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  • Postado por editora em em 03/05/2019 - 14:36

    Este livro estabelece o claro contraste entre a improvisação do ensino médio no Brasil e a necessidade de pensar e planejar cientifi camente o futuro. Aliás, esse nível de ensino serve apenas como exemplo, porque tal contraste se estende a muitas outras áreas das políticas educacionais e públicas. No caso em tela, verifica-se que o ensino médio se expandiu nos interstícios da escola primária e do ensino fundamental, ocupando espaços disponíveis e valendo-se de escassos recursos, como se fosse um “puxadinho” da casa. O patinho feio, entretanto, como em grande parte do mundo, cresceu, expandiu-se signifi cativamente, atingiu novos estratos sociais, na qualidade de educação de massa, e se volta para atender a novas necessidades, ao constituir uma meta de Educação para Todos, a ser atingida em 2015, conforme o encontro da Unesco em Dacar.
    Apesar de o Brasil, como outros países, continuar na inércia de acender os lampiões a gás, à sua volta quase tudo mudou. O ensino para poucos antes atendia a dois objetivos colidentes: formar para a educação superior ou para o trabalho, com os seus concluintes, neste último caso, renunciando tacitamente a continuar os seus estudos. Hoje, o ensino médio constitui legalmente uma etapa da educação básica, de modo que é impensável atender só a um desses objetivos históricos. Redimensionado e arejado, cabe-lhe constituir a escola formativa da adolescência e juventude, conferindo benefícios que justifiquem a permanência na escola por pelo menos mais três anos. Entretanto, mentalidades elitistas e conservadoras ainda o mantêm como um suplício para os jovens. Sem clara identidade, apresenta uma pletora crescente de componentes curriculares cada
    vez mais especializados e compartimentados que, no caso dos alunos de altas posições sociais, se converte em preparatório ou amestragem para ingresso nas instituições de educação superior públicas e gratuitas, um dos raros funis da educação brasileira. Para os menos privilegiados, com frequência o ensino médio é um quebra-cabeça de conteúdos a montar, sem atingir objetivos mínimos como dominar razoavelmente a língua portuguesa, pelo menos uma língua estrangeira e outras áreas do conhecimento. Muitos consideram que os “piores” problemas educacionais do Brasil estão no ensino médio. Tomamos a liberdade de discordar. Grande parte desses problemas se origina nas primeiras etapas da educação básica, tão marcadas pelo insucesso escolar.
    Essas dificuldades nos obrigam a tratar novos problemas com novas soluções, sob pena de resolvê-los. Que ensino médio queremos? Para onde vamos? Como os custos para a sociedade podem ser compensados com benefícios coletivos e individuais? Nada disso se improvisa. Não é possível perguntar, como Alice ao Gato, no país das maravilhas, de que modo ela podia sair do labirinto. Responde-lhe o Gato que depende de para onde ela quer ir. Isso ela não sabe: então qualquer caminho serve.
    Ao ter a honra de participar da banca de doutoramento do professor doutor Alvaro Chrispino, verifiquei que o seu trabalho, aperfeiçoado nesta obra, buscava respostas precisas para o futuro, ao delinear diversos cenários, do vigenteao mais desejável. Da maior relevância ainda, ao aplicar os cenários, não traçou uma utopia no lugar da situação mais desejável, ao contrário, delineou-a com realismo, fundamentado no melhor da literatura e na análise lúcida das condições histórico-sociais. Afinal, filósofos em particular, bem como parte dos verdadeiros cientistas e artistas, são sensíveis antenas para captar os ambientes e analisar os desafios do presente e do futuro, propondo-lhes as respostas mais adequadas. Pode haver devaneadores entre essas pessoas, porém o filósofo, o cientista e o artista são capazes de sintonizar-se plenamente com o seu tempo, são dotados de impressionante realismo. Tanto que alguns deles antecipam ideias e situações a longo prazo e, gerações depois, verifica-se que a realidade prevista chegou, não raro inesperadamente. É que os critérios usuais de julgamento envolvem uma área de penumbra, onde o futuro delineado com realismo, na estreiteza das perspectivas de um lugar e época, se confunde com o delírio.
    Para fazer e não só imaginar políticas públicas, cabe transitar entre o tacanho e a utopia, sem cair nos extremos. Quando apenas se administra opresente, os problemas emergentes de curto prazo, quando supomos fazer a política do possível esterilizamo-nos nas rotinas. Bem antes da nossa República se estabelecia a necessidade de prever para prover. Àquele tempo a história fluía como a areia de uma estreita ampulheta, muito mais lentamente que hoje. As comunicações estavam longe de construir sociedades em rede.
    Nosso último imperador, segundo conta a história, homem muito “viajado” para aquele período, admirou-se com o telefone e chamou a atenção para o invento: “Isto fala”. Na estratificação do sistema internacional de hoje apresentam vantagens para tomar os poucos elevadores disponíveis os países capazes de prever a longo prazo e de agir velozmente, antecipando cenários e buscando-os coerentemente. Até nas batalhas da Antiguidade vence quem melhor conhece o presente e antecipa o futuro. Que país queremos ser dentro de 20 anos ou mais? Que educação nos será exigida? Podemos errar no traçado de cenários, faz parte das sociedades de risco, mas será pior se nem ousarmos delinear e construir o futuro.
    Este livro, portanto, coloca à disposição dos educadores (mas não só deles) possibilidades para se mover do presente ao porvir. Acaso pretendemos desconhecer o fracasso escolar, semeado desde os primeiros anos de escolarização? 
    Pretendemos continuar a colher os frutos amargos muito antes do ensino médio? Pretendemos continuar ignorando o aborrecimento e o mal-estar dos jovens na escola? Esperaremos que até os alunos socialmente mais privilegiados se afastem da instituição escolar por não mais suportá-la? Buscaremos obrigatoriamente vinho velho com medo de romper os velhos odres? Todas estas questões são de profunda responsabilidade histórica.
    Se for o caso de remeter a um exemplo atual, podemos formular uma pergunta: que faremos quando a produção de petróleo atingir o seu pico e começar a descer a ladeira? Os Emirados Árabes Unidos já se fizeram essa indagação. Por fazê-la, decidiram desde já preparar-se para o fim dessa riqueza mineral, tornando-se um centro financeiro internacional e estruturando a sociedade e a economia do conhecimento. Não se trata de sonhos de uma noite de verão, nas areias do deserto. Ao contrário, eles hoje plantam numerosas universidades no deserto, segundo estratégias de longo prazo. Para isso, contratam o que há de melhor em cada área do conhecimento, procurando ter pelo menos dois centros de excelência, originados do exterior, em cada uma delas. Por ora são importadores de conhecimentos e instituições, mas preveem dar o salto, a partir desse trampolim, para se tornarem criadores e inventores. Essa hora chegará, com relativa margem de certeza. E o Brasil, quando deixará de administrar crises para antecipá-las? E a educação, o que pretende a longo prazo? Neste ano letivo as crianças de seis anos ingressaram no primeiro ano do ensino fundamental. Elas só completarão a educação básica daqui a 12 anos. Se continuarem na educação superior, poderão “terminar” o seu preparo daqui a 14, 16 ou 18 anos. Em que Brasil e que mundo elas viverão? Como o seu preparo nunca termina, mas se projeta ao longo da educação continuada, quando elas tiverem 80 ou 90 anos de idade, em face do prolongamento da longevidade, num país de idosos, que farão elas? Esses não são apenas sonhos ou cenários desejáveis, são exigências históricas para sobreviver num mundo onde se comprimem tempo e espaço.
    Este livro com certeza nos ajudará a responder a tais perguntas."

    2009

    Candido Alberto Gomes

    Titular da cátedra Unesco de juventude, educação e sociedade da Universidade Católica de Brasília

     

    Os cenários futuros para a educação

    Alvaro Chrispino

  • Postado por editora em Atualidades em 16/04/2019 - 14:48

    “Em 21 de julho de 1914, um combinado de jogadores pisou o relvado do Estádio das Laranjeiras para enfrentar a equipe inglesa do Exeter City e realizar aquela que seria consensualmente identificada como a primeira partida oficial da seleção brasileira.”

    Há quase 100 anos não era possível imaginar que o futebol se tornaria o esporte mais popular do Brasil, ganhando um “status de referencial de práticas e representações para grande parte da    população”, e que a seleção canarinho seria reconhecida mundialmente como a maior representante dessa modalidade esportiva.

    Essa relação apaixonada com futebol e a seleção nacional já é objeto de diferentes estudos desde a década de 1930, mas o olhar voltado à compreensão entre as relações institucionais e as interações com os universos cultural e político, desde o início da peleja até a conquista do Tri, é abordado de forma especial pelo historiador Carlos Eduardo Sarmento, em sua última publicação.

    Esses 56 anos de bola rolando são apresentados no livro “A construção da Nação Canarinho: Uma história institucional da seleção brasileira de futebol, 1914-1970”, lançado hoje, postumamente, no site da Editora FGV.

     

    Carlos Eduardo Sarmento faleceu em 16/03/2013.

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  • Postado por editora em em 04/04/2019 - 15:26

    Alberto Guerreiro Ramos foi um dos intelectuais mais influentes do Brasil, tendo contribuído signifi cativamente para estabelecer as bases da sociologia brasileira. Precursor de uma perspectiva sociológica pós-colonial e, sobretudo, de uma epistemologia do hemisfério sul, adotou em seus trabalhos uma perspectiva crítica pioneira, antecipando discussões que estão na ordem do dia das ciências sociais. Este livro resgata algumas de suas contribuições mais importantes e ajuda a (re)pensar o Brasil de ontem, hoje e amanhã.

