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  • Postado por editora em em 20/03/2020 - 15:23

         Baseados em experiências americanas, como o Central Park Conservancy (CPC) e o Friends of the High Line, ambas em Nova Iorque, parcerias ocorridas no Afeganistão e a atuação da ONG Comunitas, de São Paulo, entre outros exemplos, os professores da Universidade de Columbia, Howard Warren Buffett e William Eimicke, apresentam as inúmeras perspectivas e resultados de parcerias entre setores público e privado.

         As abordagens apresentadas em Investindo em valor social: gerando valor social com investimentos, publicada pela FGV Editora, partem da visão pregada em sala de aula pelos autores, que em seus cursos de gestão pública eficaz, inovação e filantropia, descrevem, com frequência, parcerias entre setores como um caminho mais eficaz para aten­der o interesse público.

         De acordo com os autores, “A visão tradicional de como as sociedades gerenciam a si mesmas está mudan­do. O governo, por si, não tem conseguido cuidar das responsabilidades e dos custos crescentes dos problemas que enfrenta no mundo moderno: segurança pública, bem-estar social, relações internacionais, geração de empregos, mo­radias, energia, proteção ambiental, transportes, exploração espacial, pesquisa científica, justiça, e daí por diante. Além disso, a maioria dos indivíduos e das comunidades locais não quer que esses problemas importantes sejam tratados sem que eles sejam ouvidos, por mais bem-intencionado que seja o governo”.

         A obra aponta que há soluções mesmo nas condições atuais do Brasil e apresenta melhores práticas em formação de parcerias, como: definir melhor objetivos e estabelecer cronogramas, calcular benefícios esperados e, talvez mais importante, a forma de envolver a sociedade civil na busca de novas e inovadoras soluções para o país.

         Publicado em boa hora no Brasil, o livro pretende ajudar na reflexão que governo, setor privado, setor filantrópico e entidades da socie­dade civil podem sim somar forças para lidar com problemas que parecem ser insuperáveis, tais como saúde, segurança, pobreza rural e infraestrutura.

     

    Confira os comentários sobre a obra, a mensagem de Warren Buffett na íntegra e a introducação dos autores.

    “Investindo em valor social” oferece um argumento persuasivo e um arcabouço prático para o modo como a colaboração entre a filantropia, os governos e o setor privado pode levar soluções duradouras para os maiores desafios do mundo”. Bill Gates

    “O segredo do sucesso muitas vezes envolve o reconhecimento do poder das parcerias. Investindo em valor social mostra como se pode obter retornos extraordinários quando governos, empresas, organizações sem fins lucrativos e cidadãos se unem para trabalhar juntos”. Michael Bloomberg

    “Baseado numa abordagem fundamentada em pesquisas e em testes, que servirá de alicerce para a construção de parcerias. Ao aprender com as estratégias buscadas nessas histórias, você descobrirá exatamente por que sou tão esperançoso quanto ao futuro. Você apreciará este livro, e aposto que também será inspirado por sua mensagem de otimismo e de ação”. Warren Buffett

     

    Uma mensagem de otimismo
    WARREN E. BUFFETT

    Sou otimista, um otimista muito realista. Você pode perceber isso lendo os relatórios anuais da Berkshire e os artigos de opinião que escrevi ao longo dos anos. Para começar, acredito que os padrões de vida no mundo continuarão a melhorar muito no futuro, como vêm melhorando nos Estados Unidos desde que nossos antepassados descobriram o molho secreto do país.
    Os Estados Unidos estiveram à frente com um sistema inovador de mercado baseado num estado de direito e na igualdade de oportunidades. Essa combinação trouxe um crescimento incrível durante a minha vida — o PIB real per capita aumentou seis vezes desde meu nascimento em 1930. E nossa economia continuará a beneficiar-se de uma liberação constante de potencial humano.
    Nunca isso é tão evidente quanto quando encontro alunos universitários. Todo ano, grupos de 40 faculdades e universidades visitam-me em Omaha para falar do mundo que herdarão e melhorarão. Minha mensagem é sempre a mesma: apesar de dificuldades que enfrentemos, confio que nossos netos viverão num mundo com muito mais abundância do que temos hoje. Depois de nossas conversas, sempre saio me sentindo ainda mais otimista quanto ao futuro.
    Para alunos como esses, este livro será um recurso útil. Ele se baseia numa abordagem bem pesquisada e bem testada, que servirá de arcabouço para a construção de parcerias. À medida que você for aprendendo com as estratégias buscadas nas histórias a seguir, você entenderá por que tenho tantas esperanças para o futuro. Você vai gostar deste livro, e aposto que também será inspirado por sua mensagem de otimismo e de ação.
     

     

    Introdução
    HOWARD W. BUFFETT E WILLIAM B. EIMICKE

    No meio de Nova York há um espaço verde, vasto e aberto — algo que faz parte da essência de Manhattan tanto quanto a silhueta de seus arranha-céus. Todo ano o Central Park recebe mais de 40 milhões de visitantes do mundo inteiro. Muitos enxergam nele um parque de projeto paisagístico perfeito, com manutenção imaculada. Porém, não muito tempo atrás, ele era uma das áreas mais perigosas daquilo que era então a capital dos homicídios dos Estados Unidos. Nos filmes populares — Forasteiros em Nova York, Noivo neurótico, noiva nervosa, Seis graus de separação — o Central Park simbolizava o motivo de pouca gente querer viver em Nova York, de os europeus serem aconselhados a não visitar a cidade, e de nenhum nova-iorquino safo se aventurar a sair depois que escurecia.

    O que mudou? Nas décadas de 1980 e de 1990, a comunidade em torno mobilizou-se para criar a Central Park Conservancy (CPC), recrutou centenas de voluntários, obteve milhões de dólares de apoio, contratou líderes e funcionários qualificados e apaixonados, e fez uma parceria com a prefeitura para gerir o parque como se fosse seu. O governo da cidade* ainda é dono do parque, e ele está aberto a todos de graça — mas a CPC o gere e levanta o dinheiro para pagar a maior parte de seus custos operacionais e de capital. Foi uma abordagem incomum na época, mas esse tipo de parceria criativa entre setores está se tornando cada vez mais comum. Ela não aconteceu da noite para o dia, e demandou uma liderança constante, incansável e visionária dos membros da CPC e do governo da cidade. Por melhor que seja essa abordagem, os parceiros ainda estão tentando melhorá-la — e estão ajudando outros parques ao redor do mundo a replicar seu sucesso. 

    A algumas quadras dali, em Chelsea, perto de Hell’s Kitchen, bairro que já teve péssima fama e já foi muito perigoso, há um parque construído sobre os trilhos abandonados de uma linha aérea de trem de carga que outrora transportava carne. Uma organização comunitária bem organizada com líderes inspirados convenceu a cidade a não demolir os trilhos, e, juntos, comunidade e prefeitura construíram um belo parque com vistas panorâmicas que atrai quase 8 milhões de visitantes por ano. Assim como a CPC, a organização sem fins lucrativos Friends of the High Line cuida do parque para a cidade, e levanta fundos de doadores para cobrir a maioria dos custos operacionais, bastante consideráveis.

