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  • Postado por editora em em 30/03/2017 - 14:52

    A democracia impedida: o Brasil no século XXI, obra do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, traz uma análise das etapas do processo que culminou com o impedimento da presidente Dilma Rousseff. O livro foi escrito ao longo de 2016, ano em que se viu a polarização de opiniões entre os que acreditam na legalidade do impedimento da ex-presidente e aqueles que estão convencidos de ter havido um golpe de Estado, entre eles o autor.

    Na obra, ele expõe o percurso do impeachment, desde a “fabricação do precedente ideológico para rupturas constitucionais”, passando pelas passeatas de 2013, até a sessão de 17 de abril de 2016, da Câmara dos Deputados, que autorizou a instauração do processo de impeachment.

    Entre os pontos que fazem parte da narrativa do autor estão o exame do comportamento dos eleitores às vésperas das eleições de 2014; a reeleição da presidente, as heranças do seu governo anterior e as insatisfações políticas com medidas no novo mandato; as comparações e distinções entre os eventos de 1964 e 2016; a democracia representativa, o golpe constitucional e o golpe parlamentar; as bases aliada e de oposição; e os eventos políticos históricos e contemporâneos de outros países.

    Confira o prefácio da obra:

    "Este não é um livro de propaganda, mas de interpretações críticas, em que pressuponho no adversário o mesmo empenho com que busco entender a complexidade da democracia moderna.
    Se toda interpretação divergente resultasse de deliberada má-fé, não haveria sentido criticá-la. A expectativa de persuadir se justifica na medida em que a disposição de mudar de opinião, se persuadido pela argumentação contrária, seja axioma comum ao intérprete e ao leitor.
    Este não é um livro inocente. Ideias competem não apenas com ideias, mas com interesses. Meu interesse está associado à confiança no potencial das reflexões que exponho. Mas acredito que o melhor entendimento das conexões entre reflexão e compromissos práticos ajuda a ambos. Nem sempre a supremacia política está fundada em conceitos produtivos, daí a peculiar responsabilidade das ideias: erros têm consequências, nem sempre reversíveis.
    Em meu lance de abertura, entendo que o golpe em curso no Brasil expressa rombuda submissão da inteligência empresarial ao interesse do oportunismo político. Em sã consciência, nenhum conservador acredita que as deficiências do governo de Dilma Rousseff recomendavam o extremo de uma cesura constitucional em favor da entrega do poder nacional à medíocre confraria que o usurpou. O Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) não tem histórico de estadistas, mesmo que reacionários, mas de habilíssimos articuladores parlamentares. Os recursos com que contaram sempre, vazios do ponto de vista intelectual, eram abundantemente abonados em empregos e falcatruas; nenhuma ideologia, porém fartos interesses miúdos. Até mesmo a grande predação escapava à capacidade operacional de seus quadros, vista a evidência de que os graúdos e recentes ladrões da Petrobras não eram ligados a partidos ou, na maioria, pertenciam ao Partido Progressista (PP). Os peemedebistas já descobertos vendiam-se por migalhas. Medo do flagrante levou-os à sandice do golpe burocrático parlamentar, com a conivência das elites conservadoras, mas socialmente fracassado, sem perspectiva de redenção. Meliantes sem projeto de futuro, os intrusos no poder afagam os grandes cartéis de interesse, gigantes internacionais que lhes deem cobertura na rede cosmopolita em que são penetras, adotando-lhes as ideias, protegendo-lhes os interesses.
    A trapaça nacional compõe capítulo suburbano de eminente processo de longa duração em que as utopias de sociedade fundadas na solidariedade foram dizimadas pela horda dos acumuladores e concentradores de lucros. Essa história tem um sentido, sentido disputado por filósofos e analistas sociais. É com esse confronto maior de interpretações que o presente volume está comprometido.
    O entreato brasileiro se inscreve no processo de profunda ruptura civilizatória em que a ideia de democracia como liberdade e autonomia submergem diante da versão de democracia como riqueza sem limite legítimo e poder sem constrangimento de afronta. É razoavelmente factível iludir pessoas de boa-fé quanto ao vero caráter da política brasileira atual. O Brasil ingressa no modo brutamontes de seus governantes na arena internacional do século XXI – de que o prestígio da estupidez dos esportes de violência desregrada constitui iluminado símbolo.
    Este livro foi escrito veloz, mas não apressadamente. O núcleo da problemática contemporânea da democracia ocupa a agenda de grande número de estudiosos, e, em particular, os eventos dos dois últimos anos no Brasil se introduziram em pesquisa com que tenho estado intermitentemente envolvido, e que, longe de terminada, favoreceu incorporar a crise nacional em dramático contexto internacional." (Continua)

    A democracia impedida: o Brasil no século XXI

    Wanderley Guilherme dos Santos

  • Postado por editora em em 21/03/2017 - 07:58

    Este livro de Mariana Bruce analisa um dos temas mais transcendentais da conjuntura latino-americana contemporânea: as profundas transformações do Estado a partir da construção de uma democracia que transborda amplamente a dimensão representativa para outorgar à participação popular um rol central com a configuração de espaços e instrumentos de ação política e social crescentes.
    Produto de uma ampla pesquisa de campo, a obra faz um balanço dos 13 anos de governo bolivariano na Venezuela e do papel protagônico dos consejos comunales, convertidos em poder do Estado, como instrumento central não apenas para um projeto de democracia participativa, mas também para uma gestão da própria vida social, de seus problemas cotidianos e para a reapropriação das visões de futuro e dos projetos coletivos.
    A pesquisa que sustenta este livro analisa com cuidado a relação entre a ação social organizada, herdeira de um legado histórico e de uma prática comunitária anterior ao governo de Hugo Chávez, e o poder político como espaço de disputa e, ao mesmo tempo, de construção social.
    Em última instância, trata-se de um povo que encontrou na participação popular uma ferramenta poderosa para viabilizar um novo modelo societário e uma nova visão de mundo. Certamente, essa experiência está marcada por permanentes tensões, que refletem as contradições dos interesses em jogo e os desafios de um processo em construção e reinvenção permanente.
    Repensar o Estado, repensar a democracia à luz da riqueza das transformações que ocorrem na América Latina, coloca-se como tarefa urgente e de grande envergadura teórica e política. Cabe à academia, comprometida com a compreensão profunda da realidade na qual está imersa, assumir esse defesa. O livro que o leitor tem em mãos é uma contribuição de particular riqueza para essa tarefa.

