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  • Postado por editora em em 17/07/2018 - 11:49

    A economia brasileira cresceu de forma extraordinária até 1980. Depois, cresceu a uma taxa quatro vezes menor até 2014, quando entrou em grave recessão.
    Desde 2017, voltou a crescer, mas muito lentamente, enquanto uma direita liberal e uma esquerda desorientada nada têm a oferecer ao país.
    Quando o Brasil voltará a ter um projeto de nação e desenvolvimento? As elites liberais dizem que isso não é necessário — que basta disciplina fiscal, o resto o mercado resolve. A esquerda populista diz que basta aumentar a despesa pública e os salários. Para Bresser-Pereira, esses dois caminhos
    estão equivocados. Ele concorda com os pós-keynesianos, que é preciso manter a demanda agregada, e com os desenvolvimentistas, que é preciso reindustrializar o Brasil, mas é preciso mais do que isso.

    No livro Em busca do desenvolvimento perdido: um projeto novo-desenvolvimentista para o Brasil, Bresser-Pereira discute a economia brasileira desde 1990, quando o regime de política econômica desenvolvimentista foi abandonado e o país começou a instalar um regime de política econômica liberal. Discute e, principalmente, define um projeto para o Brasil. Um projeto de desenvolvimento econômico claro e objetivo, que permita que políticos competentes, dotados de espírito republicano e solidários com seu povo, façam a crítica do liberalismo econômico e do desenvolvimentismo incompetente, e liderem o Brasil de volta ao desenvolvimento perdido.

    Confira um trecho da introdução da obra:

    A lógica do capitalismo é a lógica do interesse para os indivíduos, do lucro para as empresas, e da competição para os Estados-nação; é uma forma dura senão implacável de organização social, mas define as sociedades modernas, porque, até hoje, foi ela que se revelou a mais capaz de promover o desenvolvimento econômico — a melhoria dos padrões de vida. Há outras lógicas nessas sociedades: há a lógica da república ou do interesse público; a lógica da democracia ou da liberdade e da igualdade; a lógica do socialismo ou da solidariedade; e a lógica do ambientalismo ou da proteção da natureza. São quatro lógicas mais humanas, mas são em parte utópicas. Elas correspondem a ideais que estão de alguma forma presentes nas sociedades modernas, mas não são dominantes. Seu grande papel é o de temperar o capitalismo, é o de dar sentido a um projeto coletivo de nação e mesmo a um projeto coletivo de humanidade. É de tornar o capitalismo menos individualista, menos corrupto, menos autoritário, menos injusto, e menos predatório da natureza. Para uma sociedade ser bem-sucedida não basta haver-se desenvolvido no plano econômico; ela precisa que a maioria de seus membros sejam cidadãos republicanos, éticos, democráticos, socialistas e ambientalistas.
    Desde 1930 o Brasil experimentou um extraordinário processo de industrialização ou de sofisticação produtiva. O mundo rico, desde 1940, apresentou resultados semelhantes. 
    Desde os anos 1980, porém, o desenvolvimento econômico nos países ricos tem sido pequeno e instável, e a desigualdade só tem aumentado, o mesmo ocorrendo no Brasil desde os anos 1990. Os países ricos liderados pelos Estados Unidos se viram desafiados pelos países em desenvolvimento do Leste e do Sudeste da Ásia e pela pressão migratória dos povos pobres vizinhos, e abandonaram o desenvolvimentismo social-democrático que Franklin Delano Roosevelt havia inaugurado nos anos 1930 e que encontrou sua mais plena realização nos países europeus no pós-guerra, nos Anos  Dourados do Capitalismo. Abandonaram a social-democracia, e mergulharam em um liberalismo econômico radical e agressivo enquanto suas taxas de crescimento declinavam, a instabilidade financeira voltava a ser um grande problema, os trabalhadores e os pobres viam seu padrão de vida estagnar, e as sociedades nacionais dos países centrais, que eram razoavelmente coesas nos anos 1950 e 1960, tornarem-se divididas e sem rumo a partir de 1980. O Brasil, 10 anos depois, a partir de 1990, seguiu os passos do Norte — do liberalismo econômico — e, desde então, se desindustrializou, mas avançou no campo social e político. Entretanto, desde 2013, seguiu também o caminho dos Estados Unidos de uma divisão social e de uma perda de valores republicanos e solidários.
    Nesse quadro competitivo, o Brasil precisa dramaticamente de um projeto nacional; precisa vencer a quase-estagnação econômica que já dura quase 40 anos, precisa se reindustrializar ou voltar a se sofisticar produtivamente, e precisa, no plano político, recuperar a relativa coesão social perdida nos últimos cinco anos. Entre 1930 e 1980 o Brasil se industrializou e a renda per capita brasileira cresceu a uma taxa per capita de 3,8% ao ano; desde os anos 1980, o país entrou em desindustrialização e a economia está quase-estagnada, crescendo à modesta taxa de 1,0% até 2016, magnitude insuficiente para que o Brasil possa alcançar o nível de renda per capita dos países ricos. O Brasil está ficando para trás no conjunto dos Estados-nação e precisamos reverter isso. O que se espera de um país em desenvolvimento é que ele faça o alcançamento, ou seja, que cresça mais rapidamente que os países ricos e, assim, que sua renda convirja para o nível de renda desses países. Isso aconteceu entre 1930 e 1979.
    Tomando-se apenas os Estados Unidos como parâmetro, a renda por habitante brasileira que em 1950 era 5 vezes menor do que a desse país, passou a ser 2,68 vezes menor em 1980, ocorrendo, portanto, forte catching up. Em seguida, porém, a tendência inverteu-se, e em 2014 nossa renda por habitante era 3,42 vezes menor que a americana. O Brasil passou a ficar para trás. Em 2006, graças ao boom de commodities, o Brasil voltou a reduzir a distância em relação ao PIB per capita americano, mas a tendência se reverteu novamente em 2015.
    Entre 2014 e 2016 o Brasil passou por grave recessão. O produto interno bruto apresentou uma queda de 7,11% e o desemprego chegou a um auge de 13,7% da população ativa. Seis milhões de brasileiros foram jogados na pobreza. Ao mesmo tempo que o Brasil entrava em recessão, em 2014, entrava também em grave crise fiscal. O superávit primário do setor público, que fechou o ano de 2013 em 1,72% do PIB, começou a apresentar uma queda expressiva nos primeiros meses de 2014, transformando-se ao final daquele ano num déficit primário de 0,57% do PIB. Com a recessão iniciada no segundo trimestre de 2014, o déficit primário aumentou ao longo de 2015, fechando esse ano em 1,85% do PIB. O Brasil entrara em crise fiscal. A partir de 2017 a economia brasileira entrou na fase de recuperação do ciclo, a inflação caiu de forma surpreendente, e o Banco Central ficou sem alternativa senão baixar os juros. A taxa de crescimento voltou a ser positiva, alcançando um modesto 1% nesse ano, enquanto a taxa de investimento foi de apenas 15,6% do PIB. Diante disso, os inefáveis espíritos conservadores, herdeiros do Dr. Pangloss, donos de um otimismo inquebrantável quando estão no poder, já estão dizendo que o Brasil “retomou o desenvolvimento” e poderá acrescer, nos próximos anos, 3% ao ano, número que corresponderia ao “produto potencial brasileiro”. Ora, essa taxa de crescimento não resulta em alcançamento, apenas não deixa a economia brasileira para trás. É uma meta baixa, satisfatória apenas para os muito ricos, mas incapaz de elevar firmemente os padrões de vida e de abrir oportunidades para os jovens. E certamente não será alcançada, se continuarmos com o regime de política econômica liberal, porque as crises financeiras cíclicas serão constantes.
    O fato é que a economia brasileira está semiestagnada. Por quê? Porque não tem um projeto de desenvolvimento desde 1980? Porque adota um regime liberal de política econômica desde 1990? Porque está presa em uma armadilha macroeconômica de juros altos e câmbio apreciado? Porque o populismo fiscal e o populismo cambial impedem de essa armadilha ser levantada? No caso afirmativo, o que é preciso fazer? Quais as políticas econômicas e as reformas que colocarão o Brasil novamente na rota do crescimento e do alcançamento?
    Desde 1980 a economia brasileira deixou de realizar o alcançamento dos padrões de vida dos países ricos; desde 1990 abandonou o projeto desenvolvimentista e se deixou dominar pelo capitalismo financeiro-rentista e sua ideologia neoliberal. Para que a nação volte a ser viva e atuante é preciso que volte a ter um projeto, e para isto são necessárias ações políticas em muitos setores. Neste livro, limitarei seu escopo à economia e a uma breve proposta de reforma política. Para isso, farei um diagnóstico dos problemas fundamentais a partir de uma teoria econômica em construção — o novo desenvolvimentismo.

