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  • Postado por editora em em 14/09/2018 - 10:51

    Os trabalhos de pesquisadores do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira (GVcemif) da FGV e do Instituto Plano CDE entre os anos de 1995 e 2015 com a população das classes CDE, tanto por meio de entrevistas in loco quanto de análises de dados quantitativos, constataram transformações e mudança de comportamento na vida dessas famílias, notadamente mudanças positivas pouco conhecidas de grande parcela da população.

    Essas informações fazem parte do livro O Brasil mudou mais do que você pensa: um novo olhar sobre as transformações nas classes CDE, organizado por Lauro Gonzalez, Maurício de Almeida Prado e Mariel Deak, que será lançado no dia 25/9, na Livraria da Vila, em São Paulo.

    De acordo com os organizadores, “as histórias dos efeitos das mudanças descritas na vida da população CDE reforçam a certeza de que é hora de um olhar de longo prazo sobre as transformações pelas quais o Brasil passou e continua passando.”

    Grandes nomes recomendam sua leitura através de textos registrados na capa do livro. Confira alguns trechos a seguir:

    “(...) um bálsamo para quem quer entender “a floresta”, e não um punhado de árvores. Ele revela um conjunto de grandes transformações nas chamadas classes C, D e E no período que vai de 1995 a 2015. (...) As lições desse processo de mobilidade social, com seus avanços e limites, deveriam alimentar um projeto de longo prazo para o Brasil, especialmente num ano eleitoral.” Fernando Luiz Abrucio (Doutor em ciência política pela USP e professor da FGV-SP).

    “Este livro olha para as duas décadas anteriores, precisamente para o período entre 1995 e 2015, e apresenta uma visão mais positiva. De fato, o Brasil estava numa situação muito pior antes do exitoso Plano Real e as subsequentes políticas sociais.” Albert Fishlow (Professor emérito na Universidade de Columbia e na Universidade da Califórnia em Berkeley).

    “Este livro ilumina algumas das principais transformações ocorridas no Brasil real durante as duas últimas décadas.” Marcelo Neri (Diretor do FGV Social e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea).

    “Os autores abordam os temas de forma objetiva e equilibrada, indo além simplificações que exaltam ou desprezam os impactos de mudanças econômicas e políticas públicas das últimas décadas”. Gustavo Azenha (Diretor do Lemann Center for Brazilian Studies da Universidade de Columbia)

    “Este livro proporciona uma visão sistêmica do contexto brasileiro e das políticas públicas relativas a renda, educação e habitação, muito além dos números.” (Neca Setúbal, Mestre em ciência política e doutora em psicologia pela PUC. Presidente do Conselho Consultivo da Fundação Tide Setubal).

    “(...) extraordinário trabalho de pesquisa mostrado nesse livro revela é que, olhando-se de perto e com atenção, nem tudo foi tão ruim assim.” Otaviano Canuto (Diretor executivo do Banco Mundial).

     

    Confira parte da introdução da obra a seguir e, na sequência, mais informações sobre o lançamento.

     

    O país do futuro que nunca chega (Stefan Zweig). O Brasil dá um passo para a frente e dois para trás. O país que não perde a oportunidade de perder oportunidades (Roberto Campos). Nunca saímos do lugar. Essas são algumas das frases recorrentes para descrever uma percepção generalizada sobre a estagnação de nosso país. Para grande parte da população, não evoluímos. Ou, quando evoluímos um pouco, logo em seguida enfrentamos uma crise na qual tudo volta atrás e todas as conquistas parecem perdidas.
    Esse sentimento de estagnação e atraso é amplificado em momentos de crise econômica, quando o pessimismo se torna sentimento predominante e a sensação geral é de perda de bem-estar. Nesses momentos, fica mais difícil a compreensão do processo de evolução do país com certo distanciamento e uma perspectiva de longo prazo.
    A ideia deste livro nasce do trabalho de muitos anos de pesquisadores do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira (GVcemif) da FGV e do Instituto Plano CDE com a população das classes CDE. Ao acompanhar as mudanças na vida dessas famílias, tanto por meio de entrevistas in loco quanto de análises de dados quantitativos, notamos grandes transformações e mudança de comportamento. A constatação de que essas mudanças positivas são pouco conhecidas de grande parcela da população foi o principal motivador para a realização desta publicação.
    Ademais, nossa análise envolve um período histórico relativamente longo, de 1995 a 2015, e acreditamos que as mudanças positivas aqui abordadas representam o alcance de novos patamares, sendo estruturais nesse sentido. A crise atual, embora traga desalento e tenha efeitos conjunturais negativos, não alterou o fato de que novos patamares foram alcançados pelas classes CDE. Por exemplo, o aumento da escolaridade das classes CDE não se perde com a crise. Ou ainda o fato de que a posse de certos bens duráveis e o acesso a crédito podem aumentar a resiliência à crise.
    Apesar de o recorte do livro tratar das mudanças positivas para as classes CDE, não ignoramos que o Brasil ainda tem um enorme caminho a trilhar rumo a uma situação de melhor qualidade de vida para sua população.
    Em nenhum momento defendemos que os problemas já estão solucionados, inclusive nos temas especificamente abordados. O leitor notará isso claramente ao longo dos capítulos. Além disso, os temas foram escolhidos a partir da experiência de pesquisa dos autores envolvidos.Tópicos fundamentais para o Brasil de hoje, tais como a violência e a falta de segurança, não fizeram parte da nossa análise.
    Isso posto, os cinco temas aqui abordados são: educação, habitação, posse de bens, inclusão financeira e digitalização. Cada tema corresponde a um capítulo, que será dividido em quatro partes: “O que mudou” apresenta, por meio de diversos dados disponíveis, as principais transformações de cada tema; “Por que mudou” analisa os dados apresentados e busca explicar as políticas públicas e os movimentos de mercado que engendraram as transformações; “Os efeitos na vida das famílias” traz histórias de vida que mostram as mudanças ocorridas dentro dos lares; e “Desafios para o futuro” busca sucintamente levantar as principais questões a enfrentar e recomendações de cada tema.
    Os autores, apesar do denominador comum da experiência em pesquisa envolvendo as classes CDE, têm formações acadêmicas variadas, o que propicia a utilização de diversas lentes de análise ao longo dos capítulos. Acreditamos que essa diversidade contribui para o propósito do livro ao permitir olhares diferentes sobre as transformações ocorridas ao longo do período analisado.
    A análise de dados quantitativos foi baseada em diversas fontes e tem como eixo central os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE. O período de 1995 a 2015 foi selecionado pela disponibilidade de dados e por permitir fazer uma comparação da evolução da vida das famílias nos diversos tópicos. Entendemos que as mudanças ocorridas nesse período são uma precondição para a resolução de outras questões muito importantes. Se o Brasil quase não evoluiu em produtividade do trabalho nesse período, isto está relacionado, entre outras coisas, com o nosso atraso em resolver as questões básicas da educação. Porém, para resolver as questões da educação, primeiro precisávamos incluir todos: só muito recentemente atingimos indicadores aceitáveis de universalização do ensino para então começar a focar a melhoria de sua qualidade.
    Cabe ressaltar ainda que nosso objetivo não foi uma análise comparativa mostrando a trajetória do Brasil vis-à-vis outros países. Sabemos que certos países, nos quais há algumas poucas décadas havia indicadores semelhantes aos nossos, entraram em uma rota sustentada de desenvolvimento muito antes do período aqui analisado para o contexto brasileiro e hoje se encontram em uma situação superior. Os casos chileno e sul-coreano são sempre lembrados.
    Em educação, por exemplo, dados da Unesco mostram que em 1990 os países da América do Norte, Europa Ocidental e Leste Asiático já tinham taxas de frequência à educação primária acima de 96%, isto é, ensino primário virtualmente universalizado.1 No mesmo ano, segundo dados do IBGE, a frequência ao ensino primário no Brasil era de 80% para a população em geral e 73,3% para domicílio com renda per capita de até um salário mínimo. A universalização da educação primária no Brasil só foi alcançada no final dos anos 1990 e início dos 2000.
    Entretanto, a evidência de que vários países largaram na frente na corrida do desenvolvimento não anula o fato que, em 1995, o Brasil estava em um patamar muito inferior. A pré-escola e o ensino médio eram uma realidade apenas para as classes AB, assim como o acesso ao ensino superior. Menos de 20% dos domicílios possuíam telefone, e nas classes CDE esse índice era de menos de 5%. O acesso à informação para grande parte das famílias era limitado aos telejornais de poucos canais de TV aberta. A máquina de lavar (e até mesmo a geladeira) era item possuído apenas pela elite. O emprego com carteira assinada era raro nas classes baixas, assim como o acesso a uma conta-corrente. Os domicílios eram menores, com mais moradores por cômodo, e havia mais moradias com acabamentos precários.