    A Central Park Conservancy e a Friends of the High Line são excelentes exemplos de parcerias entre setores: colaborações voluntárias entre organizações dos setores público, privado, ou filantrópico que realizam objetivos acordados mutuamente. Hoje, parcerias oferecem bens e serviços de maneira mais eficiente e mais eficaz, e com maior benefício para a sociedade, do que uma organização jamais poderia fazer sozinha. Os dois parques também mostram como as parcerias entre setores diferentes — nesses casos, organizações sem fins lucrativos em parceria com o governo — com frequência conseguem superar as limitações que constrangem organizações num setor isolado. As organizações do setor privado também trazem contribuições específicas para as parcerias, em geral obtendo resultados melhores para programas que beneficiam o público, para além de seu propósito lucrativo.

    Na School of International and Public Affairs da Columbia University, onde damos aula, exploramos parcerias entre setores como estudos de caso. Nossos alunos de pós-graduação são incrivelmente inteligentes e diversos; nossos ex-alunos espalham-se por mais de 150 países, e têm currículos profissionais em organizações governamentais, lucrativas e filantrópicas. Porém, todos unem-se em torno do objetivo comum de aprimorar a sociedade. Em nossos cursos de gestão pública eficaz, de inovação e de filantropia, com frequência descrevemos parcerias entre setores como um caminho mais eficaz para atender o interesse público. Do inovador parque urbano High Line no coração de Nova York aos muitos outros exemplos deste livro — a transformação digital dos serviços governamentais na Índia, as revitalizações econômicas e agrícolas no Afeganistão, e daí por diante —, organizações de todos os três setores estão se unindo de maneiras diferentes para atingir os objetivos de suas organizações individuais e servir o bem maior.

    POR QUE PRECISAMOS DE PARCERIAS?
    A visão tradicional de como as sociedades gerenciam a si mesmas está mudando. O governo, por si, não tem conseguido cuidar das responsabilidades e dos custos crescentes dos problemas que enfrenta no mundo moderno: segurança pública, bem-estar social, relações internacionais, geração de empregos, moradias, energia, proteção ambiental, transportes, exploração espacial, pesquisa científica, justiça, e daí por diante. Além disso, a maioria dos indivíduos e das comunidades locais não quer que esses problemas importantes sejam tratados sem que eles sejam ouvidos, por mais bem-intencionado que seja o governo. Geralmente, uma comunidade terá melhores soluções cotidianas do que as autoridades, desde seus pontos de observação na prefeitura, ou longe na capital.

    A descentralização das decisões governamentais no nível local pode ajudar, mas as decisões econômicas são cada vez mais influenciadas por desenvolvimentos globais, os quais têm implicações tanto positivas quanto negativas. Do lado bom, a globalização melhorou as vidas de bilhões de pessoas no mundo todo, e grande parte desse benefício foi possibilitado por organizações com parcerias que atravessam setores e fronteiras nacionais. Ao mesmo tempo, a globalização contribuiu para a crise financeira de 2008 e para seu duradouro rescaldo: proprietários de imóveis deslocados, contas de aposentadoria esvaziadas, acesso limitado a financiamentos e desemprego estrutural.

    Até agora, a globalização parece ter reduzido a desigualdade em muitos países e exacerbado-a em outros. As inovações e as eficiências possibilitadas pela globalização também criaram um futuro incerto para muitos trabalhadores no mundo inteiro. Por exemplo, a era vindoura da automação poderia funcionar como uma segunda revolução industrial nas décadas a seguir, com o potencial de aumentar significativamente a eficiência e a conveniência. Simultaneamente, milhões de trabalhadores podem ser substituídos por robôs, piorando níveis já perigosos de desigualdade.

    Como discutimos no capítulo 1, o governo costumava ser o líder na resposta a grandes desafios na sociedade, como a pobreza durante a Grande Depressão. No mundo de hoje, porém, as burocracias governamentais parecem lentas, rígidas, desajeitadas, e muitas vezes são paralisadas por conflitos e impasses partidários. Pessoas demais em nosso país (e no mundo inteiro) estão subempregadas, prejudicadas e frustradas. O plebiscito do Brexit na Grã-Bretanha e a eleição presidencial de 2016 refletem o pessimismo dos eleitores da classe trabalhadora e de renda média, não apenas quanto a seu futuro, mas também quanto às perspectivas para seus filhos e netos.

    Muitas pessoas ao redor do mundo acreditam que nossos desafios são grandes demais e complexos demais para serem resolvidos. Esses desafios não serão resolvidos por nenhum país, organização, ou mesmo setor individuais, mas mesmo assim existem soluções para esses desafios. Líderes de organizações de todos os tipos vêm desenvolvendo novas estratégias e juntando-se para enfrentar os problemas mais arraigados e intratáveis do nosso mundo atual — progresso esse bem documentado no livro The great surge, do economista Steven Radelet. Somente nas últimas décadas, a pobreza extrema diminuiu pela metade, bilhões de pessoas passaram a ter acesso a água potável, e a mortalidade de crianças com menos de cinco anos caiu quase 60%.11 Sem dúvida, um progresso incrível, mas muito mais é necessário.

    Nos capítulos seguintes, você lerá a respeito de como parcerias intersetoriais estão se tornando o método mais eficaz para realizar o bem público em larga escala no século XXI — melhorando dramaticamente programas ao compartilhar responsabilidades que os governos, sozinhos, não suportam. Porém, a implementação dessas novas abordagens exige inovação sem precedentes, inclusividade e soluções sustentáveis, e elas só terão sucesso caso se concentrem em criar valor para todos os envolvidos.

    MUDANÇAS NO HORIZONTE
    Grandes alterações nas características de nossas populações, de seus valores e da distribuição de riqueza estão acontecendo à nossa volta. Por exemplo, a geração do baby boom foi superada em tamanho e em influência pela dos millenials. Ao mesmo tempo, espera-se que cerca de US$ 60 trilhões de riqueza global mudem de mãos nos próximos 50 anos, e 86% dos futuros herdeiros estão interessados em investimentos sustentáveis — incluindo ações ou avanços, por parte das empresas, que melhoram a sociedade. Segundo Deloitte, 2013 marcou o primeiro ano em que os millennials começaram a determinar que o objetivo primário das empresas era gerar valor social — não gerar lucros. Apenas entre 2012 e 2014, o investimento socialmente responsável aumentou mais de 76%, e, em 2016, constituiu mais de um entre cada quatro dólares investidos por gestores profissionais. Um estudo do Pew Research Center verificou que 84% dos millennials afirmam que fazer uma diferença positiva no mundo é mais importante para eles do que o reconhecimento profissional. O que esses números indicam não é uma tendência temporária ou passageira, mas uma mudança de paradigma em como a sociedade valora a si própria — o valor sendo definido pelo propósito e não por uma marcha incansável na direção do lucro.

    A crise crescente da desigualdade econômica nos Estados Unidos é para alguns um claro exemplo de “sucesso” — mas que possivelmente está se tornando desastrosa para todos nós. Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel, concorda, dizendo que a solução real para a crise da desigualdade é concentrar-se na comunidade e não no interesse individual:

                 De fato, somos uma comunidade, e todas as comunidades ajudam aqueles que são menos afortunados em seu meio. Se nosso sistema econômico produz tantas pessoas sem          empregos, ou pessoas com empregos que não proporcionam o rendimento mínimo para se viver, pessoas que dependem do governo para alimentar-se, isso significa que nosso sistema econômico não funcionou como deveria.

