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  • Postado por editora em em 02/06/2016 - 15:59

    No Brasil, a taxa de câmbio está — recorrentemente e por motivos variados — no primeiro plano do debate econômico nacional. Por vezes, a sobrevalo­rização cambial é o principal problema apontado sob pena da fragiliza­ção da indústria brasileira; por outras vezes, os rápidos processos de desva­lorização e seus efeitos inflacionários tornam-se o centro das preocupações, ou ainda, períodos de alta volatilidade são destaques ao provocar indefini­ção, incerteza e perplexidade nos analistas econômicos. Essa alternância de motivos para a centralidade do câmbio no debate econômico é também um sintoma das especificidades da formação da taxa de câmbio brasileira e da di­ficuldade da política cambial em dar um tratamento definitivo ao problema.

    O comportamento da taxa de câmbio no Brasil e o impacto de políticas cambiais são analisados na obra Taxa de câmbio e política cambial no Brasil, que lançaremos no dia 9/6, sob a perspectiva do quadro regulatório, da operacionalidade do mercado de câmbio, das mediações entre os mercados à vista e futuro, da estratégia de investimento dos agentes, dos ciclos especulativos e da existência de canais de arbitragem.

    O livro do economista Pedro Rossi não pretende discutir qual seria o nível adequado da taxa de câmbio no Brasil, e sim apontar como sua formação vem sendo siste­maticamente influenciada pelas forças do mercado financeiro e descrever os canais pelos quais as políticas públicas podem ser efetivas. Para isso, a obra apresenta as respostas para questões como: por que o fluxo cam­bial não explica a trajetória da taxa de câmbio real/dólar? Qual o papel do mercado de derivativos na formação da taxa de câmbio? Como a pressão especulativa é transmitida do mercado futuro para o mercado à vista? Quais os agentes responsáveis pela especulação e pela arbitragem? Entre outras.

    Confira um trecho do primeiro capítulo:

    TAXA DE CÂMBIO — ASPECTOS GERAIS
    Os movimentos da taxa de câmbio não são neutros e não deixam ninguém indiferente. Em sua essência, o câmbio é um preço relativo entre ativos sui generis: as moedas, que são alicerces das economias modernas e constituem a referência para a formação dos preços de bens, dos serviços e também dos preços financeiros. A variação na taxa de câmbio é, portanto, a variação do preço de uma moeda medida em relação a outra moeda e, consequentemente, é a variação de toda uma estrutura de preços relativos que tem impacto nos ganhos de setores econômicos e classes sociais. Nesse sentido, a estrutura produtiva e a distribuição de renda são influenciadas pelos movimentos da taxa de câmbio.
    Dada a sua importância, este capítulo propõe apresentar de forma introdutória e didática algumas questões gerais sobre o tema da taxa de câmbio e seu impacto macroeconômico. O capítulo está organizado em torno da problematização de seis pontos: 1) as especificidades do conceito de taxa de câmbio, 2) a relação entre o câmbio e a competitividade externa, 3) os impactos da variação cambial na inflação, 4) nos salários reais e 5) na estrutura produtiva e distribuição de renda e, por fim, 6) a controvérsia entre poupança e taxa de câmbio. Alguns desses pontos parecem triviais, à primeira vista, mas quando discutidos em profundidade, revelam pormenores importantes para o debate econômico e ajudam a desconstruir mitos.

    1. SOBRE O CONCEITO DE TAXA DE CÂMBIO
    Como medida de valor, a moeda é a referência para todas as mercadorias e contratos em um território nacional, e o preço de mercadorias e contratos é expressão monetária do valor dos mesmos. Em uma economia hipoteticamente fechada, a moeda nacional não tem preço, pois teria que se referir a si
    própria, como equivalente de si mesma. Contudo, no mundo em que vivemos, as moedas nacionais têm preço quando comparadas a outras moedas; a esse preço específico dá-se o nome de taxa de câmbio.
    Logo, a taxa de câmbio é o preço de uma moeda — equivalente geral de um espaço econômico e referência de uma estrutura de preços relativos — em relação a outra moeda. Ou seja, a taxa de câmbio expressa a quantidade necessária de uma moeda para se adquirir outra moeda. Nesse sentido, o câmbio é o elemento que permite comparar estruturas de preços relativos de espaços monetários distintos. Como argumenta Flassbeck (2001), a taxa de câmbio é um conceito bilateral, uma vez que sempre depende da comparação entre duas moedas. Não existe, portanto, a taxa de câmbio de um país e, a rigor, a expressão “taxa de câmbio brasileira” é um equívoco conceitual, trata-se da taxa de câmbio real/dólar, real/euro etc.

    2. CÂMBIO E COMPETITIVIDADE EXTERNA
    As tarifas de comércio externo têm impacto direto na competitividade dos setores produtivos domésticos. Uma alteração da tarifa sobre importação tende a modificar diretamente a competitividade dos produtos estrangeiros nos mercados nacionais, enquanto uma variação da tarifa sobre exportações altera a competitividade do produto doméstico no plano internacional.
    No que se refere à competitividade, o movimento da taxa de câmbio tem efeito análogo a uma combinação de políticas tarifárias, por exemplo, uma desvalorização cambial equivale a um aumento das tarifas de importação somado à redução das tarifas de exportação. Com isso, amplia-se a competitividade dos produtos domésticos simultaneamente nos mercados interno e internacional. Por outro lado, uma valorização cambial equivale à combinação de redução de tarifas de importação e de aumento das tarifas de exportação e, portanto, prejudica a produção de bens domésticos transacionáveis nos mercados interno e internacional.
    Apesar de causar impactos semelhantes sobre a competitividade do setor produtivo, as tarifas são amplamente reconhecidas como instrumento de política econômica, enquanto o mesmo não ocorre para a taxa de câmbio. No plano da política doméstica são debatidas, formuladas e explicitadas estratégias de política tarifária. Também no plano internacional há um fórum específico para discussão dessas políticas e para acordos multilaterais acerca das tarifas de comércio: a Organização Mundial do Comércio. Já a taxa de câmbio é um instrumento de política menos considerado tanto no debate doméstico quanto nos fóruns multilaterais onde faltam espaços para uma discussão normativa acerca dos desajustes cambiais, seus efeitos sobre os desequilíbrios de balanço de pagamento e sobre as diferentes estruturas produtivas domésticas.