    Confira a apresentação da obra Guerreiro Ramos: entre o passado e o futuro

     

    Morto em 1982, as apreciações de Guerreiro Ramos hoje, neste primeiro quartel do século XXI, são cada vez mais atuais e necessárias à compreensão e à mudança organizacional, imprescindíveis de serem amplamente compartilhadas por todos aqueles que se dedicam à formulação teórica e à prática da gestão das organizações.
    Guerreiro Ramos pôs a nu os sofismas e as falsas concepções da teoria hoje prevalecente, cujo passamento – por ele atestado – não é de ser lamentado; é, ao contrário, um acontecimento auspicioso. 
    A teoria organizacional existente já não pode esconder seu paroquialismo. É paroquial porque focaliza os temas organizacionais de ponto de vista de critérios inerentes a um tipo de sociedade em que o mercado desempenha o papel de padrão e força abrangentes e integrativos. Torna-se muda, quando desafiada por temas organizacionais comuns a todas as sociedades. É também paroquial, porque se alimenta da fantasia da localização simples, isto é, da ignorância da interligação e da interdependência das coisas no universo; lida com as coisas como se elas estivessem confinadas em seções mecânicas de espaço e tempo.
    Uma visão mais atenta à trajetória da humanidade ao longo dos tempos nos leva à constatação de que a sociedade de mercado não é necessariamente inarredável. O seu protagonismo é bem recente, não tem mais do que 300 anos de história, a partir da Revolução Industrial. E mais ainda: não se aplica a todas as formas de atuação humana hoje existentes, ou mesmo que já existiram ou que existirão possivelmente no futuro. E, assim, a teoria das organizações não pode se circunscrever essencialmente à lógica do mercado, concentrando-se apenas em um tipo especial de ação do homem em sociedade: a que temos hoje no mundo das organizações empresariais e na mundialização de uma economia de consumo e de crédito.
    A presente teoria das organizações se encontra num beco sem saída. A humanidade constata no cotidiano que o aumento indefinido da produção de mercadorias e o progresso tecnológico indiscriminado não conduzem, necessariamente, ao desenvolvimento do potencial do homem. Nos limites dos interesses dominantes que prevaleceram no decurso dos três últimos séculos, a atual teoria das organizações já desempenhou o seu papel e cumpriu a missão que lhe cabia. A compreensão desse fato abre caminho para a elaboração de uma nova ciência multidimensional das organizações. Qualquer futuro que se visualize como um desenvolvimento linear da sociedade centrado no mercado será, necessariamente, pior do que o presente. A teoria das organizações deveria libertar-se de sua obsessão com o desenvolvimento e começar a compreender que cada sociedade contemporânea está potencialmente apta a se transformar numa boa sociedade se escolher se despojar da visão linear da história.
    A teoria das organizações consiste no uso consciente e deliberado de um conjunto de conceitos e sistemas operacionais cuja finalidade é levar as pessoas a interpretarem e agirem na realidade organizacional na direção e no sentido que os agentes dominantes do mercado desejam. As organizações são essencialmente instrumentais ou funcionais para o mercado. Não são substantivas, mas fundamentalmente adjetivas e complementares, funcionais. E, assim, a racionalidade instrumental da teoria das organizações se torna racionalidade geral, indistinta, aplicada sempre a quaisquer situações em que se integram pessoas se relacionando com pessoas, por meio de distintos usos de hierarquia, para a consecução de determinados objetivos.
    Nesse sentido, esta coletânea nos sugere, ou talvez até mesmo nos imponha, uma necessária reedição da obra seminal de Guerreiro Ramos, A nova ciência das organizações: uma reconceituação da riqueza das nações.
    Por ocasião da primeira edição, os círculos intelectuais da gestão das organizações em todo o mundo foram abalados, mas praticamente não teve repercussões relevantes nas ações do cotidiano dos executivos e dos operadores no mundo das empresas e no universo da sociedade. Pensado e publicado originalmente em inglês, no Brasil ficou restrito a um pequeno círculo de discussão. Augura-se, agora, melhor oportunidade, tanto no Brasil como no exterior, para esse pequeno texto de incomensurável envergadura e densidade intelectual, na linha de uma teoria crítica das organizações. Talvez as comunidades acadêmica e profissional estejam mais preparadas para recebê-la e dela se beneficiarem.
     

     

    Guerreiro Ramos: entre o passado e o futuro

    Organizadores: Bianor Scelza Cavalcanti, Frederico Lustosa da Costa

     

  • Postado por editora em em 29/03/2019 - 17:16

    Da Coleção FGV de Bolso, o Livro de Carlos Fico - O Golpe de 1964: momentos decisivos, apresenta as conjunturas nacional e internacional anteriores ao golpe, passo a passo, e faz um apanhado geral da ditadura que se seguiu ao golpe.

    Traz, ainda, uma cronologia de eventos desde 1961, com a renúncia de Jânio Quadros, até o AI2, em 1965.

    Confira a apresentação desta obra que, em formato de bolso, apresenta uma síntese atualizada das mais recentes e confiáveis descobertas historiográficas deste período da nossa história.

    O golpe de Estado de 1964 é o evento-chave da história do Brasil recente. Dificilmente se compreenderá o país de hoje sem que se perceba o verdadeiro alcance daquele momento decisivo. Ele inaugurou um regime militar que duraria 21 anos, mas, em 31 de março de 1964, quando o presidente João Goulart foi deposto, não se sabia disso: o golpe não pressupunha, necessariamente, a ditadura que se seguiu. Como o golpe se transformou em uma ditadura? Muitas pessoas que o apoiaram arrependeram-se com o passar do tempo. Aliás, não foram poucos os que apoiaram o golpe: a imprensa, a Igreja Católica, amplos setores da classe média urbana. Instituições que, anos depois, se tornariam fortes opositoras do regime – como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) ou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) –, tiveram atitudes no mínimo dúbias naquele momento. Portanto, é preciso ter em mente que o golpe não foi uma iniciativa de militares desarvorados que decidiram, do nada, investir contra o regime constitucional e o presidente legítimo do Brasil. Houve apoio da sociedade.
    Creio que essas considerações preliminares são importantes. Muitas vezes, quando estudamos a ditadura militar – como eu tenho feito há tantos anos –, tendemos a ver o golpe de 1964 apenas como seu evento inaugural, mas ele foi mais do que isso. Representou a expressão mais contemporânea do persistente autoritarismo brasileiro, que já se manifestou em tantas outras ocasiões – como no outro regime autoritário republicano, o Estado Novo (1937-45). Portanto, talvez a pergunta essencial a se fazer seja: “por que tantos o apoiaram?”, em vez de apenas nos perguntarmos “como foi que se iniciou a ditadura militar?”.
    Os fenômenos históricos são complexos. Não há fatos simples. O bom entendimento histórico não é confortável, apaziguador: ele não equaciona o passado, nem nos dá respostas definitivas, mas nos faz pensar. No caso do apoio de parte da sociedade ao golpe de 1964, por exemplo, há complicadores.
    Se, por um lado, a imprensa, a Igreja Católica e parte da classe média – além dos empresários – apoiaram a derrubada de Goulart, existem, por outro lado, pesquisas confiáveis que mostram que a sociedade apoiava o presidente. Segundo o Ibope (que foi criado em 1942), às vésperas do golpe, Goulart tinha razoável apoio popular. O instituto doou acervo da época à Unicamp e o historiador Luiz Antonio Dias tem trabalhado o material. Segundo ele, as chances de vitória de Goulart seriam grandes no caso de o presidente disputar a reeleição em 1965. Contava com mais da metade das intenções de voto na maioria das capitais pesquisadas, perdendo para Juscelino Kubitschek apenas em Belo Horizonte e Fortaleza. 55% dos paulistanos entrevistados consideravam as medidas anunciadas no Comício da Central por Jango muito importantes para o povo. Em junho de 1963, Goulart era aprovado por 66% da população de São Paulo, mais do que o índice obtido pelo governador Adhemar de Barros (59%) e pelo prefeito Prestes Maia (38%). Pouco antes do golpe, a proposta de reforma agrária obteve apoio superior a 70% em algumas capitais e 72% da população apoiavam o governo de João Goulart. Isso comprova que a campanha de desestabilização de que foi vítima o presidente – que gerou propaganda massiva – não foi
    eficaz e, muito menos, suficiente para a derrubada de Jango.
    Os estudiosos do golpe de 1964 e do período histórico que se seguiu têm insistido em um ponto: não deveríamos usar as expressões “golpe militar” e “ditadura militar”, pois seriam mais corretas as designações golpe e ditadura “civil-militar”.
    A preocupação é louvável porque tem em vista justamente o fato de que houve apoio civil ao golpe e ao regime. Eu sustentaria, no entanto, um ponto de vista um pouco diferente: não é o apoio político que determina a natureza dos eventos da história, mas a efetiva participação dos agentes históricos em sua configuração. Nesse sentido, é correto designarmos o golpe de Estado de 1964 como civil-militar: além do apoio de boa parte da sociedade, ele foi efetivamente dado também por civis. Governadores, parlamentares, lideranças civis brasileiras – e até o governo dos Estados Unidos da América – foram conspiradores e deflagradores efetivos, tendo papel ativo como estrategistas. Entretanto, o regime subsequente foi eminentemente militar e muitos civis proeminentes que deram o golpe foram logo afastados pelos militares justamente porque punham em risco o seu mando. É verdade que houve o apoio de parte da sociedade também à ditadura posterior ao golpe – como ocorreu durante o período de grande crescimento da economia conhecido como “milagre brasileiro” –, mas, como disse antes, não me parece que apenas o apoio político defina a natureza de um acontecimento, sendo possivelmente mais acertado considerar a atuação dos sujeitos históricos em sua efetivação. Por isso, admito como correta a expressão “golpe civil-militar”, mas o que veio depois foi uma ditadura indiscutivelmente militar.
    Para os que o patrocinaram, o golpe foi a “revolução de 64”, a “revolução redentora”. Curiosamente, entretanto, existe uma designação que é aceita por militares e por ao menos um destacado intelectual comunista, Jacob Gorender, historiador autodidata falecido em 2013. Para muitos militares, Goulart planejaria um golpe, buscando manter-se no poder com o apoio das esquerdas que, afinal, o dominariam, tornando seu governo definitivamente comunista. Embora não existam provas que sustentem essa interpretação, os que pensam assim entendem que 1964 foi um “contragolpe preventivo” para evitar o “golpe” de Goulart. A tese é defendida tanto pelo coronel Jarbas Passarinho – ministro de Costa e Silva, da junta militar, de Médici e de Figueiredo, homem que aprovou o AI-5 com a famosa frase “às favas os escrúpulos de consciência” –, quanto pelo historiador Jacob Gorender – fundador do PCBR –, para o qual os golpistas tinham sobradas razões para agir “antes que o caldo entornasse”, já que, para Gorender, a dinâmica social anterior ao golpe era francamente revolucionária, “ponto mais alto das lutas dos trabalhadores brasileiros” no século XX. Em história, entretanto, não podemos analisar o que “poderia ter ocorrido” e não temos como sustentar teses sem o amparo de evidências empíricas.
    Penso este livro como uma conversa com o leitor. Espero convencê-lo de meus pontos de vista não porque me ponha em uma posição de autoridade, como a do historiador que sabe o que efetivamente aconteceu. A história enxerga a verdade como um horizonte utópico. Não é uma miragem, mas só podemos vê-la – permitam-me a aparente contradição – fechando os olhos. A palavra horizonte não tem apenas o sentido de campo de visibilidade de uma pessoa, mas também significa a representação dos limites da consciência, da memória, e quando formamos imagens visuais mentais nós fechamos os olhos. Mesmo o estabelecimento das chamadas “verdades factuais” é difícil, porque o acesso ao passado se dá através de vestígios que, frequentemente, são controversos.
    Dialogar com o leitor, expondo decididamente minhas dúvidas e incertezas, esse me parece ser o caminho certo para a busca, tantas vezes infrutífera, da verdade. Planejei este texto da maneira mais simples possível. Vou tratar de alguns antecedentes do golpe de 1964, da inesperada chegada de Goulart ao poder e da crise política que antecedeu sua derrubada. Em seguida, abordarei o golpe em si, os momentos dramáticos vividos pelo Brasil no final de março e início de abril daquele ano. Finalmente, veremos como o “golpe” virou “ditadura”, isto é, como o evento de março de 1964 tornou-se o inaugurador do mais longo regime autoritário do Brasil republicano.
    As citações de discursos e documentos foram retiradas dos jornais da época. As avaliações de autoridades norte-americanas foram encontradas no National Archives and Records Administration dos EUA para a pesquisa que publiquei em O grande irmão.
    Este é um livro pensado para o grande público, não tem natureza acadêmica. É um formato muito adequado para a manifestação mais “livre”, por assim dizer, de nossos pontos de vista, sem as amarras por vezes asfixiantes do formato universitário. Não vou recheá-lo com notas explicativas e bibliográficas, embora, para escrevê-lo, eu me ampare no conhecimento histórico acadêmico de alto nível que temos hoje no Brasil. É realmente notável como a historiografia brasileira evoluiu nos últimos 30 anos, especialmente no que diz respeito aos estudos sobre a história do Brasil republicano e, singularmente, sobre a história do regime militar. Isso certamente expressa o crescente interesse da sociedade brasileira sobre aquele período. Lembro-me de que, em 1994, quando do aniversário de 30 anos do golpe, poucos se interessaram pelos eventos que promovemos na universidade. Dez anos depois, em 2004 – marco dos 40 anos –, a imprensa acompanhou atentamente nossos seminários acadêmicos. Agora, nos 50 anos do golpe, o interesse é maior, inclusive em função dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade. Mas eu falava
    da historiografia: uma pequena bibliografia sobre o tema pode ser consultada no final do volume. Naturalmente, vou me basear também em minhas próprias pesquisas – e os raros leitores que já me conhecem saberão identificar uma ou outra evolução, uma que outra mudança de ponto de vista, pois tenho me beneficiado muito não apenas das pesquisas feitas por diversos colegas, mas também daquelas conduzidas pelos bacharelandos, mestrandos e doutorandos que tenho orientado – meus queridos alunos aos quais dedico este livro.