    No dia 23 de março, Mariana Bruce promove uma roda de conversa sobre esse tema com Danilo Spinola Caruso, Eduardo Scheidt, Felipe Addor, Flávio Túlio Ribeiro Silva, Rafael Araújo e Vicente Ribeiro.

    O papo será na Livraria da Travessa de Botafogo e todos estão convidados.

    Confira o prefácio da obra a seguir.

    "Num momento em que vivemos uma grave crise de legitimidade dos sistemas políticos em todo o mundo, este livro de Mariana Bruce é inspirador. Fugindo do caráter normativo do que seja a Revolução ou a Democracia, a autora nos abre caminhos extremamente férteis para pensar/agir os contraditórios processos emancipatórios
    em curso na América Latina. Ao recusar a ideia de “Revolução é…” ou “Democracia é…”, que ao congelar esses conceitos no mundo sobrelunar das ideias instaura uma ditadura do pensamento, a autora nos convida a mergulhar no terreno movediço da história em que a vida teima em ser reinventada na perspectiva emancipatória pelos grupos subalternizados. E o faz analisando uma experiência na qual a riqueza do que vem sendo vivido tem sido ofuscada pelo maniqueísmo teórico-político, mais correto seria dizer ideológico, com que vem sendo abordada: a Venezuela.
    Distinguir o popular do populista; o poder constituinte do constituído; a complexa relação líder/povo — tudo isso é analisado com uma pesquisa refinada na qual, mais que explicações, a autora nos brinda com as profundas implicações da invenção democrática por que passa esse país, muito além do maniqueísmo que não só empobrece sua compreensão, como, mais grave ainda, nos impede de ver a importância dessa experiência para o pensar/agir emancipatório, sobretudo depois da queda do Muro de Berlim. Afinal, depois de vermos uma revolução como a russa, que teve como palavra de ordem “todo poder aos sovietes”, cair após 80 anos sem que nenhum soviete houvesse para defendê-la, tornarmos a ver uma história em que a comuna volta a ser a busca do autogoverno, como na Venezuela, não é uma questão qualquer. E a autora, com um estudo denso, e de dentro de um desses conselhos/dessas comunas, nos mostra como se desenvolve esse processo em que um líder popular no sentido mais forte da palavra, talvez por suas melhores qualidades, desempenha um papel contraditório nesse caminho para a emancipação.
    Vale a pena ler com atenção, até porque em cada canto da América Latina/Abya Yala, tal como um fractal, há um pedaço de cada um de nós." (Carlos Walter Porto-Gonçalves)

    Estado e democracia nos tempos de Hugo Chávez (1998-2013)

     

  • Postado por editora em em 31/01/2017 - 09:11

    O comércio internacional cresceu significativamente ao longo dos últimos anos, porém o Brasil, apesar de sua relevância na economia mundial, não tem a adequada participação nesse mercado como exportador nem como importador. Tal fato é explicado em parte pela concorrência, inclusive entre países emergentes, e em parte por questões internas, principalmente estruturais. As questões internas que dificultam as importações e exportações nacionais e compõem o chamado “custo Brasil” envolvem desde a cadeia logística até questões culturais, sendo que, entre estas últimas, destaca-se a burocracia.

    O Brasil, conforme dados do Fórum Econômico Mundial (Schwab, 2013), devido à sua carga tributária, problemas de regulação e efetividade no uso de recursos públicos, além de elevadas taxas de juros, tem-se mantido em posições inferiores no ranking das economias mais competitivas. Países como Azerbaijão, Costa Rica e Indonésia são vistos como mais competitivos. O ranking é estabelecido por meio de pesquisas sobre a percepção de empresas multinacionais e locais relativas a cada país. O Fórum Econômico Mundial de 2013 destaca pontos positivos na economia brasileira, mas alerta quanto aos importantes desafios a serem vencidos. Por exemplo: entre os 148 países avaliados, o Brasil é classificado como o 140° colocado no que tange ao impacto da carga tributária sobre o setor privado. No que se refere aos indicadores da regulação do governo, o país é o penúltimo colocado, ficando à frente somente da Venezuela.

    Nesse cenário de elevado espaço econômico e geográfico para crescimento da participação do Brasil no comércio internacional, vê-se quão importantes são os investimentos em infraestrutura física (portos, ferrovias, aeroportos, hidrovias, estaleiros etc.) e em infraestrutura administrativa (regulação, planejamento logístico de curto e longo prazos, eficiência da gestão etc.).

    O livro Portos e comércio exterior: cenário atual e aspectos jurídicos, ambientais e de saúde, de Eduardo Mario Dias, Maria Lídia Rebello P. Dias Scoton, reúne conhecimentos essenciais para a compreensão do sistema portuário em toda a sua complexidade e pretende contribuir para a solução de problemas em áreas importantes para o país, como cidades inteligentes, logística, rastreabilidade e mobilidade urbana.