    O que são as classes CDE?
    Classificar uma população em grupos socioeconômicos não é tarefa fácil. Podem-se adotar critérios econômicos, demográficos, culturais, étnicos e ainda assim não seríamos capazes de chegar a uma estratificação definitiva de uma sociedade. Não obstante a complexidade desse tema, que perpassa as diversas ciências sociais, este livro adota um critério estritamente econômico para definir as classes CDE: a renda domiciliar per capita. São três as justificativas para tal escolha:
    1. É um critério numérico claro, transparente, que facilita a comunicação e o entendimento sobre quem é o público-alvo deste livro;
    2. A renda domiciliar é uma das proxies mais importantes (embora não seja única) das condições de vida das famílias;
    3. É uma variável que consta em toda a série histórica da Pnad, que é a principal (mais confiável e constante) fonte de dados sobre as condições de vida dos domicílios brasileiros.
    Este livro chama de classes CDE os indivíduos com renda domiciliar per capita abaixo de um salário mínimo, e — a fim de estabelecer algumas comparações mais detalhadas — consideramos classe C as pessoas com renda per capita de meio a um salário mínimo e classes DE aquelas com renda per capita abaixo de meio salário mínimo. Por construção, chamamos de classes AB os indivíduos com renda domiciliar per capita acima de um salário mínimo. A tabela seguinte mostra alguns dados sobre essas classes CDE segundo os dados de 2015 (mais atuais da série analisada). (...)

     

    O Brasil mudou mais do que você pensa: um novo olhar sobre as transformações das classes CDE

    Organizadores: Lauro Gonzalez, Maurício de Almeida Prado e Mariel Deak

     

  • Postado por editora em em 11/09/2018 - 14:21

    Em 1968, a lei no 5.473 considerava “nulas as disposições e providências [...] que criem discriminações entre brasileiros de ambos os sexos”, prevendo inclusive multas para “empresas privadas” ou “concessionárias do serviço público federal” que as praticassem.

    Em 2009, a ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Nilceia Freire, encaminhou à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania um anteprojeto de lei que previa a efetivação da igualdade entre homens e mulheres nas relações de trabalho.

    Muito antes da proposição legislativa de 2009 e da Lei de 1968, o Decreto do Trabalho das Mulheres, de 1932, estipulou a licença-maternidade, proibiu a desigualdade salarial e regulou a jornada do trabalho feminino.

    Esses dispositivos legais, que até os dias de hoje são as bases para a regulamentação da vida das mulheres que trabalham - ainda que de forma contestável -, só se tornaram uma realidade, em razão das disputas políticas iniciadas pelos movimentos operário e feminista no Brasil.

    Os direitos das mulheres: feminismo e trabalho no Brasil (1917-1937) traz uma pesquisa histórica sobre a construção dos direitos das mulheres, por meio das leis trabalhistas.

    Glaucia Fraccaro apresenta sua investigação seguindo o roteiro da regulamentação do trabalho feminino no período de 1917 a 1937. O marco foi escolhido pela enorme efervescência provocada na sociedade brasileira, com as greves operárias de 1917 em São Paulo, e encerra essa investigação histórica com o registro da aprovação, pela Câmara Federal, do projeto de autoria da deputada Bertha Lutz que criava o Departamento Nacional da Mulher, em 1937 (embora esse departamento nunca tenha sido implementado devido à promulgação do “Estado Novo” em 11 de novembro de 1937, que fechou o Congresso Nacional e extinguiu os partidos políticos nacionais).

    A pesquisa que deu origem à obra é vencedora do prêmio ABET - Mundos do Trabalho em Perspectiva Multidisciplinar, edição 2017.

    Este é um livro pioneiro sobre a história das mulheres brasileiras em suas lutas por direitos e igualdade, que já duram mais de 100 anos.

     

    Confira o depoimento de Hildete Pereira de Melo - ativista feminista desde 1976 - sobre a obra:

     

    Este livro apresenta o texto vencedor do prêmio Mundos do Trabalho em Perspectiva Multidisciplinar da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (ABET), lançado em 2017 e concluído em seu XV Encontro Nacional.

    De autoria da pesquisadora Glaucia Fracarro, o livro analisa o trabalho numa perspectiva da história e das relações de gênero. Uma exaustiva pesquisa histórica foi feita para mostrar que foram as próprias mulheres que colocaram nas ruas e portas de fábricas as questões relativas à proteção da maternidade, da igualdade salarial e da regulação da jornada de trabalho.

    Embora a igualdade salarial só exista no papel, estando presente no texto das leis, e a diferença salarial entre homens e mulheres seja de cerca de 30%, os demais dispositivos legais estão presentes nas vidas femininas porque as mulheres de antanho foram à luta e, tanto as operárias como as feministas, escreveram com determinação esta história que a autora conta com paixão.

    Seu entusiasmo foi construído através de uma robusta pesquisa que desnuda as dificuldades enfrentadas por elas na vida sindical e social e relata uma novidade: as alianças que foram estabelecidas entre essas operárias e as redes sociais, tanto das feministas nacionais, como das internacionais.

    Leitura imprescindível para as jovens mulheres trabalhadoras, estudantes e donas de casa que buscam entender a discriminação de gênero ainda vigente na sociedade do século XXI, apesar de um passado de lutas que a história oficial não conta.

     

    Boa Leitura!

    Hildete Pereira de Melo

    Professora do Núcleo de Gênero e Economia

    da Universidade Federal Fluminense

  • Postado por editora em em 10/09/2018 - 12:32

    A nossa contemporaneidade está mar­cada por indignações e descrenças políticas, o que torna cada vez mais necessário recuperar trajetórias e ten­sões passadas. Procurando dialogar com estas e outras questões, a Editora FGV publica o livro Plínio Salgado: um católico integralista entre Portugal e o Brasil (1895-1975), de Leandro Pereira Gonçalves, que desvenda e revisa aspectos, trajetórias e lutas do líder integralista Plínio Salgado (intelectual e político indissociável da “era do fascismo”, do qual foi a expressão mais visível no Brasil dos anos 30 do século XX).

    O autor desdobra a sua análise em duas fases principais: na primeira remonta à passagem de Salgado, nas décadas de 20-30, da literatura à política, sob a influência do movimento modernista de 1922, e as suas primeiras impregnações doutrinárias pelas leituras do Integralismo Lusitano; na segunda, o autor examina as intensas relações estabelecidas com o conservadorismo português, iniciadas uma década mais tarde, após o fechamento da AIB (Ação Integralista Brasileira) em 1937, sua prisão e posterior exílio em Portugal.

    Na investigação de Leandro Pereira Gonçalves, foi utilizada uma quantidade significativa de fontes jornalísticas da Biblioteca Nacional do Brasil, bem como a análise de documentos depositados na Fundação Casa de Rui Barbosa, no CPDOC da Fundação Getulio Vargas e no Fundo Plínio Salgado do Arquivo Público e Histórico de Rio Claro.

    Nos fundos documentais foi possível identificar ações de Plínio Salgado no exílio em Portugal, além de elementos que possuíam ligações com o líder integralista. Foram realizadas investigações no arquivo do SNI, além de uma pesquisa inédita na ocasião da investigação, no acervo não aberto ao público, aos documentos da Legião Portuguesa, milícia oficial do Estado Novo que tinha o propósito de organizar a moral da nação e cooperar na sua defesa contra os inimigos da pátria. Nesta vasta pesquisa foram localizados dossiês sobre o líder do integralismo brasileiro, Plínio Salgado, e o seu secretário particular, Hermes Malta Lins e Albuquerque, figura importante no exílio.

    Os estudos investigativos em Portugal apresentam uma relevância especial, principalmente pelas poucas produções acadêmicas sobre o tema até o momento. Com investigações nos acervos portugueses, principalmente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), o autor buscou uma possibilidade de entendimento das relações tão próximas de Plínio Salgado com Portugal, iniciadas antes do exílio, e descobriu um dossiê que apresenta a tentativa de um plano entre Salgado e os nazistas alemães.

    De acordo com o dossiê, esta tentativa de acordo em 1941 buscava uma aproximação entre PS (com apoio do secretário particular) e membros do governo alemão. Representantes da Gestapo verificaram um grande interesse nessa associação, com o objetivo de transportar a política nazi para o Brasil e, consequentemente, América do Sul, após a Segunda Guerra Mundial, com uma possível vitória do Eixo e Plínio Salgado teria essa função de ser um representante no continente.

