos 1970 deu origem à obra Acontecimentos políticos brasileiros pela ótica da imprensa.

    A partir do episódio das “cartas falsas”, publicadas pelo jornal Correio da Manhã, em 1921, a autora examina o papel que a imprensa exerceu nesse episódio e permite entender algumas das características que marcaram a atuação dos jornais nos anos 1920 e as mudanças que eles sofreram ao longo das décadas seguintes.

    Seguem análises sobre a atividade da imprensa nos anos do Estado Novo, no período Vargas, no governo de Juscelino Kubitschek, bem como sobre a construção de Brasília, continuando com a cobertura da queda do governo de João Goulart, do regime autoritário instalado em 1964 e como a imprensa foi usada para enaltecer o papel dos militares e, finalmente, uma análise da cobertura jornalística durante o governo Geisel.

    Alzira ainda procura explicar a ausência de estudos sobre o papel da mídia nas crises políticas e nos acontecimentos que marcaram a história brasileira e pretende, com esta obra, ajudar a reconstituir não só os acontecimentos e as crises políticas como nos levar a entender as transformações que ocorreram nesse período na imprensa e na formação dos jornalistas.

     

    Acontecimentos políticos brasileiros pela ótica da imprensa será lançado dia 10 de dezembro, às 17h, na Livraria FGV do Rio de Janeiro, com venda exclusiva no evento. A partir do dia 11/12 estará disponível também em nosso site.

     

  • Postado por editora em em 25/11/2019 - 15:57

    Após a I Guerra Mundial (1914-1918), o período convencionado como belle époque (1898-1914) ficara para trás, e os loucos anos 1920 despontavam com provocações e enfrentamentos inéditos.

    A imprensa periódica se afirmava como lugar privilegiado de construção de um mundo em ebulição. Instrumento crucial de comunicação, entretenimento e informação, as revistas de variedades ofereciam espaço privilegiado para que a caricatura registrasse uma gama variada de temas que parecem pertencer aos anos 2020: relações de gênero, feminismo, machismo, moda, androgenia, obsessão pelas aparências, fragmentação social, entre outros.

    Seus personagens e assuntos emergiam do cotidiano, exibindo e criticando comportamentos de forma leve e clara, com poder de síntese, capazes de alcançar o leitor comum que conseguia identificar em sua vida situações similares. Até por isso, crônicas e caricaturas demoraram muito a ser aceitas e valorizadas no mundo acadêmico, o que já não ocorre mais.

    No livro Belmonte: caricaturas dos anos 1920, Marissa Gorberg analisa a obra do cartunista e aponta as possíveis conexões entre traços biográficos e sua produção artística, situando Belmonte também no espaço do movimento modernista dos anos 1920 e identificando o personagem como um “fotógrafo” do cotidiano que, com seu olhar crítico, distorce, acentua traços com o intuito de fazer ver, de possibilitar alguma identificação e, principalmente através da ironia, assumir uma posição crítica.

    A análise da produção de um artista intelectual paulistano no Rio de Janeiro também exigiu da autora uma leitura mais focada da então capital da República, e todas as mudanças ocorridas na cidade naquele período, já que tratava do cotidiano de uma metrópole cosmopolita, ou que se pensava como tal, em estilo de vida, modos e costumes de sua elite.

    Nesta obra que publicamos em comemoração ao centenário dessas produções dos anos 1920, os retratos oferecidos por Belmonte podem ajudar a esclarecer muitos aspectos de nossa história social, flagrados pelo filtro da perplexidade que colocava em questão certas práticas e acontecimentos da época.

     

    Marissa Gorberg lançará a obra na Livraria da Travessa do Leblon, no dia 28 de novembro.

     

  • Postado por editora em em 25/11/2019 - 11:16

    A 21ª edição da Festa do Livro da USP começará nesta próxima quarta-feira.

    Organizada anualmente pela Edusp, a Flusp é um evento que aproxima editoras e leitores, oferecendo livros de qualidade com os melhores preços.