     

    O Golpe de 1964: momentos decisivos

  • Postado por editora em em 28/03/2019 - 13:41

    Dez anos após o início do Bolsa Família, quando este livro foi publicado, 13 milhões de famílias foram beneficiadas, ou seja, em torno de 1/4 da população. Sua capacidade progressiva na redistribuição dos recursos, revertendo um quadro que vínhamos pintando há décadas, traz consigo algo de transformador em um sistema com um caráter notadamenteconhecido por sua regressividade. Os números evidenciam que a política teve forte impacto na redução da desigualdade recente.

    Confira um trecho do livro da Coleçao FGV de Bolso, O Bolsa Família e a social-democracia, de Débora Thomé.

    No início dos anos 1990, uma nova geração de políticas sociaiscomeçou a ganhar espaço na América Latina: os Programas de Transferências Condicionadas (PTCs). Esses programas focalizados de combate à pobreza foram muito mais comuns na América Latina do que em outras regiões (Haggard e Kaufman, 2008). Eles têm por característica fundamental se tratar de uma política não apenas condicionada, mas também focalizada, não universal em seu sentido mais puro.
    Em termos gerais, os Programas de Transferência Condicionada podem ser definidos como aqueles que consistem em transferência de recursos financeiros a famílias abaixo de uma determinada linha de pobreza, as quais devem se comprometer a cumprir certas obrigações: há a exigência de contrapartidas tais como presença na escola e vacinação (no caso brasileiro). A combinação de auxílio monetário com exigências educativas e de saúde permitiria, ao menos em tese, atuar em duas frentes: no curto prazo, o alívio da pobreza; e, a longo prazo, com o desenvolvimento do capital humano, como uma forma de superar o mecanismo de reprodução intergeracional da pobreza. Esses programas se baseiam na premissa de que os mais pobres não têm oportunidades suficientes e estão mais expostos aos riscos. O que, no fim das contas, acaba significando grandes perdas de capital humano (Machinea, Titelman e Uthoff, 2006). Na região, a exigência de presença mínima na escola é recorrente, variando entre 80% e 90%, e há também cobranças quanto ao atendimento de saúde.
    O que ocorre nesse momento é uma mudança substancial no caráter das políticas sociais. Se antes os governos optavam por políticas ativas e passivas diretamente relacionadas ao mercado de trabalho ou programas para crianças, com elegibilidade bastante ampliada, os mesmos foram substituídos, em larga escala, por complementos de renda para famílias pobres; ou transferência em produto (como era o caso do brasileiro Fome Zero).
    Nos anos 1990, diante das mudanças, em maior ou menor profundidade, no sistema de pensões e no de saúde, visando a melhorar as condições fiscais a longo prazo, os programas focalizados eram uma interessante compensação: além de mais baratos, eram, muitas vezes, financiados por organismos internacionais.

    O gráfico – com dados de 2008 – evidencia o custo reduzido dos PTCs quando comparados não apenas com a parcela do PIB, mas também dentro do gasto social total. No Brasil, equivale a 0,41% do PIB (Frischtak, 2012).
    Essas políticas foram – e ainda são – amplamente apoiadas pelos organismos e bancos de fomento internacionais, tais como o Banco Mundial e instituições ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU). O que se propalava era que teriam maior eficiência por serem focalizadas, seriam mais interessantes em um contexto de recursos escassos e tinham o componente clientelista reduzido por serem centralizadas na federação.
    Dados tantos incentivos, acabaram se tornando uma política social constante nas agendas dos mais variados países, apropriadas por partidos de diferentes posições ideológicas, inclusive sendo um modelo exportado para outras regiões.
    Ocorre, mais que isso, uma homogeneização dos desenhos das políticas, de tal modo que os programas se assemelhavam até mesmo na quantia do benefício em países tão distintos como os do Cone Sul ou os do Caribe. Draibe (2009) chama a atenção para o fato de os Programas de Transferência de Renda Condicionada terem encontrado espaço nos mais diferentes países da região, com variados históricos de programas de proteção social. No fim dos anos 2000, alcançavam 22 milhões de famílias em 17 países latino-americanos. Nos casos de Equador e Brasil, por exemplo, mais de um quarto da população recebe o benefício. Especificamente no Brasil, em 2013, eram 13,8 milhões de famílias, ou cerca de 50 milhões de pessoas.

    Outro aspecto digno de destaque é que se desenvolveram tanto em países como Brasil e Chile, que têm alguma tradição de políticas de bem-estar, quanto em países caribenhos, ainda com precárias formas de proteção social. Um dos motivos apontados pela autora para a propagação e a manutenção do modelo está no fato de esses programas apresentarem boa resposta eleitoral, “o que leva governo e oposição a não apenas disputarem seu crédito, como prometerem sua perenidade” (Draibe, 2009).
    Muitos dos programas de combate à pobreza na região surgiram como resposta às enormes oscilações da economia, incluindo as crises graves, nos anos 1980. Ainda que, em sua origem, algumas dessas políticas de proteção social fossem temporárias, elas acabaram se tornando permanentes, devido aos efeitos prolongados das crises, incluindo aí o aumento do desemprego, da desigualdade e da pobreza.
    Documento da Cepal (Machinea, Titelman e Uthoff, 2006) destaca como um ponto positivo a síntese que esses programas fazem de elementos inovadores, quando comparados às políticas pregressas na região. Entre as características estão o fato de se tratar de transferências monetárias que vão diretamente às famílias, reduzindo, em diversos exemplos, a intervenção por parte dos políticos locais; a condicionalidade e a questão da intersetorialidade. Entre as principais inovações também está a responsabilidade compartida. Ao desenvolver um programa de transferência, a família passa a ser responsável por suas próprias opções de proteção ao risco.
    O formato costuma ser destacado uma vez que, na maioria dos casos, ao transferir o benefício diretamente à mulher, considera-se que ocorre o incremento de seu poder de decisão no processo. A família aparece sempre como unidade básica da concessão do benefício, principalmente concentrada nas mulheres, que, além das funções de destinatárias e administradoras do recurso, também participam, em muitos casos, das decisões locais quanto a tais políticas públicas.
    As condicionalidades impostas às famílias nos programas sociais implementados na América Latina não variam muito.
    Na educação, há a exigência da presença escolar mínima das crianças, que varia entre 80% e 90%. Quanto a saúde e nutrição, a transferência está condicionada a consultas aos postos de saúde para que possam receber vacinas ou, no caso das mães, para exames pré-natal.
    Muitos desses programas contam com recursos vastos e aplicam critérios de elegibilidade relativamente claros, o que acaba significando uma cobertura ampla, diferenciando-os de programas anteriores, que estavam mais sujeitos a processos não muito claros de seleção e se concentravam em regiões mais restritas.
    Os programas de transferência aos lares pobres têm efeitos mais imediatos, pois permitem a parcelas importantes da população melhorar seu bem-estar e aumentar a renda e o consumo, o que facilita a superação da situação de pobreza e indigência a curto prazo. O fato de terem a capacidade de solucionar as necessidades imediatas faz com que tais políticas sejam bastante atraentes aos grupos extremamente carentes (Coutinho e Santanna, 2008).
    Segundo a dupla de autores, as políticas focalizadas respondem não apenas a esse aspecto, mas também estavam de acordo com o contexto eleitoral. Setores excluídos passaram a ter papéis mais ativos para além do voto, nas negociações de grupos organizados.
    As avaliações dos programas de transferência na América Latina indicam que são positivos, a curto e a médio prazos, os efeitos na educação (taxas de matrícula, frequência escolar, aprovação e aumento da escolaridade). Também se pôde constatar a redução do trabalho infantil, bem como efeitos positivos nos serviços de saúde de prevenção e aspectos nutricionais.
    Na maioria dos programas de transferência, foi constatado o aumento da renda familiar, mesmo que, em alguns casos, não tenha sido suficiente para reduzir de forma contumaz os índices de pobreza. A focalização também está bem-sucedida: mesmo precisando ser mais concentrada no grupo de menor renda, a maioria dos beneficiados pertence aos dois quintis mais pobres da população de cada país analisado.
    Além disso, de acordo com Frischtak (2012), “A elevada diferença de gastos per capita e o foco exclusivo nos mais pobres garantem que sob qualquer métrica a eficácia das transferências do programa Bolsa Família é possivelmente superior às demais”.

    O Bolsa Família e a social-democracia

  • Postado por editora em em 26/03/2019 - 16:02

    Confira a apresentação dos organizadores Luciano Aronne de Abreu e Rodrigo Patto Sá Motta sobre a obra Autoritarismo e cultura política, uma coedição com a Editora da PUC do Rio Grande do Sul.