    Entretanto, com a entrada do Brasil na guerra, Plínio recua e passa a atuar no exílio apenas nos discursos e produções religiosas, sendo aclamado entre os conservadores católicos portugueses de o “Quinto Evangelista”, tamanha a sua importância religiosa no país, principalmente após o lançamento da obra “Vida de Jesus”, literatura que passou a ser obrigatória nas escolas portuguesas, como mostram os capítulos do 3 e 4 do livro.

    De acordo com Leandro, um dos aspectos destacados na obra é a continuidade da política integralista no período do pós-guerra, explicada por uma mudança doutrinária estabelecida pelo líder do movimento, no período de 1939 a 1946, momento em que ficou exilado em Portugal.

    Com a dissolução do PRP (Partido de Representação Popular, fundado por Salgado em 1946 após o exílio e que permaneceu ativo até 1965), pensou-se que determinadas fontes políticas seriam extintas, mas a presença de um governo ditatorial no Brasil, sua associação ao partido dominante da ditadura civil-militar brasileira, a ARENA, e a manutenção dos componentes nacionalistas de cunho autoritário influenciaram, após a morte de Plínio em 1975,  o surgimento dos denominados neointegralistas, que vem provar ao cidadão do século XXI que ideias reacionárias e a semente da intolerância ainda estão presentes no nosso meio.

    Esta biografia intelectual e política de Plínio Salgado, nos seus cruzamentos com Portugal, representa não só um estudo pioneiro, como uma contribuição para a história transnacional do fascismo e do autoritarismo brasileiro e português.

     

    Lançamentos:

    Data: 12/09 – 18h

    Local: Planet – Rua Morais e Castro, 218 Passos – Juiz de Fora/MG

     

    Data: 22/10– Hora: 18h

    Após o Congresso Internacional Corporativismo, autoritarismo e democracia

    Local: Livraria FGV – Praia de Botafogo, 190 – Botafogo, Rio de Janeiro

     

    Plínio Salgado: um católico integralista entre Portugal e o Brasil (1895-1975)

    Autor: Leandro Pereira Gonçalves

  • Postado por editora em em 31/08/2018 - 09:08

    50 anos rememorados em 2018, de um ano que ainda marca as gerações que o viveram, influencia as gerações dessas cinco décadas e influenciará as que ainda virão.

    1968 em movimento pretende trazer outros ângulos de observação e perspectivas sobre o momento daquele ano e sua época.
    Entendendo 1968 como chave para o aprofundamento da ditadura militar, o livro apresenta novos enfoques para alguns eventos bastante – e outros pouco – conhecidos. Sobretudo, dará atenção particular às reações, aos desdobramentos e às heranças que aqueles eventos suscitaram no e ao longo do tempo.

    Confira a introdução da obra e aguarde mais informações sobre o lançamento.

    1968 foi um ano crucial, escreveu a jornalista italiana Oriana Fallaci em seu diário (Fallaci, 2017). Crucial pela importância que apresentou na história do século XX. Crucial porque cruzou diferentes formas de contestação e porque nele se cruzaram distintas dimensões do tempo: foi um ano que se espelhou num passado próximo, mas que, sobretudo, projetou futuros diversos. Como evento capital, 68 não pode ser reduzido apenas à sua cronometria: precisa ser entendido através de sua longa duração e questionado no que diz respeito a seus possíveis fins… Por ser crucial, torna-se imperativo reinterpretá-lo 50 anos depois à luz de um presente com pouco ou sem nenhum horizonte de expectativa.
    No Brasil, o ano de 1968 continua a pautar o imaginário político, a incentivar narrativas memoriais dos seus participantes e a estimular análises dos acadêmicos. Das interpretações realizadas à chaud, na sequência dos fatos, até os eventos ligados à comemoração dos 40 anos da data, a produção historiográfica brasileira privilegiou os grandes acontecimentos políticos e culturais e a fala de seus grandes personagens, ancorados sobretudo no movimento estudantil e no movimento operário. Do “momento 68”, na curta duração do ano calendário, as perspectivas foram se expandindo para se entender à “época de 1968” através de seu caráter revolucionário (Ridenti, 2009:81-90).
    Este livro pretende trazer outros ângulos de observação e perspectivas sobre o momento e sua época. Apresentar os movimentos de 1968 e aqueles que dele derivaram será o fio condutor dos textos aqui reunidos. Entendendo o ano de 1968 no Brasil como chave para o aprofundamento da ditadura militar, a ideia é trazer novos enfoques para alguns eventos bastante, e outros muito pouco, conhecidos. Mas, sobretudo, este livro dará uma atenção particular às reações, aos desdobramentos e heranças que aqueles eventos suscitaram no e ao longo do tempo. Quais foram os contatos, as apropriações e circulações de ideias de um mundo em ebulição que perpassaram pela singularidade do caso brasileiro?
    Quais são as permanências (e as rupturas) projetadas na época que continuam presentes até os dias de hoje na nossa sociedade? As diversas gerações de estudantes que se formaram desde então são herdeiras daquela geração? Como é apresentado aquele contexto e as lutas travadas no plano memorial? Como foi rememorado 68 à luz de cada presente nestes últimos 40 anos? Neste percurso, começaremos examinando a trajetória de militarização do regime no Brasil desde o pós-1964 e as formas diversas e heterogêneas de reação do mundo civil, em particular a resistência encampada pelo movimento estudantil, como nos mostrará João Roberto Martins Filho.
    Num mundo dominado pela Guerra Fria, a contestação como ideia tornou-se global, estendendo-se desde a radicalidade dos movimentos anarquistas e comunistas do Zangakuren japonês, e passando pelos movimentos de libertação nacional da Argélia, pelo longo ’68 studentesco italiano, pela  contracultura e os novos movimentos sociais que surgiram nos Estados Unidos, pela barbárie do Massacre de Tatleloco, no México, até chegar ao Cordobazzo argentino. A historiografia brasileira não cansa, porém, de mostrar as especificidades do nosso caso. Já neste livro, procuramos apresentar as possíveis conexões que diferentes atores brasileiros apresentavam com outros contextos, bem como a circulação de ideias e influências vindas de outros países.
    A preocupação dos militares com os estudantes não ficava restrita ao território brasileiro, até mesmo porque outro 68 abalava o mundo: o “maio francês” os inquietava pela desordem e a subversão, especialmente porque em Paris viviam mais de 100 estudantes brasileiros numa casa financiada pelo país na Cidade Universitária, como apresentarei em meu artigo.
    O binômio cultura e política, lido numa chave de cultura de contestação, é a marca da época de 1968. Nesse sentido, foi inegável a atração exercida por visões de mundo transformadoras que estavam presentes nas propostas das esquerdas naquele momento e que influenciaram fortemente o campo intelectual, atraindo para sua “órbita” intelectuais e revistas de início mais afinadas com a direita, como analisará Marcelo Ridenti com o caso da Cadernos Brasileiros.
    A última obra publicada defendendo a singularidade do caso brasileiro, demonstrando pouco envolvimento com as questões que pautaram o 68 global é a de Hagemeyer (2016).
    Se o comportamento e as ações da juventude e do movimento estudantil foram preponderantes naquela conjuntura, não menos importante foi o papel do movimento operário, sobretudo se lembrarmos das greves de Contagem e Osasco. Larissa Corrêa e Paulo Fontes vão além desse auge do 68 operário. Partindo do sindicalismo internacional e especificamente da influência americana, que investiu pesadamente na educação sindical dos trabalhadores latino-americanos, visando a “espalhar as sementes do sindicalismo livre e democrático”, os historiadores repensam os significados do ano para os trabalhadores a partir das ações do regime militar e das reações a ele.
    Parafraseando Zuenir Ventura, o ano de 1968 terminou duas vezes para o movimento estudantil. O Ato Institucional no 5, sem dúvida, levou ao fechamento do regime. Mas um episódio que, entre todos os outros, ficou bastante conhecido na história e foi mitificado e glorificado na memória daqueles que o vivenciaram foi o XXX Congresso da UNE, na cidade de Ibiúna. O que poucos conhecem, de fato, são os detalhes da grande operação montada pelas polícias políticas para desbaratar o congresso e os eventos que a partir dela se desenrolaram, trabalho do historiador Pedro Ernesto Fagundes no texto “Operação Ibiúna”.
    A socióloga francesa Camille Goirand colocará em perspectiva como o confronto entre manifestantes e policiais nas ruas contribuiu para acelerar o processo de construção de um regime autoritário em 1968, ou para fortalecer a ideia de transição para a democracia no final dos anos 1970. As técnicas eram as mesmas? Ainda comparando uma década com outra, a historiadora Gislene Lacerda tratará das “batalhas” pela construção da memória das gerações de 1968 e 1977. Quem, afinal, derrubou a ditadura?
    A memória de uma geração heroica também foi (des)construída pela imprensa. A socióloga Maria Ribeiro do Valle analisará como o jornal O Estado de S. Paulo, que se posicionou contrariamente ao movimento estudantil em 1968 e nas décadas posteriores, reconstruirá a imagem daqueles jovens (e do próprio jornal) por ocasião das comemorações dos 30 anos, num contexto de grande repercussão midiática das manifestações e de fortalecimento da incipiente democracia brasileira.
    Já as graduandas em história da UFF Gabriela Costa e Maria Júlia Dias, partindo da edição do dia 18 de janeiro de 2013 d’O Globo, cuja capa anunciava “A nova marcha dos 100 mil”, irão verificar como o jornal reconstruiu sua própria memória dos eventos e como continuou desconstruindo as manifestações contestatórias, lá e aqui.
    Por fim, Rafael Hagemeyer nos brindará com um ensaio sobre os significados cambiantes de 1968, sempre reatualizados, e apresentará o encontro de um historiador com seu tema de pesquisa reincidente em diferentes contextos, refletindo, assim, o métier de historiador. Vale registrar, ainda, que 1968 em movimento, como fio vermelho deste livro, foi pensado também para ser um encontro. Aqui cruzam-se diferentes gerações: desde aqueles que viveram as utopias e a radicalidade do “ano mágico” aos que, nas décadas subsequentes, reconstruíram e adequaram propostas que também lá nasceram até chegar aos estudantes de hoje, que ainda estão em formação.
    Esse encontro foi propiciado pelas diferentes leituras e abordagens de um tema que continua sendo agenda importante para os pesquisadores. Os historiadores e sociólogos aqui reunidos escreveram no tempo presente à luz de suas experiências de pesquisa e de vida. A todos eles, meu grande agradecimento pela colaboração. Agradeço também o trabalho sempre muito benfeito pela Editora FGV. Um agradecimento mais que especial à sua diretora, professora Marieta de Moraes Ferreira, que ajudou enormemente a delinear o formato deste projeto e acompanhou com dedicação todas as suas etapas. Seu espírito “soixante-huitard”, benévolo e entusiasta, foi fundamental para este livro chegar até você, caro leitor.