    3. CÂMBIO E INFLAÇÃO
    É frequente, no debate econômico, a afirmação de que não se deve desvalorizar artificialmente a taxa de câmbio, pois o efeito esperado será essencialmente uma taxa de inflação maior e uma menor eficiência na alocação de recursos. Adicionalmente, argumenta-se que a desvalorização é ineficaz, pois a inflação provocada neutraliza o efeito nominal e resulta em uma taxa de câmbio real estável. Esses argumentos, apesar de comuns, são parciais e devem ser relativizados. A desvalorização cambial não deve ser entendida como uma simples geradora de pressão inflacionária, mas como uma fonte de alteração dos preços relativos no âmbito de uma economia nacional.
    Há três grupos de preços de produtos na economia: os preços monitorados, os preços de bens não comercializáveis e os preços de bens comercializáveis. A dinâmica do primeiro grupo de preços é definida por contratos e, portanto, independe da taxa de câmbio — exceto em casos específicos em que esses contratos são indexados à variação cambial.
    Já os preços de bens comercializáveis, onde se incluem os produtos agrícolas e industriais, são diretamente afetados pelas variações cambiais pelos motivos já conhecidos: a alteração dos preços relativos dos produtos domésticos vis-à-vis os produtos estrangeiros. Ou seja, a valorização cambial torna os produtos domésticos menos competitivos no mercado doméstico e internacional, enquanto a desvalorização cambial tem o efeito reverso.
    No caso dos preços de bens não comercializáveis, onde se classifica a maior parte dos serviços, não há dependência direta da taxa de câmbio. Por natureza, a concorrência no setor de serviços tradicional é uma concorrência limitada ao espaço doméstico/local, uma vez que não há possibilidade de substituição desses tipos de produtos por produtos estrangeiros. Ou seja, não se muda o filho para uma escola nos EUA porque a taxa de câmbio valorizou, ou não se vai ao cabeleireiro em Paris pelo mesmo motivo.
    Visto isso, o efeito de uma desvalorização cambial deve ser entendido no contexto desses três grupos de preços. Essa corresponde a um ajuste de preços relativos que aumenta os preços dos bens comercializáveis em relação aos preços de serviços e aos preços monitorados, e o efeito inflacionário direto é restrito a esse primeiro grupo de bens. Adicionalmente, esse efeito inflacionário também é restrito no tempo, pois os preços só aumentam enquanto durar o processo de ajustamento da economia à nova configuração de preços relativos. Nesse sentido, a desvalorização cambial não provoca a aceleração da inflação e sim um aumento localizado de uma categoria de preços e restrito no tempo.
    Essa desvalorização cambial pode aumentar indiretamente os preços de serviços por um “efeito custo”, mas também pode reduzir indiretamente esses preços por um “efeito demanda”. Esse último efeito é mediado pela redução da demanda por serviços causada por um comprometimento maior da renda doméstica com os bens comercializáveis. Ou seja, enquanto o câmbio valorizado pode aumentar a demanda por serviços causando uma inflação de serviços acima da média, a desvalorização cambial tende a conter o aumento de preços nesse setor. Esse processo completa o ajustamento da economia
    para um novo patamar de preços relativos, onde o setor produtor de bens (industriais e agrícolas) tem um ganho em relação ao setor de serviços.
    Nesses termos, é um equívoco associar o ajuste cambial à inflação de preços generalizada uma vez que esse constitui, em sua essência, um ajuste de preços relativos dos preços domésticos vis-à-vis os preços internacionais e entre diferentes grupos de preços domésticos.

    4. CÂMBIO E SALÁRIOS REAIS
    Uma desvalorização cambial é frequentemente vista como politicamente impopular, uma vez que pode reduzir o poder de compra da população no curto prazo. Apesar de relativamente correta, pode-se desmitificar essa ideia, a começar pelo seguinte argumento: a desvalorização cambial só provoca uma redução dos salários reais se a taxa de inflação foi superior ao aumento de salário nominal no período em questão.
    Pela ótica da renda, que trata da remuneração dos fatores de produção, o produto (y) é igual aos salários (w), lucros (l) e rendas (i) medidos em termos reais. Uma visão simplificada atribui à desvalorização cambial o efeito de redistribuir a renda nacional prejudicando os salários e favorecendo os lucros. Isso porque o câmbio mais desvalorizado por um lado aumenta o preço dos bens de consumo do trabalhador e, por outro lado, dá ganhos de competitividade ao setor produtivo, o que permite a recomposição das margens de lucro. Contudo, esse efeito não ocorre se a variação nos preços dos bens de consumo do trabalhador foi inferior ao aumento de salários nominais. Ou seja, a parcela dos salários reais na renda pode ser mantida e até aumentada diante de uma desvalorização cambial. Por exemplo, quando uma desvalorização cambial ocorre simultaneamente a uma queda nos preços de commodities, a mudança cambial pode não gerar pressões inflacionárias e assim não reduzir o poder de compra do trabalhador. (CONTINUA)

     

    O lançamento do livro será no dia 9/6, às 19h, na Livraria da Travessa de Botafogo.

    Taxa de câmbio e política cambial no Brasil: teoria, institucionalidade, papel da arbitragem e da especulação

    Autor: Pedro Rossi

  • Postado por editora em em 30/05/2016 - 12:02

    O americano Barry Ames, autor da obra Os entraves da democracia no Brasil - que publicamos em 2003, afirma que "o sistema político brasileiro não só favorece a corrupção, mas depende dela para seu funcionamento".

    Diante dos entraves atuais, mesmo passados treze anos desta edição, a obra apresenta-se completamente atual e de grande importância para um melhor entedimento da atual crise política brasileira.

    Disponível, agora, em ebook.

     

    Confira um trecho da introdução da obra:

    "Imaginemos o seguinte enigma: um país formalmente democrático enfrenta durante anos crises de inflação, desperdício e corrupção no governo, déficits no sistema previdenciário, serviços sociais de má qualidade, violência e desigualdade social. Parcelas importantes da população apoiam os projetos destinados a combater essas crises. No Congresso, poucos parlamentares se opõem às propostas por razões programáticas ou por pressão do eleitorado. E, apesar disso, os projetos raramente saem incólumes do processo legislativo. Muitos, sem qualquer chance de aprovação, jamais chegam às portas do Congresso. Outros morrem nas comissões. Alguns acabam sendo aprovados, mas a demora na decisão e concessões de substância minam seu impacto.
    Raramente o Executivo pode evitar o alto preço a pagar, em benefícios clientelistas e patronagem, para obter apoio parlamentar.
    Esse enigma tem caracterizado nos últimos 15 anos o governo e a atividade política no Brasil, a maior democracia da América Latina. Não é raro descrever o Brasil como um país em que a governabilidade é um problema permanente.
    Governabilidade é um desses temas candentes, cujo sentido é difícil de determinar, mas ele contém em sua essência dois processos políticos. O primeiro diz respeito à eficiência dos poderes Legislativo e Executivo de um país na elaboração de programas e políticas públicas; o segundo relaciona-se com a capacidade do governo para levar a cabo esses programas. Este livro trata da elaboração de políticas como aspecto da governabilidade no Brasil. Mais especificamente, examina as relações entre as instituições políticas nacionais, sobretudo as regras e práticas da política eleitoral e parlamentar, e a probabilidade de que o governo federal adote novos programas e ações. Embora a análise empírica se concentre nos últimos 15 anos da vida política brasileira, incluindo o período final do regime militar, as teorias e explicações que a sustentam provêm da literatura mais geral da ciência política contemporânea, e os resultados da investigação têm implicações tanto para os países em desenvolvimento quanto para os desenvolvidos.
    Para se ter uma compreensão mais concreta da crise de governabilidade no Brasil, basta pensar na gestão presidencial mais recente. Quando Fernando Henrique Cardoso tomou posse como presidente da República, no início de 1995, as perspectivas de seu governo pareciam extremamente promissoras. O novo presidente contava com os louros de ser o criador do Plano Real, programa responsável pela estabilização da economia e por tirar da pobreza milhões de brasileiros. Os cinco partidos que apoiaram a candidatura de Fernando Henrique (alguns somente no segundo turno) somavam mais de 400 deputados, número suficiente para garantir a aprovação da legislação ordinária e até de emendas constitucionais. A oposição de esquerda estava completamente desorganizada, desmoralizada e sem um projeto alternativo digno de crédito. Além disso, o presidente não era um homem de poucos méritos: com efeito, um conceituado historiador estrangeiro declarou que Fernando Henrique Cardoso “podia ser considerado o chefe de Estado intelectualmente mais preparado da atualidade” (Anderson, 1994:3). Com um começo tão auspicioso, e tão incomum, supunhase que os planos de governo de Fernando Henrique passassem com facilidade pelo Congresso e que o país poderia então dar início ao combate aos principais problemas nacionais: a pesada e onerosa máquina do Estado, a economia
    ineficiente e a pobreza generalizada.
    Seis anos depois da posse, o governo de Fernando Henrique fez jus aos seus inebriantes prognósticos? Êxitos houve, sem dúvida, especialmente na área econômica. A abertura da economia, dando continuidade ao que seu antecessor, Fernando Collor de Mello, havia começado, avançou rapidamente; setores importantes foram abertos ao investimento estrangeiro, grandes empresas estatais foram privatizadas e o comércio exterior foi liberalizado (Kingstone, 1999). Em outras áreas, porém, o progresso foi lento e desigual. O Congresso aprovou uma emenda constitucional permitindo a reeleição do presidente da República e de governadores e prefeitos, mas a emenda só passou depois que o Executivo fez farta e generosa distribuição de cargos e benefícios para as clientelas eleitorais de um número expressivo de deputados. Além disso, denúncias de compra de votos insinuavam que alguns governadores haviam literalmente subornado deputados para que votassem a favor da emenda da reeleição em troca do controle sobre nomeações para importantes cargos executivos nos seus estados (Kramer, 1997). Em fins de 1998, as reformas administrativa e previdenciária foram aprovadas, depois de se arrastarem por muito tempo no Congresso, e só passaram depois de substanciais concessões do governo. A reforma tributária, há muito considerada uma medida de capital importância para a modernização da economia, desaparecera da agenda do Executivo. O lento progresso das reformas previdenciária e administrativa, aliado à ausência de qualquer coisa parecida com uma nova política tributária, teve conseqüências concretas. Com a fuga em massa de capitais estrangeiros, desencadeada pela crise asiática do final do verão de 1998, banqueiros e investidores estrangeiros aproveitaram-se desses fracassos para justificar suas preocupações com o programa econômico brasileiro, e os efeitos da retração dos investimentos externos sobre o déficit do setor público obrigaram o governo a adotar medidas de estabilização ainda mais duras e recessivas.
    A dificuldade de Fernando Henrique para acelerar a tramitação no Congresso de seu programa de governo não pode ser atribuída nem à falta de sólido apoio da opinião pública nem aos princípios programáticos da oposição.
    Em todas essas áreas de ação (com a possível exceção da emenda da reeleição), maiorias expressivas da população apoiavam as reformas de Fernando Henrique. E, como afirmou o cientista político Bolívar Lamounier, não havia nenhuma proposta alternativa competindo pelo apoio do Congresso (“Soltando as amarras”, 1997).
    Se Fernando Henrique, que começara com trunfos tão favoráveis, teve todos esses problemas para fazer avançar sua agenda legislativa, imagine-se o que teria de enfrentar um presidente mais “normal”! No Brasil, o Poder Executivo muitas vezes não conta sequer com maiorias parlamentares nominais e depende de deputados que só se preocupam com sua própria sorte, com benefícios paroquiais de retorno eleitoral garantido ou em defender interesses estreitos. Além de tudo isso, os presidentes lidam com públicos extremamente insatisfeitos com o desempenho do governo em todas as esferas.
    Os últimos 15 anos da política brasileira, somados à experiência pluralista do período 1946-64, mostram que as instituições políticas do país criam uma permanente crise de governabilidade, de efeitos devastadores em épocas normais e capaz de debilitar até mesmo presidentes como Fernando Henrique Cardoso, que parecia ter nas mãos todos os trunfos. A observação dessa experiência me levou a concluir que o problema das instituições políticas brasileiras é que elas funcionam mal." (Continua)