     

    COMO PODEMOS OBTER RESULTADOS MELHORES PARA TODOS?
    A fim de estar à altura de nosso potencial coletivo de resolver esses complexos desafios, acreditamos que um valor nuclear de compartilhamento de sucesso — entre organizações, indivíduos, comunidades locais e nosso ambiente — permitirá à sociedade transformar a maneira como define e realiza seus objetivos. O professor Stiglitz esboçou políticas que poderiam aumentar o crescimento e a igualdade econômica, criando aquilo que ele chama de “prosperidade compartilhada”. Concordamos que a sociedade consegue fazer melhor, e de maneiras nem sempre notadas já estamos realizando grandes coisas, frequentemente por meio de colaborações novas e empolgantes. É este, de fato, o tema deste livro. Discutimos o quanto é importante que os parceiros estabeleçam objetivos claros e mutuamente benéficos, concordem a respeito de medidas de desempenho apropriadas e factíveis, unam aqueles que conseguem fazer o serviço, identifiquem lugares que querem ajuda e precisam dela, e implementem processos que levarão ao sucesso.

    A tecnologia e a inovação, por si, não nos farão progredir. O economista Robert Gordon atraiu muita atenção para sua teoria de que a taxa de inovação está diminuindo dramaticamente, e, portanto, devem-se baixar as expectativas para o aprimoramento futuro da raça humana. Mesmo que a taxa de inovação diminua, ainda podemos melhorar substancialmente nossas sociedades por meio de um gerenciamento centrado no desempenho. Boas mensurações de sucesso podem afetar dramaticamente nossos resultados. Como escreveu Drucker no começo da década de 1970, “cabe a esta geração de gerentes fazer com que as instituições da sociedade de organizações, começando com a empresa comercial, atuem em prol da sociedade e da economia; em prol da comunidade; e em prol também do indivíduo”.

    Aquilo que Drucker dizia 40 anos atrás é semelhante àquilo que os millennials dizem hoje: as empresas privadas devem ganhar dinheiro e fazer o bem ao mesmo tempo. Drucker também defendia a colaboração intersetorial com o setor sem fins lucrativos para tornar o mundo um lugar melhor. Ao longo das últimas décadas, o número e a influência das organizações não governamentais (ONGs), incluindo agências de assistência sem fins lucrativos, organizações comunitárias, fundações e organizações de advocacy, aumentaram quase exponencialmente na maioria dos países ao redor do mundo. De pequenas associações de bairro a megafundações e a organizações de serviço globais, esses grupos estão alimentando os famintos, abrigando os sem-teto, curando os doentes, ensinando as crianças e promovendo a sustentabilidade. Em muitos casos, quando as iniciativas filantrópicas se ampliam, são feitas em parceria com o governo.
    Esforços cooperativos como esses não são um fenômeno do século XXI. Há séculos os governos contratam organizações com fins lucrativos e sem fins lucrativos para concluir projetos, fornecer bens e prover serviços. O que distingue os modelos de parceria atuais e futuros são os motivos pelas quais as partes se unem, a maneira colaborativa com que projetam e implementam seus acordos, e como medem o sucesso individual e coletivo.

    O INVESTIMENTO EM VALOR SOCIAL PODE AJUDAR A PRODUZIR RESULTADOS MELHORES
    Uma mensagem importante deste livro é que devemos ser mais inteligentes em nossas tentativas de fazer do mundo um lugar melhor. “Estar indo bem não nos dispensa de tentar melhorar”, e, ao longo deste livro, exploramos novas maneiras de agregar ou de aumentar o valor para a sociedade melhorando-se a gestão, o planejamento e a mensuração de desempenho. Não somos os primeiros a tentar ser mais analíticos quanto aos efeitos de nossos investimentos públicos ou filantrópicos, e esperamos contribuir para este campo de rápido desenvolvimento. Argumentamos que parcerias que combinam as forças de múltiplos setores — governo, empresas e filantropia — podem render o maior benefício público, especialmente quando estruturadas com integridade e inclusão.

    Este livro apresenta um arcabouço para criar valor social cujo modelo vem de um dos paradigmas de investimento de maior sucesso na história: o investimento em valor. Assim como o investimento em valor, o investimento em valor social emprega uma estratégia de investimento de longo prazo que tenta destravar o valor oculto ou intrínseco, e concentra-se na gestão eficaz por meio de uma abordagem de cinco elementos: processo, pessoas, lugar, portfólio, e desempenho.

    No capítulo 2, apresentamos este arcabouço e descrevemos suas origens, sua história e seu desenvolvimento. Os capítulos que se seguem apresentam estudos de caso de parcerias intersetoriais, cada uma das quais exemplificando um dos cinco elementos do arcabouço. Esses casos são pareados com uma análise e com as bases teóricas de cada elemento. Em todos os casos, excetuando um, as parcerias que descrevemos foram desenvolvidas de modo independente e sem conhecimento da abordagem de investimento em valor social. Se não são necessariamente uma adaptação perfeita do arcabouço, acreditamos que essa independência reforça a validade da ampla aplicabilidade do modelo.

    Esse novo arcabouço de gestão começa com o primeiro elemento: a necessidade de um processo eficaz que estruture parcerias bem-sucedidas entre organizações. Isso é especialmente importante em situações complexas que exigem ação coordenada e programas abrangentes. Os parceiros precisam desenvolver uma abordagem plenamente integrada, dependente de organizações de vários setores, para desenvolver soluções que permanecerão além de seus investimentos iniciais. A fim de ilustrar esse elemento, no capítulo 3 apresentamos uma alternativa na Índia projetada para incentivar o crescimento econômico e as oportunidades por meio de uma parceria liderada pelo governo nacional. A iniciativa fornece identificação biométrica oficial para 1,3 bilhão de residentes do país, resultando numa distribuição mais eficiente, eficaz e honesta de benefícios financiados publicamente. Esses programas também facilitam a poupança, o investimento e a geração de empregos, e elevam o padrão de vida para famílias de baixa renda. Dando seguimento a esse caso, no capítulo 4 detalhamos o primeiro elemento e tiramos exemplos das parcerias na Índia.

    Nos capítulos 5 e 6 discutimos como as parcerias intersetoriais dependem de pessoas, as quais são seus mais importantes ativos. Os líderes devem montar equipes de capital humano diverso e trabalhar com outros líderes de maneira colaborativa, sustentada e descentralizada. A fim de entender como isso pode funcionar bem no mundo real, consideramos a liderança da Central Park Conservancy e a rede de parceiros que criou a High Line. Hoje a CPC estabelece parcerias com outras conservancies em cidades dos Estados Unidos para trazer recursos e conhecimento privado para o gerenciamento de espaços públicos. A CPC trabalhou com a Universidade de Colúmbia e com outras universidades para projetar e implementar programas de treinamento e de certificação para gestores de parques urbanos — incentivando a próxima geração de líderes, que ajudará a trazer as melhores práticas da CPC para parques do mundo inteiro.