    A aproximação analítica entre os temas Autoritarismo e Cultura Política, abrangendo o Brasil e outros países latino-americanos (Argentina, Chile e Uruguai), pode gerar chaves interpretativas e
    explicativas inovadoras para a história da região. Com efeito, tais nações passaram por experiências autoritárias recentes que, em boa parte, contribuíram para a sua configuração atual, quer seja pela ação direta na moldagem de suas estruturas econômico-sociais contemporâneas, quer seja pela própria reação adversa que geraram na forma de movimentos de combate a esses regimes e suas heranças ainda atuantes, em especial no campo da construção da memória.
    O enfoque ganha especial pertinência quando consideramos que, em alguns desses países, como o Brasil, o autoritarismo não é um fenômeno político recente, mas possui uma vasta História. Não apenas porque tais países já tenham passado por regimes não democráticos anteriormente, mas porque também eles foram palco da elaboração de toda uma tradição teórica autoritária, ou seja, de intelectuais que pensaram e projetaram a sociedade (brasileira e latino-americana) como incompatível com a democracia liberal. E muitos elementos desse pensamento autoritário eram compartilhados ou apropriados por outras correntes de pensamento – mesmo à esquerda do espectro político-intelectual – e, inclusive, pelos grandes meios de comunicação, alcançando uma abrangência maior que o restrito círculo dos intelectuais. Dessa maneira, torna-se muito pertinente procurar associar o autoritarismo à cultura política, na medida em que as bases do pensamento autoritário contribuíram difusamente na própria maneira como a realidade política dessas sociedades vem sendo concebida ao longo das últimas décadas.
    Por outro lado, há que se considerar também a manifestação de determinados traços de cultura política tanto nos períodos de governo autoritário quanto nas fases consideradas democráticas. Tendo em vista especialmente o caso brasileiro, podemos mencionar como exemplos o reiterado recurso à conciliação entre setores da elite, a reprodução de práticas clientelistas, o arraigado corporativismo e a tradicional personalização das relações políticas.
    Sob a inspiração desses pressupostos teóricos, selecionamos e convidamos os autores que contribuem para esta coletânea, na expectativa de oferecer reflexões úteis à compreensão da história política do Brasil e de países do Cone Sul.A aproximação analítica entre os temas Autoritarismo e Cultura Política, abrangendo o Brasil e outros países latino-americanos (Argentina, Chile e Uruguai), pode gerar chaves interpretativas e explicativas inovadoras para a história da região. Com efeito, tais nações passaram por experiências autoritárias recentes que, em boa parte, contribuíram para a sua configuração atual, quer seja pela ação direta na moldagem de suas estruturas econômico-sociais contemporâneas, quer seja pela própria reação adversa que geraram na forma de movimentos de combate a esses regimes e suas heranças ainda atuantes, em especial no campo da construção da memória.
    O enfoque ganha especial pertinência quando consideramos que, em alguns desses países, como o Brasil, o autoritarismo não é um fenômeno político recente, mas possui uma vasta História. Não apenas porque tais países já tenham passado por regimes não democráticos anteriormente, mas porque também eles foram palco da elaboração de toda uma tradição teórica autoritária, ou seja, de intelectuais que pensaram e projetaram a sociedade (brasileira e latino-americana) como incompatível com a democracia liberal. E muitos elementos desse pensamento autoritário eram compartilhados ou apropriados por outras correntes de pensamento – mesmo à esquerda do espectro político-intelectual – e, inclusive, pelos grandes meios de comunicação, alcançando uma abrangência maior que o restrito círculo dos intelectuais. Dessa maneira, torna-se muito pertinente procurar associar o autoritarismo à cultura política, na medida em que as bases do pensamento autoritário contribuíram difusamente na própria maneira como a realidade política dessas sociedades vem sendo concebida ao longo das últimas décadas.
    Por outro lado, há que se considerar também a manifestação de determinados traços de cultura política tanto nos períodos de governo autoritário quanto nas fases consideradas democráticas. Tendo em vista especialmente o caso brasileiro, podemos mencionar como exemplos o reiterado recurso à conciliação entre setores da elite, a reprodução de práticas clientelistas, o arraigado corporativismo e a tradicional personalização das relações políticas.
    Sob a inspiração desses pressupostos teóricos, selecionamos e convidamos os autores que contribuem para esta coletânea, na expectativa de oferecer reflexões úteis à compreensão da história política do Brasil e de países do Cone Sul.

    Autoritarismo e cultra política

  • Postado por editora em em 05/12/2018 - 11:02

    Inicialmente publicado pelos organizadores com uma pequena tiragem, o livro Novas medidas contra a corrupção — um bem estruturado relatório que contém 70 proposições divididas em 12 blocos, organizado pela FGV Direito Rio, FGV Direito SP e a Transparência Internacional Brasil — viralizou após aparecer nas mãos de Sérgio Moro, no voo que o conduziu ao Rio para aceitar o Ministério da Justiça.

    Com a procura pela obra-referência, produzimos uma nova tiragem, agora disponível nas livrarias e em nosso site.

    Mas, afinal, como ela surgiu?

    O debate público iniciado pelo conjunto de propostas conhecido como “Dez Medidas Contra a Corrupção”, precocemente encerrado no Congresso Nacio­nal, foi retomado por um grupo de especialistas comprometidos em contribuir com a agenda anti­corrupção, iniciando a retomada da reflexão sobre reformas sistêmicas. As propostas buscaram revisar alguns pontos já discu­tidos, assim como agregar novas perspectivas e conteúdo para uma agenda renovada de reformas anticorrupção.

    A partir da compilação de melhores práticas nacionais e internacionais e da colaboração de vários setores da sociedade brasileira, construiu-se o maior pacote anticorrupção já desenvolvido no mundo.

    Trata-se de uma plataforma de propostas de reforma le­gislativa, administrativa e institucional, com o objetivo de promover um debate público orientado às causas sistêmicas da corrupção e de oferecer soluções permanentes para o seu enfrentamento no longo prazo.

    Confira como a obra é estruturada:

     

    APRESENTAÇÃO

    Nos últimos anos, no Brasil, foram expostas as relações criminosas que se estabelece­ram, há décadas, entre empresas e agentes políticos. Simultaneamente, presenciamos a abertura de uma promissora janela de oportunidade para aprimoramento dos meca­nismos de controle da corrupção.

    Infelizmente, o debate público iniciado pelo conjunto de propostas conhecido como “Dez Medidas Contra a Corrupção” foi precocemente encerrado no Congresso Nacio­nal, antes que outras contribuições de organizações sociais, acadêmicas e de especia­listas pudessem se somar ao mais importante debate dos últimos anos no país.

    Preocupados com os níveis de corrupção no país e com seus efeitos sobre a sociedade brasileira, um grupo de especialistas comprometido em contribuir com a agenda anti­corrupção, liderado pelos proponentes, iniciou a retomada da reflexão sobre reformas sistêmicas. As propostas que assim nasceram buscaram revisar alguns pontos já discu­tidos, assim como agregar novas perspectivas e conteúdo para uma agenda renovada de reformas anticorrupção.

    A partir da compilação de melhores práticas nacionais e internacionais e da colaboração de vários setores da sociedade brasileira, construiu-se o maior pacote anticorrupção já desenvolvido no mundo. Trata-se de uma plataforma de propostas de reforma le­gislativa, administrativa e institucional, com o objetivo de promover um debate público orientado às causas sistêmicas da corrupção e de oferecer soluções permanentes para o seu enfrentamento no longo prazo.

    Esta iniciativa culminou na criação de um pacote com 70 medidas, incluindo anteproje­tos de lei, propostas de emenda à Constituição, projetos de resolução e outras normas voltadas ao controle da corrupção.

    O pacote ganhou tal amplitude pois avança em diferentes frentes contra um problema que é multifacetado, além de reunir a visão de diversos setores e instituições nacionais sobre o enfrentamento da corrupção. Assim, o pacote divide-se em 12 blocos:

    BLOCO 1 | Sistemas, conselhos e diretrizes nacionais anticorrupção
    BLOCO 2 | Participação e controle social
    BLOCO 3 | Prevenção da corrupção
    BLOCO 4 | Medidas anticorrupção para eleições e partidos políticos
    BLOCO 5 | Responsabilização de agentes públicos
    BLOCO 6 | Investidura e independência de agentes públicos
    BLOCO 7 | Melhorias do controle interno e externo
    BLOCO 8 | Medidas anticorrupção no setor privado
    BLOCO 9 | Investigação 
    BLOCO 10 | Aprimoramento da resposta do Estado à corrupção no âmbito penal e processual penal.
    BLOCO 11 | Aprimoramento da resposta do Estado à corrupção no âmbito da improbidade administrativa
    BLOCO 12 | Instrumentos de recuperação do dinheiro desviado

     

    O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO

    Primeira etapa: compilação das melhores práticas e soluções internacionais

    A partir da presença da Transparência Internacional em mais de uma centena de países, foram pesquisadas as experiências mais bem-sucedidas de enfrentamento da corrup­ção no mundo, além da revisão de recomendações das principais convenções interna­cionais anticorrupção. Estas medidas foram analisadas sobre sua adequação à realida­de brasileira e adaptadas às especificidades do contexto nacional.

    Segunda etapa: consultas às instituições públicas e sociedade civil brasileira

    Foram enviados convites a 373 órgãos públicos, organizações não governamentais, instituições educacionais, instituições religiosas, associações comerciais e conselhos de classe. As instituições foram convidadas a enviar propostas legislativas capazes de prevenir, detectar e reprimir a corrupção no Brasil.

    Terceira etapa: desenvolvimento de minutas

    Convidamos especialistas, de diferentes formações e conhecimento e trajetória reco­nhecida, para transformar as ideias inicialmente apresentadas em proposições legislati­vas, de modo que constituam, ao final, um pacote de propostas refletidas e concretas para o combate à corrupção. Os especialistas apresentaram contribuições contextuali­zadas nas respectivas áreas de atuação e estudo, por meio da elaboração de minutas de projeto de lei, atos administrativos e emendas constitucionais, levando em conta, inclusive, proposições eventualmente já sob consideração do Congresso Nacional.

    Quarta etapa: aprimoramento das minutas

    A quarta etapa foi de revisão, por parte de especialistas, das minutas recebidas na primeira e na segunda etapas, para que fossem aprimoradas ou descartadas. Assim, através do método de revisão por pares, as propostas foram submetidas à pluralidade de visões de especialistas de distintas instituições ou setores da sociedade.

    Quinta etapa: consulta pública ampliada

    A quinta etapa objetivou submeter as minutas elaboradas a uma ampla avaliação da so­ciedade, por meio de plataforma online, e colher sugestões para seu aperfeiçoamento. Pretendeu-se elevar a qualidade e efetividade do pacote de propostas apresentado à sociedade brasileira. As contribuições mais relevantes e em formato adequado foram in­corporadas diretamente às minutas e todas as demais foram compiladas e serão anexa­das ao pacote para a consideração dos legisladores.

     

    Se interessou? Clique no link abaixo:

    Novas medidas contra a corrupção

  • Postado por editora em em 24/10/2018 - 13:29

    Obra fundamental para quem se interessa, ensina ou pesquisa no domínio das ciências humanas e sociais, o livro Homo Historicus de Christophe Charle, traduzido e publicado pela Editora FGV em coedição com a Editora da UFRGS e apoio à publicação do Institut Français, propõe de modo constante a necessidade de uma cooperação interdisciplinar.

    Conhecido por seu trabalho sobre a sociedade no século XIX, Christophe Charle faz nesta obra uma reflexão geral crítica sobre a prática da história social e da história cultural e os elos entre esses dois ramos da disciplina, e vai muito além. 

    No livro, Charle dedica-se a um percurso elucidativo de sua própria trajetória, enquanto pesquisador, colocando às claras um conjunto de determinantes do trabalho científico e suas condições de controle.

    Percorrendo um vasto campo de reflexões, a proposta se encaminha para a utilização combinada de diferentes perspectivas analíticas, ao mesmo tempo em que retoma as discussões sobre uso da prosopografia e análise de circulação internacional de bens culturais, seus desafios e perspectivas.