    Após uma visão geral no contexto do comércio exterior, a obra descreve seus intervenientes e respectivas funções, bem como aspectos jurídicos para a exploração dos portos e os contratos administrativos que viabilizam tal exploração, amparados na nova lei portuária.  Também apresenta aspectos ambientais relacionados à sustentabilidade e à saúde em atividades portuárias.

     

    Portos e comércio exterior: cenário atual e aspectos jurídicos, ambientais e de saúde,

    Autores: Eduardo Mario Dias, Maria Lídia Rebello P. Dias Scoton

    R$39,00

  • Postado por editora em em 16/01/2017 - 11:04

    O Brasil, afastado de conflitos bélicos há tempos, se acostumou a relacionar o termo “defesa” aos momentos de guerra e a percebê-los como de interesse meramente militar.

    O livro Desafios gerenciais em defesa busca desmistificar esse paradigma e apresenta desafios em gerenciar grandes instituições, entre elas, as Forças Armadas.

    Considerandio que as quatro dimensões clássicas — terrestre, na­val, aérea e espacial — não conseguem mais abranger todas as facetas do novo ambiente de batalha, os autores acrescentam a dimensão do ciberespaço, do am­biente em rede e de uma capacidade quase infinita de armazenamento de infor­mações, permitindo a conexão do campo de batalha real com o virtual.

    Organizado pelos professores Paulo Roberto Motta, da Fundação Getulio Vargas, Valentina Gomes Haensel Schmitt e Carlos Antonio Raposo de Vasconcellos, ambos pós-graduados pela FGV, o livro aborda, de modo geral: os aspectos contemporâneos da gestão estratégica da defesa nacional, a gestão de pessoas, a relevância da cultura e do multiculturalismo, o trabalho emocional e psicológico nas ações militares, a liderança e a logística.

    Os estudos consideram a necessidade de alavancar a criação do conhecimento organizacional para pro­porcionar maiores níveis de autonomia e de realização e induzir ações estra­tégicas que permitam às organizações gerar valor adicional e atuar com mais agilidade nas arenas em que estão imersas.

    Mesmo havendo vários pontos em comum entre o de­senvolvimento das ciências militares e sua influência nos estudos da área administrativa — e vice-versa, a administração em ambientes militares é um tema pouco estudado no Brasil, mas de grande importância para o melhor entendimento e desempenho das atividades das Forças Armadas, e mais especificamente da defesa nacional.

    A obra é resultado de incentivos recentes para aumentar os conhecimentos de natureza interdisciplinar sobre políticas e gestão da defesa.

    Trata-se de uma nova inserção no mundo contemporâneo, pois o progresso da ciência administrati­va nos últimos anos tem se manifestado de forma intensamente interdisciplinar, sobretudo na perspectiva da política pública.

    Confira a apresentação da obra:

    "No mundo contemporâneo, os desafios para inovar e praticar o diferente se expandem de forma acentuada: transformações sociais, econômicas, políticas e tecnológicas geram pressões para novas respostas em curto prazo. Atualmente, qualquer nova tecnologia, informação ou mudança é potencial causadora de impactos dramáticos na sociedade e nas organizações produtivas. No contexto atual das organizações, tão importante quanto a consciência das transformações é não se deixar vulnerável a surpresas. Decisões governamentais no ambiente da defesa impactam as possibilidades de ação das organizações da área. Portanto, nada mais desejável do que estimular profissionais e pesquisadores desse campo a dedicarem sua atenção à busca de novos caminhos para maior efetividade.
    Para o desenvolvimento das próprias potencialidades, é imprescindível acionar não só os gestores de grandes instituições mas também a mente dos produtores do conhecimento. Expectativas e necessidades de mudança fazem repensar a administração como algo mais relevante e atraente: ampliam a consciência sobre as possibilidades e aguçam a mente dos estudiosos para produzir novas ideias.
    O livro Desafios gerenciais em defesa é resultado de incentivos recentes para aumentar os conhecimentos de natureza interdisciplinar sobre políticas e gestão da defesa. Este compêndio revela não só esforço de profissionais e estudiosos do tema como também preenche as expectativas da sociedade sobre novas ideias e possibilidades de ação na área da administração militar. Os resultados são promissores: a qualidade dos trabalhos e os temas desenvolvidos demonstram haver um crescente número de pesquisadores dedicados à interdisciplinaridade na abordagem das políticas de defesa e da administração militar. Trata-se de uma nova inserção na contemporaneidade, pois o progresso da ciência administrativa nos últimos anos tem se manifestado de forma intensamente interdisciplinar, sobretudo na perspectiva da política pública.
    Os incentivos à produção de artigos de natureza científica não objetivam o alcance de algum consenso na formulação de novas políticas, mas descobrir novos modos de pensar e de fazer para ajudar profissionais do campo a aprimorar suas análises e decisões cotidianas. Os autores responderam bem à proposta e avançaram na descoberta de alternativas. Oferecem apreciações críticas e, assim, colaboram para manter o debate sobre dimensões interdisciplinares na política e gestão da defesa. Muitos desses textos foram parte de pesquisas mais
    amplas em programas de mestrado e doutorado. Portanto, as escolhas dos temas surgiram de reflexões mais extensas e profundas sobre sua relevância.
    No sentido de introduzir o leitor nos principais temas do livro, a seguir se singulariza, de forma sintética, uma conclusão sobre cada um dos textos.
    Nos anos de existência do Ministério da Defesa, o trato com os assuntos da defesa nacional, entre civis e militares, mudou. Constata-se que sociedade embora, inicialmente distante, hoje se aproxima e se inclui nos diversos espaços onde se discute a temática da defesa. Entretanto, o país ainda situa a defesa nacional em patamar aquém do devido, mas cuja importância vem crescendo de forma lenta, mas gradual.
    Baseado na premissa de que as quatro dimensões clássicas — terrestre, naval, aérea e espacial — não conseguem mais abranger todas as facetas do novo ambiente de batalha, propõe-se acrescentar a dimensão do ciberespaço, do ambiente em rede e de uma capacidade quase infinita de armazenamento de informações, permitindo a conexão do campo de batalha real com o virtual.
    A análise da política e estratégia no contexto de defesa nacional envolve considerações básicas sobre política e estratégia de defesa, além da apreciação sobre o mundo atual. A cultura, o modo de ser da sociedade, e por isso ela mesma, é o que deve ter prioridade para ser defendido. Sem população nada há o que defender, ainda que esta necessite de território para viver e sobreviver.
    A administração em ambientes militares é uma temática pouco estudada no Brasil, mesmo havendo a diversidade de pontos convergentes entre o desenvolvimento das ciências militares e sua influência nos estudos da área da administração — e vice-versa. A conjunção das temáticas é relevante para o melhor entendimento e desempenho das atividades das Forças Armadas, e mais especificamente da defesa nacional.
    O processo de elaboração orçamentária no setor público revela o planejamento estratégico como condicionante imprescindível dos diferentes sistemas gerenciais nas organizações públicas.
    A cultura organizacional em ambientes militares se nutre fundamentalmente da doutrina. A cultura organizacional, em consequência, deve ser o foco principal e essencial para iniciar e sustentar qualquer processo de transformação, especialmente no que diz respeito às Forças Armadas, dado que possuem uma formação, tradição e costumes de raízes profundas e históricas.
    Estratégia nacional de defesa é um produto da aproximação do campo político com os assuntos militares. Para que isso seja possível, a logística aplicada a essas forças, além de integrada, deve também ser conjunta.
    É necessário alavancar a criação do conhecimento organizacional para proporcionar maiores níveis de autonomia e de realização e induzir ações estratégicas que permitam às organizações gerar valor adicional e atuar com mais agilidade nas arenas em que estão imersas.
    O desejo de usar e compartilhar o conhecimento tácito não é significativamente influenciado pela intensidade da confiança organizacional, definida com base na capacidade, benevolência e integridade dos indivíduos.
    A necessidade de valorização é o principal fator de motivação nas organizações fortemente hierarquizadas. Os melhores resultados organizacionais são obtidos quando a gestão muda o foco das atenções, do líder ou do trabalho, para os colaboradores.
    Para incrementar o nível de liderança do militar em missões de paz e rumo a uma liderança multicultural, devem-se promover reflexões que favoreçam a adoção de parcerias estratégicas entre o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB) e o meio acadêmico. Os atores envolvidos nas operações — os “soldados da paz” — devem receber treinamento para desenvolver uma liderança multicultural com mais efetividade e cientificidade.
    A partir do entendimento dos mecanismos de construção das identidades e das diferenças, é possível desenvolver práticas de alteridades que promovam a capacitação de recursos humanos mais adequada às demandas da pós-modernidade, sem que essa atitude subverta a identidade cultural militar.
    Sugere-se a relevância da especificação das tarefas do trabalho emocional e seus respectivos requisitos, assim como sua inclusão explícita na análise de cargo, o que gera implicações para a seleção, o treinamento, o pagamento e outras atividades da gestão de pessoas.
    Campanhas psicológicas sobre as tropas procuraram estimular os comportamentos que aproximavam os soldados da população e reforçar a consciência coletiva sobre os atributos da área afetiva desses militares. Nesse sentido, as operações psicológicas flexibilizam a formação militar belicista do soldado, capacitando-o para o desafio de promover a pacificação de regiões carentes do território nacional.
    O luto, processo natural e esperado diante do rompimento de um vínculo — e frequente no ambiente de defesa —, não está relacionado apenas à perda de alguém por motivo de morte, quando o vínculo se rompe de maneira irreversível.
    Ainda são poucas, no Brasil, as instituições cujo objetivo seja apoiar, psicologicamente, pessoas, organizações e comunidades atingidas por emergências e desastres, oferecendo suporte ao luto. Contribuir institucionalmente nesse processo é possibilitar devolver à pessoa sua plenitude.
    Contribuíram para a realização desta obra os seguintes autores: Ândrei Clauhs, Angela Maria Monteiro Silva, Armando Santos Moreira da Cunha, Carlos Antonio Raposo de Vasconcellos, Diego de Faveri Pereira Lima, Edson Gonçalves Lopes, Elias Ely Gomes Vitório, Fátima Bayma de Oliveira, Flávio Sergio Rezende Nunes de Souza, Jacintho Maia Neto, Joaquim Rubens Fontes Filho, José Francisco de Carvalho Rezende, Jorge Calvario dos Santos, José Joaquín Clavería Gusmán, Luís Moretto Neto, Moacir Fabiano Schmitt, Neyde Lúcia de Freitas Souza, Reinaldo Costa de Almeida Rêgo, Rejane Pinto Costa, Thales Mota de Alencar, Valentina Gomes Haensel Schmitt, William Trajano de Andrade Costa. Todos os autores trazem uma visão transformadora das possibilidades de contínuo aperfeiçoamento da política de defesa e da administração militar: procuram contribuir para submeter a administração pública a novas e profícuas experiências. Não basta compreender; é preciso fornecer elementos para alimentar os que têm a obrigação de realizar. Formas de ação, mesmo que
    satisfatórias, merecem ceder lugar a novas perspectivas e práticas.
    Recebemos um novo conhecimento e um juízo apurado para propor alternativas e renovar as esperanças para transformar as práticas de gestão na área da defesa. As ideias estão bem plantadas, o novo desafio é mantê-las relevantes e atualizadas para prosseguir no aperfeiçoamento da administração militar.
    "