    Entre os dias 27 e 30 de novembro, mais de 200 editoras estarão com milhares de livros disponíveis, todos com desconto mínimo de 50%.

    No site da Festa é possível conferir todas as editoras participantes e até a lista dos livros que cada uma levará para este grande evento.

    Local e horários de funcionamento também podem ser consultados AQUI.

    Nós estaremos no Espaço AZUL (CEPEUSP), ilha 35, com mais de 300 títulos com 50% de desconto.

     

    Nos encontramos na Flusp!!

     

     

    Planta:

  • Postado por editora em em 25/10/2019 - 12:11

    Entre os dias 4 e 7 de novembro acontecerá a FLUFF, a primeira Festa do Livro na UFF e claro que nós vamos participar, levando mais de 300 títulos, todos com 50% de desconto.

    Organizada pela Consequência Editora e pela Eduff - Editora da UFF, a Festa reunirá cerca de 40 Editoras, entre elas Editora 34, Alameda, Aleph, Autêntica, Bazar do Tempo, Boitempo, Companhia das Letras, Consequência Editora, Dublinense, Eduff, Elefante, L&PM Lamparina, Lote 42, Record, Revan, Ubu, Editora Unicamp, Vozes, entre várias outras que oferecerão descontos a partir de 40%.

    O objetivo é favorecer e fortalecer a distribuição do livro, importante ferramenta de conhecimento e de transformação dos povos, abrindo um canal de exposição e venda direta entre Editoras e público.

    Para tal, as Editoras expositoras estarão dividas por estandes localizados nos pilotis dos blocos D e E do Campus Gragoatá, pertinho das Barcas e do Centro de Niteroi, entre 9 e 20h.

    A iniciativa é uma demonstração de energia de todos os envolvidos no mercado editorial, incluindo leitores, no sentido de valorizar o livro e a leitura tão necessária na atual conjuntura do Brasil. Sejam bem-vindos!

    Mais informações estão em fluff.com.br

    Nos encontramos lá.

     

  • Postado por editora em em 25/09/2019 - 14:36

    A Primavera Literária do Rio acontecerá entre os dias 3 e 6 de outubro nos jardins do Museu da República.

    Como todo ano, esta 19ª edição da feira terá uma programação cultural gratuita para seus visitantes e nós estaremos lá também.

    E nesta edição nossa participação está mais que especial.

    Nossas autoras Marieta de Moraes Ferreira, Maria Regina Celestino e Débora Thomé estarão presentes em eventos diversos durante a programação.

    Confira quando elas estarão presentes:

     

    Sexta | 04/10 das 16h às 18h | Espaço Educativo

    Histórias Orais – Escuta, afeto e os desafios de registros

    Partipação: Angela Maria de Castro Gomes (Editora FGV); Janaína de Figueiredo (Aletria); Andreia Cozzi - Pará

    Mediadora: Michele Silva

     

    Sábado | 05/10 das 18h às 20h | Espaço Educativo

    Como se escreve “Índio”? - Protagonismo indígena, cultura e território

    Partipação: Maria Regina Celestino (Editora FGV); Edgard Leite (Editora Jaguatirica);Tainá Marajoara - Pará; Aline Pachamama

    Mediadora: Cristiane Mandello

     

    Domingo | 06/10 das 16h às 18h | Tenda Principal

    Feminismos de gerações

    Partipação: Débora Thomé  (Editora FGV); Lizandra Almeida - Pólen Editora; Rachel Gutierrez - Jaguatirica

    Mediadora: Claudia Gomes

     

    Mais da programação pode ser conferida na página da LIBRE, no Facebook. Clique AQUI, que te mandamos pra lá ou confira tudinho mais abaixo.

     

    O Museu do Palácio do Catete é aberto à visitação.

    A feira é gratuita e a entrada do Museu fica em frente ao metrô do Catete.

    Não dá pra não ir.

     

    Levaremos cerca de 200 títulos do nosso catálogo, entre lançamentos e acervo, e todos estarão com 50% de desconto, além de livros selecionados por R$10,00.

    Esperamos sua visita!!

     

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