     

    As discussões continuarão no lançamento da obra, dia 20 de agosto, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.

    Mais informações em breve.

     

    Em busca do desenvolvimento perdido: um projeto novo-desenvolvimentista para o Brasil

    Luiz Carlos Bresser-Pereira

    Editora FGV

  • Postado por editora em em 12/07/2018 - 09:25

    Após alcançar a marca de mais de 3 milhões de exemplares vendidos, as Publicações FGV Management ganham novo formato, novo design, novos autores e novos títulos, acompanhando as mudanças do mercado e mantendo-se cada vez mais atualizada e alinhada com a realidade dos profissionais.

    As obras estão relacionadas a áreas de conhecimento, como Administração pública, Contabilidade e auditoria, Economia e finanças, Direito, Gerenciamento de projetos, Gestão comercial, Gestão de pessoas, Gestão empresarial, Marketing, Operações e logística e Tecnologia da informação, o que torna a abordagem dos temas cada vez mais dinâmica e a formação profissional mais prática.

    Além das publicações relacionadas às áreas descritas, que serão utilizadas nos cursos promovidos pelo Programa de Educação Executiva da Fundação Getulio Vargas, novos livros abordarão temas globais, como Matemática financeira, Economia empresarial, Negociação e administração de conflitos, entre outros, e serão utilizados nos módulos básicos desses cursos por todos que iniciarão seu aperfeiçoamento profissional.

    As Publicações FGV Management concretizam um projeto de elaboração de livros voltados à administração de negócios, escritos por profissionais de reconhecida competência acadêmica e prática, todos professores e professoras do FGV Management, que faz parte do Programa de Educação Executiva da Fundação Getulio Vargas.

    Para conhecer mais sobre os livros, acesse o link Publicações FGV Management em nosso site.

  • Postado por editora em em 11/07/2018 - 10:23

    Ensaios de grande estratégia brasileira reúne cinco capítulos sobre a articulação entre as políticas externa e de defesa do país, em que o autor enfatiza a necessidade inadiável de retirar o Exército do pântano da segurança pública, condição sine qua non para implementar uma grande estratégia coerente - e para enfrentar de maneira efetiva a ameaça do crime organizado.
    Este livro será de grande valia para todos os interessados em política externa, defesa, segurança internacional, história e ciência política, bem como para qualquer cidadão preocupado com o futuro do Brasil.

    Confira o prefácio da obra:

    Se alguém ainda nutrir suspeitas sobre a acuidade da difundida frase “O Brasil é o país do futuro, e sempre será…”, ler o penetrante livro de João Paulo S. Alsina Jr. removerá rapidamente qualquer dúvida. O autor redigiu os cinco capítulos de seu livro durante o período 2010-2017, intervalo de tempo em que completou seu doutoramento, publicou um importante livro sobre o barão do Rio Branco e vários artigos sobre forças armadas e defesa, além de ter contribuído com diversas publicações.
    Os primeiros dois capítulos do seu novo livro, sobre o conceito de grande estratégia e o atual panorama da segurança internacional encarado a partir da perspectiva brasileira, são extremamente bem documentados com as fontes mais recentes e relevantes. Os três capítulos seguintes são ensaios em que o autor se baseia em insights únicos, derivados de sua condição de diplomata e de um dos mais conceituados experts em diplomacia brasileira, defesa e relações civis-militares. João Paulo Alsina não teve alternativa senão escrever esses três capítulos - sobre segurança nacional e defesa, o Brasil e as operações de paz, e a conscrição no país - como ensaios, tendo em conta haver muito pouca literatura acadêmica útil e objetiva sobre esses tópicos. Há documentos oficiais sobre essas matérias, mas uma das bêtes noires do livro é justamente a recaída naquilo que o autor classifica como "oficialismo” - a tendência à confirmação acrítica - pelos estudiosos do mofado status quo burocrático. O contraste entre, de um lado, o que autores estrangeiros, como Hew Strachan, seguidores de Carl von Clausewitz, têm a contribuir sobre a formulação da grande estratégia e o “pacto da mediocridade” prevalecente no Brasil sobre esse tema, de outro, é alarmante.
    No grupo dos três capítulos anteriormente mencionados, em realidade ensaios, Alsina demonstra claramente que o Brasil não tem uma estratégia. 
    Caso o status quo atual não seja alterado: a grande estratégia do país continuará a ser caótica e totalmente incapaz de reunir sinergicamente os ativos de poder nacionais em torno de um projeto viável de inserção soberana no mundo. Ao que tudo indica, o Brasil permanecerá sendo um ator menor no plano da segurança internacional, munido de retórica diplomática totalmente desconectada de capacidades materiais correspondentes. O tão almejado assento permanente no CSNU, mantidas as condições atuais, será apenas mais um sonho de uma noite de verão.
    No capítulo três, João Paulo Alsina trata das instituições, no Brasil, que deveriam ser instrumentos de implementação da grande estratégia, que para o autor precisariam incluir o Exército Brasileiro. Contudo, devido ao recurso constante ao Exército na segurança interna, na verdade em tarefas policiais, a infame garantia da lei e da ordem (GLO), e a tremenda relutância em utilizar o poder militar externamente, não há disposição política para apoiar financeiramente as Forças Armadas nem incentivos reais para que os decisores brasileiros se envolvam ou desenvolvam expertise em temas relacionados com a segurança lato sensu e com a defesa.
    No quarto capítulo, Alsina demonstra de modo percuciente, em clara contradição com o oficialismo, que a imersão superficial do Brasil em operações de manutenção da paz, como no Haiti por meio da Minustah, levada a cabo entre 2004 e 2017, não é o caminho para o aumento do reconhecimento
    internacional do país. Ele desbanca mitos, que infelizmente são comuns no Brasil mesmo entre acadêmicos, sobre as implicações da participação nessas operações. O autor revela que também nessa área, assim como em outras, inexiste uma estratégia — e o faz a partir da sua experiência no
    interior do aparato estatal, já que fez parte da missão do Brasil junto às Nações Unidas e, nessa condição, se ocupou da temática das operações de paz.
    No quinto capítulo, sobre o recrutamento militar, o que na maior parte dos países equivaleria a objetivos secundários do sistema de conscrição, no Brasil adquire papel preponderante: o resgate de hipotecas sociais. Em consequência, geram-se forças totalmente despreparadas para o combate.
    João Paulo Alsina demonstra que, no Brasil, a incorporação de recrutas às fileiras das FFAA encontra-se muito mais pautada por uma lógica assistencialista/clientelista do que por uma lógica instrumental que conceba o sistema de recrutamento como ferramenta de absorção do contingente melhor talhado para o desempenho dos labores guerreiros. Assim, a maximização do poder combatente das Forças […] encontra-se politicamente subordinada ao desempenho por parte destas de funções subsidiárias que possam ser instrumentalizadas pela lógica do particularismo.
    O tema que unifica todo o livro é o de que os decisores civis no Brasil, ao não reconhecerem a necessidade de os militares desempenharem funções que vão além de tarefas policiais ou ações cívico-sociais, não precisam verdadeiramente de uma estratégia — e, na verdade, nem sequer a desejam. O resultado é um círculo vicioso. João Paulo Alsina enumera três hipóteses de superação do presente conundrum, mas é pessimista quanto à probabilidade de que alguma delas venha a ser materializada devido à total falta de compreensão e de interesse civil em estratégia e na sua interface com as Forças Armadas. Nas suas palavras: “a mais formidável de todas [as barreiras] seja de ordem cognitiva. Não se muda aquilo que não se conhece, e não se conhece algo sem amor ao conhecimento e ao estudo sistemático”.
    Este livro, ainda que extremamente crítico, encontra-se fundamentado em realidades que o autor conhece em profundidade. Similarmente, observadores estrangeiros bem informados, cansados da retórica vazia sobre a singularidade brasileira, estão crescentemente atentos aos problemas abordados por Alsina. Com este trabalho, espera-se que mais brasileiros compreendam a problemática da segurança nacional e adquiram conhecimento voltado à superação dos imensos obstáculos à construção da estratégia definidos e analisados pelo autor.
    Que um brasileiro, e diplomata ainda por cima, escreva e publique um livro como este é encorajador. Em Ensaios de grande estratégia brasileira, João Paulo Alsina realiza uma análise que precisa ser considerada seriamente.
    Thomas C. Bruneau
    Professor emérito, Naval Postgraduate School, Monterey
    EnsaiosDeGrandeEstrategiaBrasileira

     

    Ensaios de grande estratégia brasileira

    João Paulo Soares Alsina Júnior

    Editora FGV

  • Postado por editora em em 03/07/2018 - 11:48

    Os desafios e as oportunidades do mercado de vinho no Brasil e no mundo serão alvo de debates durante o Seminário Vinho & Mercado 2018.