     

    1968 em movimento

    Coordenadora: Angélica Müller

    232 páginas

    Impresso:49,00

    Ebook: 35,00 (em breve)

     

  • Postado por editora em em 17/07/2018 - 11:49

    A economia brasileira cresceu de forma extraordinária até 1980. Depois, cresceu a uma taxa quatro vezes menor até 2014, quando entrou em grave recessão.
    Desde 2017, voltou a crescer, mas muito lentamente, enquanto uma direita liberal e uma esquerda desorientada nada têm a oferecer ao país.
    Quando o Brasil voltará a ter um projeto de nação e desenvolvimento? As elites liberais dizem que isso não é necessário — que basta disciplina fiscal, o resto o mercado resolve. A esquerda populista diz que basta aumentar a despesa pública e os salários. Para Bresser-Pereira, esses dois caminhos
    estão equivocados. Ele concorda com os pós-keynesianos, que é preciso manter a demanda agregada, e com os desenvolvimentistas, que é preciso reindustrializar o Brasil, mas é preciso mais do que isso.

    No livro Em busca do desenvolvimento perdido: um projeto novo-desenvolvimentista para o Brasil, Bresser-Pereira discute a economia brasileira desde 1990, quando o regime de política econômica desenvolvimentista foi abandonado e o país começou a instalar um regime de política econômica liberal. Discute e, principalmente, define um projeto para o Brasil. Um projeto de desenvolvimento econômico claro e objetivo, que permita que políticos competentes, dotados de espírito republicano e solidários com seu povo, façam a crítica do liberalismo econômico e do desenvolvimentismo incompetente, e liderem o Brasil de volta ao desenvolvimento perdido.

    Confira um trecho da introdução da obra:

    A lógica do capitalismo é a lógica do interesse para os indivíduos, do lucro para as empresas, e da competição para os Estados-nação; é uma forma dura senão implacável de organização social, mas define as sociedades modernas, porque, até hoje, foi ela que se revelou a mais capaz de promover o desenvolvimento econômico — a melhoria dos padrões de vida. Há outras lógicas nessas sociedades: há a lógica da república ou do interesse público; a lógica da democracia ou da liberdade e da igualdade; a lógica do socialismo ou da solidariedade; e a lógica do ambientalismo ou da proteção da natureza. São quatro lógicas mais humanas, mas são em parte utópicas. Elas correspondem a ideais que estão de alguma forma presentes nas sociedades modernas, mas não são dominantes. Seu grande papel é o de temperar o capitalismo, é o de dar sentido a um projeto coletivo de nação e mesmo a um projeto coletivo de humanidade. É de tornar o capitalismo menos individualista, menos corrupto, menos autoritário, menos injusto, e menos predatório da natureza. Para uma sociedade ser bem-sucedida não basta haver-se desenvolvido no plano econômico; ela precisa que a maioria de seus membros sejam cidadãos republicanos, éticos, democráticos, socialistas e ambientalistas.
    Desde 1930 o Brasil experimentou um extraordinário processo de industrialização ou de sofisticação produtiva. O mundo rico, desde 1940, apresentou resultados semelhantes. 
    Desde os anos 1980, porém, o desenvolvimento econômico nos países ricos tem sido pequeno e instável, e a desigualdade só tem aumentado, o mesmo ocorrendo no Brasil desde os anos 1990. Os países ricos liderados pelos Estados Unidos se viram desafiados pelos países em desenvolvimento do Leste e do Sudeste da Ásia e pela pressão migratória dos povos pobres vizinhos, e abandonaram o desenvolvimentismo social-democrático que Franklin Delano Roosevelt havia inaugurado nos anos 1930 e que encontrou sua mais plena realização nos países europeus no pós-guerra, nos Anos  Dourados do Capitalismo. Abandonaram a social-democracia, e mergulharam em um liberalismo econômico radical e agressivo enquanto suas taxas de crescimento declinavam, a instabilidade financeira voltava a ser um grande problema, os trabalhadores e os pobres viam seu padrão de vida estagnar, e as sociedades nacionais dos países centrais, que eram razoavelmente coesas nos anos 1950 e 1960, tornarem-se divididas e sem rumo a partir de 1980. O Brasil, 10 anos depois, a partir de 1990, seguiu os passos do Norte — do liberalismo econômico — e, desde então, se desindustrializou, mas avançou no campo social e político. Entretanto, desde 2013, seguiu também o caminho dos Estados Unidos de uma divisão social e de uma perda de valores republicanos e solidários.
    Nesse quadro competitivo, o Brasil precisa dramaticamente de um projeto nacional; precisa vencer a quase-estagnação econômica que já dura quase 40 anos, precisa se reindustrializar ou voltar a se sofisticar produtivamente, e precisa, no plano político, recuperar a relativa coesão social perdida nos últimos cinco anos. Entre 1930 e 1980 o Brasil se industrializou e a renda per capita brasileira cresceu a uma taxa per capita de 3,8% ao ano; desde os anos 1980, o país entrou em desindustrialização e a economia está quase-estagnada, crescendo à modesta taxa de 1,0% até 2016, magnitude insuficiente para que o Brasil possa alcançar o nível de renda per capita dos países ricos. O Brasil está ficando para trás no conjunto dos Estados-nação e precisamos reverter isso. O que se espera de um país em desenvolvimento é que ele faça o alcançamento, ou seja, que cresça mais rapidamente que os países ricos e, assim, que sua renda convirja para o nível de renda desses países. Isso aconteceu entre 1930 e 1979.
    Tomando-se apenas os Estados Unidos como parâmetro, a renda por habitante brasileira que em 1950 era 5 vezes menor do que a desse país, passou a ser 2,68 vezes menor em 1980, ocorrendo, portanto, forte catching up. Em seguida, porém, a tendência inverteu-se, e em 2014 nossa renda por habitante era 3,42 vezes menor que a americana. O Brasil passou a ficar para trás. Em 2006, graças ao boom de commodities, o Brasil voltou a reduzir a distância em relação ao PIB per capita americano, mas a tendência se reverteu novamente em 2015.
    Entre 2014 e 2016 o Brasil passou por grave recessão. O produto interno bruto apresentou uma queda de 7,11% e o desemprego chegou a um auge de 13,7% da população ativa. Seis milhões de brasileiros foram jogados na pobreza. Ao mesmo tempo que o Brasil entrava em recessão, em 2014, entrava também em grave crise fiscal. O superávit primário do setor público, que fechou o ano de 2013 em 1,72% do PIB, começou a apresentar uma queda expressiva nos primeiros meses de 2014, transformando-se ao final daquele ano num déficit primário de 0,57% do PIB. Com a recessão iniciada no segundo trimestre de 2014, o déficit primário aumentou ao longo de 2015, fechando esse ano em 1,85% do PIB. O Brasil entrara em crise fiscal. A partir de 2017 a economia brasileira entrou na fase de recuperação do ciclo, a inflação caiu de forma surpreendente, e o Banco Central ficou sem alternativa senão baixar os juros. A taxa de crescimento voltou a ser positiva, alcançando um modesto 1% nesse ano, enquanto a taxa de investimento foi de apenas 15,6% do PIB. Diante disso, os inefáveis espíritos conservadores, herdeiros do Dr. Pangloss, donos de um otimismo inquebrantável quando estão no poder, já estão dizendo que o Brasil “retomou o desenvolvimento” e poderá acrescer, nos próximos anos, 3% ao ano, número que corresponderia ao “produto potencial brasileiro”. Ora, essa taxa de crescimento não resulta em alcançamento, apenas não deixa a economia brasileira para trás. É uma meta baixa, satisfatória apenas para os muito ricos, mas incapaz de elevar firmemente os padrões de vida e de abrir oportunidades para os jovens. E certamente não será alcançada, se continuarmos com o regime de política econômica liberal, porque as crises financeiras cíclicas serão constantes.
    O fato é que a economia brasileira está semiestagnada. Por quê? Porque não tem um projeto de desenvolvimento desde 1980? Porque adota um regime liberal de política econômica desde 1990? Porque está presa em uma armadilha macroeconômica de juros altos e câmbio apreciado? Porque o populismo fiscal e o populismo cambial impedem de essa armadilha ser levantada? No caso afirmativo, o que é preciso fazer? Quais as políticas econômicas e as reformas que colocarão o Brasil novamente na rota do crescimento e do alcançamento?
    Desde 1980 a economia brasileira deixou de realizar o alcançamento dos padrões de vida dos países ricos; desde 1990 abandonou o projeto desenvolvimentista e se deixou dominar pelo capitalismo financeiro-rentista e sua ideologia neoliberal. Para que a nação volte a ser viva e atuante é preciso que volte a ter um projeto, e para isto são necessárias ações políticas em muitos setores. Neste livro, limitarei seu escopo à economia e a uma breve proposta de reforma política. Para isso, farei um diagnóstico dos problemas fundamentais a partir de uma teoria econômica em construção — o novo desenvolvimentismo.