     

    Os entraves da democracia no Brasil

    Barry Ames

    Ebook | R$45

  • Postado por editora em em 13/05/2016 - 10:58

    Publicada originalmente em 2006, a obra Presidencialismo e governabilidade nas Américas, de Octavio Amorim Neto, traz um prefácio que bem poderia estar nos livros mais recentes sobre o tema, mesmo passados 10 anos.

    Recuperamos esses arquivos e trouxemos, em formato digital, todo o conteúdo que discute o sistema presidencial de governo, particularmente o chamado “presidencialismo de coalizão”, principalmente no caso brasileiro e considerando que a maioria dos países latino-americanos tem sistemas multipartidários; além de exemplos das experiências mundiais com o parlamentarismo e o semipresidencialismo em busca de ilustrações e referentes comparativos.
    O livro procura responder questões como: Quais são os principais objetivos dos presidentes?; Por meio de quais estratégias decisórias os presidentes tentam alcançar seus objetivos? Qual a relação entre a estratégia decisória escolhida pelo presidente e a formação do seu gabinete? Há um nexo entre, por um lado, a composição do gabinete e, por outro, a sua durabilidade e a estabilidade ministerial? Existe alguma relação entre a composição dos gabinetes presidenciais e o déficit fiscal? O presidencialismo precisa ser reformado nas Américas?

    Confira o préfacio da obra:

    "Este livro de Octavio Amorim Neto, um estudo aprofundado do sistema presidencial de governo, particularmente o chamado “presidencialismo de coalizão”, vem a lume em um momento crítico da democracia brasileira. Não foi, porém, pensado como uma análise conjuntural, centrado nos eventos deste final de quadriênio presidencial em nosso país. Ao contrário.
    O texto expõe os resultados de uma ampla investigação, guiada por teoria e hipóteses, fundada em vasto material empírico, e concebida e realizada bem antes da crise em que o país ora se debate. Inscreve-se em uma linha de pesquisa que ganhou corpo nos últimos anos, a saber: o estudo comparado dos sistemas de governo, mediante a observação de numerosos casos e uso de rigorosa estatística. Além de contribuições originais à discussão do tema, o livro abre também promissoras trilhas para exploração futura.
    Seu relevo para a interpretação de nossa conjuntura política advém, precisamente, de sua solidez e abrangência científica, que corrobora o dito: nada mais prático do que uma boa teoria. Mas as indagações de Amorim Neto almejam além da conjuntura; procuram elucidar as estratégias mediante as quais os sistemas presidenciais do hemisfério constroem os governos, mantêm-nos e os fazem funcionar na produção de políticas, sobretudo as de cunho fiscal. Assim, esses sistemas procuram contornar, com variável sucesso, a distância institucional entre os poderes Executivo e Legislativo. Tal distância, com seus desafios à governança, caracteriza o presidencialismo, mas não é desconhecida nos sistemas parlamentares, parecendo congênita às democracias contemporâneas.
    Nos últimos 300 anos, mudaram as concepções de poder e as maneiras de as nações se organizarem politicamente. Algumas delas, como a Inglaterra e, desde a sua independência, os Estados Unidos, tomaram a dianteira na experimentação de novos arranjos e combinações das diferentes funções de governo.
    A partir do final do século XVIII e ao longo do século XIX, surgiram o presidencialismo norte-americano, conhecido como “sistema de separação de poderes”, o parlamentarismo britânico, conhecido como governo de gabinete, no qual, dentro do Parlamento eleito, passaram a conviver tanto uma Assembléia quanto um Poder Executivo, formado pelo partido majoritário; e os parlamentarismos do continente europeu, sob as modalidades monárquica ou republicana, em geral com maior separação entre os poderes do que a do governo de gabinete britânico. Já no século XX, inventou-se o semipresidencialismo, na República de Weimar, com relançamento bem-sucedido na França gaullista.
    As novas democracias têm-se inspirado, em suas escolhas constitucionais, nesses modelos, sobretudo no semipresidencialismo. São permanentes, contudo, em todos esses sistemas, os desafios do relacionamento entre os poderes Legislativo e Executivo, traduzidos, entre outras, nas questões relativas à iniciativa de leis, à formação do gabinete, à disciplina partidária no apoio parlamentar ao governo, aos poderes emergenciais do Executivo e à sua capacidade de agir e impor seus desígnios à Assembléia.
    Amorim Neto explora em profundidade esse relacionamento para os sistemas presidenciais das Américas, com especial ênfase nos casos brasileiro e venezuelano.
    Nos sistemas parlamentares, a maioria parlamentar, formada por um partido ou coalizão de partidos, normalmente embasa o Poder Executivo (e embasar significa, na prática, a presença dos partidos da coalizão no ministério). Todavia, mesmo havendo tal simbiose, são ainda precisos poderes de decreto, medidas provisórias, votes bloqués, e questões de confiança e guillotines, para que a vontade do Executivo possa prevalecer sobre a da Assembléia.
    Na matriz presidencial norte-americana, o sistema partidário concentrase em duas grandes agremiações no plano nacional. Não há, pois, governos de coalizão. Conforme o partido que detenha a maioria parlamentar seja ou não o do presidente, teremos governos unificados ou divididos, com diferentes desempenhos nas suas estratégias de ação e políticas.
    Como é a situação quando o sistema partidário é fragmentado, como no caso brasileiro? O desafio constante de nossos presidentes, desde a República de 1946, como bem mostrou Sérgio Abranches em influente artigo de 18 anos atrás, tem sido o de construir uma base de apoio parlamentar, mediante coalizões.
    Nosso Poder Executivo dispõe, na Nova República, de poderes constitucionais ampliados, mas o uso deles sempre se condiciona a sua política de coalizão, que garante maior ou menor apoio parlamentar.
    Nem todas as coalizões são bem-sucedidas. Há condições a preencher, que o presente livro enuncia e submete à prova empírica.
    A investigação de Amorim Neto traz-nos conhecimento novo sobre o sistema de governo presidencial e permite-nos melhor entender seus dilemas presentes. O autor não se furta, inclusive, em seu capítulo final, de especulações normativas sobre possíveis correções de rumo do sistema de governo brasileiro e do de alguns de nossos vizinhos, na linha do semipresidencialismo.
    Presidencialismo e governabilidade nas Américas constitui, sem dúvida, uma bela contribuição para o entendimento de nossa política e, mais amplamente, dos dilemas do presidencialismo de coalizão. Sua leitura muito aproveitará não apenas ao público acadêmico, mas, também, a todos os que queiram compreender e melhor avaliar a crise pela qual estamos passando, à luz de uma visão teórica consistente e respaldada pela prova empírica."