    Em sua quarta edição consecutiva promovida pela Fundação Getulio Vargas em parceria com a Baco Multimídia, o evento reunirá, no dia 7 de agosto, das 8h30 às 17h30, profissionais de diferentes áreas de negócios do vinho, além de experts do setor.

    As inscrições para este já tradicional evento, que faz parte do calendário anual do Rio Wine and Food Festival, estarão abertas no dia 7 de julho.

     

    Confira a programação do seminário:

     

    8h10  8h40 —  Cadastro e acesso

     

    Moderador:

    Sergio Queiroz | Especialista em mercado de vinhos e marketing e sócio-Diretor do Grupo BACO Multimídia

     

    Palestras:

    8h45 – 9h00 —  Abertura FGV

    João Luis Tenreiro Barroso | Diretor da FGV Educação Executiva – Rio de Janeiro e Brasília

    Valdiney C. Ferreira | Coordenador do Curso FGV Wine Business

     

    9h00 – 9h20  —  Um giro no cenário atual do mercado de vinhos 

    Marcelo Copello | Especialista em vinhos e mercado; Sócio-diretor do Grupo BACO Multimídia

     

    9h20 – 9h50  —  Valorização dos Vinhos Brasileiros – Uma estratégia nacional

    Ações para ampliação de mercado e qualificação da vitivinicultura brasileira.

    Andrea Faria | Líder nacional da carteira de projetos de vitivinicultura do SEBRAE e gestora nacional da parceria SEBRAE e IBRAVIN

     

    9h50 – 10h20  —   “Case Gran Cru” –  Virando a Mesa, quando um grande se torna ainda maior

    O grande salto da Grand Cru, sua expansão e qualidade dos produtos e serviços.

    Mariano Levy | Sócio fundador da Grand Cru

     

    10h20 – 10h50  —  Entrega Troféu Vinha Venha   4 prêmios do setor

     

    10h50 – 11h10  —  Coffee Break

     

    11h10 – 11h40  —  "Case Valduga –  O posicionamento e estratégia de um produtor referência nacional”

    Juarez Valduga | Presidente do grupo Famiglia Valduga

     

    11h40 – 12h10  —  O mercado de bebidas no Brasil e no mundo –  os números e oportunidades para o Vinho

    Thiago Torelli | Líder da área de bebidas na NIELSEN Brasil

     

    12h30 – 12h30  —  Debates

     

    12h30 – 14h00  —  Intervalo para almoço

     

    14h15 – 14h30  —  Apresentação da inédita Pesquisa BACO/eCGlobal em primeira mão sobre hábitos de consumo do brasileiro

    Ana Sequeira | CEO da eCGlobal Solutions

     

    14h30 – 15h00  —  Mesa debate sobre pesquisas no universo dos vinhos no Brasil

    “O que esta sendo pesquisado e leitura dos especialistas sobre os dados”

    Participantes: Thiago Torelli – NILSEN; Ana Sequeira –  eCGlobal Solutions; Márcio Milan – ABRAS

    Mediação: Sergio Queiroz – Diretor do Grupo BACO

     

    15h00 – 15h30  —  "Cases de sucesso referências para indústria do vinho” 

    Márcio Milan | Superintendente da ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados) 

     

    15h30 – 16h00  —  Vinhos do Brasil: “Seu Vinho, Suas Regras” –  Um novo modelo de comunicação setorial

    Diego Bertolini | Gerente de Promoção do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin)

     

    16h00 – 16h30  —  "Mercado brasileiro: o que os números do período 2012-2017 dizem?"

    Valdiney C. Ferreira | Coordenador do curso FGV Wine Business e Diretor Executivo Vinisa Projetos

     

    16h30 – 17h00  —  Debates

     

    INSCREVA-SE

     

    O evento é uma parceria entre o Grupo BACO Multimídia e o Educação Executiva da Fundação Getulio Vargas, contando com o apoio do Vinhos do Brasil, Ibravin, Sebrae e Governo do Estado do Rio Grande do Sul .

    O Grupo BACO Multimídia, idealizador e organizador do Rio Wine and Food Festival, é uma empresa de comunicação e inteligência de mercado que tem na geração de conteúdo e nos eventos sua plataforma de atuação. É responsável pela edição da revista BACO, do Anuário Vinhos do Brasil, em parceria com o Ibravin, entre outros produtos editoriais. Seu portfólio inclui ainda mídia digital e uma série de eventos no Brasil e exterior, com destaque para a Grande Prova Vinhos do Brasil.

  • Postado por editora em em 14/06/2018 - 15:21

    Lobby e políticas públicas, novo livro da Coleção FGV de Bolso, Série Sociedade & Cultura, acaba de ser publicado.

    Wagner Mancuso e Andréa Gozetto, autores da obra, apresentam uma uma síntese das principais questões relacionadas à prática do lobby durante o ciclo das políticas públicas no Brasil. Trata-se de uma introdução ao assunto, que gira em torno de oito pontos: o que é lobby; quem são seus agentes (os lobistas); quais são os alvos dessa atividade; em que momentos do processo decisório o lobby está presente; como o lobby é feito nesses diversos momentos; quão influentes são os lobbies; que contribuições e problemas tal prática pode acarretar; e como enfrentar o desafio de regulamentar esse fenômeno, que apresentam-se exatamente como os capítulos do livro.

    Lobby e políticas públicas procura ser o mais objetivo possível ao tratar do assunto, sem demonizar a atividade de lobby, tampouco endeusá-la. Assim, não se confunde com certa abordagem jornalística superficial, que tende a igualar toda defesa de interesses com corrupção, tráfico de influência e outros atos ilícitos, mas também não corresponde à abordagem de lobistas e de suas entidades representativas, que repisam constantemente a ideia de que “lobby é uma coisa e corrupção é outra”. A proposta, ao contrário, com base na literatura e em nossa própria observação do fenômeno, é mostrar que a prática está aí há muito tempo, vem se profissionalizando, pode aportar colaborações importantes para o processo de tomada de decisão, mas também pode trazer uma série de riscos, o que impõe o desafio de educá-la, orientá-la e regulamentá-la.

    De acordo com os autores, "o lobby é um fenômeno onipresente na política brasileira. Está presente em cada decisão parlamentar ou governamental que afeta nos­sas políticas públicas. No entanto, esse fenômeno ainda tem recebido atenção muito escassa da academia e da sociedade. É chegada a hora de recolocar os grupos de interesse no centro das atenções."

     

    Confira os dois prefácios da obra, assinados, respectivamente por Clive S. Thomas (pesquisador sênior no Instituto Foley de Política e Serviço Público, da Universidade do Estado de Washington (EUA) e consultor na empresa Political Advocacy Strategies) e Paulo Nassar (Diretor-presidente da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) e professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).

    Desde o início da década de 1970, tenho estudado grupos de interesse e a atividade de lobby em 10 países ao redor do mundo. Já escrevi muito sobre defesa de interesses, fui lobista voluntário e, como consultor, ajudei vários grupos e organizações a planejar e implementar  campanhas de lobby.
    Em 2008, tive o prazer de ter sido convidado para participar, como palestrante principal, do Seminário Internacional sobre Intermediação de Interesses: a Regulamentação do Lobby no Brasil, uma iniciativa do Poder Executivo Federal que envolveu a Controladoria-Geral da União (CGU), a Casa Civil, a Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e o Centro Universitário de Brasília. Desde então, tenho estudado, escrito, ensinado e prestado consultorias sobre a atuação dos grupos de interesse no Brasil.
    Para compreender melhor a ação dos grupos de interesse no Brasil, tive o privilégio de trabalhar com muitos colegas em universidades, no governo e no setor privado. Constatei, entretanto, que empresas privadas, organizações (tais como think tanks e universidades) e grupos de advocacy ainda conhecem muito pouco sobre os aspectos práticos da atividade de lobby. Há muito tempo era necessário um guia prático para aqueles que nunca desempenharam a atividade de lobby, e também para aqueles que já trabalham no campo, mas ainda precisam de mais conteúdo sobre diversos aspectos da defesa de interesses.
    Felizmente, essa obra foi escrita. Os autores são Wagner Mancuso e Andréa Gozetto, acadêmicos que conheço desde minha primeira viagem ao Brasil. O presente trabalho, que tenho o enorme prazer de prefaciar, é uma excelente síntese – bem organizada e rigorosa – dos principais aspectos relacionados à prática do lobby.
    Inicialmente, o livro dá conta do lobby realizado em vários níveis de governo no país, bem como dos grupos e organizações envolvidos na defesa de interesses. O restante do livro trata de etapas, decisões e desafios envolvidos numa campanha de lobby. Isso inclui o papel do lobista, o leque de estratégias e táticas que podem ser utilizadas, como lidar com tomadores de decisão no poder público, e como organizar e coordenar os membros de um grupo para fazer lobby em defesa de seus interesses.
    Nenhum livro pode assegurar o sucesso no lobby, mesmo um livro que contenha uma abordagem mais prática. O que um livro pode fornecer são as bases que fundamentam uma boa campanha de lobby, deixando claro o que deve ser evitado.
    Este livro cumpre com excelência esse propósito e irá auxiliar o leitor a refletir sobre os principais elementos concernentes à organização, planejamento e implementação de uma campanha de lobby, incentivando-o a pensar estrategicamente, como faz um lobista.