     

    As discussões continuarão no lançamento da obra, dia 20 de agosto, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.

    Confira abaixo:

     

    Em busca do desenvolvimento perdido: um projeto novo-desenvolvimentista para o Brasil

    Luiz Carlos Bresser-Pereira

    Editora FGV

  • Postado por editora em em 12/07/2018 - 09:25

    Após alcançar a marca de mais de 3 milhões de exemplares vendidos, as Publicações FGV Management ganham novo formato, novo design, novos autores e novos títulos, acompanhando as mudanças do mercado e mantendo-se cada vez mais atualizada e alinhada com a realidade dos profissionais.

    As obras estão relacionadas a áreas de conhecimento, como Administração pública, Contabilidade e auditoria, Economia e finanças, Direito, Gerenciamento de projetos, Gestão comercial, Gestão de pessoas, Gestão empresarial, Marketing, Operações e logística e Tecnologia da informação, o que torna a abordagem dos temas cada vez mais dinâmica e a formação profissional mais prática.

    Além das publicações relacionadas às áreas descritas, que serão utilizadas nos cursos promovidos pelo Programa de Educação Executiva da Fundação Getulio Vargas, novos livros abordarão temas globais, como Matemática financeira, Economia empresarial, Negociação e administração de conflitos, entre outros, e serão utilizados nos módulos básicos desses cursos por todos que iniciarão seu aperfeiçoamento profissional.

    As Publicações FGV Management concretizam um projeto de elaboração de livros voltados à administração de negócios, escritos por profissionais de reconhecida competência acadêmica e prática, todos professores e professoras do FGV Management, que faz parte do Programa de Educação Executiva da Fundação Getulio Vargas.

    Para conhecer mais sobre os livros, acesse o link Publicações FGV Management em nosso site.

    O lançamento será dia dia 9 de agosto, na Livraria FGV do Rio de Janeiro, às 18h.

  • Postado por editora em em 11/07/2018 - 10:23

    Ensaios de grande estratégia brasileira reúne cinco capítulos sobre a articulação entre as políticas externa e de defesa do país, em que o autor enfatiza a necessidade inadiável de retirar o Exército do pântano da segurança pública, condição sine qua non para implementar uma grande estratégia coerente - e para enfrentar de maneira efetiva a ameaça do crime organizado.
    Este livro será de grande valia para todos os interessados em política externa, defesa, segurança internacional, história e ciência política, bem como para qualquer cidadão preocupado com o futuro do Brasil.

    Confira o prefácio da obra:

    Se alguém ainda nutrir suspeitas sobre a acuidade da difundida frase “O Brasil é o país do futuro, e sempre será…”, ler o penetrante livro de João Paulo S. Alsina Jr. removerá rapidamente qualquer dúvida. O autor redigiu os cinco capítulos de seu livro durante o período 2010-2017, intervalo de tempo em que completou seu doutoramento, publicou um importante livro sobre o barão do Rio Branco e vários artigos sobre forças armadas e defesa, além de ter contribuído com diversas publicações.
    Os primeiros dois capítulos do seu novo livro, sobre o conceito de grande estratégia e o atual panorama da segurança internacional encarado a partir da perspectiva brasileira, são extremamente bem documentados com as fontes mais recentes e relevantes. Os três capítulos seguintes são ensaios em que o autor se baseia em insights únicos, derivados de sua condição de diplomata e de um dos mais conceituados experts em diplomacia brasileira, defesa e relações civis-militares. João Paulo Alsina não teve alternativa senão escrever esses três capítulos - sobre segurança nacional e defesa, o Brasil e as operações de paz, e a conscrição no país - como ensaios, tendo em conta haver muito pouca literatura acadêmica útil e objetiva sobre esses tópicos. Há documentos oficiais sobre essas matérias, mas uma das bêtes noires do livro é justamente a recaída naquilo que o autor classifica como "oficialismo” - a tendência à confirmação acrítica - pelos estudiosos do mofado status quo burocrático. O contraste entre, de um lado, o que autores estrangeiros, como Hew Strachan, seguidores de Carl von Clausewitz, têm a contribuir sobre a formulação da grande estratégia e o “pacto da mediocridade” prevalecente no Brasil sobre esse tema, de outro, é alarmante.
    No grupo dos três capítulos anteriormente mencionados, em realidade ensaios, Alsina demonstra claramente que o Brasil não tem uma estratégia. 
    Caso o status quo atual não seja alterado: a grande estratégia do país continuará a ser caótica e totalmente incapaz de reunir sinergicamente os ativos de poder nacionais em torno de um projeto viável de inserção soberana no mundo. Ao que tudo indica, o Brasil permanecerá sendo um ator menor no plano da segurança internacional, munido de retórica diplomática totalmente desconectada de capacidades materiais correspondentes. O tão almejado assento permanente no CSNU, mantidas as condições atuais, será apenas mais um sonho de uma noite de verão.
    No capítulo três, João Paulo Alsina trata das instituições, no Brasil, que deveriam ser instrumentos de implementação da grande estratégia, que para o autor precisariam incluir o Exército Brasileiro. Contudo, devido ao recurso constante ao Exército na segurança interna, na verdade em tarefas policiais, a infame garantia da lei e da ordem (GLO), e a tremenda relutância em utilizar o poder militar externamente, não há disposição política para apoiar financeiramente as Forças Armadas nem incentivos reais para que os decisores brasileiros se envolvam ou desenvolvam expertise em temas relacionados com a segurança lato sensu e com a defesa.
    No quarto capítulo, Alsina demonstra de modo percuciente, em clara contradição com o oficialismo, que a imersão superficial do Brasil em operações de manutenção da paz, como no Haiti por meio da Minustah, levada a cabo entre 2004 e 2017, não é o caminho para o aumento do reconhecimento
    internacional do país. Ele desbanca mitos, que infelizmente são comuns no Brasil mesmo entre acadêmicos, sobre as implicações da participação nessas operações. O autor revela que também nessa área, assim como em outras, inexiste uma estratégia — e o faz a partir da sua experiência no
    interior do aparato estatal, já que fez parte da missão do Brasil junto às Nações Unidas e, nessa condição, se ocupou da temática das operações de paz.
    No quinto capítulo, sobre o recrutamento militar, o que na maior parte dos países equivaleria a objetivos secundários do sistema de conscrição, no Brasil adquire papel preponderante: o resgate de hipotecas sociais. Em consequência, geram-se forças totalmente despreparadas para o combate.
    João Paulo Alsina demonstra que, no Brasil, a incorporação de recrutas às fileiras das FFAA encontra-se muito mais pautada por uma lógica assistencialista/clientelista do que por uma lógica instrumental que conceba o sistema de recrutamento como ferramenta de absorção do contingente melhor talhado para o desempenho dos labores guerreiros. Assim, a maximização do poder combatente das Forças […] encontra-se politicamente subordinada ao desempenho por parte destas de funções subsidiárias que possam ser instrumentalizadas pela lógica do particularismo.
    O tema que unifica todo o livro é o de que os decisores civis no Brasil, ao não reconhecerem a necessidade de os militares desempenharem funções que vão além de tarefas policiais ou ações cívico-sociais, não precisam verdadeiramente de uma estratégia — e, na verdade, nem sequer a desejam. O resultado é um círculo vicioso. João Paulo Alsina enumera três hipóteses de superação do presente conundrum, mas é pessimista quanto à probabilidade de que alguma delas venha a ser materializada devido à total falta de compreensão e de interesse civil em estratégia e na sua interface com as Forças Armadas. Nas suas palavras: “a mais formidável de todas [as barreiras] seja de ordem cognitiva. Não se muda aquilo que não se conhece, e não se conhece algo sem amor ao conhecimento e ao estudo sistemático”.
    Este livro, ainda que extremamente crítico, encontra-se fundamentado em realidades que o autor conhece em profundidade. Similarmente, observadores estrangeiros bem informados, cansados da retórica vazia sobre a singularidade brasileira, estão crescentemente atentos aos problemas abordados por Alsina. Com este trabalho, espera-se que mais brasileiros compreendam a problemática da segurança nacional e adquiram conhecimento voltado à superação dos imensos obstáculos à construção da estratégia definidos e analisados pelo autor.
    Que um brasileiro, e diplomata ainda por cima, escreva e publique um livro como este é encorajador. Em Ensaios de grande estratégia brasileira, João Paulo Alsina realiza uma análise que precisa ser considerada seriamente.
    Thomas C. Bruneau
    Professor emérito, Naval Postgraduate School, Monterey
    EnsaiosDeGrandeEstrategiaBrasileira