     

    Presidencialismo e governabilidade nas Américas | Ebook*

     

    *Proteção DRM da Adobe. MAis informações em Ebooks Editora FGV

     

  • Postado por editora em em 29/04/2016 - 08:45

    No mês de maio a vida cultural carioca ganha efervescência com o 1º Festival das Livrarias do Rio, que vai mostrar como esses tradicionais espaços da cidade estão cada vez melhores.

    A programação começa com Rio 50º, debate entre Fausto Fawcett e Fernanda Abreu, dupla que cantou a beleza e o caos carioca em Rio 40º e fala agora de novos tempos e trabalhos: ela com novo CD, Amor geral, e ele com novo livro, Cachorrada Doentia.

    A música, tão presente hoje nas livrarias, está em outros debates como, A cidade e a música, com Ruy Castro e João Máximo, ou A poesia na letra da música, com Leoni e Mauro Santa Cecília, além de pocket shows de rap, rock, e samba.

    Na área visual, há debate sobre Os desenhos de Millôr Fernandes, com os curadores da mostra do IMS; outro sobre livros de fotografia, mediado por Milton Guran, organizador da FotoRio e ainda  a presença do britânico  David Loyd, criador da graphic novel  V de Vingança.

    Não falta, claro, muita literatura, com lançamentos e debates como As alegrias de ler, mediado por Suzana Vargas; Clarice Lispector no teatro, com Beth Goulart; A paixão pelos livros, com Eucanaã Ferraz e José Castello; Literatura de suspense, com Eduardo Spohr e a  Poesia do Semelhante, com Elisa Lucinda.

    Raphael Montes fala sobre Novos autores e mercado editorial e muitos deles vão estar no Festival em lançamentos ou debates como Jojo Moyes, atual campeã de vendas com dois livros entre os cinco mais vendidos há algumas semanas.

    O Festival fala também das próprias livrarias e o debate com Marcelo Moutinho, Alice Sant’anna e Fred Coelho discute se: O paraíso é uma espécie de livraria. Em outro, Muniz Sodré e Antonio Cícero homenageiam a livreira Dona Vanna em A cidade e os livros.

    Há muito sobre a cidade; O Rio de Janeiro de Ernesto Nazareth, com Beth Rito, Lima Barreto e o Rio de Janeiro, com Beatriz Rezende, a história do MAM, história do jogo do bicho, cultura de praia, a resistência das religiões afro brasileiras e a pacificação nas favelas.

    O Festival mostra que a riqueza cultural do Rio passa pelas livrarias, uma tradição da cidade, e que, nos novos tempos elas estão cada vez melhores.

    É uma realização da Associação Estadual de Livrarias do Rio de Janeiro com apoio do Sindicato Nacional dos Editores de Livros.

     

    Confira a programação da Editora FGV:

     

    10/5 | Marieta de Moraes Ferreira e Isabel falam sobre 'A história da capitalidade do Rio de Janeiro'

    Professora Marieta de Morais Ferreira | Doutora em História; Professora titular de História da UFRJ; Pesquisadora e diretora da Fundação Getulio Vargas

    Autora do livro, entre outros: Rio de janeiro: uma cidade da história

    Professora Isabel Lustosa | Doutora em Ciências Sociais; Pesquisadora titular do centro de pesquisa da Fundação Casa de Rui Barbosa

    Autora do livro, entre outros: D. Pedro I - um herói sem nenhum caráter

    Livraria Argumento | Leblon | 19h

     

    12/5 | Roberta Sampaio Guimarães e Simone Pondé Vassalo falam sobre 'A África carioca: políticas de reconhecimento e conflitos urbanos'

    Professora Roberta Sampaio Guimarães | Doutora em Antropologia; Professora na UERJ

    Autora do livro: A utopia da Pequena África: projetos urbanísticos, patrimônios e conflitos na Zona Portuária carioca

    Professora Simone Pondé Vassalo | Doutora em Antropologia; Professora do IUPERJ

    Gramma Livraria | Centro | 19h

     

    17/5 | Felipe Magalhães e  Luiz Antonio Simas falam sobre 'A história do jogo do bicho no Rio de Janeiro'

    Professor Felipe Magalhães | Doutor em História Social; Professor de História do Brasil República na UFRRJ

    Autor do livro: Ganhou, leva! O Jogo do bicho no Rio de Janeiro (1890-1960)

    Professor Luiz Antonio Simas | Mestre em História Social; Colunista do jornal O Dia

    Autor do livro, entre outros: A Roda dos Saberes do Cais do Valongo

    Livraria Argumento | Leblon | 19h

    30/5 | Sabrina Parracho e  Luiz Camillo Osório falam sobre a criação e a história do MAM do Rio

    Professora Sabrina Parracho | Doutora em Sociologia; Professora adjunta de Ciências Sociais na UFRRJ

    Autora do livro, entre outros: Construindo a memória do futuro: uma análise da fundação do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

    Professor Luiz Camillo Osório | Professor e Diretor do departamento de Filosofia da PUC-Rio; Ex-curador do Museu de Arte Moderna do Rio

    Autor do livro, entre outrs: Razões da crítica

    Blooks Livraria | Botafogo | 19h

     

    A programação completa do Festival está disponível em festivaldaslivrarias.com.br

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    Ou acesse o o link abaixo:

  • Postado por editora em Atualidades, Destques em 18/01/2016 - 10:49

    A série Gestão de Pessoas, das Publicações FGV Management, já tem dois novos títulos

    Diante das diversas mudanças no mercado, a relação profissional também muda e os temas mais relevantes são atualizados neste coleção.

    'Construção de equipes de alto desempenho ' e 'Retenção de talentos e valorização profissional' são os dois novos livros desta série.