    Desafios gerenciais em defesa

    Organizadores: Paulo Roberto De Mendonça Motta, Valentina Gomes Haensel Schmitt, Carlos Antonio Raposo Vasconcellos

    Impresso: R$59

  • Postado por editora em em 10/01/2017 - 13:09

    Quase quatro anos após o anúncio da morte de Hugo Chávez, ocorrida em 5 de março de 2013, sua ausência, somada às especulações sobre sua morte prematura, agitou as redes sociais e as mídias nacional e internacional com projeções das mais variadas sobre o que aconteceria com a Venezuela se o presidente realmente viesse a falecer. Sua morte representaria o fim da chamada Revolução Bolivariana? O chavismo teria condições de sobreviver sem Chávez?

    A obra Estado e democracia nos tempos de Hugo Chávez (1998-2013), que acabamos de publicar, analisa a atuação do governo de Chávez e as profundas transformações do Estado Venezuelano a partir da construção de uma democracia que transborda a dimensão representativa para conceder ao povo uma atuação participativa e protagônica nas decisões políticas, através do chamado “socialismo do século XXI”.

    A pesquisa da historiadora Mariana Bruce analisa a relação entre a ação social organizada, herdeira de um legado histórico e de uma prática comunitária anterior ao governo de Hugo Chávez, e o poder político como espaço de disputa e, ao mesmo tempo, de construção social, apesar das contradições dos interesses em jogo e dos desafios de um processo em construção e reinvenção permanentes.

    O prefácio do professor Carlos Walter Porto-Gonçalvez nos indica, de forma precisa e elucidativa, a grande contribuição desta pesquisa. Confira:

    "Num momento em que vivemos uma grave crise de legitimidade dos sistemas políticos em todo o mundo, este livro de Mariana Bruce é inspirador. Fugindo do caráter normativo do que seja a Revolução ou a Democracia, a autora nos abre caminhos extremamente férteis para pensar/agir os contraditórios processos emancipatórios em curso na América Latina. Ao recusar a ideia de “Revolução é…” ou “Democracia é…”, que ao congelar esses conceitos no mundo sobrelunar das ideias instaura uma ditadura do pensamento, a autora nos convida a mergulhar no terreno movediço da história em que a vida teima em ser reinventada na perspectiva emancipatória pelos grupos subalternizados. E o faz analisando uma experiência na qual a riqueza do que vem sendo vivido tem sido ofuscada pelo maniqueísmo teórico-político, mais correto seria dizer ideológico, com que vem sendo abordada: a Venezuela.

    Distinguir o popular do populista; o poder constituinte do constituído; a complexa relação líder/povo — tudo isso é analisado com uma pesquisa refinada na qual, mais que explicações, a autora nos brinda com as profundas implicações da invenção democrática por que passa esse país, muito além do maniqueísmo que não só empobrece sua compreensão, como, mais grave ainda, nos impede de ver a importância dessa experiência para o pensar/agir emancipatório, sobretudo depois da queda do Muro de Berlim. Afinal, depois de vermos uma revolução como a russa, que teve como palavra de ordem “todo poder aos sovietes”, cair após 80 anos sem que nenhum soviete houvesse para defendê-la, tornarmos a ver uma história em que a comuna volta a ser a busca do autogoverno, como na Venezuela, não é uma questão qualquer. E a autora, com um estudo denso, e de dentro de um desses conselhos/dessas comunas, nos mostra como se desenvolve esse processo em que um líder popular no sentido mais forte da palavra, talvez por suas melhores qualidades, desempenha um papel contraditório nesse caminho para a emancipação.

    Vale a pena ler com atenção, até porque em cada canto da América Latina/Abya Yala, tal como um fractal, há um pedaço de cada um de nós."

    Estado e democracia nos tempos de Hugo Chávez (1998-2013)

    Mariana Bruce

  • Postado por editora em em 01/12/2016 - 10:59

    Em parceria com a FGV Direito Rio, lançamos a obra Reflexões sobre o novo Código de Processo Civil, coordenada por Carlos Roberto Jatahy, Diogo Assumpção Resende de Almeida e Luiz Roberto Ayoub.

    Confira o prefácio do livro de autoria do jurista Luiz Rodrigues Wambier:

    "Foi com grande alegria, muita honra e exata noção do tamanho da responsabilidade que recebi convite para prefaciar esta obra coletiva coordenada por Carlos Roberto Jatahy, Diogo Assumpção Rezende de Almeida e Luiz Roberto Ayoub.
    O tema geral é o Código de Processo Civil de 2015. Cheio de novidades, que estimulam nossa reflexão e nos fazem buscar soluções para os problemas concretos por elas gerados, o Código é uma conquista da sociedade brasileira, pois, desde o anteprojeto, gerado pela Comissão de Juristas para tanto designada pela Mesa do Senado da República, houve imenso esforço para simplificar a prestação da atividade jurisdicional. Embora essa diretriz inicial tenha sido abandonada ao longo da tramitação do projeto (o que é absolutamente normal no processo legislativo democrático), isso se vê por diversos ângulos. Há alterações no campo procedimental; há a adoção de institutos potencialmente capazes de reverter o quadro de excesso de ações e de recursos perante o Poder Judiciário brasileiro (IRDR, por exemplo); há evidente estímulo à busca de soluções autocompositivas, capazes de até mesmo evitar a ida ao serviço judiciário ou, quando pouco, abreviar a permanência do processo no ambiente jurisdicional, e assim por diante.
    Os trabalhos são primorosos, escritos por processualistas de primeira grandeza, preocupados em oferecer soluções reais para problemas concretos.
    Aluisio Gonçalves de Castro Mendes e Larissa Clare Pochmann da Silva tratam de alguns aspectos relativos ao cadastro de inadimplentes e à efetivação do crédito. Já Bruno Vinícius Da Rós Bodart contribui com acurada análise a respeito dos novos contornos da prova pericial, ao passo que Diogo Assumpção Rezende de Almeida analisa a crise no sistema recursal brasileiro e a tentativa de rearranjo feita pelo Código de 2015.
    Eduardo Talamini cuida de explicar as novas aplicações possíveis para a figura do amicus curiae, enquanto Elias Marques de Medeiros Neto aborda — no ambiente dos poderes do juiz, especificamente na regra constante do art. 139, IV — a possivelmente tormentosa novidade ligada à atipicidade dos meios executivos, que permite, por exemplo, medidas indutivas, coercitivas e mandamentais (entre outras), inclusive nas causas que tenham por objeto prestação pecuniária.
    Fernando Gama de Miranda Netto cuida do §3o do art. 300, notadamente da questão da reversibilidade como condição para a concessão de medida antecipada de urgência.
    Fredie Didier Jr analisa os contornos da sentença de interdição no CPC de 2015, enquanto Guilherme Jales Sokal trata de diversas questões ligadas à sucumbência recursal. A privacidade no âmbito do CPC é tratada por Gustavo Quintanilha Telles de Menezes.
    Humberto Dalla Bernardina de Pinho contribui com tema ligado à arbitragem. Analisa seu marco legal e a posição do instituto no CPC. Leonardo Greco cuida das convenções processuais e do possível antagonismo que tais convenções possam ostentar diante dos poderes do juiz.
    Luiz Roberto Ayoub aborda tema igualmente polêmico e cheio de novidades no CPC de 2015, que é a intervenção de terceiros.
    Marcela Kohlbach de Faria trata da coisa julgada e de hipóteses em que o CPC de 2015 autoriza sua relativização.
    Já Marcelo Mazzola preconiza a necessidade de flexibilização das restritas hipóteses de cabimento do agravo de instrumento.
    Márcio Carvalho Faria avança por tema polêmico, que o CPC procurou regular, de modo a evitar algumas de suas manifestações, especialmente no plano do Superior Tribunal de Justiça: a assim chamada jurisprudência defensiva. A regra da improcedência liminar, substancialmente alterada no CPC de 2015, em relação ao antigo artigo 285-A do CPC de 1973, é objeto das reflexões de Marco Antonio dos Santos Rodrigues.
    Mauricio Vasconcelos Galvão Filho cuida de aspectos gerais do recurso de apelação e Robson Renault Godinho trata de alguns dos assuntos ligados à presença do Ministério Público no âmbito da nova regulação processual.
    Rogerio Licastro Torres de Mello cuida da desconsideração da personalidade jurídica, abordando aquilo que entende ser, no ambiente do novo CPC, apenas a “necessária reiteração do óbvio”.
    No plano do IRDR, Sofia Temer propõe (e resolve) interessante questão, ao indagar “quem pode recorrer da decisão que fixa a tese jurídica?”.
    E, por fim, respeitada a ordem alfabética dos prenomes dos autores, Trícia Navarro Xavier Cabral trata da análise das condições da ação no espaço destinado ao saneamento do processo.
    Como os leitores podem perceber deste descritivo prefácio, o livro contém, repito, autores de primeira grandeza e temas instigantes, tendo vocação para se constituir num extraordinário manancial de soluções para os eventuais problemas causados pela compreensão, pela interpretação e pela aplicação da lei nova.
    Os autores estão de cumprimentos. A editora merece aplausos. E os leitores são os grandes beneficiados com este riquíssimo conjunto de reflexões a respeito do Código de Processo Civil de 2015."

     

    Reflexões sobre o novo código de processo civil

    Coordenadores: Carlos Roberto De Castro Jatahy, Diogo Assumpção Rezende De Almeida, Luiz Roberto Ayoub

  • Postado por editora em em 22/11/2016 - 11:33

    Nossos livros são dedicados a vocês: estudantes, futuros profissionais, empresários, empreendedores, professores, mestres, doutores, curiosos, etc.

    Mas, se todos vocês que nos acompanham não tivessem conhecido os livros infantis, provavelmente não teriam chegado onde estão e não chegarão onde pretendem.

    Por acreditar na importância da educação, desde a infantil até os vários níveis de graduação, selecionamos algumas obras da Editora FGV para entregá-los.

    Em troca, entregue-nos livros infantis, infanto-juvenis ou brinquedos educativos, que vamos nos responsabilizar pela doação de Natal para algumas instituições.

    Um livro seu por um livro nosso acontece na Biblioteca Mario Henrique Simonsen, no Centro Cultural FGV, entre os dias 22 e 25 de Novembro.

     

    Esperamos por vocês!

     

  • Postado por editora em em 11/11/2016 - 11:26

    A Primavera Literária do Rio acontecerá de 17 a 20 de novembro nos jardins do Museu da República. Como todo ano, a feira terá uma programação cultural gratuita para seus visitantes e nós estaremos lá também.

    Para esta edição, a organização repensou a estrutura das atividades e revitalizou sua forma. A programação da Primavera Literária do Rio está mais dinâmica e jovial, sem perder a qualidade que sempre guiou a curadoria do evento.

    Espera-se grande interlocução do público nas mesas temáticas atuais com palestrantes que gostam de conversar. Também haverá oficinas e workshops e apresentações do Sarau Negro e do coral Encanta Santa nos jardins do museu.