     

    Ensaios de grande estratégia brasileira

    João Paulo Soares Alsina Júnior

    Editora FGV

  • Postado por editora em em 03/07/2018 - 11:48

    Os desafios e as oportunidades do mercado de vinho no Brasil e no mundo serão alvo de debates durante o Seminário Vinho & Mercado 2018.

    Em sua quarta edição consecutiva promovida pela Fundação Getulio Vargas em parceria com a Baco Multimídia, o evento reunirá, no dia 7 de agosto, das 8h30 às 17h30, profissionais de diferentes áreas de negócios do vinho, além de experts do setor.

    As inscrições para este já tradicional evento, que faz parte do calendário anual do Rio Wine and Food Festival, estarão abertas no dia 7 de julho.

     

    Confira a programação do seminário:

     

    8h10  8h40 —  Cadastro e acesso

     

    Moderador:

    Sergio Queiroz | Especialista em mercado de vinhos e marketing e sócio-Diretor do Grupo BACO Multimídia

     

    Palestras:

    8h45 – 9h00 —  Abertura FGV

    João Luis Tenreiro Barroso | Diretor da FGV Educação Executiva – Rio de Janeiro e Brasília

    Valdiney C. Ferreira | Coordenador do Curso FGV Wine Business

     

    9h00 – 9h20  —  Um giro no cenário atual do mercado de vinhos 

    Marcelo Copello | Especialista em vinhos e mercado; Sócio-diretor do Grupo BACO Multimídia

     

    9h20 – 9h50  —  Valorização dos Vinhos Brasileiros – Uma estratégia nacional

    Ações para ampliação de mercado e qualificação da vitivinicultura brasileira.

    Andrea Faria | Líder nacional da carteira de projetos de vitivinicultura do SEBRAE e gestora nacional da parceria SEBRAE e IBRAVIN

     

    9h50 – 10h20  —   “Case Gran Cru” –  Virando a Mesa, quando um grande se torna ainda maior

    O grande salto da Grand Cru, sua expansão e qualidade dos produtos e serviços.

    Mariano Levy | Sócio fundador da Grand Cru

     

    10h20 – 10h50  —  Entrega Troféu Vinha Venha   4 prêmios do setor

     

    10h50 – 11h10  —  Coffee Break

     

    11h10 – 11h40  —  "Case Valduga –  O posicionamento e estratégia de um produtor referência nacional”

    Juarez Valduga | Presidente do grupo Famiglia Valduga

     

    11h40 – 12h10  —  O mercado de bebidas no Brasil e no mundo –  os números e oportunidades para o Vinho

    Thiago Torelli | Líder da área de bebidas na NIELSEN Brasil

     

    12h30 – 12h30  —  Debates

     

    12h30 – 14h00  —  Intervalo para almoço

     

    14h15 – 14h30  —  Apresentação da inédita Pesquisa BACO/eCGlobal em primeira mão sobre hábitos de consumo do brasileiro

    Ana Sequeira | CEO da eCGlobal Solutions

     

    14h30 – 15h00  —  Mesa debate sobre pesquisas no universo dos vinhos no Brasil

    “O que esta sendo pesquisado e leitura dos especialistas sobre os dados”

    Participantes: Thiago Torelli – NILSEN; Ana Sequeira –  eCGlobal Solutions; Márcio Milan – ABRAS

    Mediação: Sergio Queiroz – Diretor do Grupo BACO

     

    15h00 – 15h30  —  "Cases de sucesso referências para indústria do vinho” 

    Márcio Milan | Superintendente da ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados) 

     

    15h30 – 16h00  —  Vinhos do Brasil: “Seu Vinho, Suas Regras” –  Um novo modelo de comunicação setorial

    Diego Bertolini | Gerente de Promoção do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin)

     

    16h00 – 16h30  —  "Mercado brasileiro: o que os números do período 2012-2017 dizem?"

    Valdiney C. Ferreira | Coordenador do curso FGV Wine Business e Diretor Executivo Vinisa Projetos

     

    16h30 – 17h00  —  Debates

     

    INSCREVA-SE

     

    O evento é uma parceria entre o Grupo BACO Multimídia e o Educação Executiva da Fundação Getulio Vargas, contando com o apoio do Vinhos do Brasil, Ibravin, Sebrae e Governo do Estado do Rio Grande do Sul .

    O Grupo BACO Multimídia, idealizador e organizador do Rio Wine and Food Festival, é uma empresa de comunicação e inteligência de mercado que tem na geração de conteúdo e nos eventos sua plataforma de atuação. É responsável pela edição da revista BACO, do Anuário Vinhos do Brasil, em parceria com o Ibravin, entre outros produtos editoriais. Seu portfólio inclui ainda mídia digital e uma série de eventos no Brasil e exterior, com destaque para a Grande Prova Vinhos do Brasil.

  • Postado por editora em em 14/06/2018 - 15:21

    Lobby e políticas públicas, novo livro da Coleção FGV de Bolso, Série Sociedade & Cultura, acaba de ser publicado.

    Wagner Mancuso e Andréa Gozetto, autores da obra, apresentam uma uma síntese das principais questões relacionadas à prática do lobby durante o ciclo das políticas públicas no Brasil. Trata-se de uma introdução ao assunto, que gira em torno de oito pontos: o que é lobby; quem são seus agentes (os lobistas); quais são os alvos dessa atividade; em que momentos do processo decisório o lobby está presente; como o lobby é feito nesses diversos momentos; quão influentes são os lobbies; que contribuições e problemas tal prática pode acarretar; e como enfrentar o desafio de regulamentar esse fenômeno, que apresentam-se exatamente como os capítulos do livro.