     

    Entre os objetivos primeiros deste livro de Wagner Mancuso e Andréa Gozetto, destacam-se a demarcação das fronteiras entre os interesses sociais organizados e as políticas públicas que, por definição, deveriam convergir para o bem comum e para a organização harmoniosa do espaço público. Partindo principalmente dos campos da ciência política, da sociologia e do direito, a obra, que requer paciente leitura pela sua densidade acadêmica, cumpre esse objetivo de forma primorosa.
    A estrutura do livro é relativamente hierarquizada do ponto de vista dos conceitos. Temas como o que é lobby, quem faz lobby e os limites da legislação existente se sucedem com explicações objetivas e abrangentes. Mas não se limita a esses pontos essenciais. Vai bem mais além, procura suscitar reflexões sobre a necessidade de uma formação culta e abrangente dos profissionais de lobby e realça os fortes vínculos entre a democracia e o fenômeno do lobby.
    Na realidade, o livro defende a tese progressista de que o lobby no Brasil avança à medida que as liberdades públicas evoluem. De fato, a democracia é um terreno fértil para a defesa transparente de interesses e de grupos de influência.
    Tanto que um dos conceitos que os autores defendem é o de relações públicas. Uma atividade, também segundo os autores, abrangente e que envolve os diferentes campos dos relacionamentos e da comunicação.
    O importante e o que faz de Lobby e políticas públicas um livro original é a desconstrução da rotineira demonização do lobby e dos lobistas. A verdadeira força do lobby profissional não é o dinheiro e sim a capacidade de influenciar decisões de maneira legítima e transparente, ou de  defender argumentos que inspirem confiança. Esse é o oxigênio do lobby na democracia.
    Nestes últimos anos, a sociedade brasileira gerou controvérsias envolvendo temas de grande interesse, a exemplo da defesa do meio ambiente, os riscos gerados pelos agrotóxicos, a organização de comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas etc.), o direito à privacidade e à mobilidade e o combate à corrupção. Isto para citar alguns temas de interesse público que pautam a mídia e dão forma a novos modelos de comunicação e de relacionamentos. Controvérsias, embates de diferentes interesses, que claramente exigem que o lobby se apresente à sociedade sustentado por comunicação dialógica e narrativas claras e verdadeiras. Tudo isso torna o livro de Mancuso e Gozetto ainda mais atual.
    Nesse contexto histórico discute-se sobretudo que a comunicação – orientada por uma cultura organizacional democrática, que deseja expressar o que as pessoas entendem como útil e transcendente para as suas vidas – pode criar boas narrativas, que produzam consensos. A comunicação estratégica no âmbito da discussão dos temas públicos deve ter uma orientação dialógica, regida por comunicadores e avalizada por dirigentes que entendem que a organização (empresa ou instituição) se constitui na sociedade digital em um território único. Sem esse tipo de entendimento, a comunicação e suas narrativas no contexto do lobby serão meramente protocolares, manipuladoras, produzidas contra a sociedade e seus interesses maiores, e não inspiradas pelas responsabilidades política, histórica e social.

     

    Clique aqui para acessar o livro em nosso site.

    O livro será lançado em São Paulo, na Blooks Livraria do Cinema Reserva Cultural.

    Confira a seguir:

     

  • Postado por editora em em 12/06/2018 - 13:03

    A interação contínua entre dispositivos inteligentes, sensores e pessoas aponta para o número crescente de dados que estão sendo produzidos, armazenados e processados, alterando, sob diversos aspectos e de forma crescente, nosso cotidiano. 
    Por um lado, o contexto de hiperconectividade pode trazer benefícios econômicos ao Estado, a empresas, bem como comodidade aos consumidores. 
    Por outro, a crescente conectividade traz desafios significativos nas esferas de proteção da privacidade e segurança, impactando, em última instância, a própria democracia. 
    Este livro, publicado pela Editora FGV em parceria com a FGV Direito Rio, aborda alguns destes desafios decorrentes do avanço do cenário denominado de Internet das Coisas (IoT).

    Ficou interessado? Confira a introdução da obra escrita pelo próprio autor, Edurado Magrani:

    A tecnologia está mudando rapidamente a maneira como interagimos com o mundo à nossa volta. Visando atender às mais novas demandas dos consumidores, empresas estão desenvolvendo hoje produtos com interfaces tecnológicas que seriam inimagináveis há uma década.
    Sistemas automatizados que acendem as luzes e aquecem o jantar ao perceber que você está retornando do trabalho para casa, pulseiras e palmilhas inteligentes que compartilham com seus amigos o quanto você andou a pé ou de bicicleta durante o dia na cidade ou sensores que avisam automaticamente aos fazendeiros quando um animal está doente ou prenhe. Todos esses exemplos são manifestações consideradas tecnologias inovadoras associadas ao conceito que vem sendo construído de internet das coisas (internet of things, IoT).

    Existem fortes divergências em relação ao conceito de IoT, não havendo, portanto, um conceito único que possa ser considerado pacífico ou unânime. De maneira geral, pode ser entendido como um ambiente de objetos físicos interconectados com a internet por meio de sensores pequenos e embutidos, criando um ecossistema de computação onipresente (ubíqua), voltado para a facilitação do cotidiano das pessoas, introduzindo soluções funcionais nos processos do dia a dia. O que todas as definições de IoT têm em comum é que elas se concentram em como computadores, sensores e objetos interagem uns com os outros e processam informações/dados em um contexto de hiperconectividade.

    O termo hiperconectividade foi cunhado inicialmente para descrever o estado de disponibilidade dos indivíduos para se comunicar a qualquer momento e tem desdobramentos importantes. Podemos citar alguns: o estado em que as pessoas estão conectadas a todo momento (always-on); a possibilidade de estar prontamente acessível (readily accessible); a riqueza de informações; a interatividade; o armazenamento ininterrupto de dados (always recording). O termo hiperconectividade está hoje atrelado às comunicações entre indivíduos (person-to-person, P2P), indivíduos e máquina (human-to-machine, H2M) e entre máquinas (machine-to-machine, M2M) valendo-se, para tanto, de diferentes meios de comunicação. Há, nesse contexto, um fluxo contínuo de informações e massiva produção de dados. Por isso, o avanço da hiperconexão depende do aumento de dispositivos que enviam e recebem essas informações. Exemplos disso são os numerosos wearables disponíveis no mercado e as várias opções de sensores utilizados no setor agrícola e nas indústrias. Quanto maior o número de dispositivos conectados, mais dados são produzidos.

    Todos os dias, “coisas” se conectam à internet com capacidade para compartilhar, processar, armazenar e analisar um volume enorme de dados entre si. Essa prática é o que une o conceito de IoT ao de big data. Big data é um termo em evolução que descreve qualquer quantidade volumosa de dados estruturados, semiestruturados ou não estruturados que têm o potencial de ser explorados para obter informações. A primeira propriedade envolvendo big data consiste no volume crescente de dados. Pesquisa recente da Cisco estima que, nos próximos anos, a medida em gigabytes será superada e o cálculo da quantidade de dados será feito na ordem zettabyte e até em yottabyte. Outra propriedade envolve a alta velocidade com que os dados são produzidos, analisados e visualizados. Além disso, a variedade de formatos de dados representa um desafio adicional. Essa característica é potencializada pelos diferentes dispositivos responsáveis por coletar e produzir dados em diversos âmbitos. As informações produzidas por um mecanismo que monitora a temperatura são bem diferentes daquelas obtidas em redes sociais, por exemplo. Ademais, a maioria dos dados encontrados não é estruturada.
    O conceito de big data pode implicar, junto com o de data science, a capacidade de transformar dados brutos em gráficos e tabelas que permitam a compreensão do fenômeno a ser demonstrado. É importante mencionar que, em um contexto no qual decisões são tomadas cada vez mais com base em dados, é de extrema importância garantir a veracidade dessas informações.
    Nas palavras de Maike Wile dos Santos, “big data é mais que um emaranhado de dados, pois é essencialmente relacional”. Apesar de isso não ser um fenômeno novo, “o que a internet fez foi dar uma nova dimensão, transformando-o”. “Para bem entender essas transformações”, segundo o autor, “precisamos compreender que o big data somos nós.” Segundo Hannes Grassegger e Mikael Krogerus:

    Qualquer pessoa que não tenha passado os últimos cinco anos vivendo
    em outro planeta estará familiarizada com o termo big data.
    Big data significa, em essência, que tudo o que fazemos, tanto online
    como offline, deixa vestígios digitais. Cada compra que fazemos com
    nossos cartões, cada busca que digitamos no Google, cada movimento
    que fazemos quando nosso telefone celular está em nosso bolso, cada
    like é armazenado. Especialmente cada like. Durante muito tempo,
    não era inteiramente claro o uso que esses dados poderiam ter —
    exceto, talvez, que poderíamos encontrar anúncios de remédios para
    hipertensão logo após termos pesquisado no Google “reduzir a pressão
    arterial”

    A combinação entre objetos inteligentes e big data poderá alterar significativamente a maneira como vivemos. Pesquisas estimam que, em 2020, a quantidade de objetos interconectados passará dos 25 bilhões, podendo chegar a 50 bilhões de dispositivos inteligentes. As projeções para o impacto desse cenário de hiperconexão na economia são impressionantes. A estimativa de impacto econômico global corresponde a mais de US$ 11 trilhões em 2025. Devido a estimativas como essas, a IoT vem recebendo fortes investimentos do setor privado e surge como possível solução diante dos novos desafios de gestão pública, prometendo, a partir do uso de tecnologias integradas e do processamento massivo de dados, soluções mais eficazes para problemas como poluição, congestionamentos, criminalidade, eficiência produtiva, entre outros.
    Além disso, a IoT poderá trazer diversos benefícios aos consumidores. Dispositivos de saúde interconectados permitirão monitoramento mais constante e eficiente e interação mais eficaz entre paciente e médico. Sistemas de automação residencial permitirão que um consumidor, antes mesmo de chegar à sua residência, possa enviar mensagem para que os próprios dispositivos realizem ações para abrir os portões, desligar alarmes, preparar o banho quente, colocar música ambiente e alterar a temperatura da casa. Por outro lado, esses numerosos dispositivos conectados que nos acompanharão rotineiramente irão coletar, transmitir, armazenar e compartilhar uma quantidade enorme de dados, muitos deles estritamente particulares e mesmo íntimos. Com o aumento exponencial de utilização desses dispositivos que já existem ou que entrarão em breve no mercado, devemos estar atentos aos riscos que isso pode acarretar para a privacidade e a segurança dos usuários.

    Ademais, toda essa hiperconectividade e a interação contínua entre diversos aparelhos, sensores e pessoas alteraram a forma como agimos comunicativamente e tomamos decisões nas esferas pública e privada. Cada vez mais, as informações que circulam pela internet não serão mais colocadas na rede tão somente por pessoas, mas por algoritmos e plataformas que trocam dados e informações entre si, formando um espaço de conexões de rede e informações cada vez mais automatizado. Observamos hoje a construção de novas relações que estamos estabelecendo com as máquinas e demais dispositivos interconectados, permitindo que algoritmos passem a tomar decisões e a pautar avaliações e ações que antes eram tomadas por humanos. Essa ainda é uma cultura relativamente recente e implica considerações éticas importantes, tendo em vista os impactos cada vez maiores da comunicação algorítmica na sociedade. Levando em consideração o quão recente é esse cenário digital de hiperconectividade e de IoT baseado na relação estreita entre objetos inteligentes (sensores), big data e inteligência computacional, ou, ainda, entre o chamado ABC das tecnologias da informação e comunicação (analytics + big data + cloud computing), ainda não temos consciência plena de seus potenciais benefícios e riscos. Devemos almejar, no entanto, o balanço adequado na regulação jurídica, de forma a não engessar a inovação, mas garantindo que o direito avance também nessa
    seara, buscando normas apropriadas às novas tecnologias e ao cenário de IoT. A regulação normativa deve impedir que a tecnorregulação a ela se sobreponha, induzindo nosso comportamento de maneira intransponível e violando potencialmente diversos direitos fundamentais. 
    Este livro visa esclarecer aspectos básicos sobre o fenômeno da IoT, sem a pretensão de esgotar todas as discussões sobre o assunto.
    Para atender a esse objetivo, trataremos, no primeiro capítulo, dos conceitos de tecnologia e inovação, buscando o correto enquadramento das funcionalidades da IoT nesse contexto. Em seguida, nos debruçaremos sobre a origem e a construção do termo IoT, explicitando as características próprias da web 3.0 em contraposição às fases anteriores da web. No terceiro capítulo, analisaremos o estado da arte da IoT no Brasil no tocante ao seu potencial econômico e social, ao passo que, no capítulo final, trataremos dos aspectos negativos da IoT, tecendo reflexões críticas ao fenômeno.

     

  • Postado por editora em em 15/05/2018 - 08:29

    A LER, Salão Carioca do Livro é o Festival do Leitor! Um encontro sobre livros e ideias diferentes: acolhedor, estimulante e, sobretudo, aberto.

    O festival reunirá autores (de todas as vozes), livrarias e editoras, e nós estaremos lá!

    Peças, exposições, tecnologia, música e livros, claro, fazem parte do Salão carioca do livro e todos estão convidados a passar (e festejar) toda a experiência da leitura, das oficinas de escrita às conversas com escritores. Tudo gratuito, aberto! 

    Um evento criado para elevar a paixão pela leitura em todas as idades e de todos os jeitos, 100% interativo, que reúne todos os agentes da cadeia do livro e da eonomia criativa e fortalece o livro e a leitura, trazendo e trocando conhecimentos, durante seus quatro dias de realização.

    A programação do evento pode ser acessada em www.lersalaocarioca.com.br

     

    Esta 2ª edição da LER será o evento de reabertura da Biblioteca Parque Estadual, na Avenida Presidente Vargas, 1261 - Centro, Rio, entre os dias 17 e 20 de maio.

     

    Aguardamos sua visita!

    #VemPraLer

     

     

     

  • Postado por editora em em 08/05/2018 - 15:57

    A área de gestão de pessoas tem sofrido impactos diretos das mudanças que ocorrem nas organizações e na busca de alternativas para sobreviver em cenários e mercados revoltos. A governança corporativa vem se adaptando à necessidade de fazer a leitura desses cenários e tornar a organização convergente em seu propósito, na formação e no preparo de seus colaboradores e na obtenção de resultados competitivos em um mercado de modelos diferenciados.
    A acelerada mudança tecnológica e a necessidade de acompanhar a sociedade e o mundo corporativo em suas demandas, e na forma como as pessoas são inseridas nesses contextos, têm requerido dos profissionais de recursos humanos e líderes novas perspectivas de atuação.
    Os profissionais de recursos humanos são os mobilizadores das lideranças para a gestão estratégica de uma organização, a partir do entendimento de que estamos em tempos em que a emoção (humano) e a lógica (tecnologia) caminham juntos. A inteligência artificial e os algoritmos estão à disposição  para facilitar a tomada de decisão, porém acompanhados do valor humano.

    Diante deste cenário, lançamos o livro Recursos humanos: transformando pela gestão, que se destina a todos que têm interesse em estudar, revisitar ou conhecer novos conteúdos, sistemas organizacionais e tendências globais em gestão de pessoas.

    Trata-se de um conjunto de artigos de vários especialistas, organizados pelas professoras Ana Paula Arbache e Denize Athayde Dutra, ambas da Fundação Getulio Vargas, que apresentam uma análise de contextos mundiais e do Brasil que ajudarão a compreender o momento atual do mundo corporativo e a visão de um futuro que insiste no aqui e agora, ressaltando a importância de compreender os novos modelos de gestão e de organizações, em que recursos humanos são a base dessa transformação.