    Nos capítulos 7 e 8, ilustramos como parcerias bem-sucedidas empoderam constituintes enquanto coproprietários de resultados usando uma estratégia baseada no lugar e uma mentalidade de planejamento cooperativo. Isso enfatiza a importância de projetar, operar e implementar os esforços de uma parceria tendo em vista objetivos desenvolvidos pelas partes interessadas. A fim de avaliar melhor as oportunidades e os desafios de aplicar esse elemento, exploramos uma parceria intersetorial para o fortalecimento da economia rural no Afeganistão ocidental apesar de décadas de conflito.

    Nos capítulos 9 e 10, discutimos maneiras como parceiros de setores distintos podem coinvestir seus recursos num portfólio para diversificar o risco e obter maior impacto. A fim de ilustrar esse aspecto do investimento em valor social, descrevemos o trabalho de uma ONG inovadora, composta de líderes do setor privado no Brasil, chamada Comunitas. Esses líderes criaram um programa chamado Juntos, que une o conhecimento empresarial e as finanças, doadores filantrópicos e a equipe da Comunitas numa parceria com prefeituras interessadas para aumentar a eficiência e a eficácia de programas governamentais selecionados em conjunto — tudo em colaboração direta com os habitantes locais.

    Por fim, nos capítulos 11 e 12, discutimos o quinto elemento do investimento em valor social, que se volta para a projeção e para a mensuração do desempenho a fim de entender o valor intrínseco que um programa ou uma parceria pode criar para a sociedade. Documentamos como o ex-prefeito Michael Bloomberg, de Nova York, usou parcerias baseadas em desempenho para revolucionar a segurança pública, salvando vidas e propriedades, e aumentando dramaticamente a qualidade de vida na cidade. Então apresentamos uma fórmula que pode ajudar parceiros — seja no setor público, privado, ou filantrópico — a comparar o impacto social positivo previsto de diferentes programas que servem o bem público. Ao levar em conta variáveis-chave e um objetivo mensurável de impacto social (em áreas como segurança contra incêndios, energia renovável, ou a pequena agricultura), os parceiros podem calcular uma taxa de retorno de impacto por dólar gasto. Capacitar os parceiros para comparar programas similares que visam produzir resultados positivos significa que eles podem determinar quais opções trarão o maior benefício para a sociedade. A fórmula é um ponto de partida e um passo importante para uma metodologia acessível e robusta de mensuração de parcerias intersetoriais.

    Acreditamos que todo o potencial do arcabouço de gestão de processo, pessoas, lugar, portfólio e desempenho pode realizar-se quando aplicado por meio de parcerias intersetoriais. Nossos estudos de caso e suas análises ilustram como os talentos e os recursos de um parceiro podem complementar os outros e ampliar o impacto social positivo, além da eficiência de uma empreitada.

    Porém, nem todas as parcerias têm sucesso. No capítulo 13, exploramos a história admonitória dos complexos investimentos público-privados para as Olimpíadas de Verão de 2016 no Rio de Janeiro. Esse capítulo examina as parcerias capitaneadas pelo governo para revitalizar a área portuária e o sistema de transporte público da cidade, dilapidados. Nesse caso, vários elementos do arcabouço ficaram faltando, e os resultados foram desiguais: veio a corrupção, algumas partes interessadas perderam direitos, e muitas instalações olímpicas foram praticamente abandonadas ou viraram ruínas.

    COMO CHEGAMOS AQUI E POR QUE ISSO IMPORTA?
    O modelo moderno de parceria intersetorial desenvolveu-se ao longo de quase um século de experimentações no envolvimento do governo com os setores privado e filantrópico, começando com os programas do New Deal capitaneados pelo presidente Franklin D. Roosevelt. A Grande Depressão deixou na pobreza milhões de famílias que anteriormente se sustentavam, e somente as agências governamentais tinham o tamanho, o escopo, o poder e a liderança para associar-se a empresas privadas e a organizações de caridade para aliviar sua pobreza. Enquanto muitos países deterioraram, caindo na anarquia e na ditadura, o governo americano fez com que empresas privadas e organizações de caridade trabalhassem juntas para a recuperação. A Segunda Guerra Mundial aumentou a autoridade do governo para “liderar” seus parceiros privados e para atender a demanda de armas e de provisões para todas as Forças Aliadas. Porém, as décadas resultantes de parcerias capitaneadas pelo governo incharam o setor público, e a confiança do público na capacidade de realizar trabalhos importantes de maneira eficiente foi perdida.
    Seguiu-se o movimento de privatização. Ronald Reagan e Margaret Thatcher lideraram o crescente tsunami antigovernamental, e seguiram-se os projetos públicos com gestão privada. Muitos desses programas andavam mais rápido, custavam menos ao governo e produziam resultados visíveis. Porém, a privatização tinha suas próprias limitações, incluindo um foco predominante em lucros de curto prazo, deixando de lado outras considerações importantes, licitantes que exageraram seus resultados e fornecedores que evitaram trabalhar duro para alcançar comunidades e eleitores (que muitas vezes tinham a maior necessidade). Alguns estudiosos afirmam que em certos casos a privatização simplesmente substituiu um monopólio público ineficiente por um monopólio privado, oferecendo aos consumidores pouco mais a preço maior.

    O fenômeno de reinvenção do governo da década de 1990 concentrou-se em melhorar como o governo funciona, e não em substituí-lo por empresas privadas. Essa reinvenção incluiu alguma descentralização da tomada de decisões, maior participação comunitária e novos contratos com organizações sem fins lucrativos para entrega de serviços. Sob muitos aspectos, ela preparou o cenário para a ascensão das parcerias intersetoriais ao ressaltar as relações de sucesso entre governos e organizações comunitárias, assim como colaborações entre órgãos federais, estaduais e municipais, e, ocasionalmente, empresas privadas. Porém, a reinvenção também reforçou a ideia hoje antiquada de que o governo deveria ser a única fonte de novas ideias de políticas, de desenvolvimento de programas, e ser o arquiteto das mensurações do sucesso. A reinvenção também não antecipou o crescimento substancial no financiamento e nas soluções inovadoras de políticas sociais e públicas que viriam do setor filantrópico no século XXI.

    Hoje, grandes fundações e organizações sem fins lucrativos lideram parcerias com a disposição de oferecer capital sem custo e a baixo custo a longo prazo, e com um fogo aguçado em impacto social mensurável. Aqui também existem desafios, como discutiremos, e aquilo que essas organizações percebem como valor social desejado pode diferir daquilo que querem as partes interessadas de cada comunidade.