    Lobby e políticas públicas procura ser o mais objetivo possível ao tratar do assunto, sem demonizar a atividade de lobby, tampouco endeusá-la. Assim, não se confunde com certa abordagem jornalística superficial, que tende a igualar toda defesa de interesses com corrupção, tráfico de influência e outros atos ilícitos, mas também não corresponde à abordagem de lobistas e de suas entidades representativas, que repisam constantemente a ideia de que “lobby é uma coisa e corrupção é outra”. A proposta, ao contrário, com base na literatura e em nossa própria observação do fenômeno, é mostrar que a prática está aí há muito tempo, vem se profissionalizando, pode aportar colaborações importantes para o processo de tomada de decisão, mas também pode trazer uma série de riscos, o que impõe o desafio de educá-la, orientá-la e regulamentá-la.

    De acordo com os autores, "o lobby é um fenômeno onipresente na política brasileira. Está presente em cada decisão parlamentar ou governamental que afeta nos­sas políticas públicas. No entanto, esse fenômeno ainda tem recebido atenção muito escassa da academia e da sociedade. É chegada a hora de recolocar os grupos de interesse no centro das atenções."

     

    Confira os dois prefácios da obra, assinados, respectivamente por Clive S. Thomas (pesquisador sênior no Instituto Foley de Política e Serviço Público, da Universidade do Estado de Washington (EUA) e consultor na empresa Political Advocacy Strategies) e Paulo Nassar (Diretor-presidente da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) e professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).

    Desde o início da década de 1970, tenho estudado grupos de interesse e a atividade de lobby em 10 países ao redor do mundo. Já escrevi muito sobre defesa de interesses, fui lobista voluntário e, como consultor, ajudei vários grupos e organizações a planejar e implementar  campanhas de lobby.
    Em 2008, tive o prazer de ter sido convidado para participar, como palestrante principal, do Seminário Internacional sobre Intermediação de Interesses: a Regulamentação do Lobby no Brasil, uma iniciativa do Poder Executivo Federal que envolveu a Controladoria-Geral da União (CGU), a Casa Civil, a Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e o Centro Universitário de Brasília. Desde então, tenho estudado, escrito, ensinado e prestado consultorias sobre a atuação dos grupos de interesse no Brasil.
    Para compreender melhor a ação dos grupos de interesse no Brasil, tive o privilégio de trabalhar com muitos colegas em universidades, no governo e no setor privado. Constatei, entretanto, que empresas privadas, organizações (tais como think tanks e universidades) e grupos de advocacy ainda conhecem muito pouco sobre os aspectos práticos da atividade de lobby. Há muito tempo era necessário um guia prático para aqueles que nunca desempenharam a atividade de lobby, e também para aqueles que já trabalham no campo, mas ainda precisam de mais conteúdo sobre diversos aspectos da defesa de interesses.
    Felizmente, essa obra foi escrita. Os autores são Wagner Mancuso e Andréa Gozetto, acadêmicos que conheço desde minha primeira viagem ao Brasil. O presente trabalho, que tenho o enorme prazer de prefaciar, é uma excelente síntese – bem organizada e rigorosa – dos principais aspectos relacionados à prática do lobby.
    Inicialmente, o livro dá conta do lobby realizado em vários níveis de governo no país, bem como dos grupos e organizações envolvidos na defesa de interesses. O restante do livro trata de etapas, decisões e desafios envolvidos numa campanha de lobby. Isso inclui o papel do lobista, o leque de estratégias e táticas que podem ser utilizadas, como lidar com tomadores de decisão no poder público, e como organizar e coordenar os membros de um grupo para fazer lobby em defesa de seus interesses.
    Nenhum livro pode assegurar o sucesso no lobby, mesmo um livro que contenha uma abordagem mais prática. O que um livro pode fornecer são as bases que fundamentam uma boa campanha de lobby, deixando claro o que deve ser evitado.
    Este livro cumpre com excelência esse propósito e irá auxiliar o leitor a refletir sobre os principais elementos concernentes à organização, planejamento e implementação de uma campanha de lobby, incentivando-o a pensar estrategicamente, como faz um lobista.

     

    Entre os objetivos primeiros deste livro de Wagner Mancuso e Andréa Gozetto, destacam-se a demarcação das fronteiras entre os interesses sociais organizados e as políticas públicas que, por definição, deveriam convergir para o bem comum e para a organização harmoniosa do espaço público. Partindo principalmente dos campos da ciência política, da sociologia e do direito, a obra, que requer paciente leitura pela sua densidade acadêmica, cumpre esse objetivo de forma primorosa.
    A estrutura do livro é relativamente hierarquizada do ponto de vista dos conceitos. Temas como o que é lobby, quem faz lobby e os limites da legislação existente se sucedem com explicações objetivas e abrangentes. Mas não se limita a esses pontos essenciais. Vai bem mais além, procura suscitar reflexões sobre a necessidade de uma formação culta e abrangente dos profissionais de lobby e realça os fortes vínculos entre a democracia e o fenômeno do lobby.
    Na realidade, o livro defende a tese progressista de que o lobby no Brasil avança à medida que as liberdades públicas evoluem. De fato, a democracia é um terreno fértil para a defesa transparente de interesses e de grupos de influência.
    Tanto que um dos conceitos que os autores defendem é o de relações públicas. Uma atividade, também segundo os autores, abrangente e que envolve os diferentes campos dos relacionamentos e da comunicação.
    O importante e o que faz de Lobby e políticas públicas um livro original é a desconstrução da rotineira demonização do lobby e dos lobistas. A verdadeira força do lobby profissional não é o dinheiro e sim a capacidade de influenciar decisões de maneira legítima e transparente, ou de  defender argumentos que inspirem confiança. Esse é o oxigênio do lobby na democracia.
    Nestes últimos anos, a sociedade brasileira gerou controvérsias envolvendo temas de grande interesse, a exemplo da defesa do meio ambiente, os riscos gerados pelos agrotóxicos, a organização de comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas etc.), o direito à privacidade e à mobilidade e o combate à corrupção. Isto para citar alguns temas de interesse público que pautam a mídia e dão forma a novos modelos de comunicação e de relacionamentos. Controvérsias, embates de diferentes interesses, que claramente exigem que o lobby se apresente à sociedade sustentado por comunicação dialógica e narrativas claras e verdadeiras. Tudo isso torna o livro de Mancuso e Gozetto ainda mais atual.
    Nesse contexto histórico discute-se sobretudo que a comunicação – orientada por uma cultura organizacional democrática, que deseja expressar o que as pessoas entendem como útil e transcendente para as suas vidas – pode criar boas narrativas, que produzam consensos. A comunicação estratégica no âmbito da discussão dos temas públicos deve ter uma orientação dialógica, regida por comunicadores e avalizada por dirigentes que entendem que a organização (empresa ou instituição) se constitui na sociedade digital em um território único. Sem esse tipo de entendimento, a comunicação e suas narrativas no contexto do lobby serão meramente protocolares, manipuladoras, produzidas contra a sociedade e seus interesses maiores, e não inspiradas pelas responsabilidades política, histórica e social.

     

    Clique aqui para acessar o livro em nosso site.

    O livro será lançado em São Paulo, na Blooks Livraria do Cinema Reserva Cultural.

    Confira a seguir:

     

  • Postado por editora em em 12/06/2018 - 13:03

    A interação contínua entre dispositivos inteligentes, sensores e pessoas aponta para o número crescente de dados que estão sendo produzidos, armazenados e processados, alterando, sob diversos aspectos e de forma crescente, nosso cotidiano. 
    Por um lado, o contexto de hiperconectividade pode trazer benefícios econômicos ao Estado, a empresas, bem como comodidade aos consumidores. 
    Por outro, a crescente conectividade traz desafios significativos nas esferas de proteção da privacidade e segurança, impactando, em última instância, a própria democracia. 
    Este livro, publicado pela Editora FGV em parceria com a FGV Direito Rio, aborda alguns destes desafios decorrentes do avanço do cenário denominado de Internet das Coisas (IoT).