    Confira alguns trechos da introduçãodessas obras:

     

    "O livro que você está começando a ler é sobre a construção de equipes de alto desempenho, um tema que nos remete à importância do trabalho em equipe e tudo que isso envolve para produzir resultados promissores e competitivos, levando a empresa a níveis de destaque, excelência e sustentabilidade corporativa. Desenvolver equipes de alto desempenho é um desafio constante, pois envolve uma série de fatores dinâmicos e inter-relacionados, como: comunicação, percepção, feedback, diversidade, competências e motivação, entre outros. O assunto é motivante, e a superação é sempre o foco para quem busca algo mais e tem determinação para isso.
    O objetivo dos autores é mostrar como podemos melhorar a performance das organizações por meio de equipes coesas, maduras, que apresentam um alto desempenho. Para isso, adotamos uma maneira de abordar o tema partindo de uma visão mais abrangente para uma mais específica, ou seja, tratando de equipes de forma geral, seguindo para as de alto desempenho, direcionando a discussão para a gestão e, por fim, focando nas estratégias de desenvolvimento e avaliação.
    Caro leitor, este livro está estruturado em quatro capítulos.
    Iniciamos apresentando em que consiste o trabalho em equipe, abordamos as características e tipos de equipe, discorremos sobre as condições necessárias para o trabalho em equipe e como podemos transformá-lo em vantagem competitiva. No segundo capítulo abordamos mais diretamente as equipes de alto desempenho, passando pelo seu conceito, desafios inerentes e competências de seus integrantes. Já no terceiro capítulo, que tem o foco em gestão, tratamos do tema da diversidade, identificação de papéis na equipe e como podemos influenciar a motivação dos empregados, conquistar comprometimento e utilizar o empowerment para estimular a confiança e a sinergia da equipe.
    Após compreender o que é o trabalho em equipe, as equipes de alto desempenho e a relevância da gestão nesse sentido, é importante conhecer e dominar as estratégias de ação e acompanhamento das mesmas, tópico abordado no quarto e último capítulo. Estimulamos a reflexão sobre o processo de comunicação, enfatizando suas barreiras e facilitadores, bem como o feedback como forma de desenvolvimento nas equipes."

    "A reestruturação produtiva mais recente, ocorrida em meados da década de 1990, exigiu mudanças organizacionais visando ao aumento da produtividade, exigência que não se constitui um fato novo. Desde a Depressão dos anos 1930, e após a II Guerra Mundial, a busca de ganhos de produtividade impõe reestruturações produtivas para o enfrentamento de problemas cada vez mais complexos, decorrentes de pressões externas.
    O cenário socioeconômico modelado pelas metamorfoses do mundo do trabalho provoca a demanda por modelagens flexíveis para organizar, estruturar e controlar as organizações,
    objetivando a superação dos desafios vinculados à sustentação da competitividade e lucratividade (Boltanski e Chiapello, 1999).
    Diante dessa realidade, as organizações se empenham para desenhar estratégias corporativas visando assegurar vantagens competitivas, sendo a retenção de talentos uma delas, dada sua
    relevância. As demandas econômicas, sobretudo, a partir da última década do século XX, transformaram os profissionais considerados talentos em uma condição necessária à sobrevivência das organizações. A quebra de organizações, outrora poderosas, torna-se iminente não somente devido às crises financeiras. A evasão do capital intelectual acentua esse problema, uma vez que o indivíduo, ao sair da organização, leva com ele o conhecimento acumulado, o que pode contribuir para a diminuição da capacidade da organização de efetuar entregas em níveis crescentes de excelência ao cliente e, portanto, de manter um desempenho competitivo capaz de impactar sua imagem de excelência no mercado.
    É oportuno ressaltarmos que crises financeiras nem sempre resultam de cenários econômicos turbulentos. Elas podem decorrer de administrações ineficazes, comportamentos incompatíveis com as estratégias e escassez de talentos, entre outros motivos. Assim, os temas retenção de talentos e valorização profissional despertam o interesse de pesquisadores e, por conseguinte, provocam crescentes debates no âmbito acadêmico e organizacional.
    A consciência quanto à relevância do objeto de estudo em questão demandou a escolha de um fio condutor para alicerçar os temas específicos a serem desenvolvidos no livro.
    O problema inicial enfrentado residiu na questão conceitual. A maioria das publicações recentes centradas no processo gestão de pessoas atribui inúmeros sentidos para o conceito talento. A busca da resolução desse quesito exigiu a identificação de uma definição operacional que refletisse nossas crenças e valores, estivesse alinhada à lógica de gestão predominante na atualidade e, também, fosse aderente às referências paradigmáticas nas quais, nós, autoras, decidimos assentar o desenvolvimento do livro."

     

    Construção de equipes de alto desempenho

    Retenção de talentos e valorização profissional

  • Postado por editora em Atualidades, Destaques em 23/12/2015 - 11:41

    Para os otimistas, mais um ano acabou.

    2015 - complicado, estranho e tenso - se despede, deixando muitas expectativas para 2016.

    Com esta despedida, já podemos fazer uma retrospectiva exata de tudo o que fizemos e pensar nas novidades de 2016.

    E, mantendo a tradição, vamos listar os nossos lançamentos e ações de 2015 para mantê-lo sempre atualizado com a nossa produção.

     

    O que fizemos?

    Mais de 50 novos livros impressos e vários novos ebooks disponíveis.

    Lançamos nosso primeiro livro dedicado ao público infanto-juvenil.

    A versão mobile do nosso site está no ar! Agora é possível acessar de forma mais prática todos os nossos livros.

    Nossos ebooks estão no mundo! Novas parcerias com a Amazon e a Google Play foram firmadas e já é possível escolher a melhor forma de acessar nosso conteúdo.

    Tivemos várias promoções e ações especiais em nosso site e  faremos muitas mais em 2016.

     

    O que publicamos?

    12 Segredos da Mega-Sena (revelados e discutidos com 38 apostas otimizadas)

    A "Época Pombalina" no mundo luso-brasileiro

    A ditadura em tempos de milagre: comemorações, orgulho e consentimento

    A política e a economia da despesa pública: escolhas orçamentárias, ajuste fiscal e gestão pública (elementos para o debate da reforma do processo orçamentário)

    A proteção jurídica dos animais no Brasil: uma breve história

    A questão nacional e as tradições nacional-estatistas no Brasil, América Latina e África

    Administração Financeira 1: finanças para empreendedores e iniciantes

    Água é vida: eu cuido, eu poupo: para um futuro sem crise

    Ateliê do pensamento social: práticas e textualidades - pensando a pesquisa e a publicação em ciências sociais

    Bernardo Cabral, um jurista-político

    Cidadania, justiça e "pacificação" em favelas cariocas

    Coaching e mentoring

    Complexidade aplicada à economia

    Conhecendo a justiça brasileira

    Construção de equipes de alto desempenho

    Decio Vieira

    Dicionário histórico-biográfico da Primeira República (1889 - 1930)

    Dinho e suas finanças

    Direito constitucional tributário volume 1

    Direito constitucional tributário volume 2

    Direito dos Valores Mobiliários Volume 1 Tomo 1

    Direito dos Valores Mobiliários Volume 1 Tomo 2

    Direito e desenvolvimento: diário de um jurista urbano

    Dispositivos urbanos e trama dos viventes: ordens e resistências

    Essays and conversations on monetary policy

    Estratégias de comercialização no agronegócio: estrutura de mercado e coordenação contratual

    Ética e sustentabilidade

    Excel na prática

    Felisberta e sua gente: consciência histórica e racialização em uma família negra no pós-emancipação rio-grandense

    Fernando de Azevedo

    Filantropos da nação: sociedade, saúde e assistência no Brasil e em Portugal

    Gestão da mudança e cultura organizacional

    História e memória das ditaduras do século XX - Volume 1

    História e memória das ditaduras do século XX - Volume 2

    História oral do Supremo [1988-2013] 5 vols.

    Maquiavel no Brasil: dos descobrimentos ao século XXI

    Marketing internacional

    Memória, história e historiografia

    Mundos em mediação: ensaios ao encontro de Gilberto Velho

    Nobrezas do Novo Mundo: Brasil e ultramar hispânico, séculos XVII e XVIII

    O bom combate: Gustavo Corção na imprensa brasileira (1953-1976)

    O ensino de história em questão: cultura histórica, usos do passado

    Os desafios da substituição tributária: a incidência do ICMS sobre o vinho

    Quem tem medo de falar sobre drogas?: saber mais para se proteger

    Repensando os estudos organizacionais: por uma nova teoria do conhecimento

    Retenção de talentos e valorização profissional

    Rio de Janeiro: uma cidade na história

    Rio-Branco, grande estratégia e o poder naval

    Soluções alternativas de controvérsias no setor público

    Tributação e sustentabilidade ambiental

    Uma agenda para o Rio de Janeiro: estratégias e políticas públicas para o desenvolvimento socioeconômico

     

    2016?