    ≈≈≈

    Para resolver muitos dos mais importantes desafios que hoje enfrentamos — seja a desigualdade desestabilizadora, a queda no número de empregos com um salário suficiente para se viver, solos degradados e produção alimentar, a mudança climática nociva, ou uma carência de escolas e de moradias acessíveis e de qualidade para todos —, temos de trabalhar em parceria. Isso porque nenhum setor isolado, agindo sozinho, está devidamente equipado para projetar as abordagens de longo prazo necessárias, para empregar as vastas quantidades de capital necessárias e para catalisar um programa de desenvolvimento liderado pelas comunidades.
    As parcerias têm o potencial de maximizar os atributos positivos de cada setor ao mesmo tempo que minimizam suas fraquezas. As parcerias que limparam o Central Park e criaram a High Line, entre outras que discutimos em maiores detalhes, nos oferecem exemplos úteis de parcerias intersetoriais que produziram um valor social maior do que um setor conseguiria sozinho. Ao mesmo tempo, nesses casos e nos outros que discutimos, é fácil ver que pode ser difícil formar e manter parcerias de sucesso.

    A CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO MELHOR LEVARÁ TEMPO
    Os problemas fundamentais da fome, da pobreza e da desigualdade não podem ser resolvidos com abordagens de curto prazo. Progresso significativo para a transformação do mundo num lugar melhor para todos exige estratégias de longo prazo e arcabouços de gestão mensurados por quão bem compartilhamos o sucesso. Muitos dos nossos maiores problemas, aqueles que mais valem a pena resolver, podem não ser resolvidos em nossa vida — mas eles podem ser resolvidos.

    Será necessário investimento em todo tipo de gente para estimular sua capacidade de ter sucesso. Serão necessários processos ponderados, contextualmente apropriados, que alinham os objetivos das organizações com necessidades locais e globais. Isso significará investir tempo e recursos em comunidades de maneiras que transformam beneficiários em acionistas de seus resultados. E significará aplicar a mensuração e os sistemas de desempenho corretos, a fim de investir em oportunidades que têm o maior valor intrínseco para a sociedade.

    ≈≈≈

    Vivemos num mundo pós-recessivo, globalizado, colaborativo, jovem, hiperconectado. Hoje, mais do que em qualquer época anterior, temos as ferramentas, a ciência, as melhores práticas, a energia e a motivação para produzir mudanças positivas em escala global. Muitos de nós — de baby boomers a millennials — acreditamos que nossa nova realidade apresenta desafios, mas que temos o conhecimento, a tecnologia, os recursos e novas maneiras de nos organizamos para atender nossas necessidades com mais eficiência e equidade. Como autores, representamos um desses dois grupos muito grandes e influentes, e compartilhamos a forte convicção de que de fato podemos melhorar dramaticamente nosso mundo. Acreditamos que isso começa pela união e pela redefinição do sucesso. Nossa esperança é que as gerações futuras se concentrarão menos em definições tradicionais como riqueza, poder, ou fama, e estarão igualmente ou mais interessadas em causar um impacto positivo em suas comunidades — tanto local quanto globalmente.
    Desenvolvemos estas observações ao longo de uma década de pesquisas, de estudos, de ensino e de trabalho com parcerias intersetoriais ao redor do mundo. Esperamos que este livro inspire o leitor a aprender como, pelo trabalho em conjunto, podemos fazer do mundo um lugar melhor.

    Investindo em valor social: gerando valor social com investimentos

     

     

  • Postado por editora em em 02/03/2020 - 11:22

    Durante cinco décadas, a pesquisadora americana Janice Perlman conviveu e pesquisou a vida e o cotidiano de moradores de favelas do Rio de Janeiro.

    Em 1976, lançou o livro O mito da marginalidade baseado em entrevistas colhidas entre mais de 700 moradores de favelas - durante o período em que morou nas comunidades cariocas - obra que ainda é considerada uma das mais importantes sobre o tema.

    Após esta publicação, Janice retornou ao Rio de Janeiro e deu continuidade à sua pesquisa, revistando os lugares e as pessoas que fizeram parte dos seus primeiros estudos.

    Mesmo com o desaparecimento da favela da Catacumba, que fez parte da primeira narrativa e foi demolida em 1970, e com a dificuldade de localizar todos os entrevistados entre os anos de 1968-69, a autora conseguiu dar continuidade às investigações, colhendo testemunhos de quase 2.500 pessoas até o ano de 2008, e nos apresenta um panorama das transformações da vida das favelas cariocas em quatro décadas.

    Favela: quarenta anos de transformações no Rio de Janeiro, obra publicada originalmente em inglês pela Oxford University Press, e agora traduzida pela Editora FGV, narra as vidas e os destinos de centenas de residentes de favelas encontrados em seu livro seminal, comparando-os com as vidas de seus pais, de seus filhos e de seus netos.

    De acordo com a autora, “as histórias de vida em que se baseia este livro cobrem todo o século XX e primeira década do século XXI. As pessoas mais idosas que entrevistei nasceram em 1903, o que significa que tinham 65 anos quando comecei o estudo – o limite superior para inclusão. As mais novas tinham 16 anos quando o estudo se iniciou – o limite mais baixo para inclusão.”

    Fernando Henrique Cardoso, que assina apresentação desta edição em português, resume a obra da seguinte forma: “Uma vívida lição de história, uma coletânea de pitorescas experiências humanas e sociais, Favela é leitura essencial para estudiosos, líderes civis, formuladores de políticas e para todos os interessados em compreender os desafios prementes do desenvolvimento e da política urbanos.”

    Trata-se de uma crônica da tentativa de pessoas excluídas para reclamar seus direitos – de sua luta para serem percebidas como gente – a serem tratadas com respeito e reconhecidas em sua dignidade humana.

    Uma amostragem que reflete as experiências de cerca de 3 milhões de pessoas (ou mais) que vivem no setor informal (assentamentos precários ou loteamentos clandestinos) no Rio de Janeiro e de um bilhão de indivíduos vivendo no setor informal na América Latina, na Ásia e na África.  A obra, que será publicada primeiramente em formato digital, terá um lançamento especial com a presença da autora num bate-papo com o historiador Paulo Knauss, a jornalista Flavia Oliveira e o director do IPP, Mauro Osório.

    O evento de lançamento do ebook será marcado por um bate-papo da autora sobre as transformações ocorridas nas favelas cariocas com a participação da jornalista Flávia Oliveira, do historiador Paulo Knauss e do economista Mauro Osorio.

    No Instituto Pereira Passos, dia 4 de março, às 18h.

     

    Inscreva-se AQUI

     

     

  • Postado por editora em em 02/12/2019 - 14:43

    Ao longo dos anos, a imprensa apresentou fatos e acontecimentos que permitem, hoje, entender o que ocorreu e o que ocorre em nossa sociedade.

    A análise da historiadora e pesquisadora associada do FGV/CPDOC Alzira Alves de Abreu sobre a atividade jornalística no período que vai dos anos 1920 até o final dos anos 1970 deu origem à obra Acontecimentos políticos brasileiros pela ótica da imprensa.

    A partir do episódio das “cartas falsas”, publicadas pelo jornal Correio da Manhã, em 1921, a autora examina o papel que a imprensa exerceu nesse episódio e permite entender algumas das características que marcaram a atuação dos jornais nos anos 1920 e as mudanças que eles sofreram ao longo das décadas seguintes.

    Seguem análises sobre a atividade da imprensa nos anos do Estado Novo, no período Vargas, no governo de Juscelino Kubitschek, bem como sobre a construção de Brasília, continuando com a cobertura da queda do governo de João Goulart, do regime autoritário instalado em 1964 e como a imprensa foi usada para enaltecer o papel dos militares e, finalmente, uma análise da cobertura jornalística durante o governo Geisel.