    De modo geral, trata-se muito mais de fazer perguntas do que propor soluções acabadas, abrindo, assim, um instigante leque de problemáticas de pesquisa cuja fecundidade torna-se fundamental para a reflexão sobre o período atual, marcado, segundo o autor, pela “modernização universitária” e a especialização disciplinar.

    De acordo com Charle, os historiadores fazem parte de um universo institucionalizado cada vez mais hierarquizado e interdependente, mas também em competição com outros espaços intelectuais: outras comunidades disciplinares –  filosofia, sociologia, antropologia –, historiadores de outros países, relações de força instáveis entre as disciplinas no seio dos estabelecimentos, mundo da edição e da mídia. E tudo isso, em sua visão, remete às contingências ou é resumido pelo vocabulário pobre da “profissionalização”.

    Os textos reunidos nesta obra foram escolhidos pelo autor entre todos os que redigiu nos últimos anos, utilizando o critério de coerência que apresentam uns com os outros e sobretudo para responder a inquietações anteriores (próprias), disciplinares ou metodológicas: “sempre conectar reflexão teórica e modalidades práticas de sua utilização no trabalho historiográfico concreto”.

    Embora os textos tenham sido escritos durante um período relativamente longo e abordem temas bastante diversos, Charle afirma que as continuidades metodológicas, temáticas e teóricas que caracterizam seus sucessivos trabalhos permitem que eles repercutam uns sobre os outros.

    Os escritos reflexivos produzidos por encontros intelectuais durante sua carreira com “colegas criativos, alunos exigentes e inovadores e sobretudo com mestres estimulantes”, a respeito de temáticas que marcaram renovações duradouras da historiografia contemporânea, apresentam um valor mais geral de compreensão da evolução de diversos campos historiográficos ou disciplinares e de resposta a certos debates ainda atuais.

    Homo historicus

     

     

  • Postado por editora em em 11/10/2018 - 14:11

    A Primavera Literária do Rio acontecerá entre os dias 18 e 21 de outubro, de volta aos jardins do Museu da República.

    Como todo ano, esta 18ª edição da feira terá uma programação cultural gratuita para seus visitantes e nós estaremos lá também.

    E nesta edição, nossa participação está mais que especial.

    Nossas autoras Hildete Pereira de Melo (Mulheres e poder), Glaucia Fraccaro (Os direitos das mulheres) e Angela de Castro Gomes (Trabalho escravo contemporâneo) estarão presentes na Tenda, dia 21, domingo, às 10h, para o bate-papo Mulheres no poder.

    Após a conversa, todas poderão autografar seus livros no mesmo local.

    É bom chegar cedo pra garantir seu exemplar em nosso estande e sua partipação nessa conversa.

     

    Mais da programação pode ser conferida na página da LIBRE, no Facebook. Clique AQUI, que te mandamos pra lá ou confira tudinho mais abaixo.

     

    O Museu do Palácio do Catete é aberto à visitação, possui uma praça de alimentação de bikefoods, restaurante e um bicicletário.

    A feira é gratuita e a entrada  do Museu fica em frente ao metrô do Catete.

    Não dá pra não ir.

     

    Levaremos cerca de 200 títulos do nosso catálogo, entre lançamentos e acervo, e todos estarão com 50% de desconto.

    Esperamos sua visita!!

     

     

    PROGRAMAÇÃO COMPLETA | PRIMAVERA LITERÁRIA 2018

    ESPAÇO INFANTIL

    QUINTA-FEIRA 18/10
    11h Contação de histórias do livro Um pra cada lado e oficina de criatividade | Luciana Rigueira e Elizabeth Teixeira
    14h Oficina Como nascem as histórias | Helena Lima Apresentação sobre processo criativo: como nascem as histórias e em que consiste o trabalho de uma editora. Programação complementada com contação de histórias.
    15h Conversa sobre o livro Peixe de abril | Simone Mota || A história do pescador, do menino e dos peixes, mais particularmente o Peixe de abril, entre reinos e reis, seduz o leitor desde as primeiras linhas e o transporta para mundos feéricos de sabedoria e de ensinamentos. Simone Mota consegue condensar o máximo de informações num mínimo de espaço, técnica fundamental nesse gênero literário. O leitor é conduzido com habilidade e gênio para o "efeito do real", qualidades que fazem do Peixe de abril obra indispensável para apreciadores de literatura de todas as idades." (Godofredo de Oliveira Neto)"

    SEXTA-FEIRA 19/10
    10h Desafios da mediação da leitura literária hoje | Cíntia Barreto || Uma apresentação da formação em Literatura Infantil e Juvenio dos profissionais do livro no contexto atual e do impacto no mercado editorial no processo de formação de leitores.
    11h Palestra Oralidade e contos africanos : Histórias de Ouvir da África Fabulosa | Carlos Alberto de Carvalho e Fabio Maciel || Em algum lugar da África, crianças ouvem fabulações, nas quais, humanos, animais e seres fantásticos fazem parte da narrativa.
    14h Oficina de ilustrações do livro Histórias de ouvir da África fabulosa | Fabio Maciel || Trabalho sobre as ilustrações do livro Histórias de ouvir da África fabulosa.
    15h Contação de histórias do livro Como tudo começou – A primeira aventura da Turma do Planeta Silvana Gontijo || A autora encanta as crianças ao apresentar seu livro Como tudo começou - A primeira aventura da Turma do Planeta de forma muito interativa consegue a participação de todos ao contar sobre a aventura do livro.
    18h Bate Papo sobre o Livro "Bordados" Projeto MANOS QUE CUENTAN. Peru- Brasil Rosana Reategui. || A narradora peruana, Rosana Reategui, integrante do grupo Os Tapetes Contadores de Histórias apresentará seu projeto de livros bordados junto com artesãs arpilleras: Manos que Cuentan. Livros de pano que contam histórias e lendas bordadas assim como falará das origens do bordado da arpillera, registros têxteis de diversas realidades latinoamericanas.

    SÁBADO 20/10
    10h Belé Salsicha | Contação de Histórias + Autógrafos || Autora Ana Sampaio ||| Ilustração Heitor Corrêa Contação de Histórias do livro Belé Salsicha: Belé é um cachorrinho com rodinhas no lugar das patas traseiras e nem se importa com isso. Ele é muito especial por ser um grande caçador de formigas e destruidor de chinelos. Aprenda com Belé como ser feliz e um arteiro tão amado.
    11h É conversando que a gente se entende | Julia Luz || Bate papo sobre comunicação não violenta ||| Conversa, bate papo sobre Comunicação Não Violenta com a autora do livro "É conversando que a gente se entende".
    14h Contação de histórias e sessão de autógrafos | Os 2 porquinhos e meio || Marta Lagarta ||| Ah, as diferenças! Elas podem se unir de maneiras tão mágicas. Será que um dia as pessoas perceberão isso? Neste texto delicioso, de poesia, sabores e imagens, Leo Cunha e Marta Lagarta contam uma divertida história sobre as desavenças entre dois vizinhos. Mas se a Dona Edy e o Seu Elias não se toleram, não podemos dizer o mesmo de seus porquinhos de estimação: Kid e Lik.
    16h Representação negra na literatura infantil | Cássia Valle, Luciana Palmeira, Kenia Maria, Simone Motta, Mediação: Ernesto Xavier || Representação negra da literatura infantil. Bate-papo com autoras de livros infantis com personagens negros.
    17h - Biodanza para crianças + Lançamento do livro Biodanza - um caminho para o mundo biocêntrico | Beatriz Câmara e Julia Rodrigues, Semente Editorial || Oficina que propõe uma prática através da dança e da música - conduzida por facilitadoras da metodologia Biodanza fundada por Rolando. Tem por objetivo fundamental valorizar e reforçar as qualidades mais belas do ser humano, que poderiam se expressar naturalmente na infância se o meio o permitisse.
    18h Conversa sobre o livro Tempo de brincar Marília Pirillo O tempo de brincar e a infância estão ameaçados pela rotina estressante que estamos adotando para as nossas vidas e de nossas crianças. Acho fundamental termos um momento para rir, relaxar, sentir, desfrutar da vida e do mundo que nos cerca. Brincar é aprendizado, é experimentação, é descoberta. Brincar é jogar, ganhar, perder, recomeçar, fazer de conta, fantasiar, se encantar! Desenhar, ler, escrever e contar histórias também podem ser uma deliciosa brincadeira. Vamos brincar!"

    DOMINGO 21/10
    10h Aulão de Boxe Infantil | Professor Peppe || (a partir de 12 anos)
    11h Contação de histórias do livro Um marido para Dona Baratinha | Autora Dircéa Damasceno || Dona Baratinha era vaidosa e caprichosa. No dia em que encontra uma moeda, se sente rica e sai em busca do noivo perfeito. Entre tantas qualidades e defeitos, será que ela vai encontrar seu par?
    14h Primavera convida Clube de Leitura Quindim | Slam de ilustração Os participantes são desafiados, por meio de uma temática surpresa a criarem uma narrativa visual. Um ilustrador intervém no desenho do outro mudando o traço e o pensamento, criando uma história coletiva com diferentes olhares.
    15h Cantação de Histórias Ana Clara das Vestes e Trio e Lançamento do Livro Dois dinossauros e uma duna imensa Ana Clara Vestes Ilustração Camilo Martins Semente Editorial || A magia escorrega mansamente no cenário quase lunar do sono. Embalados pelas histórias contadas pela mãe de Adnan, ele e os dinossaurinhos veem-se diante de uma montanha gigante, uma estrada a ser caminhada e vencida a cada noite.
    16h #PapoComZero : uma campanha de diálogo inspirada no conto 'A fuga do zero' e Oficina de contação de histórias e brincadeiras com as Boconas | Ana Luiza Novis || A partir do projeto #PapoComZero, a psicóloga e terapeuta Ana Luiza Novis trabalha a comunicação e o diálogo.
    17h Conversa sobre o livro A Princesa Maravilha ou de como uma ervilha incômoda Provocou um final feliz. Cristina Villaça "Escrevi esta história em formato de cordel para homenagear Sylvia Orthof, mestra imaginária de minhas viagens literárias. Escolhi a redondilha maior porque quis seguir sua intenção de perpetuar a forma tradicional dos cantadores do nordeste e todo um manancial cultural que não pode ser esquecido. A minha Princesa Maravilha é parente de Ervilina, ambas descendentes da Princesa do conto de Andersen. Mas, como a Ervilina de Sylvia, ela é protagonista de sua história, é ela quem decide seu destino. Maravilha chega nessas páginas para ressaltar minha crença na educação e nos estudos avançados.
    18h Bate-papo Não Somos Anjinhos com Gusti Rosemffet Apresentação do livro Não Somos Anjinhos, seus processo de criação, tradução, edição. O livro, originalmente publicado pela editora Oceanos - Mexico/ Barcelona, acabou de ser selecionado para a prestigiosa lista WHITE RAVENS, da Biblioteca Internacional da Juventude, de Munique. Roda de conversa com Gusti, autor que vem de Barcelona lançar seu recente livro ―Não Somos Anjinhos‖, sobre suas motivações e processo de criação desse livro ilustrado, inspirado pela vida cotidiana em família, no convívio com seu filho que tem síndrome de Down.