    Ficou interessado? Confira a introdução da obra escrita pelo próprio autor, Edurado Magrani:

    A tecnologia está mudando rapidamente a maneira como interagimos com o mundo à nossa volta. Visando atender às mais novas demandas dos consumidores, empresas estão desenvolvendo hoje produtos com interfaces tecnológicas que seriam inimagináveis há uma década.
    Sistemas automatizados que acendem as luzes e aquecem o jantar ao perceber que você está retornando do trabalho para casa, pulseiras e palmilhas inteligentes que compartilham com seus amigos o quanto você andou a pé ou de bicicleta durante o dia na cidade ou sensores que avisam automaticamente aos fazendeiros quando um animal está doente ou prenhe. Todos esses exemplos são manifestações consideradas tecnologias inovadoras associadas ao conceito que vem sendo construído de internet das coisas (internet of things, IoT).

    Existem fortes divergências em relação ao conceito de IoT, não havendo, portanto, um conceito único que possa ser considerado pacífico ou unânime. De maneira geral, pode ser entendido como um ambiente de objetos físicos interconectados com a internet por meio de sensores pequenos e embutidos, criando um ecossistema de computação onipresente (ubíqua), voltado para a facilitação do cotidiano das pessoas, introduzindo soluções funcionais nos processos do dia a dia. O que todas as definições de IoT têm em comum é que elas se concentram em como computadores, sensores e objetos interagem uns com os outros e processam informações/dados em um contexto de hiperconectividade.

    O termo hiperconectividade foi cunhado inicialmente para descrever o estado de disponibilidade dos indivíduos para se comunicar a qualquer momento e tem desdobramentos importantes. Podemos citar alguns: o estado em que as pessoas estão conectadas a todo momento (always-on); a possibilidade de estar prontamente acessível (readily accessible); a riqueza de informações; a interatividade; o armazenamento ininterrupto de dados (always recording). O termo hiperconectividade está hoje atrelado às comunicações entre indivíduos (person-to-person, P2P), indivíduos e máquina (human-to-machine, H2M) e entre máquinas (machine-to-machine, M2M) valendo-se, para tanto, de diferentes meios de comunicação. Há, nesse contexto, um fluxo contínuo de informações e massiva produção de dados. Por isso, o avanço da hiperconexão depende do aumento de dispositivos que enviam e recebem essas informações. Exemplos disso são os numerosos wearables disponíveis no mercado e as várias opções de sensores utilizados no setor agrícola e nas indústrias. Quanto maior o número de dispositivos conectados, mais dados são produzidos.

    Todos os dias, “coisas” se conectam à internet com capacidade para compartilhar, processar, armazenar e analisar um volume enorme de dados entre si. Essa prática é o que une o conceito de IoT ao de big data. Big data é um termo em evolução que descreve qualquer quantidade volumosa de dados estruturados, semiestruturados ou não estruturados que têm o potencial de ser explorados para obter informações. A primeira propriedade envolvendo big data consiste no volume crescente de dados. Pesquisa recente da Cisco estima que, nos próximos anos, a medida em gigabytes será superada e o cálculo da quantidade de dados será feito na ordem zettabyte e até em yottabyte. Outra propriedade envolve a alta velocidade com que os dados são produzidos, analisados e visualizados. Além disso, a variedade de formatos de dados representa um desafio adicional. Essa característica é potencializada pelos diferentes dispositivos responsáveis por coletar e produzir dados em diversos âmbitos. As informações produzidas por um mecanismo que monitora a temperatura são bem diferentes daquelas obtidas em redes sociais, por exemplo. Ademais, a maioria dos dados encontrados não é estruturada.
    O conceito de big data pode implicar, junto com o de data science, a capacidade de transformar dados brutos em gráficos e tabelas que permitam a compreensão do fenômeno a ser demonstrado. É importante mencionar que, em um contexto no qual decisões são tomadas cada vez mais com base em dados, é de extrema importância garantir a veracidade dessas informações.
    Nas palavras de Maike Wile dos Santos, “big data é mais que um emaranhado de dados, pois é essencialmente relacional”. Apesar de isso não ser um fenômeno novo, “o que a internet fez foi dar uma nova dimensão, transformando-o”. “Para bem entender essas transformações”, segundo o autor, “precisamos compreender que o big data somos nós.” Segundo Hannes Grassegger e Mikael Krogerus:

    Qualquer pessoa que não tenha passado os últimos cinco anos vivendo
    em outro planeta estará familiarizada com o termo big data.
    Big data significa, em essência, que tudo o que fazemos, tanto online
    como offline, deixa vestígios digitais. Cada compra que fazemos com
    nossos cartões, cada busca que digitamos no Google, cada movimento
    que fazemos quando nosso telefone celular está em nosso bolso, cada
    like é armazenado. Especialmente cada like. Durante muito tempo,
    não era inteiramente claro o uso que esses dados poderiam ter —
    exceto, talvez, que poderíamos encontrar anúncios de remédios para
    hipertensão logo após termos pesquisado no Google “reduzir a pressão
    arterial”

    A combinação entre objetos inteligentes e big data poderá alterar significativamente a maneira como vivemos. Pesquisas estimam que, em 2020, a quantidade de objetos interconectados passará dos 25 bilhões, podendo chegar a 50 bilhões de dispositivos inteligentes. As projeções para o impacto desse cenário de hiperconexão na economia são impressionantes. A estimativa de impacto econômico global corresponde a mais de US$ 11 trilhões em 2025. Devido a estimativas como essas, a IoT vem recebendo fortes investimentos do setor privado e surge como possível solução diante dos novos desafios de gestão pública, prometendo, a partir do uso de tecnologias integradas e do processamento massivo de dados, soluções mais eficazes para problemas como poluição, congestionamentos, criminalidade, eficiência produtiva, entre outros.
    Além disso, a IoT poderá trazer diversos benefícios aos consumidores. Dispositivos de saúde interconectados permitirão monitoramento mais constante e eficiente e interação mais eficaz entre paciente e médico. Sistemas de automação residencial permitirão que um consumidor, antes mesmo de chegar à sua residência, possa enviar mensagem para que os próprios dispositivos realizem ações para abrir os portões, desligar alarmes, preparar o banho quente, colocar música ambiente e alterar a temperatura da casa. Por outro lado, esses numerosos dispositivos conectados que nos acompanharão rotineiramente irão coletar, transmitir, armazenar e compartilhar uma quantidade enorme de dados, muitos deles estritamente particulares e mesmo íntimos. Com o aumento exponencial de utilização desses dispositivos que já existem ou que entrarão em breve no mercado, devemos estar atentos aos riscos que isso pode acarretar para a privacidade e a segurança dos usuários.

    Ademais, toda essa hiperconectividade e a interação contínua entre diversos aparelhos, sensores e pessoas alteraram a forma como agimos comunicativamente e tomamos decisões nas esferas pública e privada. Cada vez mais, as informações que circulam pela internet não serão mais colocadas na rede tão somente por pessoas, mas por algoritmos e plataformas que trocam dados e informações entre si, formando um espaço de conexões de rede e informações cada vez mais automatizado. Observamos hoje a construção de novas relações que estamos estabelecendo com as máquinas e demais dispositivos interconectados, permitindo que algoritmos passem a tomar decisões e a pautar avaliações e ações que antes eram tomadas por humanos. Essa ainda é uma cultura relativamente recente e implica considerações éticas importantes, tendo em vista os impactos cada vez maiores da comunicação algorítmica na sociedade. Levando em consideração o quão recente é esse cenário digital de hiperconectividade e de IoT baseado na relação estreita entre objetos inteligentes (sensores), big data e inteligência computacional, ou, ainda, entre o chamado ABC das tecnologias da informação e comunicação (analytics + big data + cloud computing), ainda não temos consciência plena de seus potenciais benefícios e riscos. Devemos almejar, no entanto, o balanço adequado na regulação jurídica, de forma a não engessar a inovação, mas garantindo que o direito avance também nessa
    seara, buscando normas apropriadas às novas tecnologias e ao cenário de IoT. A regulação normativa deve impedir que a tecnorregulação a ela se sobreponha, induzindo nosso comportamento de maneira intransponível e violando potencialmente diversos direitos fundamentais. 
    Este livro visa esclarecer aspectos básicos sobre o fenômeno da IoT, sem a pretensão de esgotar todas as discussões sobre o assunto.
    Para atender a esse objetivo, trataremos, no primeiro capítulo, dos conceitos de tecnologia e inovação, buscando o correto enquadramento das funcionalidades da IoT nesse contexto. Em seguida, nos debruçaremos sobre a origem e a construção do termo IoT, explicitando as características próprias da web 3.0 em contraposição às fases anteriores da web. No terceiro capítulo, analisaremos o estado da arte da IoT no Brasil no tocante ao seu potencial econômico e social, ao passo que, no capítulo final, trataremos dos aspectos negativos da IoT, tecendo reflexões críticas ao fenômeno.

     

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