    Alzira ainda procura explicar a ausência de estudos sobre o papel da mídia nas crises políticas e nos acontecimentos que marcaram a história brasileira e pretende, com esta obra, ajudar a reconstituir não só os acontecimentos e as crises políticas como nos levar a entender as transformações que ocorreram nesse período na imprensa e na formação dos jornalistas.

     

    Acontecimentos políticos brasileiros pela ótica da imprensa será lançado dia 10 de dezembro, às 17h, na Livraria FGV do Rio de Janeiro, com venda exclusiva no evento. A partir do dia 11/12 estará disponível também em nosso site.

     

  • Postado por editora em em 25/11/2019 - 15:57

    Após a I Guerra Mundial (1914-1918), o período convencionado como belle époque (1898-1914) ficara para trás, e os loucos anos 1920 despontavam com provocações e enfrentamentos inéditos.

    A imprensa periódica se afirmava como lugar privilegiado de construção de um mundo em ebulição. Instrumento crucial de comunicação, entretenimento e informação, as revistas de variedades ofereciam espaço privilegiado para que a caricatura registrasse uma gama variada de temas que parecem pertencer aos anos 2020: relações de gênero, feminismo, machismo, moda, androgenia, obsessão pelas aparências, fragmentação social, entre outros.

    Seus personagens e assuntos emergiam do cotidiano, exibindo e criticando comportamentos de forma leve e clara, com poder de síntese, capazes de alcançar o leitor comum que conseguia identificar em sua vida situações similares. Até por isso, crônicas e caricaturas demoraram muito a ser aceitas e valorizadas no mundo acadêmico, o que já não ocorre mais.

    No livro Belmonte: caricaturas dos anos 1920, Marissa Gorberg analisa a obra do cartunista e aponta as possíveis conexões entre traços biográficos e sua produção artística, situando Belmonte também no espaço do movimento modernista dos anos 1920 e identificando o personagem como um “fotógrafo” do cotidiano que, com seu olhar crítico, distorce, acentua traços com o intuito de fazer ver, de possibilitar alguma identificação e, principalmente através da ironia, assumir uma posição crítica.

    A análise da produção de um artista intelectual paulistano no Rio de Janeiro também exigiu da autora uma leitura mais focada da então capital da República, e todas as mudanças ocorridas na cidade naquele período, já que tratava do cotidiano de uma metrópole cosmopolita, ou que se pensava como tal, em estilo de vida, modos e costumes de sua elite.

    Nesta obra que publicamos em comemoração ao centenário dessas produções dos anos 1920, os retratos oferecidos por Belmonte podem ajudar a esclarecer muitos aspectos de nossa história social, flagrados pelo filtro da perplexidade que colocava em questão certas práticas e acontecimentos da época.

     

    Marissa Gorberg lançará a obra na Livraria da Travessa do Leblon, no dia 28 de novembro.

     

  • Postado por editora em em 25/11/2019 - 11:16

    A 21ª edição da Festa do Livro da USP começará nesta próxima quarta-feira.

    Organizada anualmente pela Edusp, a Flusp é um evento que aproxima editoras e leitores, oferecendo livros de qualidade com os melhores preços.

    Entre os dias 27 e 30 de novembro, mais de 200 editoras estarão com milhares de livros disponíveis, todos com desconto mínimo de 50%.

    No site da Festa é possível conferir todas as editoras participantes e até a lista dos livros que cada uma levará para este grande evento.

    Local e horários de funcionamento também podem ser consultados AQUI.

    Nós estaremos no Espaço AZUL (CEPEUSP), ilha 35, com mais de 300 títulos com 50% de desconto.

     

    Nos encontramos na Flusp!!

     

     

    Planta:

  • Postado por editora em em 25/10/2019 - 12:11

    Entre os dias 4 e 7 de novembro acontecerá a FLUFF, a primeira Festa do Livro na UFF e claro que nós vamos participar, levando mais de 300 títulos, todos com 50% de desconto.

    Organizada pela Consequência Editora e pela Eduff - Editora da UFF, a Festa reunirá cerca de 40 Editoras, entre elas Editora 34, Alameda, Aleph, Autêntica, Bazar do Tempo, Boitempo, Companhia das Letras, Consequência Editora, Dublinense, Eduff, Elefante, L&PM Lamparina, Lote 42, Record, Revan, Ubu, Editora Unicamp, Vozes, entre várias outras que oferecerão descontos a partir de 40%.

    O objetivo é favorecer e fortalecer a distribuição do livro, importante ferramenta de conhecimento e de transformação dos povos, abrindo um canal de exposição e venda direta entre Editoras e público.

    Para tal, as Editoras expositoras estarão dividas por estandes localizados nos pilotis dos blocos D e E do Campus Gragoatá, pertinho das Barcas e do Centro de Niteroi, entre 9 e 20h.

    A iniciativa é uma demonstração de energia de todos os envolvidos no mercado editorial, incluindo leitores, no sentido de valorizar o livro e a leitura tão necessária na atual conjuntura do Brasil. Sejam bem-vindos!

    Mais informações estão em fluff.com.br

    Nos encontramos lá.

     

  • Postado por editora em em 25/09/2019 - 14:36

    A Primavera Literária do Rio acontecerá entre os dias 3 e 6 de outubro nos jardins do Museu da República.

    Como todo ano, esta 19ª edição da feira terá uma programação cultural gratuita para seus visitantes e nós estaremos lá também.

    E nesta edição nossa participação está mais que especial.

    Nossas autoras Marieta de Moraes Ferreira, Maria Regina Celestino e Débora Thomé estarão presentes em eventos diversos durante a programação.

    Confira quando elas estarão presentes:

     

    Sexta | 04/10 das 16h às 18h | Espaço Educativo

    Histórias Orais – Escuta, afeto e os desafios de registros

    Partipação: Angela Maria de Castro Gomes (Editora FGV); Janaína de Figueiredo (Aletria); Andreia Cozzi - Pará

    Mediadora: Michele Silva

     

    Sábado | 05/10 das 18h às 20h | Espaço Educativo

    Como se escreve “Índio”? - Protagonismo indígena, cultura e território

    Partipação: Maria Regina Celestino (Editora FGV); Edgard Leite (Editora Jaguatirica);Tainá Marajoara - Pará; Aline Pachamama

    Mediadora: Cristiane Mandello

     

    Domingo | 06/10 das 16h às 18h | Tenda Principal

    Feminismos de gerações

    Partipação: Débora Thomé  (Editora FGV); Lizandra Almeida - Pólen Editora; Rachel Gutierrez - Jaguatirica

    Mediadora: Claudia Gomes

     

    Mais da programação pode ser conferida na página da LIBRE, no Facebook. Clique AQUI, que te mandamos pra lá ou confira tudinho mais abaixo.

     

    O Museu do Palácio do Catete é aberto à visitação.

    A feira é gratuita e a entrada do Museu fica em frente ao metrô do Catete.

    Não dá pra não ir.

