O ponto a que chegamos

"Entender a trajetória da educação no Brasil até o ponto a que chegamos é parte fundamental do esforço para melhor diagnosticar os desafios atuais, evitando soluções simplistas para problemas estruturais complexos."

A aproximação do Bicentenário da Independência trouxe um incentivo adicional ao jornalista Antônio Gois para iniciar sua pesquisa sobre a trajetória da educação no Brasil, na qual investiga as raízes profundas do atraso brasileiro nesse setor.

Para marcar o lançamento desse livro, que conta com apresentação do Ministro Luiz Roberto Barroso, vamos promover dois bate-papos:

Rio de Janeiro | 28/7/2022 | Blooks Livraria | 19h

Bate-papo com o autor, Antônio Gois, e o ex-Ministro da Educação e Diretor do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais da FGV (FGV-DGPE), José Henrique Paim.

São Paulo | 8/8/2022 | Livraria da Vila | 19h

Bate-papo com o autor, Antônio Gois, e os Professores Romualdo Portela (Unicamp) e Fernando Abrucio (FGV), na Livraria da Vila.

 

Confira a seguir um trecho da apresentação da obra:

 

Apresentação
A falsa prioridade
Luís Roberto Barroso*

Meu grande projeto na vida sempre foi o de ser professor. Sobretudo um professor. Jamais me arrependi da escolha que fiz. Dou aula na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) há exatos 40 anos. A vida, generosamente, trouxe-me outras realizações, mas nenhuma se compara a essa. A educação constitui uma das minhas grandes aflições no Brasil, notadamente a educação básica. Essa é a única razão pela qual aceitei, imprudentemente, escrever esta apresentação. Nela faço breve resenha do trabalho de Antônio Gois e algumas reflexões sobre o tema — mas sinto-me no dever de sugerir ao leitor que salte diretamente para o livro e pule esta parte, que a ele não agrega valor. Trata-se apenas de um testemunho de apreço e admiração pela devoção com que o autor se dedica, há anos, infatigavelmente, a refletir e divulgar conhecimentos e informações sobre a educação no Brasil.

I. Uma nota pessoal
Estudei a maior parte da minha vida em escola pública, desde o jardim de infância até o vestibular. Meus pais até podiam pagar uma escola privada, mas havia uma dificuldade: os principais colégios particulares da época eram católicos. E eu sou filho de mãe judia e pai católico. Não tendo passado pelos ritos próprios da religião na minha infância, as escolas não me aceitariam nem minha mãe quereria. Por essa razão, tive de ir para escolas públicas e estudei no Cícero Pena (Jardim), na Escola Roma (Primário) e no Pedro Álvares Cabral (Ginásio). Tenho a lembrança de que eram colégios exemplares. Puxando pela memória, não me lembro de ter tido sequer um colega negro ao longo de todo o período. A escola pública era o domínio da classe média, naquela segunda metade dos anos 1960 e início dos anos 1970.
Essa foi a primeira lembrança que me veio à mente ao começar a ler o importante livro de Antônio Gois. Logo ao início, ele denuncia o erro grave de diagnóstico de que a escola pública era muito melhor antigamente. A escola pública nem pública era. Apropriada privadamente pelas elites, ela refletia apenas mais um capítulo da exclusão social brasileira. Neste pequeno grande livro, o autor conta uma história triste, de desigualdades, egoísmos, mediocridades, escolhas equivocadas e falsas prioridades. Por sorte, a história ainda não acabou; e gente como ele trabalha com afinco para que ela mude de curso e tenha final feliz. Assim será.

***

IV. Conclusão
Saio finalmente do caminho. A expansão, qualificação e evolução da educação básica são os únicos caminhos para a prosperidade dos povos e a emancipação das pessoas. A deficiência na educação básica tem como consequência vidas menos iluminadas, trabalhadores menos produtivos e elites intelectuais menos preparadas para pensar soluções para os problemas nacionais. A importância da educação avulta, exponencialmente, na era da Revolução Tecnológica, com a economia do conhecimento e da inovação rompendo fronteiras.
Vivemos o admirável mundo novo da tecnologia da informação, da biotecnologia, da nanotecnologia, da impressão em 3D, da computação quântica, dos carros autônomos e da internet das coisas. Um tempo em que o aprendizado deve ultrapassar os conhecimentos convencionais para incluir, além da gramática e da matemática, como aponta o livro, pensamento crítico, capacidade de resolver problemas complexos e criatividade.
Para superar o atraso que nos reteve na história, a educação precisa ser, verdadeiramente — e não retoricamente —, uma real prioridade. Antônio Gois nos oferece, em relato objetivo e preciso, um inventário dos desacertos do passado, das dificuldades do presente e acende algumas luzes para um futuro mais promissor. Para quem queira se juntar, com informação de qualidade e reflexões pertinentes, ao movimento crescente que vê na educação o único caminho possível para o florescimento do país, este livro oferece um excelente conjunto de diagnósticos, ideias e sugestões. Tive o privilégio de lê-lo em primeira mão, com prazer e proveito.

 

* Professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

O ponto a que chegamos: duzentos anos de atraso educacional e seu impacto nas políticas do presente

Autor: Antônio Gois

 

Este conteúdo foi postado em 07/07/2022 - 12:14 categorizado como: sem categorias. Você pode deixar um comentário abaixo.

Comentar