    Muito mais! Novos projetos, novas publicações, novas ações.

     

    Obrigada pela companhia e que venha o novo ano!

     

     

  • Postado por editora em Atualidades, Destaques, Entrevistas, Opinião em 14/12/2015 - 12:01

    Educação financeira é coisa séria, mas também pode ser divertida.

    Aprender a lidar com dinheiro de maneira consciente, responsável e criativa é o tema de Dinho e suas finanças, primeiro livro que dedicamos ao público infanto-juvenil.

    A história de Dinho, um menino que ganha um presente especial no seu 12º aniversário, é contada de forma lúdica e começa com o personagem seguindo algumas pistas espalhadas pela casa, numa espécie de caça ao tesouro, até descobrir o que iria ganhar do avô.

    Dinho recebe uma quantia em dinheiro para que arque com algumas de suas despesas mensais, sobrando alguma coisa para uso pessoal. O presente será repetido mensalmente, mas o avô pede que o neto controle seus gastos de acordo com as receitas, adotando uma postura de responsabilidade financeira.

    O livro conta, de maneira construtiva e consciente, as aventuras de Dinho e seus esforços para controlar suas finanças ao longo de um ano e a partir daí.

    David F. Hastings, autor do livro e professor da FGV/EAESP, comentou sobre a importância e a intenção da obra. Confira:

    "Para os que, como eu, nasceram no século 20 (no meu caso particular, na primeira metade do século), às vezes é espantosa a facilidade com que os jovens, nascidos já no século 21, entendem intuitivamente o funcionamento das coisas. Mas isso não nos livra da obrigação (e do prazer) de oferecer orientações para ajudá-los a organizar seus entendimentos. Se pudermos contribuir para a boa formação dos jovens (na área de finanças e em todas as outras), talvez possamos reduzir o nível de incompetência com que as coisas vem sendo tocadas."

    A abordagem da obra segue a vertente do Programa de Educação Financeira nas Escolas - projeto pedagógico estruturado para contribuir com as principais questões da escola na atualidade, criando o pensamento em educação financeira desde os anos iniciais do ensino fundamental.

     

     

    Dinho e suas finanças

    David F. Hastings

    Impresso: R$20

    Ebook | Em breve

    Arquivos:
  • Postado por editora em Atualidades, Destaques, Entrevistas em 01/12/2015 - 14:43

    Helenice Aparecida Bastos Rocha, Marcelo de Souza Magalhães e Rebeca Gontijo se reuniram novamente para colocar O ensino de história em questão.

    A nova obra, que traz o subtítulo 'cultura histórica, usos do passado', é uma coletânea de artigos de diversos historiadores que buscam uma possibilidade de articulação entre os estudos sobre ensino escolar de história e aqueles que focalizam a cultura histórica ou as possibilidades de produzir, ensinar e aprender história para além do espaço escolar.

    A primeira parte do livro reúne um conjunto de reflexões sobre as noções de cultura histórica, consciência histórica, educação histórica e linguagens. Tais noções estão presentes nos mais variados estudos que se dedicam a pensar o ensino escolar de história hoje, configurando vertentes interpretativas de acordo com a concepção de cada autor sobre o conceito utilizado.
    A segunda, abriga estudos sobre ensino e aprendizagem da história em diferentes momentos e lugares. Da universidade à escola, passando pelos problemas que envolvem a formação do historiador e do professor de história, incluindo o contato dos estudantes universitários com o ambiente escolar e sua cultura própria e, também, com a pesquisa histórica. Desenvolvendo saberes e sensibilidades, os estudantes de história, nos diferentes níveis, aprendem a pensar historicamente e a lidar com os vestígios do passado, construindo a história escrita e ensinada.
    E, por fim, a terceira parte inclui algumas reflexões sobre a história no espaço escolar e além dele. Do rádio à banca de jornais, passando pelas escolas, as narrativas históricas assumem formatos diversos visando atingir públicos e objetivos diferenciados, e construindo sentidos para o passado.

    Conversamos com a professora Helenice Rocha sobre esta obra, e ela respondeu 3 perguntinhas para nosso blog. Confira:

    1.       Quais os principais desafios do ensino de história nos dias de hoje?

    São muitos, alguns deles, contemplados na discussão do livro, são a concepção de formação histórica dos alunos na escola e dos professores nas licenciaturas, as ideias sobre como ocorrem e podem ocorrer essas formações, na escola e fora dela, através das mídias, hoje e no passado.

    2.       De acordo com a apresentação da obra “é possível compreender a cultura histórica como a relação que uma sociedade mantém com seu passado.” Diante desta observação, qual a importância dos ‘usos do passado’ no desenvolvimento da nossa sociedade?

    A partir de reflexões sobre as diferentes expressões da história e do passado, hoje sabemos que o passado é mobilizado, evocado e usado para diferentes fins, além do escolar e do acadêmico. Especialmente os meios de comunicação social usam o passado como argumento para o que noticiam, mesmo quando não falam diretamente da história. Assim, tomar conhecimento dessas mobilizações possibilita um olhar crítico sobre a construção social da de narrativas sobre a sociedade a que temos acesso através da televisão, do rádio e do jornal, por exemplo.

     3.       Qual o principal objetivo desta obra?

    Este livro pretende apresentar ao público interessado no ensino de História o resultado de um ciclo que se iniciou em 2011, quando passamos a convidar pesquisadores de destaque, representantes de pensamentos diversos sobre o ensino de História como um dos usos possíveis do passado. Visou-se propiciar debates entre eles e os pesquisadores do grupo Oficinas de História, abertos ao público em geral. Tanto as contribuições dos convidados quanto parte das contribuições dos componentes do grupo constituíram os capítulos do livro.

     

    O livro será lançado na Livraria Prefácio, no próximo dia 8 de dezembro, às 19h.

    Esperamos por todos.

     

     

     

    O ensino de história em questão: cultura histórica e usos do passado

    Organizadores: Helenice Aparecida Bastos Rocha, Marcelo de Souza Magalhães e Rebeca Gontijo

    Impresso: R$47

    Ebook: 33

     

    Arquivos:
  • Postado por editora em Atualidades, Destaques em 30/11/2015 - 12:36

    A série Gestão de Pessoas, das Publicações FGV Management, começa a ser renovada.

    Diante das diversas mudanças no mercado, a relação profissional também muda e os temas mais relevantes são atualizados neste coleção.

    'Ética e sustentabilidade' e 'Coaching e mentoring' são os dois primeiros livros desta nova série.

    Confira a introdução dessas obras:

    "Este livro apresenta teorias e práticas sobre ética e sustentabilidade com o objetivo de facilitar a reflexão sobre um conjunto de ideias que sirvam de referência para a leitura crítica de sua realidade, assim permitindo a identificação do quanto a melhoria da qualidade das relações éticas e da prática da sustentabilidade nas organizações já exigem ações da sua parte.
    A compreensão desenvolvida por meio da leitura dos capítulos ilumina as atuais questões éticas e de sustentabilidade no âmbito empresarial, buscando, desse modo, tornar claros seus impactos nos resultados profissionais e empresariais. O diagnóstico da situação atual orientará a definição de ações para o alcance de melhorias nas práticas da dignidade humana nas organizações e da sustentabilidade da vida na Terra.
    O primeiro capítulo discute conceitos, princípios e fundamentos da ética e da moral, coloca a ética no plano da reflexão e a moral no nível das ações, para demonstrar a relação entre regras morais e moralidade, amoralidade e imoralidade. Depois, são apresentados dois modelos de gestão ética, um deles fundamentado na deontologia kantiana e o outro no utilitarismo inglês, para logo a seguir identificarmos as vantagens e desvantagens de suas aplicações nas organizações. Os desafios éticos da pós-modernidade servem de cenário para a discussão sobre a liderança ética e seus efeitos positivos nos resultados empresariais, no contexto específico da moral patrimonialista presente na sociedade e nas organizações brasileiras, destacando-se aí o abuso de poder e os papéis do código de conduta ética e do comitê de ética.
    No segundo capítulo, são apresentados fundamentos, indicadores e normas para estabelecer uma estrutura conceitual capaz de analisar ações de responsabilidade social desenvolvidas nas organizações. Aproveitamos o contexto delineado para discutir o papel do terceiro setor e de suas associações representativas. Em seguida, discorremos sobre a importância do alinhamento entre objetivos de acionistas e de gestores das organizações por meio da governança corporativa. Já a reputação da organização é apresentada como um importante ativo intangível que necessita ser gerenciado e, finalizando, abordamos o desenvolvimento moral da organização por meio da análise dos estágios de maturidade pré-convencional, convencional e pós-convencional.
    O terceiro capítulo examina fundamentos, conceitos e princípios da sustentabilidade; depois destaca os objetivos do desenvolvimento sustentável e apresenta a evolução conceitual até o triple bottom line. A partir daí, detalha seus pilares econômico, ambiental e social, bem como os estágios para a sustentabilidade corporativa. Na sequência, são apresentadas as múltiplas demandas dos stakeholders, o retorno intangível e o gerenciamento do risco corporativo, para concluir com a descrição de modelos de avaliação de sustentabilidade.
    Finalmente, apontamos as conclusões possíveis de alcançar em função dos limites estabelecidos pelos conceitos e experiências apresentados nos capítulos."