     

    Levaremos cerca de 200 títulos do nosso catálogo, entre lançamentos e acervo, e todos estarão com 50% de desconto, além de livros selecionados por R$10,00.

    Esperamos sua visita!!

     

  • Postado por editora em em 16/08/2019 - 12:51

    A Bienal do Livro Rio é um dos maiores eventos literários do país.

    Durante dez dias, o Riocentro sedia a festa da cultura, da literatura e da educação e proporciona o grande encontro do público com o astro principal: o livro.

    E claro que a Editora FGV não poderia estar de fora dessa celebração à leitura. Todas as nossas principais obras estarão reunidas em um estande montado especialmente para receber os visitantes da XIX Bienal do Livro.

    Esta é uma ótima oportunidade para conhecer nossos lançamentos, conferir as inovações nas Publicações FGV Management, encontrar as obras publicadas em diversas áreas do conhecimento, aproveitar muitos descontos em nosso estande e saber de várias novidades.  

    Dentro da programação oficial da Bienal, teremos as seguintes participações:

     

    Fórum de Educação | EduTalks

    Dia 3 de setembro (terça-feira), às 11 horas: Maria Regina Celestino falará sobre sua experiência no ensino de história, abordando o tema do livro Os índios na história do Brasil, da nossa Coleção FGV de Bolso.

     

    Café Literário

    Dia 8 de setembro (domingo), às 14 horas: Michael Mohallem participará do debate sobre corrupção, com base no livro que publicamos em 2018, Novas medidas contra a corrupção.

     

    No nosso estande

    Dias 2 e 3 de setembro (segunda-feira e terça-feira), às 15 horas: Mariana Guglielmo fará apresentação para professores e diretores de escolas (públicas e privadas) do Novo Portal do FGV Ensino Médio e todas as inovações na educação que ele traz. Aguardamos sua partipação. Basta chegar em nosso estande.

     

    Há necessidade de inscrição no site da Bienal para participar do Fórum e do Café Literário.

    Compre seu ingresso com antecedência para evitar filas.

    Acesse AQUI o site da Bienal.

     

    Te esperamos lá!!

    Estaremos no Pavilhão Verde, Rua O - Estande 77.

  • Postado por editora em em 28/06/2019 - 11:21

    Os desafios e as oportunidades do mercado de vinho no Brasil e no mundo serão alvo de debates durante o Seminário Vinho & Mercado 2019.

    Em sua quinta edição consecutiva promovida pela Fundação Getulio Vargas em parceria com a Baco Multimídia, o evento reunirá, no dia 5 de agosto, das 8h30 às 17h30, profissionais de diferentes áreas de negócios do vinho, além de experts do setor.

    As inscrições para este já tradicional evento, que faz parte do calendário anual do Rio Wine and Food Festival, estarão abertas no dia 3 de julho.

     

    Confira a programação do seminário:

     

    8h30 —  Cadastro e acesso

     

    Moderador:

    Sergio Queiroz | Especialista em mercado de vinhos e marketing e sócio-Diretor do Grupo BACO Multimídia

     

    Palestras:

    9h – 9h20 —  Abertura FGV

    João Luis Tenreiro Barroso | Diretor da FGV Educação Executiva – Rio de Janeiro e Brasília

    Valdiney C. Ferreira | Coordenador do Curso FGV Wine Business

     

    9h20 – 9h40  —  O mercado brasileiro de vinhos e tendências internacionais

    Marcelo Copello | Especialista em vinhos e mercado; Sócio-diretor do Grupo BACO Multimídia

     

    9h40 – 10h10  —  Os Vinhos do Brasil no atual contexto social, político e econômico | Eliminação de ST por alguns estados, acordo MERCOSUL-UE, entre outros contextos e impostos

     

    10h10 – 10h40  —   A saga da família Rothschild

    Barão Philippe de Nicolay Rothschild | CEO do PNR Group

     

    10h40 – 11h10  —  Entrega Troféu Vinha Velha  –  4 prêmios do setor

     

    11h10 – 11h40  —  O mercado de bebidas no Brasil e no mundo | os números e oportunidades para o Vinho

    Thiago Torelli | Líder da área de bebidas na NIELSEN  Brasil

     

    11h40 – 12h10  —  O grande xadrez dos mercados que transformou o Brasil em importante importador de vinho

    Valdiney Ferreira | Coordenador do curso FGV Negócios do Vinho, Diretor Executivo da Vinisa Projetos

     

    12h10 – 12h30  —  Debates

     

    12h30 – 14h  —  Intervalo para almoço

     

    14h – 14h30  —  Os números e dados da importação de vinhos no Brasil, consumo e tendências do mercado

    Felipe Galtaroça | CEO da Ideal Consulting

     

    14h30 – 15h  —  Pró-Vinho - Abras, Abrasel, ABBA, Ibravin e profissionais do segmento |  conhecendo a entidade interprofissional que desenvolve estratégias para incentivar o consumo do vinho

     

    15h00 – 15h30  —  EBV - Empresa Brasileira de Vinificação | Fábrica de vinhos e sonhos – A trajetória vitoriosa desta nova empresa, seus prêmios e inovações

    Alejandro Cardozo | Sócio e enólogo Grupo EBV

     

    15h30 – 16h  — ENIWINE - A revolução do e-commercer de vinhos no Brasil 

    Marcelo Abrileri | CEO ENIWINE 

     

    16h – 16h30  —  Mesa redonda sobre mercado e debates | O momento do mercado, tendências, entraves e oportunidades

    Palestrantes do dia e convidado especial

     

    16h30 – 17h  — Perguntas

     

    17h  —  Momento networking | Encerramento 

     

    17h30 - Lançamento do livro Vinho e Mercado – fazendo negócios no Brasil, no próprio Centro Cultural FGV

    Autor Valdiney Ferreira

     

    INSCREVA-SE para o Semeninário clicando AQUI

     

    O evento é uma parceria entre o Grupo BACO Multimídia e a FGV Management/IDE Rio, contando com o apoio do Vinhos do Brasil e Ibravin

    O Grupo BACO Multimídia, idealizador e organizador do Rio Wine and Food Festival, é uma empresa de comunicação, consultoria e inteligência de mercado que tem na geração de conteúdo e nos eventos sua plataforma de atuação. É responsável pela edição da revista BACO, do Anuário Vinhos do Brasil, em parceria com o Ibravin, entre outros produtos editoriais. Seu portfólio inclui ainda mídia digital e uma série de eventos no Brasil e exterior, com destaque para a Grande Prova Vinhos do Brasil.