    ESPAÇO EDUCATIVO

    QUINTA 18/10
    Programação Especial Dia do Editor
    9h Café da Manhã
    10h Panorama: Cenário do mercado editorial brasileiro | Ismael Borges – Nielsen || Apresentação de um panorama sobre o mercao editorial brasieliro, sob a perspectiva da Nilsen.
    11h Revolução 4.0 - Economia em rede | Raíssa Pena - Catarse || Carolina Herszenhut – Aborda ||| Apresentação de cases sobre empreendedorismo criativo e a importância das microcomunidades para o fortalecimento das marcas.
    14h Internacionalização e seus processos | Bia Alves – HarperCollins || A Gerente de internacionalização da HaperColins fala sobre sua expeiência na área na América Latina
    15h Painel Forma Certa | Apresentação das soluções e inovação em impressão digital.
    15h30 Workshop Como fazer para vender seu livro ainda em 2018 | Bruno Mendes – Coisa de Livreiro || Um workshop para os editores observarem como algumas medidas e novações podem aumentar o faturamento ainda nos meses faltantes para findar 2018.
    17h Pega na minha mão e vem | Simei Jr. – Metabooks || Camila Cabete – Kobo ||| Um passo a passo para ensinar o mercado a fazer um bom preenchimento de metadados e seus benefícios para o gaturamente e organização das editoras.
    18h O livro e o licenciamento | Mariana Rolier - HarperCollins, Sintia Mattar – Trevisan Mattar Consultoria Jurídica, Eduardo Albano - Ubook, Janaina Ávila Brasil - Produtora outrastorias, Mediação Cassia Carrenho – Lab Pub || Uma roda de conversa sobre licenciamento de livros para outras mídias.

    SEXTA-FEIRA 19/10
    10h Workshop de autopublicação e pitch para autores independentes Plataforma Bibliomundi e Palestrantes convidados | Seja autor da sua própria história. Pitch aberto para escritores de todos os gêneros. Apresente sua ideia para profissionais do mercado. Prêmio para o vencedor do pitching: Consultoria grátis com a Bibliomundi para publicação digital do livro.
    11h30 Oficina de escrita Oulipiana | Ana de Alencar e Ana Lúcia Moraes | Palestra de Ana de Alencar sobre o grupo literário francês OULIPO e sobre a literatura potencial, seguida de uma oficina de escrita — com a participação da professora e doutora em literatura francesa, Ana Lúcia Moraes — baseada nos princípios oulipianos.
    14h Oficina de formação de contadores de histórias e mediadores de leitura | Francisco Gregório || Oficina de formação de contadores de histórias, mediadores de leitura, e formação do leitor através de "Ler e Contar, Contar e Ler", em rodas de leitura e leitura dramatizada.
    15h30 Mini Curso: Como escrever boa ficção fantástica, sagas e trilogias | Julio Algaze Mansour e Ilmar Penna Marinho Júnior Como escrever boa ficção fantástica, sagas e trilogias
    17h Literatura e Fantasia | Juva Batella, Miguel Conde || Quarteto mágico – quatro formas de ser estranho Formas de ser estranho – Num país em que o valor da criação literária é muitas vezes medido em relação a sua capacidade de denunciar mazelas sociais, qual o lugar de autores que exploram em suas obras o devaneio e a fantasia, às vezes chegando até o non-sense? À margem da escrita realista de crítica social, seria possível falar numa tradição alternativa na história literária brasileira, mais afeita ao estranho e ao improvável do que à concretude do real? Os críticos Juva Batella e Miguel Conde conversam nesta mesa sobre alguns autores que poderiam integrar uma tal tradição, tais como Murilo Rubião, José J. Veiga, Campos de Carvalho e Victor Giudice.
    18h30 Marcos Legais para formar leitores | Renata Costa, Guilherme Relvas, Francisco Gregório, Mediação: Volnei Canônica || A sanção da Lei Castilho e a discussão acerca da regulamentação do mercado do livro são os temas desta conversa que vislumbra refletir sobre a necessidade de políticas publicas para formar leitores e fortalecer o setor livreiro.

    SÁBADO 20/10
    10h Primavera Convida Puxadinho | Carol Delgado || Puxadinho, um lab de experimentações antropológicas, com metodologias e preços acessíveis, que tem seu foco na instrumentalização e democratização da produção simbólica, e atua em três frentes: uma escola livre e ateliê de pesquisa, mentoring para movimentos, projetos e pessoas e consultoria criativa.
    14h Pitch do livro: como seduzir editoras com o seu original | Vagner Amaro, Paula Cajaty, Valéria Martins, Michelle Strzoda || Como seduzir editoras com o seu original: o olhar do mercado editorial.
    16h Primavera convida Revista Philos | Oficina de escrita poética || Thássio Ferreira ||| Diante da moldura vazada colocada no jardim, o facilitador estimula os/as participantes a escreverem de forma poética sobre a paisagem, demonstrando possibilidades de construção de escrita criativa a partir de obras de autores/as clássicos/as e contemporâneos.
    17h Primavera Convida Agência ONZE - UVA | Economia Criativa: As potencialidades do Rio como Cidade Criativa Leonardo Amato Marcos Machado Vera Zunino || A Economia Criativa propõe um novo olhar sobre como integrar pessoas e cidades, gerando novos caminhos para o desenvolvimento sustentável através das potencialidades criativas. O encontro irá analisar a economia criativa na Cidade do Rio de Janeiro através de estudos envolvendo equipamentos públicos, a arte e o carnaval.
    18h30 Workshop: Vamos viajar? O que você precisa saber para se tornar um viajante | Claudia Liechavicius || Claudia Liechavicius é uma apaixonada pelo mundo. Além de ser uma especialista em todo tipo de viagem e destino. Desde 2008 comanda o Viajar pelo mundo!, Um dos sites mais populares da blogosfera, com cerca de um milhão de visualizações por mês. E depois de uma década compartilhando suas viagens e ouvindo os desejos de seus seguidores, escreveu um livro para mostrar que o mundo também pode ser o seu quintal.

    DOMINGO 21/10
    10h Literatura e Astrologia: alguns encontros | Roberta Ferraz
    11h30 O poder dos nutrientes Dr. Raimundo Santos || Palestra do Dr. Raimundo Santos, médico e tradutor do livro "O poder dos nutrientes", escrito pelo médico norte-americano dr. William Walsh, que defende o uso da bioquímica natural em substituição aos remédios psiquiátricos no tratamento de distúrbios mentais. Com milhares de exemplares vendidos em outros países, o trabalho do dr. William Walsh abre uma nova porta para o tratamento da saúde mental, incluindo deficit de atenção, ansiedade, esquizofrenia, hiperatividade, doença de Alzheimer e outros.
    14h Oficina de autobiografia | Tania Carvalho Apresentação de experiências, técnicas e inspiração para ajudar o leitor a virar escritor de sua própria história.
    15h30 Nuvens e Bigornas - a poesia de Hilda Machado e Yasmin Nigri | Cide Piquet, Yasmin Nigri, A jovem poeta carioca Yasmin Nigri e o editor Cide Piquet conversam sobre os livros Bigornas, de autoria de Yasmin, e Nuvens, da poeta Hilda Machado, falecida em 2007, explorando afinidades nas obras dessas duas poetas de diferentes gerações, ambas fortemente imagéticas e influenciadas pelas artes visuais.
    17h Bate Papo Carolina Maria de Jesus - uma biografia Tom Farias Bate-papo sobre a atualidade da obra de Carolina Maria de Jesus

    TENDA FAÇA AMOR, NÃO FAÇA GUERRA
    QUINTA 18/10

    10h Primavera Convida Nespe | Workshop: 3 ou 4 coisinhas sobre técnicas de escrita criativa || Leandro Müller, Flávia Iriarte ||| Os criadores do curso de Escrita criativa do Nespe (Núcleo de Estratégias e Políticas Editoriais) apresentam ao público algumas técnicas para ser escritor.
    14h Ocupa Museu - Políticas Públicas e Direito à Memória | Ana Paula Zaquieu Álvaro Marins Aline Montenegro A importância de um projeto de Estado em relação ao direito à memória no que tange a politicas publicas para a área de museus.
    15h30 Reconstruindo as bibliotecas | Andreia Rangel Verônica Lessa || Conversa sobre o papel da biblioteca como agente de transformação social, com base nos ODS da agenda 2030 e no plano de trabalho proposto pelo programa Conecta Biblioteca, uma iniciativa implementada pela ONG Recode e patrocinada pela Fundação Bill&Melinda Gates. De que forma a biblioteca poderia também incidir sobre indicadores ligados, por exemplo, a desemprego e à saúde da comunidade local? Apresentaremos também cases bem-sucedidos de atividades, realizadas nas bibliotecas do Conecta Biblioteca, pautadas pela agenda 2030.
    17h Narrativas indígenas: produção cultural de resistência | Eliane Potiguara || A produção cultural indígena em festivais de literatura
    18h30 Poesia e paisagem | Michel Collot, Masé Lemos, Marcelo Reis de Melo || Uma conversa sobre produção de poesia contemporâena à luz da teoria da paisagem. Como a paisagem se apresenta nos textos do autores contempoâneos? Qual o papel da emoção na criação de uma obra? O que sefala quando se falar em inspiração, emoção, paisagem e técnica?

    SEXTA-FEIRA 19/10
    10h Workshop: Life Coaching | Claudia Guimarães || Dicas para uma vida mais harmonizada, através de um percurso que vai desde autoconhecimento, reconhecimento da própria história, autocompaixão e compaixão até cuidados com o corpo e com a nossa alma. Depois, abriremos para uma roda de conversa com o público presente.
    11h30 A Formação do Jornalista 2.0 Agência ONZE – UVA Renata Feital | Refletir sobre a profissão de jornalista diante dos novos cenários políticos, sociais e culturais. A palestra versará sobre o papel social do jornalista nas sociedades democráticas, focalizando as transformações do know-how jornalístico. Dessa forma será realizado um debate sobre a profissão jornalista, seguindo um itinerário desde o marco da sua institucionalização até hoje, além de contemplar as mudanças nas rotinas de produção, em níveis econômicos, políticos e editoriais, que impactaram os jornalistas brasileiros. O ensino do Jornalismo nas universidades e por fim, a reflexão contempla a identidade jornalista e o seu papel social no atual ambiente informatizado.
    14h Primavera Convida MultiRio | Roda de Conversa sobre o livro Animação Brasileira: 100 filmes essenciais produzido pela ABRACCINE e a Associação Brasileira de Cinema de Animação, entre outros, e lançado pelo Grupo Editoral Letramento.
    15h30 Ativismo jovem | Coletivo Papo Reto, Slam das Minas, Coletivo Ocupa Amaro, Mediação Ywerson Pimentel || Bate papo com jovens que estão interferindo em seus meios sociais e dando visibilidade a diferentes narrativas por meio de dispositivos como a arte, tecnologia e ativismo político.
    17h Linguagens poéticas e ativismo antidiscriminatório Ramon Nunes Mello Paulo Sabino | Simone Mazzer || Como a arte pode mitigar preconceitos e sensibilizar para temas sobre os quais ainda pouco se fala.
    18h30 Até onde pode o judiciário? | Ricardo Lísias, Wadih Damous || Discussão acerca das liminares concedidas pelo desembargador Rogerio Favreto a partir do novo livro de Ricardo Lisias Sem título – uma performance contra Sergio Moro, à luz do Direito. Análise dos diversos acontecimentos recentes da sociedade brasileira.