     

    "Estamos vivendo um momento de transição no que diz respeito à área de gestão de pessoas. Trata-se da migração de uma lógica de departamento de pessoal para o chamado RH estratégico (Ulrich, 2000). Inicialmente, a área concentrava atividades meramente burocráticas, tais como admissão, registros e folha de pagamento. Em seguida, passou a trabalhar com treinamento, avaliação de desempenho e demais dimensões funcionais, mas ainda de forma fragmentada. Mais recentemente, ganhou contornos estratégicos, aproximando-se das áreas de negócios (Wood Jr., Tonelli e Cooke, 2012).
    Considerando esse contexto de evolução, parece não haver mais dúvidas de que pessoas não são recursos; são geradoras de recursos. Produtos ou serviços isoladamente não são mais diferenciais. O que destaca hoje uma organização é a gestão do conhecimento, a inovação, a dimensão humana. Isso significa que as organizações precisam de pessoas competentes, motivadas e comprometidas. O que se espera hoje de gestores, bem como de analistas e de técnicos de gestão de pessoas está alinhado aos novos papéis da área, sobretudo o de parceiro estratégico da organização. Esperam-se, portanto, profissionais com capacidade de liderança, visão sistêmica, flexibilidade, capacidade de negociação, além da capacidade para discutir as estratégias da empresa e desenvolver políticas alinhadas a tais estratégias.
    Esperam-se profissionais que discutam o negócio com as outras áreas da empresa e que tenham a ética e a sustentabilidade norteando todas as suas ações.
    Diante do exposto, leitor, entendemos que no atual ambiente de negócios é tarefa do profissional buscar permanentemente o autoconhecimento e o autodesenvolvimento. É preciso identificar
    suas competências e trabalhar para aprimorá-las, bem como adquirir outras que ainda não tem. Nesse sentido, processos como os de coaching ou mentoring podem ser muito úteis.
    Você, provavelmente, já ouviu falar sobre tais processos. Eles ganharam bastante espaço nas revistas de negócios e em sites especializados. O número de cursos oferecidos sobre o tema parece, também, ter se multiplicado, assim como o número de profissionais que hoje se dedicam a essa atividade.
    O objetivo deste livro é apresentar a essência do conceito tanto de coaching quanto de mentoring, as características dos processos, bem como discutir as aplicações no âmbito individual e organizacional. Para tanto, o livro está dividido em quatro capítulos, além desta introdução e da conclusão.
    O capítulo 1 apresenta os principais aspectos que caracterizam a sociedade em que vivemos e como esses aspectos penetram no mundo do trabalho. Em seguida, discute como o ambiente de negócios responde às principais mudanças. Por fim, traz à tona o desenvolvimento de competências e a gestão de carreira, a fim de contextualizar o surgimento e a disseminação do coaching e do mentoring nas organizações contemporâneas.
    O capítulo 2 aborda o processo de mentoring. Apresenta o conceito e as características do processo, bem como o perfil do mentor e do mentorado. Traz, ainda, o mentoring B2B e a aplicação do mentoring no exercício da liderança. Por fim, apresenta os requisitos, as técnicas e as etapas, além de discutir programas ligados ao processo e seus fatores críticos de sucesso.
    O capítulo 3, por sua vez, traz o processo de coaching.
    Inicialmente, são apresentados o conceito e as disciplinas que fundamentam o processo, bem como as principais abordagens metodológicas. Em seguida, são apresentados os tipos de aplicação mais comuns de coaching, assim como as macroetapas de um processo, para ilustrar sua aplicação. Por fim, são discutidas a formação do coach, as vantagens e os riscos inerentes ao processo.
    Nos capítulos 1, 2 e 3, foram apresentados aspectos mais teóricos acerca do tema, ou seja, uma base conceitual, que permitiu trazer a prática à tona. O capítulo 4 tem, portanto, contornos mais pragmáticos. São abordados os impactos dos processos de coaching e de mentoring no desenvolvimento pessoal e profissional dos indivíduos. Partimos do entendimento de que o ponto inicial para escolhas, mudanças, aquisições e aprimoramento de competências, bem como para a gestão da carreira é o autoconhecimento. Como sugere Vergara (2010:67), “a busca do autoconhecimento, certamente, conduz ao autodesenvolvimento”.
    Na sequência, portanto, o capítulo trata do autodesenvolvimento e do autocontrole. Traz, ainda, considerações sobre valores e visão de futuro. A primeira parte, portanto, é dedicada ao diagnóstico. A partir daí, explora o plano de ação e ajuste de metas. Por fim, o capítulo aborda a questão da gerência do tempo, que pode ser um aliado nos processos de desenvolvimento pessoal e profissional."

    Ética e sustentabilidade Coaching e mentoring

  • Postado por editora em Atualidades, Destaques em 19/11/2015 - 18:04

    Direito e desenvolvimento: diário de um jurista urbano, de Carlos Ragazzo - professor da FGV Direito Rio, faz parte da Coleção FGV de Bolso, série Direito & Sociedade.

    O livro analisa novas tendências de diversos mercados e escolhas regulatórias recentes.  Os assuntos são tratados sem o formalismo acadêmico, facilitando a compreensão geral e destacando a importância que boas instituições têm para o desenvolvimento do Brasil.

    Por meio de uma linguagem direta e concisa, o autor aborda os mais variados temas de direito e desenvolvimento e pretende democratizar o conhecimento técnico.

    É formado por uma coletânea de posts que tratam de questões regulatórias ou concorrenciais de forma simplificada e aplicada às questões cotidianas da sociedade, como as mudanças no setor de transporte aéreo, desde a política de milhas às concessões dos grandes aeroportos brasileiros para a iniciativa privada; a regulação dos planos de saúde; as propostas legislativas sobre a prevenção da obesidade e a política da meia-entrada.

    Questões sobre a cidade, transporte urbano e trânsito, as medidas regulatórias para resolver os problemas relacionados e a relação entre precificação de imóveis, congestionamentos e processos de revitalização urbana, também são abordadas neste diário, que reúne textos originalmente publicados como posts no blog do autor, Direito e Desenvolvimento da revista Exame.

    Confira a introdução da obra:

    Ao longo da massificação do mundo online, cheguei a ouvir que a internet iria efetivamente destruir a imprensa tal como a conhecemos. Os jornais tradicionais em papel não existiriam mais (seriam aniquilados por edições virtuais de sites individuais, sem vínculo com grupos de mídia). A própria profissão de jornalista estaria sob perigo, substituída por blogueiros, que seriam capazes de veicular uma quantidade maciça de informação já se adaptando a um mundo que precisa de imagens e textos curtos, atualizados com muita frequência, fidelizando o leitor, que retorna recorridas vezes.