    Confira a introdução da obra:

    Nas últimas três décadas, a gestão de recursos humanos evoluiu de departamento de pessoal e relações trabalhistas para uma função muito mais estratégica e abrangente: a de cuidar das pessoas para que essas possam cuidar das organizações.
    Por outro lado, se analisarmos o perfil dos profissionais que atuam na área, há um descompasso entre o discurso do RH estratégico e a realidade da maioria das organizações brasileiras. No Brasil, como em outros países, as organizações encontram-se em diferentes estágios de maturidade na função recursos humanos, graças a um conjunto de variáveis, tais como tamanho, estrutura, forma de capital, natureza do negócio, entre outras.
    O que trouxe o RH até o estágio atual, não será o mesmo que o levará à frente. Para dar conta dos novos desafios, as organizações carecem de profissionais mais preparados.
    A Fundação Getulio Vargas, por meio da FGV Management, lançou, em abril de 2014, um novo programa de Master Business Administration (MBA) voltado para formar executivos de recursos humanos como especialistas estratégicos, capazes de contribuir para o alcance dos resultados organizacionais, propondo políticas, diretrizes e práticas de gestão de recursos humanos alinhadas com os objetivos estratégicos da organização e que dignifiquem a relação do homem com o trabalho.
    Esta obra é o resultado da produção de parte do corpo docente do MBA de RH na busca de estabelecer as premissas conceituais básicas para cada disciplina que compõe o programa do curso, de modo que possa dar a outros profissionais, que não sejam alunos da FGV, um referencial teórico para a gestão de recursos humanos em suas organizações.
    O capítulo 1 apresenta a evolução da área de recursos humanos no Brasil e sua valorização como determinante para agregar valor ao negócio e ao propósito das organizações, bem como, contribuir para o desenvolvimento do país.
    O capítulo 2 traz conceitos para ajudar o profissional a entender o ambiente macroeconômico e seus impactos na tomada de decisão quanto às ações de recursos humanos na organização.
    O capítulo 3 permitirá que o profissional de RH entenda seu papel na governança de uma organização e como este entendimento e reflexões sobre a ética podem contribuir para o desenvolvimento sustentável de sua organização e do país, para garantir espaço na tomada de decisão e numa atuação mais propositiva da área.
    O capítulo 4 trata da questão da cultura organizacional e suas implicações no desempenho organizacional e nos modelos e práticas de gestão em um ambiente globalizado, de fusões, aquisições, joint ventures e surgimento de novos modelos organizacionais.
    O capítulo 5 aborda a gestão da mudança e do clima organizacional, onde temos cenário de alta volatilidade, de mudanças aceleradas, de elevado grau de obsolescência de produtos e serviços, de padrões de comportamentos diferentes com os quais ainda nem aprendemos a lidar.
    O capítulo 6 estimula o pensamento estratégico, fornecendo base conceitual e ferramentas para o RH desdobrar as estratégias da organização, por meio do próprio planejamento, alinhando todos os processos da função RH de forma sinérgica e holística, que contribua efetivamente para a melhoria da performance organizacional.
    No capítulo 7, o autor amplia o olhar do RH para as finanças corporativas, gerando condições para análise de demonstrativos e indicadores e criação de métricas próprias da função RH como forma de fortalecer seu posicionamento como gerador de resultado e não como simples gerador de custo.
    O capítulo 8 oferece ao especialista de RH uma importante metodologia para estruturar seus projetos e poder assegurar resultados nas ações de sua área. Outro aspecto do capítulo de gerenciamento de projetos é o RH ser suporte para os projetos estratégicos da organização, já que as estruturas organizacionais estão cada vez menos matriciais, adotando o modelo de gestão por projetos.
    O capítulo 9 revê os princípios do direito trabalhista que são a base de uma relação capital/trabalho justa e discute um conjunto de temas atuais, como assédio moral, diferentes tipos de contrato de trabalho, expatriação, inclusão de portadores de necessidades especiais, entre outros que estão presentes nas organizações públicas, privadas e do terceiro setor.
    O capítulo 10 refere-se aos processos de atração, seleção e retenção de pessoas como fator estratégico de sucesso para a gestão dos recursos humanos num contexto em que influenciar positivamente a percepção de valor do empregado (EVP) é um dos desafios da área de RH.
    O capítulo 11 expõe um conjunto de conceitos sobre a importância da capacitação e da gestão do conhecimento e de novas metodologias de aprendizagem, especialmente aquela mediada por tecnologia, como uma solução para atender às demandas geradas pela revolução digital e de disseminação do conhecimento de forma mais rápida e econômica, considerando que hoje a atuação das organizações não tem mais fronteiras geográficas.
    O capítulo 12 foca a gestão do desempenho e do modelo de gestão por competência, já que as empresas estão buscando novos formatos para lidar com o desafio da melhoria de performance dos colaboradores, à medida que o país tem ainda um dos mais baixos níveis de produtividade do mundo.
    O capítulo 13 aborda um tema crucial que é a remuneração, benefícios e carreira dos colaboradores, já que esses aspectos impactam diretamente nos resultados e têm variáveis internas e externas à organização, dependendo inclusive do ambiente macroeconômico.
    O capítulo 14 promove reflexões sobre a saúde corporativa e sobre a importância estratégica desse tema para as organizações, visto que os gastos com a saúde são, hoje, a segunda maior despesa de RH, depois da folha de pagamento.
    O capítulo 15 analisa o comportamento humano como fundamento para entender as relações entre capital e trabalho, compreender os impactos do comportamento sobre cultura organizacional, bem como sua importância para o desenvolvimento da inteligência emocional.
    O capítulo 16 traz conceitos para transformar gestores em líderes, que muito além da autoridade legítima de sua função, consigam influenciar as pessoas para contribuir com a missão organizacional, procurando elevar o desempenho e o potencial individuais em prol de objetivos coletivos.
    O capítulo 17 estimula o desenvolvimento da competência de negociação, essencial para o sucesso de qualquer gestor, especialmente o profissional de RH, que lida com toda a complexidade dos seres humanos e seus diferentes interesses e pontos de vista. Ter propostas de trabalho e não conseguir negociar com os diversos stakeholders a implantação dos projetos não irá colocar o RH na posição em que a organização precisa dele.
    O último capítulo, chamado “Tópicos especiais: e produção de conhecimento...”, resume alguns trabalhos de conclusão de curso das primeiras turmas do MBA de RH da FGV, cujos alunos foram instigados a produzir conhecimento sobre temas relevantes para o posicionamento estratégico da função de recursos humanos e seus desafios.
    Existe vasta literatura sobre gestão de pessoas e liderança, mas a produção de conhecimento sobre as funções de recursos humanos ainda é lacunar no Brasil; por isso, este livro tem por objetivo contribuir com conceitos e reflexões, que coloquem a FGV como protagonista do pensamento e das práticas de RH estratégico e transformador das organizações frente aos desafios presentes e futuros.

     

    Lançamentos:

    Rio de Janeiro | 22 de maio, às 18h30 | Livraria FGV

    São Paulo | 4 de junho, às 18h30 | Livraria Martins Fontes Paulista (Av. Paulista, 509)

     

    Recursos humanos: transformando pela gestão

    Ana Paula Arbache, Denize Athayde Dutra

  • Postado por editora em em 18/04/2018 - 08:28

     

    Neste 23 de abril celebramos o que nos move.

    Somos livros!

    E você? É livro também?

    Compartilhamos esse estado de "ser livro" com alguns autores e autoras nossos e recebemos suas respostas.

    Confira o que eles disseram sobre suas relações com os livros.

    Deixe aqui também seus comentários...

     

    Qual é sua leitura atual? Consegue mencionar dois livros importantes? Qual é a importância da leitura na sua vida? 

     

    Marieta de Moraes Ferreira | Autora: A história como ofício: a constituição de um campo disciplinar; Rio de Janeiro: uma cidade na história; João Goulart - entre a memória e a história; Os desafios do ensino médio; entre outros.

    1| Qual é sua leitura atual?

    Estou lendo um livro que tenho muito orgulho de ter publicado pela Editora FGV, que é o Mulheres e poder: histórias, ideias e indicadores.

    2 | Consegue mencionar dois livros importantes?

    Coronelismo, enxada e voto, de Victor Nunes Leal, muito importante para a minha profissão e um clássico da literatura que já reli algumas vezes, Os maias, de Eça de Queiros.

    3 | A importância da leitura na sua vida.

    A importância é absoluta. Sendo professora e editora, a leitura frequente se faz necessária, tanto para me atualizar sobre os novos temas tratados, quanto para rever assuntos importantes. Mas esse hábito não se restringe à profissão. Trata-se de uma necessidade pessoal também.

     

    Débora Thomé | Autora: Mulheres e poder: histórias, ideias e indicadores; O Bolsa Família e a social-democracia.

    1| Qual é sua leitura atual?

    Bem, estive lendo na semana passada Um Teto Todo Seu, um livro marco do feminismo, uma palestra da Virginia Wolf sobre como é importante a mulher ter uma renda, um teto todo seu, para ter liberdade de escrever sobre o que quiser.

    2 | Consegue mencionar dois livros importantes?

    Sou uma leitora voraz desde os 7 anos de idade e consigo lembrar de livros que me marcaram ao longo de todo este processo, mas queria destacar os dois primeiros livros adultos que li: De amor e de Sombras, de Isabel Allende e 12 contos peregrinos, do Garcia Marquez.

    3 | A importância da leitura na sua vida.

    Sou uma adoradora da literatura latino-americana e acho curioso que por acaso tenha começado por ela.

    Além deles, citaria Italo Calvino, Vargas Llosa, Hector Abbad, Juan Pablo Villalobos, Chimamanda, Machado. Além de Tony Judt, Norberto Bobbio, Hannah Arendt. Minha lista é infinita.

     

    Luis Carlos Villalta | Autor: O Brasil e a crise do Antigo Regime português (1788-1822)

    1| Qual é sua leitura atual?