    A Feira ainda terá o 'troca troca' de livros da Secretaria Municipal de Cultura. Leve um livro para trocar, visite o museu e aproveite a programação!

    O Museu do Palácio do Catete é aberto à visitação, possui uma praça de alimentação de bikefoods e um bicicletário.

    Levaremos cerca de 250 títulos do nosso catálogo e todos estarão com 50% de desconto.

    Esperamos sua visita!!

  • Postado por editora em em 11/11/2016 - 09:35

    A Editora FGV lança a tradução do livro de Victor Delbos sobre a obra do filósofo Benedictus Spinoza, Le problème moral dans la philosophie de Spinoza et dans l’histoire du spinozisme. A tradução, feita a partir do original francês, publicado em Paris em 1893, inaugura o que viria posteriormente a ser denominado de “história estrutural da filosofia” e torna-se fundamental para aqueles que querem entender a filosofia de Spinoza a partir do próprio autor.

    Em português, a obra intitulada O problema moral na filosofia de Spinoza e na história do spinozismo, traduzida por Martha de Aratanha, com revisão técnica de Emanuel Angelo da Rocha Fragoso, foi editada em celebração do centenário da morte de Delbos.

    As relações que Spinoza estabeleceu entre sua filosofia geral e sua teoria da moralidade são tais que é necessário antes de tudo evitar destruí-las ou alterá-las. Deve-se tentar compreendê-las. Spinoza mostrou que não existe moral fora da verdade, e, por outro lado, que a verdade compreendida é por si mesma, sem adição exterior, toda a moral.

    Confira uma parte da introdução:

    "O grande interesse que suscitam atualmente os problemas da vida moral não pode deixar de estar relacionado, em parte, com as doutrinas que em outras épocas trataram deles ou tentaram resolvê-los. Sobretudo se essas doutrinas ultrapassaram ou o espírito de seu autor ou o espírito de seu tempo, sobretudo se elas foram capazes de sobreviver à forma original que as envolvia, e criar, na variedade de inteligências, formas novas e diversas, então nos parece que elas receberam desse contato com as consciências uma marca de humanidade; e elas conseguem nos interessar, talvez menos por serem teorias originais e vigorosas do que por terem tido esse dom da longevidade ou esse poder de ressurreição. Com certeza, não é de surpreender que nossa personalidade moral se ligue vigorosamente a tudo aquilo que, no sentido e no destino dos sistemas, a excite ou a emocione; mas alguns dizem que tal curiosidade é bem perigosa para a verdade histórica. Nós somos geralmente muito ávidos em exigir das diversas doutrinas a solução de problemas que elas não levantaram e que impomos a elas: somos rápidos em acomodar as ideias aos nossos desejos, e as consequências aos nossos preconceitos, favoráveis ou desfavoráveis. E quando se trata de problemas morais, a tentação é bem poderosa: é difícil esquecê-los, mesmo temporariamente; eles são o “pensamento subliminar”, que vem julgar tudo, que critica todos os pensamentos, os pensamentos hostis que com frequência ele imagina, os pensamentos indiferentes que quase sempre ele desvia. Existe aí uma tendência do espírito que, por ser muito forte, nem por isso é mais legítima; desconfiar disso é uma precaução necessária.
    Estas observações gerais contêm, em primeiro lugar, uma verdade que nosso trabalho apenas confirma: a moral que por muito tempo atribuíram a Spinoza, portanto forçada, não tem nada em comum com a doutrina spinozista. Elas contêm, em seguida, uma espécie de crítica preventiva que foge, me parece, do objeto do nosso estudo. Não é de nossas preocupações atuais que a moral de Spinoza retira sua importância, ela foi a obra sobre a qual o próprio Spinoza quis melhorar sua vida; o sentido humano que ela tomou aos nossos olhos não lhe veio de fora, mas sim de dentro e nasceu no mais profundo âmago de uma alma; se ela apareceu como doutrina, essa é a prova de que ela foi julgada boa. Por outro lado, ela não tem, no conjunto das ideias spinozistas, um lugar onde a possamos arbitrariamente restringir ou aumentar; ela é, para Spinoza, toda a filosofia: tudo leva a ela, nada é fora dela.
    Estamos, portanto, dispensados de colocar artificialmente em evidência um problema que, por si mesmo, está em primeiro plano, e sobretudo operar no sistema de Spinoza um trabalho desajeitado de discernimento e de separação.
    Nenhuma doutrina se presta menos a uma triagem de ideias. Existe nela uma potência de organização que nossas distinções usuais não devem tentar dividir. O que estaríamos tentados a perguntar a Spinoza, partindo do termo comum “moral”, é precisamente o que ele nos recusa, ou seja, uma concepção fechada do dever que valha por si só e que se exprima em preceitos legais. Ao contrário, o que surge de seu pensamento é que existe, como que envolvido pela unidade absoluta que tudo abarca, uma unidade indivisível de todas as funções da vida espiritual; é que as abordagens da natureza em direção ao entendimento não têm necessidade de um motor externo, tendo nelas sua razão interna. O sistema é como a natureza que o justifica, e como o entendimento que o consagra: ele não admite que o problema moral venha de fora; ele o despoja sem piedade das formas vãs dadas pela consciência comum; ele coloca o problema moral em termos que lhe sejam expressamente adequados; de tal forma que o sistema, no seu desenvolvimento, é o problema em vias de se explicar, tendendo ele mesmo à sua solução.
    Desconhecer essa identidade essencial entre o problema e o sistema seria abordar o estudo do spinozismo por um contrassenso. Trata-se de fazer um esforço não para quebrar a unidade natural da doutrina, mas para achá-la, ao contrário, engendrada e definida pela concepção moral à qual todo o resto se subordina. Não se trata de destacar um fragmento da obra, mas de reconstruir a obra, tanto quanto possível, no seu todo, segundo o pensamento mestre que a construiu. As relações que Spinoza estabeleceu entre sua filosofia geral e sua teoria da moralidade são tais que é necessário antes de tudo evitar destruí-las ou alterá-las. Devemos tentar compreendê-las.
    Se é assim, admitiremos que o caráter deste trabalho deve seguir escrupulosamente a forma sistemática e mesmo a forma literal do spinozismo. Existiria a esse respeito alguma superstição? Seria verdade, considerando outras doutrinas parecidas, que perseguiremos fantasmas sem ter certeza de alcançar a viva realidade?
    No livro consagrado a Spinoza,Frederick Pollock sustenta que em toda filosofia o sistema, como tal, responde simplesmente a uma necessidade de ordenamento artístico, ou, ainda, a uma tentação de imobilidade intelectual. Ele tem, para o filósofo que o compõe, apenas um valor acessório, o valor de um símbolo que o faz lembrar seu pensamento; mas simula nos discípulos que o reproduzem um valor absoluto, o valor do próprio pensamento: de discurso ativo e fecundo que era, se torna fórmula inerte e estéril. O espírito é retirado, permanece a letra morta. O que faz então a grandeza de uma filosofia é, segundo Pollock, o núcleo de ideias originais que ela contém: as ideias originais possuem uma força irresistível de difusão, e fazem explodir o envoltório estreito que o sistema lhes impõe.
    Essas opiniões de Pollock são certamente sedutoras; elas parecem, além disso, confirmadas ao longo de toda a sua obra. Pollock, com efeito, se esforçou em decompor o spinozismo em suas ideias constitutivas. Retomando essas ideias em sua origem, ele quis marcar mais a significação intrínseca do que o encadeamento; ele até negou que elas pudessem se fundir em uma unidade verdadeiramente interna. Porém, não parece que o spinozismo esteja por inteiro nessa coleção de ideias justapostas. A obra de organização na qual o spinozismo se produziu está bem longe de ser estranha à sua essência. Se ela foi simplesmente uma obra de arte sem interesse intelectual, teria Spinoza a concebido tão vigorosamente e a perseguido tão pacientemente? Ao contrário, mais do que qualquer outra doutrina, o spinozismo teve de procurar uma forma adequada: destinada, na intenção de seu autor, a mostrar a veleidade de tantas opiniões fictícias e de teorias verbais, ele teve de trabalhar para criar a sua linguagem. Como o Deus que ele coloca na origem, e sem dúvida pelas mesmas razões, ele necessariamente se revelou sem sair de si mesmo; sua palavra é ainda sua natureza, com certeza natureza perecível, natureza naturada, mas não exterior, nem ilusória, já que ela exprime, à sua maneira, a ideia eterna que a fundamenta. Além disso, consideramos que, segundo o pensamento de Spinoza, a unidade substancial das coisas e a unidade inteligível da doutrina devem coincidir exatamente, não deve nem ter vazios na obra do filósofo nem na obra de Deus, que a razão filosófica deve participar da virtude da ação divina, ou seja, excluir do ser aquilo que ela não compreende: diríamos ainda que a unidade sintética do spinozismo se adiciona ou se impõe de fora aos elementos que ela domina. (...)"

