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  • Postado por editora em Opinião em 11/03/2011 - 16:25

     Por Carlos Eduardo Rebello*

    "Em 2011, toda a obra de León Trotski caiu em domínio público. Isto porque, quando um autor completa sete décadas de morte, a partir do primeiro dia do ano seguinte seus livros passam a ter livre uso comercial. Trata-se de uma ótima oportunidade para facilitar o acesso dos leitores aos pensamentos deste que é o mais moderno dos clássicos marxistas.

    Alguém poderia perguntar: qual o sentido de ler ou escrever sobre um projeto político e social 'fracassado' e 'ineficiente'? A resposta é simples. O fracasso da experiência soviética não pode invalidar o socialismo. Do mesmo modo que os acidentes rodoviários não invalidam a indústria automobilística.

    Ora, nem Marx nem qualquer um dos seus seguidores jamais supôs que o objetivo do Socialismo fosse criar uma sociedade 'superior', e sim que o socialismo seria uma necessidade objetiva criada pela contradição básica do capitalismo: a criação de riquezas sociais (novas tecnologias, produtos e necessidades) para fins anti-sociais, porque privados.

    As conseqüências desta contradição . desemprego, destruição de recursos naturais etc . exigem ainda hoje o Socialismo. Não como um ideal, mas como necessidade concreta. Que o projeto bolchevique tenha fracassado apenas torna mais importante a busca pela sintonia fina entre o social e o político, e acredito que isso justifique o interesse por Trotski e os marxistas".

    Carlos Eduardo Rebello é economista, professor da Uerj e autor do livro Trotski diante do socialismo real: perspectivas para o século XXI, da Editora FGV.

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