    Acabei de ler o livro do Robert Rosenstone, A história nos filmes, os filmes na história. Tradução de Marcello Lino. Eu tinha lido textos deles em inglês, publicados em revista, mas não a edição brasileira do seu livro. 

    2 | Consegue mencionar dois livros importantes?

    Dois livros muito importantes na minha vida: Visão do Paraíso, de Sérgio Buarque de Holanda, que eu reputo como o maior livro da nossa historiografia, e O Diabo e a Terra de Santa Cruz, de Laura de Mello e Souza, minha ex-orientadora de doutorado, outro clássico.

    3 | A importância da leitura na sua vida.

    Meu interesse pela leitura foi despertado em casa. Minha mãe sempre foi leitora de romances. Meu avô materno, um velho comunista admirador de Luiz Carlos Prestes, posição política de que desconfiava quando criança e de só foi ter certeza recentemente, funcionava como incentivador da leitura, sempre me dando revistas para ler. Como era comum na época, meu primeiro romance foi Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcellos, escritor menor. Mas logo em seguida, devorei vários romances de José Lins do Rego, a começar por Menino de Engenho. Jamais desconfiaria que meu amor pelo Nordeste começaria aí.

     

    Mariana Bruce | Autora: Estado e democracia nos tempos de Hugo Chávez (1998-2013)

    1| Qual é sua leitura atual?

    A potência plebeia, de Álvaro Garcia Libera

    Se me deixam falar (história de Domitila Barrios de Chungara)

    E Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus

     2 | Consegue mencionar dois livros importantes?

     Cem anos de solidão, Gabo

    1984, George Orwell

    A importância da leitura na sua vida

    3 | A importância da leitura na sua vida.

     É tudo para mim, fonte de inspiração e conhecimento.

     

    Alba Zaluar | Autora: Cidade de Deus: a história de Ailton Batata, o sobrevivente; Um século de favela; Integração perversa: pobreza e tráfico de drogas; entre outros.

    1| Qual é sua leitura atual?

    Estou lendo um autor que gosto muito, já falecido: Tony Judt no seu livro com os artigos que escreveu até 2010. Além dos artigos para o curso sobre guerra e paz que dou no Iesp.

    2 | Consegue mencionar dois livros importantes?

    Livros, todos eles em defesa da paz:

    Os Buddenbrooks, de Thomas Mann

    Guerra e Paz de Leon Tolstoi

    Os Alemães de Norbert Elias

    3 | A importância da leitura na sua vida.

    Sem a leitura, eu não seria eu. Não teria me desenvolvido como pessoa humana, não teria me entendido e respeitado o outro, não teria vivido as alegrias e tristezas que vivi e que fazem parte da vida, só que lidando melhor com elas.

     

    Wanderlei Guilherme dos Santos | Autor: A democracia impedida: o Brasil século XXI; Governabilidade e democracia natural

    1| Qual é sua leitura atual?

    Estou lendo sobre revolução tecnológica atual e seus efeitos sobre a democracia.

    2 | Consegue mencionar dois livros importantes?

    A Grande Transformação, de Karl Polanyi, e outros dois mil que não consigo lembrar os títulos, mas sem os quais não teria escrito uma página sequer ao longo de minha vida profissional.

    3 | A importância da leitura na sua vida.

    Uma questão de estilo de vida.

     

    Eduardo Garcia | Autor: Comunicação em prosa moderna

    1| Qual é sua leitura atual?

    Como minha leitura atual cito o livro Machado, de Silviano Santiago, que acabo de ler com muito prazer e proveito.

    2 | Consegue mencionar dois livros importantes?

    Difícil é dizer quais os dois livros mais importante para mim, mas, se me restringir à literatura brasileira apenas para facilitar a seleção, cito a obra genial de Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas, e a grandiosidade de Vidas secas, de Graciliano Ramos.

    3 | A importância da leitura na sua vida.

    Quanto à importância da leitura para mim, só posso dizer que foi e tem sido por meio dela que logro conquistar alguma possível lucidez com relação ao que constitui a existência humana, aquele “claro enigma” a que se refere Carlos Drummond de Andrade.

     

    Eduardo Magrani | Autor: A internet das coisas

    1| Qual é sua leitura atual?

     Enclausurado de autoria de Ian McEwan

    2 | Consegue mencionar dois livros importantes?

    Matadouro 5 do Kurt Vonnegut e Ensaio sobre a Cegueira do Saramago.

    3 | A importância da leitura na sua vida.

    A leitura abre as portas da nossa percepção e coloca em palavras as asas da nossa imaginação. 

     

     

     
  • Postado por editora em em 08/03/2018 - 07:59

    Desde que as feministas precursoras dos séculos XVIII e XIX começaram a escrever seus reclames, muitos direitos avançaram. 

    A permanência do movimento feminista é sinal de um enorme vigor em todas as suas vertentes, porém a persistência e o fortalecimento recente das ações das mulheres mostram que ainda existe um sem número de direitos não contemplados, sendo o mais básico e fundamental o direito à igualdade. As  desigualdades que estruturam a sociedade brasileira de ontem e hoje, por meio do patriarcado, do racismo e do patrimonialismo, seguem como um grande desafio.

    Mulheres e poder: histórias, ideias e indicadores espelha o cuidado intelectual e político das autoras que nos convidam a mergulhar em um sem número de perguntas, reflexões e dados, em um país que carece de profundas transformações.

    Essas reflexões, entre tantas outras, farão parte do bate-papo com as autoras Hildete Pereira de Melo e Débora Thomé e a jornalista Cássia Almeida, no lançamento do livro, dia 19 de março, na Blooks Livraria.

     

    Confira a introdução da obra:

    Este livro nasceu em um curso de que participamos como coordenadora e professora. Enquanto preparávamos um imenso material que seria ensinado a 900 futuras candidatas a vereadora e prefeita, percebemos como havia diversas informações sobre as mulheres pouco sistematizadas e que eram de fundamental conhecimento para quem estava chegando ao tema ou nele se aprofundando.
    Entender onde se encontram as brechas de gênero que mantêm as mulheres longe das esferas de poder é um passo fundamental para começar a mudança. E, aqui nestas páginas, falaremos de poder não apenas político, mas na sua forma mais abrangente, seja nos direitos básicos, como a segurança, no acesso a salários equiparados no mercado de trabalho, ou mesmo o poder para uma mais equânime divisão do trabalho doméstico, o trabalho não pago, predominantemente executado pelas mulheres.
    A segunda década do século XXI recolocou o ativismo das mulheres, com força e garra, nas ruas, nas universidades, nas performances, na organização de coletivos. Isso ocorreu não apenas no Brasil, como também em muitos outros países. A cidadania feminina passou a ser vista como um ponto fundamental de garantia de uma democracia efetiva.
    Entre outros motivos, uma das razões para esse novo despertar se deu porque, apesar dos avanços na educação e no trabalho, nos estudos sobre as razões das discriminações de sexo, raça e identidades, persistem as evidências da desigualdade no mercado de trabalho e na família e a violência contra as mulheres. As mulheres fizeram a sua parte, entretanto não receberam em troca uma recompensa à altura de seus avanços.
    Novas gerações de mulheres, depois de 2010, ganharam as ruas, invadiram campus universitários e os espaços das mídias sociais para protestar contra as atitudes machistas, o assédio, os estupros, os assassinatos por familiares e parceiros, pela descriminalização do aborto, além de reivindicarem políticas públicas para as mulheres, com viés de gênero e direitos iguais.
    Há 20 anos, apesar do esforço das feministas para manter de pé pautas ainda prementes na sociedade brasileira, tais reivindicações encontravam pouco eco entre as mais novas. Se fosse há duas décadas, este livro ainda teria razão de existir, mas talvez ele não fosse encarado assim pela maioria das jovens. Os temas de interesse eram outros. Porém o que se viu nos últimos anos, com movimentos como o “Fora Cunha”, o #meuprimeiroassedio ou o #metoo, foi um fortalecimento das mulheres como sujeitas que requerem seus direitos, assim como se posicionam como agentes da mudança.
    Este livro, portanto, tenta reunir uma série de dados que levam ao estado da arte das discussões sobre mulheres e poder no Brasil e no mundo hoje. Ele traz informações de fontes bastante diferentes, olhares diversos, que passam não apenas por autoras feministas (mas também por elas). Nossa intenção – se é possível a nós, autoras, termos alguma – é apresentar a maior quantidade de dados contextualizados para que você, leitora, leitor, possa entrar neste debate de uma maneira mais informada. O conhecimento será sempre parte fundamental da transformação. Se quiser se aprofundar, as referências bibliográficas contêm livros e artigos canônicos e conjunturais para entender melhor os debates que aqui apresentamos.
    Para que se tenha ideia do que vem adiante, o primeiro capítulo começa com uma discussão sobre os diferentes conceitos do feminismo. Em um mundo tão variado, são também muitos os feminismos e os diversos entendimentos sobre o papel das mulheres na sua própria luta. Reconhecemos que muitas dessas visões foram forjadas dentro das academias norte-americana e europeia, o que limita uma leitura mais internacional e pós-colonial, mas elas são, até hoje, as mais consolidadas no campo feminista. Apresentamos também uma discussão breve sobre o conceito de gênero, que tanto vem causando ruído no cenário atual.
    A história das mulheres no mundo é contada a partir do segundo capítulo. Privadas dos espaços públicos, elas se viram confinadas em suas casas, responsáveis pelos cuidados de maridos, filhos, familiares. Ainda que pudessem ser bastante produtivas, eram mantidas escondidas atrás de cadeados, manicômios, prisões ou mesmo pseudônimos, já que muitas não podiam expressar de forma contundente suas ideias e opiniões. Esse papel alijado dos holofotes nada tem de novo na história do mundo, ao contrário, já na Grécia entendiam que a mulher, por não participar de exércitos ou guerras, não era dotada do espírito público, coletivo. A ela, a casa; a eles, a pólis. As revoluções – tais como a francesa ou a russa – vieram modificar um pouco essa realidade, com as mulheres participando ativamente dos levantes. Porém o grande salto se daria mesmo com a conquista do voto feminino, também abordado aqui.
    No terceiro capítulo, chegamos à história do Brasil para tratar das primeiras revolucionárias que atuaram no país. Foram elas negras que lutaram por sua liberdade na justiça ou na compra da própria alforria ou mulheres brancas que se organizaram nas ligas abolicionistas. Mulheres essas sobre as quais pouco conhecemos até hoje e que foram as primeiras a atuar de forma intensa para mudar a trajetória do país. Entre as ferramentas de que dispunham estavam ações contínuas na imprensa, fosse com artigos nos jornais mais populares, ou com revistas criadas exclusivamente para defender os direitos das mulheres. Mesmo com tanta atividade, a República, quando declarada, não deu o direito ao voto feminino e manteve masculina a história do poder no Brasil. Feministas lideradas por Bertha Lutz criaram, então, a Federação pelo Progresso Feminino (FBPF), mas o voto só foi garantido às mulheres durante o governo de Getúlio Vargas, em 1932. As histórias dessas mulheres até sua participação nas campanhas pela anistia no fim da ditadura militar são a parte final desse capítulo. Na época, mobilizaram-se trabalhadoras de fábricas e escritórios, negras, brancas, heterossexuais, lésbicas, acadêmicas, despidas das diferenças, entendendo seu papel de mulheres oprimidas e que desejavam autonomia na sua luta específica em relação aos partidos políticos, aos homens e ao Estado. Elas se fortaleceram em todos os estados brasileiros e foram de enorme presença na Constituinte de 1988.
    As mulheres, ainda que sejam a maioria em quase todos os países, são a minoria no mundo. Isso porque na China e na Índia, os dois países mais populosos, houve leis limitantes da natalidade que fizeram com que as famílias – por meios ilegais e grotescos – priorizassem o nascimento de meninos. Sabe-se que nascem geralmente mais meninos que meninas, mas, como os homens morrem mais cedo, as mulheres acabam sobrevivendo e sendo mais numerosas.
    Esse tema, entre outros do escopo da demografia, como taxa de fecundidade, casamento, migração e morte, é o assunto do quarto capítulo. Nele também contamos como no Brasil hoje, mesmo entre as mulheres de menor renda, a taxa de fecundidade é baixa, assim como ainda há muitas mortes maternas por causas evitáveis; entre elas, o aborto realizado em situação de risco. Também tratamos dos altos índices de gravidez na adolescência, o que prejudica principalmente as moças jovens (mais do que os rapazes) e a questão dos novos arranjos familiares.
    A educação e o trabalho são o foco dos capítulos 5 e 6. As mulheres, hoje com mais anos de estudos em média que os homens e com mais titulações anualmente de mestrado e doutorado, contiuam com uma enorme dificuldade de converter esse esforço em salários e postos melhores em suas carreiras. As ciências exatas permanecem um campo obscuro para as mulheres. De fato, aumentou a presença, mas não na intensidade que se possa esperar. Um exemplo curioso que reflete essa ausência: entre os quase 900 ganhadores do Prêmio Nobel no decorrer de sua história, apenas 48 eram mulheres. A ciência é branca e masculina.
    No capítulo do trabalho, tratamos tanto do trabalho pago quanto do não pago, o trabalho reprodutivo e do cuidado, porque, sim, ele também é de fundamental relevância e ocupa o tempo e a produção da maioria das mulheres durante toda a sua vida.
    Durante o século XX, aumentou muito a ida das mulheres como um todo* (*as mulheres negras já vinham no Brasil trabalhando compulsoriamente desde sua chegada da África ou nascimento aqui, escravizadas. Posteriormente, também seguiram no mercado de trabalho, uma vez que precisavam garantir o sustento de seus filhos e filhas.) para o mercado de trabalho remunerado, mas, ainda que tenha crescido de forma intensa, não foi proporcional às mudanças ocorridas no mundo da economia. A industrialização foi muito mais intensa que o aumento das mulheres absorvidas pelas esferas de produção remunerada. Com a virada da educação e a queda da taxa de fecundidade (entre outros motivos, ajudada pelo advento da pílula anticoncepcional), as brasileiras então, a partir dos anos 1970, passaram a ter incrementos mais substantivos na sua participação no mercado de trabalho.
    No entanto, não foi vencido um dos maiores desafios do nosso tempo, a articulação entre família e o mundo do trabalho fora de casa. Continuamos reféns da efetivação de políticas que eliminem as desigualdades e discriminações nos ambientes de trabalho. Nesse capítulo discute-se o que foram estes avanços e permanências.Reitera-se a luta centenária pela igualdade salarial, a denúncia da má qualidade da ocupação laboral das mulheres, que continuam em atividades precárias e informais. Conclui-se que o “bônus” da maior escolaridade ainda não se converteu em remunerações iguais: somos no século XXI mais educadas, mas continuamos mais pobres. Claro que os diplomas universitários possibilitaram acesso a carreiras antes vedadas a nós, a postos de chefia, mas ainda estamos longe da igualdade com os homens. Temos uma jornada de trabalho maior que a masculina quando se agregam os tempos de trabalho dedicados à produção dos bens e serviços mercantis e os afazeres domésticos, tarefas que por “amor” (ou seja, sem remuneração) prestamos à família. Na segunda década do novo milênio, sentimo-nos aptas a realizar todos os trabalhos que os homens fazem, mas eles resistem a assumir as tarefas domésticas.
    Na trajetória do livro, saímos do mundo do trabalho e seguimos rumo ao mundo da política. No Brasil, apesar de o direito das mulheres votarem e serem votadas ser um fato desde 1932, apenas 10% da representação é feminina, seja nas prefeituras ou no Legislativo nacional. O país é o pior entre os seus vizinhos latino-americanos e caribenhos neste quesito, atrás apenas do Haiti. É um dos piores também do mundo em representação feminina, isso apesar de ter caraterísticas que costumam ajudar as mulheres a alcançarem cargos eletivos, como o voto proporcional e as cotas de 30% para mulheres nas eleições para o Legislativo. A história das cotas, aliás, também é abordada no capítulo 7, afinal elas foram consideradas uma inovação, com enorme possibilidade de sucesso, mas, no decorrer do processo, foram absorvidas e diluídas por um sistema dominado por “caciques partidários”, que mantêm as mulheres bem longe do poder político. As pioneiras representantes do Brasil e as presidentas latino-americanas são mais um ponto desta história.
    Por fim, o último capítulo trata das políticas públicas e da legislação com atenção específica às mulheres, pontos fundamentais nos esforços para transformar a realidade. Falamos da criação dos conselhos dos direitos das mulheres (nacional, estaduais e municipais), um plano que se iniciou com o sonho da feminista Bertha Lutz no desempenho do seu curto mandato de deputada federal entre 1936 e 1937. Isso acabou modificando as políticas públicas com vistas à atenção às necessidades específicas das mulheres. As leis, tais como a Maria da Penha e o agravante de feminicídio, entraram duramente para tentar diminuir os índices de violência contra mulher no país, onde, diariamente, 11 mulheres são mortas por seus companheiros, ex-companheiros ou familiares. Outro tema do capítulo são os direitos sexuais e reprodutivos e a luta sem final feliz pelo direito ao aborto no Brasil.

    Esperamos que este passeio que você começa agora, por uma história suada, mas com boas notícias, seja bastante informativo e prazeroso. Além disso, que ele abra as portas para muitas outras perguntas e pesquisas que ainda têm de ser feitas no Brasil e no mundo para entender o papel das mulheres nas estruturas de poder.

     

    Mulheres e poder: histórias, ideias e indicadores

    Hildete Pereira de Melo e Débora Thomé

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