    SÁBADO 20/10
    10h Carreira de autor | Alessandro Thomé, Janda Montenegro, Thássio Ferreira || Mesa sobre o papel do autor na costrução de sua carreira. Venda de livros, autopromoção, agenciamento e prêmios serão algus dos temas.
    11h30 Brasilidades Luis Antonio Simas Marcelo Moutinho | Um inventário do Brasil popular pelas lentes de Luiz Antonio Simas e Marcelo Moutinho. Entram na roda personagens, literatura, ritmos, conflitos, etnias, festas da fé, saberes e fazeres dos brasileiros.
    14h Tabu na literatura | Andrea Viviana Taubman, Alessandro Thomé, Fátima Pacheco || Tristeza, separação, morte, violência, abuso sexual. Como falar sobre esses assuntos difíceis para os adultos com as crianças. Há temas-tabu a serem evitados na literatura infantil e juvenil? Para muitos pais, educadores e mediadores de leitura que pensam para além da simples fruição, a literatura pode ser sim um caminho para provocar nas crianças reflexão sobre situações difíceis ou de risco, de uma maneira lúdica e não simplista.
    15h30 Primavera convida Quatro Cinco Um Raquel Menezes Antonio Freitas | Mediação Fernanda Diamant || Bate papo sobre mercado editorial independente, jornalismo e ativismo cultural a partir das experiências da Libre, da Tapera Taperá e da Quatro Cinco Um.
    17h 1968: 50 anos depois | Ítalo Moriconi, Eduardo Jardim || Os movimentos de 1968 e aqueles que dele derivaram serão o fio condutor do bate-papo, utilizando outros ângulos de observação e perspectivas sobre o momento e sua época. A ideia é trazer novos enfoques para alguns eventos bastante, e outros muito pouco, conhecidos, com atenção às reações, aos desdobramentos e heranças que aqueles eventos suscitaram no e ao longo do tempo. Exatamente no mês outubro de 2018, o foco das comemorações dos 40 anos estará sobre a queda de Ibiúna, e este momento será abordado no bate-papo, bem como as comparações com os eventos de 2013.
    18h30 Os diários na literatura Felipe Charbel Kelvin Falcão Klein Conversa entre Felipe Charbel (autor de "Janelas irreais - um diário de releituras", Relicário, 2018) e o crítico Kelvin Falcão Klein (autor de "Wilcock. Ficção e arquivo", Páginas Selvagens, 2018) sobre diários de escritores, e sobre romances escritos em diários.

    DOMINGO 21/10
    10h Mesa Mulheres no Poder | Hildete Pereira de Melo (Mulheres e Poder),  Glaucia Faccaro (Os direitos das mulheres), Angela de Castro Gomes (Trabalho escravo contemporâneo), Maria Claudia Badan Ribeiro || Por que as mulheres não ocupam as chefias de empresas? Por que ganham salários menores que o dos homens? Por que há tão poucas deputadas? Bate papo sobre a importância de ter mais mulheres ocupando cargos de poder e sobre as barreiras que elas enfrentam.
    11h30 Mulheres Negras na Literatura | Conceição Evaristo, Paloma Franca Amorim, Eliana Alves Cruz, Teresa Cárdenas
    14h Publique Sexo | Bella Prudencio, Ara Nogueira Seane Melo, Camila Cabete | Mediação: Cassia Carrenho || Discussão sobre o feminismo e o corpo da mulher a partir de publicações cujo sexo é o eixo central e o modo se libertar do patriarcado. A partir de lemas como ―Meu corpo, minhas regras‖ as mulheresm se empoderam e assumem esapço na sociaedade.
    15h30 Reflete o feminino por que o feminino importa Palmira Margarida Helena D’Aradia Mediação: Crib Tanaka
    17h Primavera Convida Mulheres que Escrevem | Escritas Híbridas || Leticia Novaes, Dara Bandeira, Estela Rosa Mediação: Tais Bravo ||| Conversa com autoras sobre escritas híbridas que escapam de um único gênero.
    18h30 Mulheres do Funk | Verônica Costa, Adriana Facina, Taísa Machado, Ingrid Neponucemo || Mediação: Carol Rodriguez ||| Sexualidade, objetificação do corpo, visibilidade. O Funk como movimento de expressão de mulheres negras e periféricas.

    ESPAÇO LANÇAMENTOS
    SEXTA-FEIRA 19/10

    15h Arte dos contos
    Vários autores
    MultiRio e Secretaria Municipal de Educação
    16h Marx e a História
    Gustavo Machado
    Editora Sundermann
    17h Por que não escrevi nenhum de meus livros
    Marcel Bénabou
    Tradução: Ana de Alencar Editora TABLA
    18h Guardados do Coração
    Franciso Gregório
    Semente Editorial

    SÁBADO 20/10
    13h Itinerários
    Autor Thássio Ferreira
    UFPR
    14h Lançamento Coletivo Ibis Libris
    Editora Ibis Libris
    15h Caveiras
    Bate papo + autógrafos
    Autor Victor Abdala
    Editora Évora
    16h Não me toca, seu boboca
    Autora Andrea Viviana Taubman
    Ilustrações Thais Linhares
    Editora Aletria
    17h Contos de encantar o céu
    Bate papo + autógrafos
    Autoras Helena Lima
    Ângela Leite de Souza
    Ana Luiza Figueiredo Editora Lago de Histórias
    18h Amores Desvalidos
    Autor Rogério Athayde
    Editora Oficina Raquel

    DOMINGO 21/10

    11h30 | Hildete Pereira de Melo, Glaucia Fraccaro e Angela de Castro Gomes augrafam seus respectivos livros após a mesa 'Mulheres no poder'

    15h O som de um coração vazio
    Bate Papo + Autógrafos
    Autora Graciela Mayrink
    Editora Bambolê
    16h Sebastian
    Autora Bella Prudencio
    Editora Oficina Raquel
    17h Lançamento coletivo de autores independentes
    18h Sexo a três
    Autor Vinni Corrêa
    Editora Jaguatirica

    CINEMA
    SEXTA-FEIRA 19/10
    11h às 17h Ocupação Cineclubista Cine&Manas
    Cineclube produzido pelo Coletivo Manas, com exibição de filmes sobre feminilidade, trazendo o debate sobre gênero, identidade e sustentabilidade feminina.

    SÁBADO 20/10
    11 ás 16h Ocupação Cineclubista MultiRio - Animação Brasileira: 100 filmes essenciais
    Empresa Municipal de Multimeios, vinculada à Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, apresenta filmes do livro Animação Brasileira, 100 filmes essenciais.

    DOMINGO 21/10
    10 ás 11h30 – Aulão ENEM Parte I
    11h30 h às 17h Ocupação Cineclubista Subúrbio em Transe
    O coletivo Subúrbio em Transe, organizado por Luiz Claudio Motta, promove atividades culturais espalhadas por bairros do subúrbio com o objetivo de retratar e debater o subúrbio como paisagem e lugar.
    14 às 15h30 – Aulão ENEM Parte II
    Nome do professor

    CHAFARIZ - OCUPAÇÕES ARTÍSTICAS

    QUINTA-FEIRA 18/10
    19h Dj Nado

    SEXTA-FEIRA 19/10
    19h Slam das Minas

    SÁBADO 20/10
    15h Palestra + Prática de meditação transcendental | Valéria Portugal, Professor Aloísio Reis Nunes | Valéria Portugal , autora do título: Olhando para dentro (Editora Gryphus). Estará com o professor convidado: Aloisio Reis Júnior, no dia 20/10/2018 horário 15:00 as 16:00hs abordando o temas: Criatividade e Meditação Transcendental. Ao término da palestra, o professor Aloisio estará aplicando a prática de Meditação Transcendental no local.
    16h Juventude-raiz: histórias do Norte brasileiro | Leão Zagury, Anatole Jelihovschi Leão Zagury apresenta as reminiscências da infância e da juventude, passadas em Macapá, tem uma pegada a la Gabriel García Márquez. O livro é muito bem escrito e ganhou prefácio do Cláudio Murilo Leal, que é da ABL. Anatole Jelihovschi, em romance dramatizado, compara a vida do protagonista Salvador ao de Lampião, em uma narrativa que explora ―uma multidão de despojados encerrados num inferno coletivo‖, seja no sertão do passado, seja no ambiente urbano do presente, um entrelace entre tempos, chegando a um ponto onde o passado se funde ao presente, unindo o real ao fantástico.
    17h 12º Festival de Poesia da Primavera Literária
    Tradicional Sarau de poesia da Primavera Literária realizdo pela Editora Ibis Libris
    18h Bloco Cartola é do Catete

    DOMINGO 21/10
    16:30 Performance Poética com Ara Nogueira
    17h Leitura dramatizada do Livro Sexo a Três com Vinni Corrêa

    Até 2019!!

  • Postado por editora em em 01/10/2018 - 10:52

    Por que uma história da historiografia brasileira? Qual a importância desse tema para um público amplo, além dos especialistas da área?
    O livro Uma introdução à história da historiografia brasileira (1870-1970) traz uma proposta para a análise dos estudos históricos no Brasil. Da relação da produção historiográfica brasileira com o contexto internacional, os autores propõem uma periodização para seu estudo e uma conceituação, que inclui a relação da história com o ensino. Organizam também a produção historiográfica em dois momentos, que correspondem aos processos de modernização do país, destacando os autores que tiveram preocupação com a história da história.

    Confira o sumário e, na sequência, a apresentação da obra de Thiago Lima Nicodemo, Pedro Afonso Cristovão dos Santos e Mateus Henrique de Faria Pereira.

    CAPÍTULO 1: Mutações globais do conceito moderno de história e a historiografia brasileira 
    “Historiografia” em escala transnacional 
    O desafio de pensar a história da historiografia brasileira: recorte, critérios e problemas 
    A produção de um cânone e questões para uma autonomia relativa e negociada para a história da historiografia 
    CAPÍTULO 2: Figurações da historiografia na crise do Império e nos primeiros tempos republicanos 
    Preâmbulo: sobre uma história científica 
    O “Necrológio de Francisco Adolfo de Varnhagen” entre o passado e o futuro 
    “Das entranhas do passado o segredo angustioso do presente”: Varnhagen segundo Capistrano 
    Cronista, historiógrafo, historiador: modulações semânticas e usos discursivos do conceito de historiografia 
    Capistrano de Abreu, documento histórico, evolução e síntese 
    CAPÍTULO 3: A emergência do discurso sobre a universidade (1930-1950) 
    Os sentidos da “profissão” nas letras: do modernismo ao pós-Segunda Guerra 
    Necrológio de Capistrano? “O pensamento histórico no Brasil nos últimos 50 anos” 
    Horizontes de um historiador profissional na década de 1950 
    CAPÍTULO 4: Como se deve escrever e ensinar história do Brasil depois da universidade? Instituições, novos agentes e mercado editorial 
    A emergência dos “estudos brasileiros”: circulação internacional no pós-Segunda Guerra 
    Historiografia no Manual bibliográfico de estudos brasileiros 
    Apontamentos sobre a Revista de História da USP 
    Alguns dos primeiros manuais formadores e o desafio de ensinar teoria da história e historiografia brasileira 
    De volta ao começo: como se deve escrever a história do Brasil no projeto História geral da civilização brasileira (1961-1972) 
    CAPÍTULO 5: A “historiografia” e caminhos para a consolidação da profissão de historiador (anos 1960-1970) 
    José Honório Rodrigues outra vez 
    Amaral Lapa: historiografia no pós-1964 
    A história da historiografia nos currículos universitários 
    CONSIDERAÇÕES FINAIS: Dilemas e encruzilhadas do século XXI 
     

    O que parece indiscutível é que o pensamento histórico é uma evolução historicamente singular da experiência temporal [Luckamann, 2008:65].