  • Postado por editora em em 03/05/2019 - 14:36

    Este livro estabelece o claro contraste entre a improvisação do ensino médio no Brasil e a necessidade de pensar e planejar cientifi camente o futuro. Aliás, esse nível de ensino serve apenas como exemplo, porque tal contraste se estende a muitas outras áreas das políticas educacionais e públicas. No caso em tela, verifica-se que o ensino médio se expandiu nos interstícios da escola primária e do ensino fundamental, ocupando espaços disponíveis e valendo-se de escassos recursos, como se fosse um “puxadinho” da casa. O patinho feio, entretanto, como em grande parte do mundo, cresceu, expandiu-se signifi cativamente, atingiu novos estratos sociais, na qualidade de educação de massa, e se volta para atender a novas necessidades, ao constituir uma meta de Educação para Todos, a ser atingida em 2015, conforme o encontro da Unesco em Dacar.
    Apesar de o Brasil, como outros países, continuar na inércia de acender os lampiões a gás, à sua volta quase tudo mudou. O ensino para poucos antes atendia a dois objetivos colidentes: formar para a educação superior ou para o trabalho, com os seus concluintes, neste último caso, renunciando tacitamente a continuar os seus estudos. Hoje, o ensino médio constitui legalmente uma etapa da educação básica, de modo que é impensável atender só a um desses objetivos históricos. Redimensionado e arejado, cabe-lhe constituir a escola formativa da adolescência e juventude, conferindo benefícios que justifiquem a permanência na escola por pelo menos mais três anos. Entretanto, mentalidades elitistas e conservadoras ainda o mantêm como um suplício para os jovens. Sem clara identidade, apresenta uma pletora crescente de componentes curriculares cada
    vez mais especializados e compartimentados que, no caso dos alunos de altas posições sociais, se converte em preparatório ou amestragem para ingresso nas instituições de educação superior públicas e gratuitas, um dos raros funis da educação brasileira. Para os menos privilegiados, com frequência o ensino médio é um quebra-cabeça de conteúdos a montar, sem atingir objetivos mínimos como dominar razoavelmente a língua portuguesa, pelo menos uma língua estrangeira e outras áreas do conhecimento. Muitos consideram que os “piores” problemas educacionais do Brasil estão no ensino médio. Tomamos a liberdade de discordar. Grande parte desses problemas se origina nas primeiras etapas da educação básica, tão marcadas pelo insucesso escolar.
    Essas dificuldades nos obrigam a tratar novos problemas com novas soluções, sob pena de resolvê-los. Que ensino médio queremos? Para onde vamos? Como os custos para a sociedade podem ser compensados com benefícios coletivos e individuais? Nada disso se improvisa. Não é possível perguntar, como Alice ao Gato, no país das maravilhas, de que modo ela podia sair do labirinto. Responde-lhe o Gato que depende de para onde ela quer ir. Isso ela não sabe: então qualquer caminho serve.
    Ao ter a honra de participar da banca de doutoramento do professor doutor Alvaro Chrispino, verifiquei que o seu trabalho, aperfeiçoado nesta obra, buscava respostas precisas para o futuro, ao delinear diversos cenários, do vigenteao mais desejável. Da maior relevância ainda, ao aplicar os cenários, não traçou uma utopia no lugar da situação mais desejável, ao contrário, delineou-a com realismo, fundamentado no melhor da literatura e na análise lúcida das condições histórico-sociais. Afinal, filósofos em particular, bem como parte dos verdadeiros cientistas e artistas, são sensíveis antenas para captar os ambientes e analisar os desafios do presente e do futuro, propondo-lhes as respostas mais adequadas. Pode haver devaneadores entre essas pessoas, porém o filósofo, o cientista e o artista são capazes de sintonizar-se plenamente com o seu tempo, são dotados de impressionante realismo. Tanto que alguns deles antecipam ideias e situações a longo prazo e, gerações depois, verifica-se que a realidade prevista chegou, não raro inesperadamente. É que os critérios usuais de julgamento envolvem uma área de penumbra, onde o futuro delineado com realismo, na estreiteza das perspectivas de um lugar e época, se confunde com o delírio.
    Para fazer e não só imaginar políticas públicas, cabe transitar entre o tacanho e a utopia, sem cair nos extremos. Quando apenas se administra opresente, os problemas emergentes de curto prazo, quando supomos fazer a política do possível esterilizamo-nos nas rotinas. Bem antes da nossa República se estabelecia a necessidade de prever para prover. Àquele tempo a história fluía como a areia de uma estreita ampulheta, muito mais lentamente que hoje. As comunicações estavam longe de construir sociedades em rede.
    Nosso último imperador, segundo conta a história, homem muito “viajado” para aquele período, admirou-se com o telefone e chamou a atenção para o invento: “Isto fala”. Na estratificação do sistema internacional de hoje apresentam vantagens para tomar os poucos elevadores disponíveis os países capazes de prever a longo prazo e de agir velozmente, antecipando cenários e buscando-os coerentemente. Até nas batalhas da Antiguidade vence quem melhor conhece o presente e antecipa o futuro. Que país queremos ser dentro de 20 anos ou mais? Que educação nos será exigida? Podemos errar no traçado de cenários, faz parte das sociedades de risco, mas será pior se nem ousarmos delinear e construir o futuro.
    Este livro, portanto, coloca à disposição dos educadores (mas não só deles) possibilidades para se mover do presente ao porvir. Acaso pretendemos desconhecer o fracasso escolar, semeado desde os primeiros anos de escolarização? 
    Pretendemos continuar a colher os frutos amargos muito antes do ensino médio? Pretendemos continuar ignorando o aborrecimento e o mal-estar dos jovens na escola? Esperaremos que até os alunos socialmente mais privilegiados se afastem da instituição escolar por não mais suportá-la? Buscaremos obrigatoriamente vinho velho com medo de romper os velhos odres? Todas estas questões são de profunda responsabilidade histórica.
    Se for o caso de remeter a um exemplo atual, podemos formular uma pergunta: que faremos quando a produção de petróleo atingir o seu pico e começar a descer a ladeira? Os Emirados Árabes Unidos já se fizeram essa indagação. Por fazê-la, decidiram desde já preparar-se para o fim dessa riqueza mineral, tornando-se um centro financeiro internacional e estruturando a sociedade e a economia do conhecimento. Não se trata de sonhos de uma noite de verão, nas areias do deserto. Ao contrário, eles hoje plantam numerosas universidades no deserto, segundo estratégias de longo prazo. Para isso, contratam o que há de melhor em cada área do conhecimento, procurando ter pelo menos dois centros de excelência, originados do exterior, em cada uma delas. Por ora são importadores de conhecimentos e instituições, mas preveem dar o salto, a partir desse trampolim, para se tornarem criadores e inventores. Essa hora chegará, com relativa margem de certeza. E o Brasil, quando deixará de administrar crises para antecipá-las? E a educação, o que pretende a longo prazo? Neste ano letivo as crianças de seis anos ingressaram no primeiro ano do ensino fundamental. Elas só completarão a educação básica daqui a 12 anos. Se continuarem na educação superior, poderão “terminar” o seu preparo daqui a 14, 16 ou 18 anos. Em que Brasil e que mundo elas viverão? Como o seu preparo nunca termina, mas se projeta ao longo da educação continuada, quando elas tiverem 80 ou 90 anos de idade, em face do prolongamento da longevidade, num país de idosos, que farão elas? Esses não são apenas sonhos ou cenários desejáveis, são exigências históricas para sobreviver num mundo onde se comprimem tempo e espaço.
    Este livro com certeza nos ajudará a responder a tais perguntas."

    2009

    Candido Alberto Gomes

    Titular da cátedra Unesco de juventude, educação e sociedade da Universidade Católica de Brasília

     

    Os cenários futuros para a educação

    Alvaro Chrispino

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