20 anos do Plano Real

Em 1º de julho de 1994 o Brasil deixava de calcular uma inflação de três dígitos e atualizações diárias de preços com a implementação do Plano Real.

Após diversas tentativas de controle da hiperinflação e crescimento econômico, que teve início 30 anos antes, em 1964 com o Paeg, o Brasil passou por cerca de sete moedas até chegar ao Real.

real

 

De acordo com Samy Dana, professor de economia da FGV, O Plano Real foi diferente dos planos econômicos anteriores pois "foi pensando e preparado com um ano de antecedência: desde 1993 para sua implementação em 1994. Não foi simplesmente uma plano emergencial como os planos Cruzado (1986), Bresser (1987), Verão (1989) e Brasil Novo, que ficou mais conhecido como Plano Collor, em 1990. (...) Uma das medidas para alinhar os preços da economia foi a implementação da URV (Unidade Real de Valor), que vigorou de março a junho de 1994. Os preços passaram a ser cotados em URV, que equivalia à cotação do dólar do dia."

Samy ainda comenta que "Naquela época não houve apenas corte de três zeros da moeda imediatamente anterior, como observado nos planos passados. Houve uma substituição de todo o dinheiro em circulação no país. Já em junho daquele ano (1994) a inflação caiu para 7% e manteve uma trajetória de queda ao longo do segundo semestre de 1994."

Apesar desse sucesso inicial, a significativa perda do valor durante essas duas décadas, facilmente percebida em comparações corriqueiras, mostra que R$1 de 1994 equivalem hoje a R$0,20.

O economista e professor José Julio Sena, autor do artigo sobre 'política monetária no Brasil antes e depois da crise', do livro Ensaios IBRE de economia brasileira - 1, faz um pequeno histórico da implementação da moeda, conforme trecho deste artigo a seguir:

"No projeto de reforma monetária que caracterizou o chamado Plano Real, não estava claro o regime cambial que acabaria vigorando. Quando a unidade de conta (URV) introduzida na fase preliminar do Plano foi transformada em real, em primeiro de julho de 1994, a ideia inicial era a de que a relação entre o dólar e a nova moeda fosse de um para um. A confortável situação do balanço de pagamentos, porém, abriu espaço para que se permitisse a apreciação da moeda nacional. O fortalecimento nominal do real durou até outubro do mesmo ano, quando atingiu R$ 0,83 por dólar. A partir desse ponto, começaram as intervenções oficiais no mercado de câmbio. A crise do México e ajustes promovidos pelo Banco Central enfraqueceram o real, cuja cotação chegou a R$ 0,95/US$ 1 em setembro de 1995. Desse ponto em diante, e até meados de janeiro de 1999, funcionou uma espécie de minibanda, de natureza móvel. E a volatilidade da taxa cambial foi muito modesta."

A estabilização alcançada com a moeda proporcionou a diminuição da desigualdade social e a formalização do mercado de trabalho, mas a economia brasileira ainda precisa avançar com reformas fiscal e política e redução dos índices atuais da inflação que, desde 2010, vem aumentando sensivelmente.

20 anos após o plano que transformou 11.000.000,00 (onze milhões de cruzeiros reais) em R$ 4.000,00 (quatro mil reais), a alta de preços, mesmo que muito longe dos quase 50% de junho de 1994, ainda é uma realidade no país.

 

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Samy Dana é professor de economia da FGV e colunista da Folha de São Paulo com o blog 'Caro dinheiro'. Autor do livro VBA para administradores e economistas da Editora FGV.

José Julio Senna foi diretor do Banco Central e é membro do Conselho Diretor da FGV. Autor do livro Política monetária: idéias, experiências e evolução e do artigo citado contido no livro Ensaios IBRE de economia brasileira - 1, ambos da Editora FGV.

 

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Este conteúdo foi postado em 01/07/2014 - 12:57 categorizado como: Atualidades, Destaques, Opinião. Você pode deixar um comentário abaixo.

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