    Os jornais apanharam bastante, mas vários sobreviveram. E, por incrível que pareça, o mundo virtual não dizimou o papel. Na verdade, agregou. Depois de muitos anos de redução de volumes impressos, alguns países já enxergam um novo aumento de tiragem em papel. Embora alguns vejam isso como um movimento vintage, parecido com a volta do vinil no mercado de discos, acredito que houve sim uma enorme transformação no mercado de notícias, mas que a imprensa, tal como ela é, não irá morrer nos próximos anos. Não por conta da internet. Ela se transformou e oferece mais opções.

    Dois pontos são importantes. Primeiro, o grau de especialização. Tradicionalmente, os jornais eram mais gerais, com diversos cadernos (política, economia, mundo, entretenimento etc.), exceção feita aos jornais com maior foco em economia e finanças. Hoje, o mundo online conseguiu identificar demandas mais diversificadas por informações, gerando a criação de empresas que veiculam notícias que interessam a grupos menores com objetivos comerciais. E, além disso, a velocidade das informações também se alterou, com o uso, por exemplo, de broadcasts, em que as notícias são distribuídas praticamente minuto a minuto (quase como se acompanhando um evento esportivo, reportando o resultado lance a lance, com dados precisos sobre o evento).

    E onde os blogs se inserem nesse contexto? Acho que a resposta varia de blogueiro para blogueiro (esse nome, aliás, já virou profissão). Serão os blogueiros uma versão mais contemporânea ou mais despojada do tradicional colunista que trabalha em grandes jornais? Difícil definir. Um blogueiro não necessariamente é um especialista no assunto que escreve. Mas pode ser. E não precisa ser famoso, embora, claro, também possa ser. E, acima de tudo, não precisa ser jornalista (mas, como se sabe, jornalistas também mantêm blogs; no mais das vezes esses são os blogs mais lidos, mais influentes e exitosos). Mas, a meu ver, o blog é uma vontade de escrever, às vezes compromissada, às vezes meramente cotidiana, sobre assuntos que chamam a atenção do autor. Cada blog, no entanto, tem sua história. No meu caso, o blog foi um enorme processo de descobrimento dos assuntos que chamavam a minha atenção. Na verdade, foi um verdadeiro instrumento de identificação de temas para refletir ou mesmo pesquisar, sendo parte bem importante do meu trabalho como professor da FGV DIREITO RIO.

    O desafio inicial foi o de delimitar uma temática mais definida (já que blogs com assuntos variados demoram a emplacar), o que até hoje ainda não consegui. E, por isso, os primeiros posts eram relacionados a assuntos mais próximos ao meu mundo profissional, tratando de questões regulatórias ou concorrenciais. Nesses posts, o leitor vai encontrar uma tentativa de explicar, de forma simplificada, questões complexas, informando, sem viés (na medida do possível), as opções que existem para intervir em determinado setor e quais os objetivos pretendidos por legislações novas e velhas.

    Nessa direção, existem vários posts tratando de mudanças no setor de transporte aéreo, procurando esclarecer dúvidas sobre os mais variados assuntos, da política de milhas às concessões dos grandes aeroportos brasileiros para a iniciativa privada, explicando como essa medida se relaciona ou não com o bem-estar dos passageiros no médio prazo. O mesmo pode ser dito com relação a posts envolvendo planos de saúde, a nova agência reguladora Serviço Florestal Brasileiro (faz sentido privatizar florestas?) e o processo de judicialização de todas as agências reguladoras, uma “velha novidade” no Brasil. Ao lado de temas mais técnicos, o leitor também vai encontrar temas regulatórios bem cotidianos, como posts que endereçam e explicam o que o governo propõe para evitar obesidade ou mesmo como a meia-entrada deveria ser remodelada para evitar abusos bem evidentes.

    O próximo conjunto de posts aborda reflexões sobre a cidade, mais especificamente sobre transporte urbano e trânsito (a grande maioria dos posts trata do assunto, com a identificação de tendências, medidas regulatórias para resolvê-lo e impactos que dele derivam, como: qual a relação entre precificação de imóveis e congestionamentos). Como o trânsito pode melhorar? O que o governo está fazendo nessa direção? Os exemplos acabam se restringindo primordialmente a São Paulo e, especialmente, ao Rio de Janeiro, mas tratam de circunstâncias que hoje são realidade em praticamente todas as cidades. Ao lado de problemas de trânsito, os posts aqui agregados também falam sobre a cidade e seus vários serviços, como os serviços funerários (é difícil enterrar alguém?), e mesmo processos de revitalização urbana, com especial atenção para iniciativas governamentais para melhorar condições de habitação.

    Longe dos problemas urbanos, há também um grupo de posts que fala sobre tendências de mercado, explicando qual a estratégia de várias empresas (no que se incluem os cafés como a rede Starbucks, um exemplo de diferenciação com enorme sucesso em grandes centros urbanos, e as empresas que entenderam a existência de um mercado para vender fast-food, só que com comida saudável). E outros que tratam de questões mais estruturais, como o ambiente de negócios para empresas no Brasil e o movimento de aumento de preços dos imóveis (a recorrente pergunta sobre a bolha imobiliária). Em seguida, o objeto da discussão migra para a educação (parte da discussão envolve preparação para o mercado de trabalho) e seus respectivos percalços. Por uma questão meramente pessoal (há mais de 10 anos sou professor de faculdade), a maioria dos textos acaba sendo mais sobre o ensino superior do que sobre a cadeia de ensino básico. E, mais ainda, especificamente sobre o mercado de ensino de direito.

    O excessivo foco em concurso público e o respectivo peso nos currículos definidos pelo MEC acabaram empurrando a faculdade para um papel meramente preparatório única e exclusivamente para essa opção, impedindo uma maior diferenciação de currículos e de estratégias didáticas. Vários posts se dedicam a debater essas questões, como os que tratam de método de ensino, processo de internacionalização das faculdades e até a proliferação de rankings de qualidade oficiais e extraoficiais.

    Ao contrário do que imaginei quando comecei o blog, em 2012, os textos não ficaram centrados em questões regulatórias e concorrenciais. Mas guardei espaço para essas áreas nos posts, o que acabou fazendo com que escrevesse também textos sobre concorrência. Embora fosse previsível que os textos tratassem de casos no Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência, órgão em que trabalhei por aproximadamente seis anos, acabei optando majoritariamente por escrever sobre questões concorrenciais não relacionadas a investigações de cartéis ou a processos de concentração (aquisições ou fusões). Achei mais interessante ver como instrumentos não estatais poderiam ter impacto na concorrência. Dois textos abordam como a tecnologia alterou o padrão de competição (com cenários mais previsíveis, como a entrada do Big Data como elemento de competição, e outros menos, como o papel das redes sociais na redução de preços).
    Ao contrário de posts semanais (ou não: tenho uma enorme dificuldade para manter a periodicidade dos textos), o livro mostra pensamentos que podem ser vistos de maneira agregada, refletindo o caminho de descoberta de um grupo de
    temas. Esse processo aconteceu de forma natural à medida que os assuntos foram chamando minha atenção e provocando minha reflexão. Este livro, de certa forma, demonstra que escrever depende, na verdade, de um exercício de identificação com aquilo que se escreve. Essa descoberta é muito difícil. O blog Direito e Desenvolvimento me ajudou muito nisso. Como eu disse, a imprensa não só não morreu, como também resolveu abraçar blogueiros. Há espaço para todos e a Exame, em particular, enxergou muito bem essa tendência.
    Espero que este livro sirva para ajudar a organizar o fluxo de pensamento de outras pessoas. É a melhor forma de evitar bloqueios e, além disso, um excelente incentivo para as pessoas que querem montar blogs, publicar livros ou mesmo
    aprender a expor ideias.

     

     

    Direito e desenvolvimento: diário de um jurista urbano

    Carlos Ragazzo

    Coleção FGV de Bolso | Série Direito & Sociedade

    Impresso: R$24

    Ebook: R$16

     

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