    O que propiciou a difusão e consolidação do conceito de historiografia sobre outras formas de se referir ao trabalho do historiador? A experiência brasileira nos sugere uma associação íntima entre historiografia e o estabelecimento dos cursos universitários de história no país. Historiografia seria, nessa linha, o conceito articulador das expectativas e desejos de uma história escrita nas/para as universidades: uma história científica? As representações do passado construídas fora dessas lógicas de poder e saber podem até ser história, mas seriam historiografia?
    Essas experiências e expectativas e desejos foram expressos nos primeiros balanços e estudos que são considerados história da historiografia no/do Brasil, entre 1870 e 1970. Desde Capistrano de Abreu, escrevendo o necrológio de Francisco Adolfo de Varnhagen, em 1878, e ultrapassando a análise da obra do visconde de Porto Seguro para chegar a um retrato do historiador ideal, até a produção do século XX, nas universidades e associações profissionais (Associação Nacional de História — Anpuh), procuramos analisar como os historiadores brasileiros definiram seu ofício, processo concomitante com sua historicização. Os textos de reflexão, os momentos em que os historiadores se dedicaram a pensar o passado de sua disciplina, seu tempo presente e suas necessidades e projetos para o futuro formam o cerne
    de nossas fontes aqui.
    A reflexão sobre o conceito moderno de história atravessa, entre as décadas de 1870 e 1970, as análises de muitos historiadores brasileiros. Em outras palavras, muito antes de a história dos conceitos de origem alemã fazer fama mundial, o tema, de forma direta ou indireta, era frequentado por aqueles que se dispunham a refletir sobre a história e/ou prática histórica. Não é casual, desse modo, que o texto “É a história uma ciência? Introdução à História da civilização de Bukle” de Pedro Lessa, publicado em 1900, tenha sido republicado pela Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1908, com o título “Reflexões sobre o conceito de história”. E, ainda, que em 1905 o primeiro parágrafo do prefácio de Rocha Pombo para seu livro História do Brasil, ilustrada chame-se: “A concepção moderna da história”.
    O conjunto de textos e fontes analisados não poderia, por certo, deixar de demonstrar a grande importância de José Honório Rodrigues para a história da historiografia brasileira. Nossa própria pesquisa partiu de sua identificação do que chama de “pioneiros” dessa história da historiografia ou, em suas palavras, de uma história da história. No entanto, o corpus que discutimos no livro também nos permite relativizar a ideia de “grandes nomes” nessa história, apresentando um debate difuso e complexo: desde a historiografia da crise do Império (década de 1870) e início da República até os debates na Anpuh a respeito do lugar da incorporação da história da historiografia e da teoria da história nos currículos, no início da década de 1970, quando o sistema universitário brasileiro é reestruturado a partir da Reforma Universitária, de 1968.
    Podemos até falar em certa autonomia adquirida pela história da historiografia a partir da década de 1970, quando aparecem obras monográficas dedicadas à análise da escrita da história, tais como as obras de José Roberto do Amaral Lapa, Maria Odila L. S. Dias, Nilo Odália, Maria de Lourdes Mônaco Janotti, Raquel Glezer, entre outros. No entanto, nossa argumentação pretende ir além de uma “formação” da história da historiografia brasileira, partindo do objeto dado no presente, nossa subdisciplina, e, assim como fizeram nossos antecessores, recriando uma tradição, em seus “momentos decisivos” e em suas principais figuras. O que se propõe aqui é deslocar e suplementar algumas dessas perspectivas ao optar por enfocar os problemas e as ambiguidades do conceito e da experiência moderna de história em suas interações entre a matriz europeia e sua fixação e apropriação no Brasil.
    O que salta aos olhos é um forte impulso e responsabilidade de rearticular essas ferramentas com as demandas mais imediatas e mais agudas do presente. Foi exatamente isso que boa parte dos historiadores aqui analisados fizeram e é exatamente isso que esperamos deste texto. Afinal, a reflexão sobre a história nunca esteve apartada de uma dimensão pedagógica e cidadã. Fica evidente, na análise de muitos textos, essa preocupação, historiadores assumindo que era preciso repensar a história, tornando-a pertinente para as próximas gerações.
    No primeiro capítulo, realizamos um esforço de pensar o conceito de historiografia em perspectiva transnacional. Com o auxílio da ferramenta Google NGram Viewer, sondamos a emergência do conceito (e/ou seus equivalentes) em alguns idiomas (inglês, espanhol, alemão, francês, entre outros), confrontando os achados com nossa pesquisa acerca do seu surgimento em português (idioma não contemplado na ferramenta do Google). A pesquisa nos permite refletir sobre a relação entre a emergência do conceito de historiografia e o período apontado por  Reinhardt Koselleck para o aparecimento do conceito moderno de história (1750-1850). Nossa pesquisa demonstra que adensamento global no uso do termo “historiografia” representou uma fase em que o conceito moderno de história ajuda a dar identidade para a cultura acadêmica universitária em história no século XX. O que procuramos mostrar é que o Brasil não é uma mera “periferia” desse processo; pelo contrário, demonstramos certa sincronicidade entre a cultura histórica especializada brasileira e as historiografias referentes aos países cujas línguas levamos em consideração. Pensar o lugar global da historiografia brasileira em finais do século XIX e início do século XX, considerando a diversidade linguística e as modulações do próprio conceito de história, se apresenta assim como a porta de entrada de um estudo que procura detalhar o processo de produção de uma cultura historiográfica especializada no século XX.
    O segundo capítulo expõe o início de nosso estudo sobre os momentos em que essa historiografia se voltou para si mesma.
    A partir de Capistrano de Abreu e o “Necrológio de Francisco Adolfo de Varnhagen” (1878), examinamos os textos de reflexão historiográfica tanto enquanto análises da historicidade de seus objetos como enquanto projeções das expectativas de seus autores acerca do que acreditavam ser, propriamente, a escrita da história (ou, de uma história “científica”). No contexto do final do século XIX e primeiras décadas do século XX, examinamos as diferentes possibilidades de se definir o autor de estudos históricos (cronista, historiógrafo, historiador), e as disputas e debates difusos em torno dessas definições, bem como a busca por antecessores e marcos inaugurais.
    O terceiro capítulo abre a reflexão sobre as mudanças trazidas pela universidade (como instituição e discurso) sobre a forma como os historiadores definiam seu ofício. Examinamos as perspectivas de atuação do historiador profissional a partir da década de 1930. É ponto pacífico que a universidade no Brasil seja um fenômeno tardio, não só porque os primeiros grandes centros surgem apenas na década de 1930, mas também porque o desenvolvimento de uma cultura historiográfica efetivamente ligada à universidade levou décadas para ocorrer. Por isso, o capítulo se propõe a investigar não exatamente como as condições concretas do conhecimento produzido na universidade apareceram na década de 1930, mas sim como alguns historiadores rotinizam o uso do conhecimento universitário e especializado como uma realidade linguística dotada de valor qualificativo e positivo. Complementando a análise, o quarto capítulo retoma a questão proposta em concurso do IHGB na década de 1840, “Como se deve escrever a história do Brasil?”, atualizando-a para o contexto pós-universidades. Procuramos trabalhar com alguns exemplos de história produzida no contexto da universidade atentando sobretudo para a dinâmica material e contingente: revistas, coleções, destinadas ao novo público (que em si também carregavam esse debate). Estudando o mercado editorial, acrescentamos a essa questão algumas ponderações sobre “para quem” e “sob que formatos” essa história seria escrita, e examinamos seus (autodeclarados) princípios ao estudarmos os primeiros manuais de escrita da história posteriores à articulação dos cursos superiores de história.
    As mudanças no Brasil pós-1964 e a Reforma Universitária de 1968 aparecem no quinto capítulo, dedicado ao exame dos debates sobre como inserir história da historiografia e teoria e metodologia da história nos currículos universitários, a partir, especialmente, da organização dos historiadores em torno da Associação Nacional de História (Anpuh). Assistimos e interrogamos a construção da “evidência disciplinar” de uma história da historiografia, que vai se consolidar com maior vigor a partir dos anos 1980. Por isso, discutimos, nas “Considerações finais”, a historiografia no período da redemocratização, bem como lançamos problematizações sobre a produção das últimas décadas. Destarte, esperamos acompanhar, criticamente, os percursos do conceito de historiografia à luz de sua apropriação (pois é anterior a esta) pela cultura universitária, como selo de distinção de uma produção em história particularmente sua (isto é, das universidades). Mais além, vemos esse conceito em suas relações com os projetos e as vivências de uma modernidade brasileira, seu uso como forma de olhar o passado da disciplina à luz das questões que o presente do país permanentemente coloca a seus historiadores.
    Para que este livro chegasse às mãos dos leitores, foi preciso que um evento existisse: o Seminário Brasileiro de História da Historiografia. Foi no espaço desse evento, até então só realizado em Mariana desde 2007, que os três autores se conheceram e entraram na aventura de um trabalho coletivo e colaborativo.
    Pensar com o colega foi o maior desafio. Mas foi, também, uma postura ética e política de questionar o narcisismo que está articulado com a ideia de autoria. Os textos foram assim produzidos em camadas, de modo que a autoria individual foi se diluindo até que esse sentido  praticamente se dissipasse.
    Desse modo, o projeto deste livro nasceu dos encontros realizados pelo Núcleo de História da Historiografia e Modernidade (Nehm-Ufop) desde 2007. Utilizamos como matéria-prima para o livro textos anteriores nossos (individuais e coletivos), bem como ideias inéditas, para tentar produzir uma reflexão, como já afirmamos, que tem como público-alvo o estudante de graduação em seus primeiros passos no “mundo” da história da historiografia. Em alguns capítulos, por essa preocupação didática, repetimos alguns argumentos e blibliografia para que os
    mesmos possam também ser utilizados e lidos com certa autonomia.
    Ainda assim, desejamos que todos possam ler todo o livro para compreender de forma global nossas teses centrais que estão articuladas no encadeamento entre os capítulos.

     

    Confira alguns eventos de lançamentos da obra:

    5/10/2018 | Livraria FGV - Rio de Janeiro 

     

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