     

    O lançamento será dia 21/11/16, na Livraria FGV do Rio.

    O problema moral na filosofia de Spinoza e na história do spinozismo

  • Postado por editora em em 10/11/2016 - 12:00

    Reunindo ensaios de um grupo de curadores, professores e especialistas, o livro Arte e mercado no Brasil, organizado por Cesar Cunha Campos, diretor da FGV Projetos, lança olhares interdisciplinares sobre um aspecto pouco discutido da arte: sua relação com o mercado.

    Apesar da recente retração da economia brasileira, o mercado de arte mantém, há alguns anos, sua expansão, tanto no que se refere à produção, quanto ao volume de negócios, bem como pelo crescente interesse do grande público, como mostram os números recentes de visitações de exposições e museus. Artistas brasileiros ganham destaque no país e no exterior, as feiras de arte adquirem corpo e visibilidade, movimentando um volume consistente de recursos e impulsionando serviços direta e indiretamente ligados ao setor. Soma-se a isso, o processo de profissionalização, com a complexificação de papéis e o surgimento de diversos agentes e instituições. Colecionadores, galeristas, marchands e leiloeiros têm papel fundamental na constituição e na dinâmica deste mercado. “Minha motivação inicial para a organização deste livro foi compreender como se organiza este mercado, sobretudo do ponto de vista daquilo que o movimenta. A arte se realiza quando vai a público, o que não acontece sem a ação desses agentes” afirma Cesar Cunha Campos.

    O livro Arte e Mercado no Brasil, publicado pela Editora FGV em parceria com a FGV Projetos reúne textos de curadores e professores como Frederico Coelho, Ligia Canongia, Daniela Labra, Felipe Scovino e George Kornis, além de especialistas da FGV, oferecendo várias perspectivas de diferentes momentos da arte brasileira, em sua relação com a formação do mercado. Por vezes contraditórias, as visões que ele apresenta contribuem para a formação de um panorama que permite ao leitor refletir sobre as nuances e paradoxos deste tema, pouco explorado pelo mundo da arte. O prefácio fica por conta de Paulo Herkenhoff, também responsável pela direção de arte do livro.

     

    Arte e mercado no Brasil - Art and market in Brazil

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